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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SÃO BARTOLOMEU, Apóstolo e Mártir (esfolado vivo).



São Bartolomeu foi um dos doze discípulos de Jesus Cristo. Seu nome vem da língua aramaica e faz uma referência ao nome de seu pai. Bartolomeu vem de “Bar Talmay” e significa “filho de Talmay”.


São Bartolomeu é Natanael

As narrações bíblicas não enfocam São Bartolomeu de maneira especial. A não ser numa passagem do Evangelho de João, as passagens bíblicas limitam-se a citar seu nome entre os doze escolhidos por Jesus. Sabe-se, porém, através dos Evangelhos, que Bartolomeu é o mesmo apóstolo Natanael, citado em outros trechos evangélicos. Isso fica bastante claro quando se faz uma comparação entre os Evangelhos Canônicos.


Desdenha Nazaré

Natanael é um nome que quer dizer "Deus deu". Este nome ganha um novo sentido se observarmos que Natanael veio de Caná da Galiléia. Lá, ele presenciou o primeiro milagre de Jesus, nas famosas “Bodas de Caná”. Conferir o Evangelho de João 2, 1-11. Como São João evangelista nos conta, o discípulo Filipe contou a Natanael (ou Bartolomeu) que tinha acabado de encontrar o Messias.
E disse-lhe ainda que o salvador vinha de Nazaré. Natanael imediatamente respondeu conforme o conhecimento da época. Ele disse: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" (Jo 1, 46). Essa pergunta de São Bartolomeu mostra claramente que o Messias, ou o Salvador, era esperado como um grande general, vindo de lugares importantes de Israel, e não de um vilarejo perdido na Galileia chamado Nazaré.


O Encontro pessoal com Jesus

Quando São Bartolomeu se encontrou com Jesus, aquele “Messias vindo de Nazaré”, recebeu do Mestre um elogio inesperado. Jesus disse a ele "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo  1, 47). São Bartolomeu, surpreso, respondeu: "De onde me conheces?" Jesus respondeu revelando a ele sua messianidade: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira".
Sem dúvida, Jesus faz menção a um momento importante na vida de Bartolomeu. Sentindo o olhar do mestre, Bartolomeu percebe que aquele Mestre realmente o conhece. Depois desse momento, Bartolomeu decide seguir o Mestre e faz a sua profissão de fé em Jesus. Ele diz: "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel".


São Bartolomeu, discípulo e apóstolo

São Bartolomeu seguiu a Jesus nos três anos de vida pública do Mestre em Israel. Ele presenciou os ensinamentos, as ações, os milagres, a morte e a ressurreição de Jesus. Ele estava em Pentecostes, no nascimento da Igreja, quando o Espírito Santo veio sobre todos e todos se tornaram missionários corajosos da Boa Nova pelo mundo.
Bartolomeu conheceu pessoalmente Nossa Senhora, e dela certamente aprendeu mais sobre os ensinamentos do Mestre. Assim, cheio do Espírito de Deus, depois de ter sido discípulo de Jesus, ele passou a ser Apóstolo, palavra grega que quer dizer “Enviado”. Ele foi enviado, Apóstolo, em nome de Jesus. E fez maravilhas pelo Reino de Deus em terras longínquas.

Missão de São Bartolomeu

A Tradição da igreja e fontes históricas nos dizem que São Bartolomeu foi anunciar Reino de Deus até ao distante país da Índia. Há outra tradição, ela afirma que São Bartolomeu foi pregar o Evangelho onde é hoje a Europa Oriental. Lá, ele realizou uma maravilhosa missão acompanhada de conversões sinceras que confirmavam a pregação da Palavra de Deus.


Martírio

Depois dessa frutuosa missão em que muitos se converteram a Jesus Cristo e onde várias comunidades cristãs foram criadas, São Bartolomeu foi martirizado, vítima de esfolamento de toda a sua pele. Foi na cidade de Albanópolis, hoje Derbent, na região russa do Daguestão, às margens do mar Cáucaso. Ele teria sido morto por ordem do governador local, que não aceitou a pregação do cristianismo em suas terras.


Iconografia (Representação artística)

Essa tradição é tão forte que São Bartolomeu foi pintado na Capela Sistina segurando a pele de seu corpo em sua mão esquerda e, na mão direita, uma adaga, tipo de uma espada afiada, instrumento do martírio que ele sofreu. Séculos depois, as relíquias de São Bartolomeu foram transportadas para Roma e estão hoje na igreja dedicada a ele.


Devoção a São Bartolomeu


A festa litúrgica de São Bartolomeu é celebrada no dia 24 de agosto, provável dia de sua morte. As igrejas da Europa oriental devem sua fé, em última instância, à pregação corajosa de São Bartolomeu, cujos frutos permanecem até hoje.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Beato Bartolmeu Fanti, Presbítero Carmelita da Congregação Mantuana (memória em 05 de dezembro).


No dia 05 de dezembro os carmelitas celebram a memória facultativa do Beato Bartolomeu Fanti, italiano nascido em Mântua (em italiano diz-se “Mantova”). Não se tem muitos dados sobre a vida de Bartolomeu Fanti, que foi um dos diversos santos carmelitas de destaque que adornaram a cidade de Mântua durante o século XV. Nasceu por volta do ano 1443, e ingressou na Ordem com dezessete anos de idade.
Em 1452 já era sacerdote Carmelita da Congregação Mantuana (vide explicação abaixo). Após a ordenação sacerdotal, mostrou-se um pregador de grande poder. Suas palavras atraíam e convenciam seus ouvintes.  Foi durante 35 anos, praticamente até a sua morte,  diretor espiritual e reitor da Confraria da Bem-Aventurada Virgem Maria na igreja carmelita de sua cidade, para a qual escreveu a Regra e Estatutos, dedicando-se a esta tarefa com fervor e zelo, como se fazia necessário devido a importância social e religiosa desta Confraria.
Humilde e manso, foi para todos um exemplo de oração, generosidade e fidelidade no serviço à Deus. Distinguiu-se por um grande e profundo amor à Eucaristia, centro de sua vida apostólica. Era realmente admirável a devoção que tinha para com Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Foi através da unção com óleo da lamparina que ardia diante do Santíssimo que o Beato Bartolomeu realizou diversos dos seus milagres de curas. Distinguiu-se também por uma profunda e filial devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo, Patrona da Ordem.  
Foi mestre de noviciado do Beato Batista Mantovano, grande poeta e teólogo carmelitano, que fala dele como “um santo guia e mestre espiritual”.
Morreu em Mântua no dia 05 de dezembro de 1495 e seu corpo, depois de várias transladações, conserva-se hoje intacto na Catedral de Mântua. O decreto de confirmação de seu culto foi ratificado pelo Papa Pio X em 18 de março de 1909 e sua festa é celebrada no dia de sua morte.


Oração
Deus, nosso Pai, fizestes do Beato Bartolomeu Fanti um apóstolo do culto à Divina Eucaristia e da devoção à Santíssima Virgem Maria, concedei-nos, a nós também, a mesma riqueza espiritual que ele encontrou mediante a prática destas devoções. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.



 


A Congregação Mantuana (1413-1783)

A congregação de Mântua viu a luz antes da mitigação da Regra, no ano de 1413, por obra de Jacó Alberto e o Beato Angelo Mazinghi. Estes dois religiosos começaram a vida reformada no convento de Le Selve, perto de Florença. Pouco depois esta vida reformada começou no convento de Mântua por obra dos PP. Francisco Tomás e Gigón de França. Neste convento se formaram ótimos religiosos como o beato Bartolomeu Fanti e o Beato Batista Mantuano.
No ano de 1427 agregou-se à Congregação um novo convento, o de Gironde, na Suíça, da diocese de Sitten. Entre os fundadores deste convento está Tomás Connecte, chamado o “Savonarola Francês”, célebre pregador e reformador violento que morreu em Roma queimado vivo, por acusação de heresia não retratada.

Até o ano de 1452 a Congregação de Mântua teve somente estes três conventos. Depois fundaram conventos em Ferrara, Brescia, Lucca, Parma, Modena, Bolonha, Bérgamo, Gênova, Milão, Florença, Pistóia, Veneza, Pavia e outros. Quando a Congregação foi suprimida contava com 53 conventos de frades e 7 de monjas. Estava dividida em 6 províncias.

Em 1442 a Congregação foi aprovada por Eugênio IV com o direito de eleger seu próprio Vigário Geral. Como tal foi eleito Pedro Estêvão de Toulouse. Floresceram em santidade Tomás de França, o Beato Angelo Mazzinghi, o Beato Bartolomeu Fanti, o Beato Batista Spagnoli, a Beata Juana Scopelli e a Beata Arcangela de Trino. Deu também esta Congregação dois gerais para a Ordem: Cristóvão Martignone (1472-1481) e o B. Batista Spagnoli (1513-1516).


O hábito que usavam os reformados era de cor cinza e a capa curta, e as sandálias da mesma cor do hábito ou brancas. Os mantuanos observavam com rigor o voto de pobreza e davam extremo valor à observância da vida comum. No dia 21 de março de 1783 o Papa Pio VI agregou os seus conventos à Ordem, extinguindo a Congregação como tal.

domingo, 7 de junho de 2015

Beata Ana de São Bartolomeu, Virgem Carmelita Descalça. Companheira inseparável e confidente de Santa Teresa de Jesus.


  

Nascida a 01 de Outubro de 1549, em Almendral, aldeia pertencente à diocese de Ávila, na Velha Castela, era filha de ricos lavradores, modelos de vida cristã, caridosos para com a pobreza e altamente piedosos.

Órfã aos dez anos, para ganhar a vida fez-se pastora, o que a impediu de estudar. Embora os irmãos se opusessem, Ana, aos 2 de Novembro de 1570, procurou o convento das carmelitas descalças, que Santa Teresa fundara em Ávila. Primeira postulante conversa, Ana foi humilde, profundamente humilde, obedientíssima e serviçal. E a afeição que se estabeleceu entre Ana de São Bartolomeu e Santa Teresa foi rápida e profunda, afeição que havia de durar até a morte, sem que jamais sofresse o mínimo declínio.

Ana principiou a profissão a 15 de Agosto de 1570. Pouco depois, teve uma visão, na qual Nosso Senhor lhe mostrou as devastações que o calvinismo fazia na França. Sequiosa de salvar almas, impressionada, entrou a praticar severas mortificações.

No Natal de 1577, Deus concedeu-lhe uma grande delicadeza: Santa Teresa quebrara o braço, e Ana, desolada por ver a Madre impossibilitada de responder a imensa correspondência, trabalho estafante que era, obteve, miraculosamente, a graça de saber escrever; desde aquela época, tronou-se secretária oficial da santa fundadora. E, de 1579 a 1582, ano em que Santa Teresa faleceu, foi companheira inseparável nas viagens que a venerável Santa teve que empreender, no curso dos trabalhos que exigia o estabelecimento da reforma do Carmelo.

"Às vezes – escreveu a Beata Ana de São Bartolomeu – ela viajava dias inteiros sob a chuva e a neve, não encontrando aldeia alguma por muitas e muitas léguas, não fazendo outra coisa senão tremer até os ossos. À noite, nas hospedarias, não havia fogo, nem meios de o entreter, nem coisa alguma para comer. Os alojamentos eram tais que, das camas, podia-se perceber o céu, e a chuva caía cômodo adentro, Muitas vezes, o hábito de nossa Santa Madre encontrava-se gelado" ...

Alquebrada pela idade (naquela época era raro uma mulher viver além dos 60 anos) pelos duros trabalhos e a oposição dos adversários, faleceu Santa Teresa no mosteiro de Alba de Tormes, a 15 de Outubro de 1582, nos braços da bem-amada filha Ana que jamais lhe negou amais terna afeição.

Considerada a herdeira espiritual da santa fundadora, Ana exerceu no Carmelo uma profunda influência. O Carmelo reformado, foi Ana enviada a Madri e, depois, à fundação de Ocaña, na região de Toledo.

Ali, Nosso Senhor revelou-lhe, pela primeira vez, o desejo de que fosse para a França, então assolada pelo protestantismo. Na França, quando se dirigiu às religiosas, falou-lhes na língua natal, porque só conhecia a língua materna, mas todas a entenderam perfeitamente, como se tivesse expressado no melhor francês: era o milagre do Pentecostes que se renovava. E Ana de São Bartolomeu exprimia-se tão apropriadamente que ninguém duvidava de que o Espírito Santo estivesse falando por sua boca.

Fundadora do mosteiro de Tours, depois de ter sido priora de Paris, sofreu toda sorte de opressão. Invencível, porém sempre confiando em Deus, continuou a combater para manter a reforma francesa no espírito de Santa Teresa.

Vencida – que a luta fora desigual –, tomou o caminho da Bélgica, refugiando-se no mosteiro de Mons. Escolhida, pouco mais tarde, para governar o mosteiro de Anvers, fundado pelo arquiduque Alberto e a arquiduquesa Isabel, ali encontrou verdadeiro paraíso na terra.

"Deus – escreveria depois – ali concedeu-me uma paz e uma consolação inefáveis. Minha oração era mais intensa e mais eficaz. Era mais ardorosa pelo ofício divino que na minha juventude".
Simples e humilde, no convento exercia os ofícios mais pequenos. E as mais altas personalidades do tempo, contritas, procuravam-na para aconselhar-se. Henrique IV venerava-a, e Maria de Médicis e a infanta Isabel amavam-na sobremodo.

Quando o arquiduque Carlos partiu para a expedição de Breda, foi vê-la, com a bem-aventurada palestrando durante muitas horas.


Suportando com imensa paciência as cruéis enfermidades todas que a acometeram no fim da vida, faleceu santamente no dia 07 de Junho de 1626, na festa da Santa Trindade, com setenta e seis anos, sendo enterrada no Carmelo de Anvers. Bento XV beatificou-a no dia 6 de Maio de 1917. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume X, p. 138 a 141).

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MARIA SANTÍSSIMA, MÃE DA MISERICÓRDIA - Festa em 5 de agosto - aparição em 6 de agosto de 1834


        Maria Santíssima, Mãe da Misericórdia, rogai por nós! 

     No coração dos Alpes Cócios, a 1.380 metros de altitude, ergue-se o Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia (ou Nossa Senhora da Misericórdia de Valmala ou Rainha de Chiotto), destino de peregrinação da Diocese de Saluzzo e de todo o Vale do Varaita. A devoção tem origem numa série de aparições marianas ocorridas no verão de 1834 no planalto de Chiotto, acima da aldeia de Valmala, um povoado de Brossasco, na província de Cuneo. O evento envolveu cinco jovens pastores, quatro dos quais com o nome de Maria, aos quais apareceu uma figura feminina de semblante triste, vestida de vermelho escuro, com um véu azul e uma coroa na cabeça. Num contexto histórico marcado pelas dificuldades das comunidades alpinas e pela ameaça de epidemias, a mensagem da visão, inicialmente recebida com ceticismo e medo, encontrou confirmação decisiva no reconhecimento de uma imagem sagrada de Nossa Senhora da Misericórdia de Savona, adquirida num mercado local. A partir desse momento, o local tornou-se objeto de crescente veneração, culminando na construção de um imponente santuário e numa tradição de fé que se mantém intacta há quase dois séculos.

   Valmala, um pequeno povoado montanhoso de Brossasco, era uma comunidade rural dedicada à criação de ovelhas e à agricultura de subsistência no século XIX. No verão de 1834, enquanto os pastores conduziam seus rebanhos para os pastos da montanha, o tecido social era permeado por crenças populares relacionadas a espíritos, almas no purgatório e figuras lendárias. Nesse contexto, entre o final de julho e o início de agosto, cinco jovens relataram ter visto uma "bela senhora" chorando no planalto de Chiotto. Os videntes foram Maria Chiotti (12 anos), Maria Boschero (11 anos), Maria Pittavino (12 anos), Maria Margherita Pittavino (12 anos) e seu irmão mais novo, Chiaffredo (9 anos). A descrição era consistente: uma jovem de estatura mediana, vestindo um vestido vermelho escuro, um véu azul e uma coroa, com os braços estendidos em atitude de súplica e dor.

     Discernimento e reconhecimento.

   A reação inicial da comunidade foi de forte ceticismo. Suspeitava-se da presença de bruxas ou duendes, e as crianças foram aconselhadas a não mencionar mais o assunto. No entanto, a persistência do fenômeno levou alguns adultos a verificá-lo por si mesmos. Entre eles estava Giuseppe Pittavino, pai de duas das videntes, que inicialmente subiu ao Chiotto, armado com uma bertuna, uma antiga espada curva, com a intenção de afastar qualquer presença maligna. Diante do tremor e da insistência das crianças, o homem golpeou a pedra indicada, mas não viu nada. Foi somente quando uma das meninas afirmou estar tocando o manto da Senhora que Giuseppe se ajoelhou, juntando-se à oração. Com ele estava Bartolomeu Chiotti, conhecido como Toumlin, um homem corcunda que, segundo a tradição, experimentou uma melhora em sua saúde, atribuindo a graça recebida à visão.

    O ponto de virada ocorreu em outubro de 1834. Para dar um nome à figura, Giuseppe Pittavino levou as crianças ao mercado de Venasca. Entre as bancas de objetos sagrados, os videntes reconheceram unanimemente a imagem que lhes aparecera numa pequena pintura representando Nossa Senhora da Misericórdia de Savona. A compra dessa imagem marcou o fim da incerteza e o início de uma devoção estruturada.

              A construção do Santuário e o voto de 1835.

       Segundo o relato dos videntes, a Senhora expressou o desejo de ver um pilar erguido e, mais tarde, uma igreja no local das aparições. Quando Giuseppe Pittavino se mostrou perplexo com a falta de materiais, a visão indicou os locais exatos na montanha onde se podiam encontrar lajes de ardósia e areia. Em 1835, com a contribuição da comunidade e do já mencionado Bartolomeu Chiotti, foi construído o primeiro pilar, sobre o qual o artista Giuseppe Gauteri, de Saluzzo, pintou a imagem reconhecida em Venasca.

     No ano seguinte, 1835, a região foi atingida por uma violenta epidemia de cólera. A administração municipal de Brossasco prometeu construir uma capela no local das aparições, caso a cidade fosse poupada do contágio. Assim que o perigo passou, a construção da primeira capela começou em 1840, sendo gradualmente ampliada até se tornar o santuário atual, concluído em 1851.

     Aprovação eclesiástica e devoção contemporânea.

  As autoridades eclesiásticas inicialmente mantiveram uma reserva cautelosa, como é costumeiro em casos de supostas aparições privadas. No entanto, o fluxo constante de fiéis, a moralidade dos videntes e a ausência de elementos contrários à doutrina levaram a uma aprovação tácita e progressiva do culto. A Diocese de Saluzzo comemorou solenemente os marcos da devoção: o quinquagésimo aniversário em 1884, o centenário em 1934 e o centésimo quinquagésimo em 1984. Hoje, o santuário representa não apenas um local de oração, mas também um importante marco histórico e cultural para os vales de Cuneo.

   Iconografia e Tradições Populares

  A imagem venerada em Valmala segue fielmente a iconografia da Madonna della Misericórdia de Savona: a Virgem é retratada vestindo um manto vermelho escuro, simbolizando a Paixão e a humanidade de Cristo, e um manto azul, cor mariana tradicional que significa céu e realeza. Seu rosto é caracterizado por uma expressão de profunda tristeza, com lágrimas escorrendo pelo rosto, enquanto seus braços estão abertos em um gesto de acolhimento e intercessão pelo sofrimento humano.

   Uma tradição popular profundamente enraizada afirma que, durante as aparições, a relva sob os pés da Senhora não era pisoteada, mas refletida, tornando-se tão branca quanto uma tela em branco, traçando idealmente o perímetro do futuro santuário e pórtico. Este detalhe, embora pertença ao âmbito da tradição hagiográfica, sublinha a ligação simbólica entre a presença divina e a consagração do solo.

   Curiosidades:

  As cinco principais videntes partilhavam o mesmo nome: quatro delas chamavam-se Maria, um nome muito comum entre as famílias católicas da época como forma de consagração à Virgem.

   O santuário situa-se numa posição panorâmica a 1380 metros acima do nível do mar, e a estrada que lhe conduz oferece uma vista pitoresca do Vale do Varaita.

   A "bertuna", a antiga espada curva inicialmente portada por Giuseppe Pittavino, tornou-se um símbolo narrativo da transição da desconfiança supersticiosa para a fé racional.


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Na iconografia de Nossa Senhora das 
Dores, a "Mater Dolorosa", Maria 
é representada vertendo abundantes
lágrimas de dor... 
Segundo relato da aparição e da devoção: 

   "Al Quiot ia 'na Frema qu'a pioura!" ("Em Chiotto há uma Senhora que chora!") É o eco que ressoa na aldeia de Valmala em 6 de agosto de 1834. 

   A notícia chega de um grupo de pastores que havia ido naquela manhã levar suas vacas para pastar em um planalto municipal chamado Chiotto, logo acima da aldeia de Valmala.

    Trata-se de uma figura feminina de cerca de vinte anos, de estatura mediana, vestindo um vestido vermelho escuro, um véu azul e uma coroa na cabeça; ela tem uma atitude triste, com os braços abertos em direção aos pastores. Os pastores são quatro meninas, todas chamadas Maria, e um menino, irmão de uma delas: Maria Chiotti de Chiotmartin, 12 anos; Maria Boschero de Meira d'l Mes, 11 anos; Maria Pittavino de Palanché, 12 anos; Maria Margherita Pittavino - Guitin - de 12 anos, com seu irmãozinho Chiaffredo - Chafré - de cerca de 9 anos, morando em Palanché. 

    A história, contada imediatamente a parentes e conhecidos, não é acreditada. Alguns pensam que são bruxas, ou espíritos e duendes, ou até mesmo Santa Ana ou alguma alma perdida. "É tudo bobagem!" "Não vamos mais falar sobre isso" são as frases que as crianças ouvem.

     Mas, na manhã de 6 de agosto, embora o céu esteja nublado e ameace com uma forte chuva, o primeiro pequeno grupo de estranhos sobe a Chiotto com os pastores para investigar. Entre eles está um certo Bartolomeu Chiotti - Toumlin - corcunda, quase curvado, ajudado por seu filho Ambrogio. Ele subiu com a esperança secreta de ser curado, se é que havia alguém ali capaz de fazê-lo. Ele carrega uma vela consigo e pensa: "Será que conseguirei mantê-la acesa neste tempo terrível?". Promete erguer um poste de iluminação se se recuperar. Ao chegarem ao planalto, a bela Senhora retorna, chorando como sempre. A natureza ao redor, escurecida, parece sentir e carregar seu sofrimento. Os pastores começam a gritar instintivamente, tanto que o Sr. Pittavino, que mora em Palanché, ouve os gritos e decide ir imediatamente a Chiotto. Ele pega sua bertuna, uma velha espada curva, e corre em direção às vozes.



        Ao chegar ao planalto, e depois de perceber, para sua surpresa, que não há ninguém lá, grita: "Por que vocês gritaram assim?". As crianças apontam para a laje onde a figura aparece, dizendo: "Garda ilai, sus la peira!" ("Olhem ali, naquela pedra!"). O Sr. Pittavino não vê nada. Percebe apenas que todos estão tremendo, como se estivessem com febre alta. Ele então golpeia repetidamente a pedra com o machado, mas continua sem ver nada. Nesse momento, uma vidente, para convencê-lo ainda mais, agarra uma ponta do manto da Senhora com a mão. Então, o Sr. Pittavino exclama: "Ajoelhemo-nos!" E assim, na relva úmida da noite, que o sol ainda não secou durante o dia, o primeiro grupo de estranhos reza.

   Giuseppe Pittavino também promete construir um poste. Toumlin, o corcunda, repete suas palavras: "Eu também irei ajudá-los. Se eu melhorar!" Enquanto diz isso, percebe que a vela que acendera não se apaga, apesar do vento forte. Depois de um tempo, a visão desaparece. Todos se levantam, aliviados: o medo passou e a saúde de Toumlin retornou. 

   Daquele dia em diante, os pastores retornam a Chiotto com menos medo, aliás, com prazer. E lá em cima, pontualmente, a bela Senhora retorna todos os dias. Mas, aqui estamos, em 15 de agosto, a Festa da Assunção.

   As pessoas, cada vez mais convencidas de que a aparição pode ser real, acorrem em grande número aos videntes. Giuseppe Pittavino não carrega mais uma bertuna, mas uma vela benta. Os jovens pastores, que haviam chegado à montanha mais cedo, aproximam-se dos recém-chegados e quase imediatamente exclamam: "Lá está ela de novo!" Todos se ajoelham na grama do planalto. 

O Sr. Pittavino começa o terço. Este é o primeiro de uma série interminável. Assim que a recitação termina, ele pergunta aos videntes se ainda conseguem vê-la. Eles respondem que sim. Enquanto isso, no silêncio da montanha, uma canção melodiosa, porém triste, ressoa entre os videntes, que a descrevem como semelhante ao canto fúnebre de uma Missa pelos mortos. Pittavino insiste: "Vocês não conseguem ver quem canta e quem toca?" E eles respondem: "Não sabemos." Então, acrescentam que conseguem ver sombras passando diante do sol, que brilha em todo o seu esplendor no belo céu de Valmala.

   Mas então, pouco a pouco, tudo desaparece. Os videntes exclamam: "A bela Senhora se foi!" Os presentes, mais convictos do que nunca, entre um comentário e outro, descem para a aldeia, tendo assim vivido o dia mais memorável de Chiotto. 

    Após a aparição na Festa da Assunção, a fé e o entusiasmo crescem entre o povo de Valmala, enquanto a notícia se espalha pelas aldeias vizinhas. Os videntes relatam todas as noites que a bela Frema continua a retornar, como de costume. 

   Certo dia, em particular, dizem que ela circulou o planalto, acrescentando: "Touchava pa 'l sol" ("Ela não tocou o chão"). A grama refletia-se em sua passagem, sem ser pisoteada, e, além disso, tornava-se branca como uma tela, estendida ao sol para secar. Alguns valmaleses se perguntavam sobre o significado daquele rastro luminoso. Certo dia, a Senhora pareceu querer explicá-lo. Ela disse a Maria Pittavino: "Esta noite, você dirá ao seu pai que eu quero um pilar aqui e, mais tarde, uma igreja". Naquela noite, Maria contou ao pai sobre o desejo da Senhora. Mas ele exclamou: "Couma fasén a fé na guiéisa amoun?" ("Como podemos construir uma igreja lá em cima?") Faltavam areia e pedras adequadas.

   No dia seguinte, a menina relata as palavras do pai à Senhora. Ela responde apontando para um local no alto da montanha, onde afloram algumas rochas: ali encontrarão as lajes de ardósia e as pedras necessárias para a construção. Ela também aponta, mais perto, para o local da areia. 

   Após a revelação das intenções de Deus, tudo parece mais claro: aquele caminho luminoso na grama nada mais é do que a rota do novo santuário e do pórtico adjacente, sob o qual os peregrinos se reunirão para rezar e fazer novenas, seguindo os passos da Mulher que Chora. 

   Segundo as fontes mais confiáveis, as aparições continuam enquanto durar o pasto de Chiotto, ou seja, até por volta de 20 de setembro. O povo, porém, se pergunta ansiosamente: "Mas, afinal, quem era aquela Senhora que chorava o tempo todo?"

   Para responder a essa pergunta, o Padre José leva consigo os pastorinhos e os conduz para visitar os santuários e igrejas próximos, na esperança de descobrir imagens pintadas semelhantes àquela que aparecera em Chiotto, mas sem sucesso. Finalmente, numa segunda-feira de outubro, Giuseppe, descendo ao mercado de Venasca, avista uma barraca que vende objetos sagrados. Ele retorna a Valmala e leva alguns dos videntes a Venasca, na esperança de que a barraca contenha a solução para o mistério de Chiotto. 

   Em Venasca, de fato, os videntes identificam uma pequena pintura da Mãe da Misericórdia de Savona como a figura misteriosa que lhes aparecera por cerca de dois meses. O Sr. Pittavino, então, compra a pintura.

   Em 2 de novembro, em Valmala, durante uma visita ao cemitério, os videntes se encontram com o Sr. Pittavino e, assim, podem confirmar unanimemente que se tratava, de fato, da Senhora que lhes aparecera em Chiotto no verão anterior. No ano seguinte, Giuseppe Pittavino, com a ajuda de Toumlin, construiu o primeiro pilar no local e pediu a Giuseppe Gauteri, de Saluzzo, que pintasse nele a imagem encontrada em Venasca. Ele havia escrito no arquitrave: "Um grande milagre ver Nossa Senhora da Misericórdia neste lugar por cinquenta dias".

   Em 1835 foi também o ano da cólera. A municipalidade, por sua vez, prometeu erguer uma capela ali, caso a cidade ficasse livre do contágio que assolava as aldeias vizinhas. A promessa foi cumprida. Assim, em 1840, foi construída a primeira capela, que mais tarde foi ampliada até atingir as proporções do santuário atual, concluído em 1851. 

Esta imagem belíssima de Maria não
é a mesma da aparição. Mostra, apenas
os tons das cores das vestes de Maria
nas aparições de Valmala. 
As autoridades religiosas, inicialmente contrárias, gradualmente aprovaram tacitamente a devoção à Mãe da Misericórdia de Valmala. Mais tarde, com particular solenidade, comemoraram o quinquagésimo aniversário (1884), o centenário (1934) e, finalmente, o centésimo quinquagésimo aniversário (1984) das aparições.

Todos os protagonistas da história de Chiotto, por um misterioso plano da Providência, deixarão sua cidade natal. Viajarão para diversas aldeias da região, casarão e formarão famílias numerosas. Suas vidas serão dedicadas à rotina diária, longe das multidões cada vez maiores que afluem a Chiotto. Os filhos de Maria Pittavino serão os agricultores do santuário por muitos anos. A visionária cujos documentos mais sobreviveram são os de Maria Chiotto, que faleceu em 1899.


Fonte de pesquisa: 

Santuariovalmala.it

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Beata Margarida Ball, Viúva, Mãe de Família e Mártir (perseguição movida na Inglaterra)



Durante a perseguição de Elizabeth I da Inglaterra, hospedava sacerdotes e religiosos em sua casa. Denunciada por seu próprio filho, foi presa em Dublin e morreu vítima de torturas atrozes.

Ser a mãe do prefeito de Dublin para ela não foi fonte de orgulho ou de prestígio, mas foi causa de enormes sofrimentos que a levaram a morte, ou certamente a apressaram. A vida e o martírio da irlandesa Beata Margarida Ball deve ser enquadrada no clima de perseguição religiosa que se seguiu ao cisma anglicano iniciado na Inglaterra por Henrique VIII.
Os laços estreitos que ligam a causa sócio-político britânica com a Irlanda resultaram que em 1536, ou seja, cinco anos após o "ato de supremacia" famoso, que proclamou que o rei era chefe supremo da Igreja da Inglaterra, e depois de apenas dois de sua excomunhão e do interdito lançado contra a Inglaterra pelo Papa Clemente VII, o parlamento de Dublin também reconhecesse Henrique VIII como chefe da igreja irlandesa, determinando desta forma a separação da Igreja de Roma.
Margarida tinha 21 anos nesse período, tendo nascido em 1515, na bem sucedida família Berminghan. Aos 16 anos, casou-se com Bartolomeu Ball e deu a luz a mais de 20 filhos, dos quais apenas alguns atingiram a idade adulta. Eles formavam um casal muito unido, profundamente religioso, com uma sólida posição econômica, e o marido gozava de prestígio indiscutível, que o levou a ser prefeito de Dublin.
Embora eles não estivessem alheios à situação político-religiosa dominante, eles se comportavam como verdadeiros católicos, continuando a reconhecer o primado do Papa. Em seu palácio vivia um capelão, que celebrava a Missa normalmente, sua casa estava aberta a encontros de catequese e oração. Valendo-se da reputação de seu marido, Margarida chegou a abrir em sua propriedade uma escola católica.
Bartolomeu morreu em 1568 e Margarida, além da tristeza pela perda de um ente querido, também fica privada da proteção e do apoio com que ele garantia que ela professasse e defendesse a Igreja Católica. Apesar de tudo, ela continuou em seu compromisso, dando hospitalidade em sua casa aos sacerdotes e religiosos, mesmo quando se tornava extremamente arriscado.
Em 1570, Elizabeth I, que desde que ascendera ao trono permitira que uma feroz perseguição se acendesse na Inglaterra, especialmente contra os padres católicos, e que se espalhara rapidamente na Irlanda, foi excomungada. No final dos anos setenta Margarida foi presa sob a acusação de ter permitido a realização de uma Missa em sua casa, mas logo foi libertada sob fiança.
Beata Margarida Ball e o Beato Francisco,
seu afilhado,  ambos mártires de Dublin,
Estátuas existentes defronte a Catedral de
Dublin. 
Enquanto isso, o seu filho Walter, alimentando o desejo de se tornar prefeito de Dublin, se adaptou às exigências para o cargo que era negar sua fé e reconhecer a supremacia religiosa da rainha da Inglaterra.
Margarida cumpriu inteiramente o seu dever de mãe, tentando fazer seu filho entender que nenhum cargo político, de prestígio, pode ser negociado com a fé. O filho não se convenceu, mas, o que é pior, viu nela a maior inimiga e o maior obstáculo para alcançar os seus anelos políticos.
Pouco depois de sua eleição como prefeito, mandou prender a própria mãe sob a acusação de ter dado hospitalidade em sua casa aos sacerdotes perseguidos.
Margarida, na idade de quase 70 anos, foi levada em uma carroça pelas ruas de Dublin, exposta ao escárnio e zombaria de toda a cidade. Uma cela suja, gotejando umidade, sem ar, a espera, o que inevitavelmente prejudicou a sua saúde.
Precisamente por causa de sua saúde precária, uns anos depois lhe ofereceram a liberdade em troca de uma negação pública da sua fé. Receberam a resposta negativa desta mulher forte e corajosa, que escolheu terminar seus dias na prisão, mártir da Eucaristia e do Primado Pontifício.
Ela morreu em sua cela numa data incerta do ano de 1584 e, juntamente com dezesseis outros fieis (incluindo quatro bispos, seis padres, um irmão religioso e cinco leigos), ela, a única mãe de família do grupo, foi beatificada por João Paulo II em 27 de setembro de 1992.



 (fonte: Heroínas da Cristandade) 

sábado, 28 de novembro de 2015

SÃO JOÃO BATISTA SCALABRINI, Bispo e Fundador dos Scalabrinianos e "Apóstolo dos Emigrantes Italianos".



São João Batista Scalabrini, nasceu perto de Como, Itália, em oito de julho de 1839. A sua família era humilde, honesta e cristã. Ele desejou tornar-se padre e entrou no seminário diocesano, no qual se distinguiu pela inteligência e perseverança. Foi ordenado sacerdote em 1863. Iniciou o apostolado como professor do seminário e colaborador em paróquias da região. Possuía alma de missionário, mas não conseguiu realizar sua vontade de ser um deles na Índia.

Scalabrini foi designado pároco da paróquia urbana de São Bartolomeu em 1871. Seu ministério foi marcante e priorizou a catequese da infância e da juventude. Atento aos inúmeros problemas sociais do seu tempo, escreveu vários livros e publicou até um catecismo.

Ao ser nomeado bispo de Piacenza, ficou surpreso. Tinha trinta e seis anos e lá permaneceu quase trinta como pastor sábio, prudente e zeloso. Reorganizou os seminários, cuidando da reforma dos estudos eclesiásticos. Foi incansável na pregação, administração dos sacramentos e na formação do povo.

Scalabrini, como excelente observador da realidade de sua época, fundou um instituto para surdos-mudos e uma organização assistencial para mulheres abandonadas das zonas rurais, pertencentes à sua diocese. Mas o trabalho que mais o instigou e para o qual não media esforços foi o que desenvolveu com os migrantes. Entre os anos de 1850 e 1900, foram milhões de europeus que deixaram seus lares e pátria em busca da sobrevivência. Para eles o bispo Scalabrini criou a Casa dos Migrantes.

Um dia, ele estava na estação ferroviária e viu centenas de migrantes esperando, com suas trouxas, o trem que os levaria ao porto de embarque. A situação de pobreza e abandono desses irmãos infelizes marcou para sempre seu coração. Em seguida, Scalabrini recebeu uma carta de um emigrante da América do Sul, suplicando que um padre fosse para aquele continente, porque, como dizia, "aqui se vive e se morre como os animais".
A partir daquele momento, Scalabrini foi o apóstolo dos italianos que precisaram, para sobreviver, abandonar a própria pátria. Em 1887, fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeu, conhecidos atualmente como padres scalabrinianos, para a assistência religiosa, moral e social aos emigrantes em todo o mundo, e criou a Sociedade São Rafael, um movimento leigo a serviço dos migrantes.

Ele próprio planejou e realizou viagens para visitar os missionários na América Latina, pois queria que estivessem estimulados e encorajados a dar a assistência religiosa e social aos emigrantes. Percebendo que sua obra não estava completa, em 1895 fundou a Congregação das Missionárias de São Carlos Borromeu, hoje das irmãs scalabrinianas, e concedeu reconhecimento diocesano às Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração, enviando-as para o trabalho com os emigrantes italianos do Brasil em 1900. Apesar de todo esse trabalho, jamais descuidou de sua diocese.

Dom Scalabrini dizia que sua inspiração tinha origem na ilimitada fé em Jesus Cristo presente na eucaristia e na oferta dele na cruz. Morreu no dia 1º de junho de 1905, na cidade de Piacenza, Itália, deixando esta mensagem aos seus filhos e filhas: "Levai onde quer que esteja um migrante o conforto da fé e o sorriso de sua pátria. Devemos sair do templo, se quisermos exercer uma ação salutar dentro do templo". O Papa São João Paulo II beatificou-o com o título de "Pai dos Migrantes" em 1997.

Foi solenemente canonizado pelo Papa Francisco, na Praça de São Pedro, no dia 09 de outubro de 2022.

(fonte: portal paulinas.org.br)




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Segundo texto biográfico

São João Batista Scalabrini nasceu em Fino Mornasco, Província de Como (Itália), no dia 8 de Julho de 1839. Terminado o curso de Filosofia e Teologia no Seminário de Como, recebeu a Ordenação sacerdotal a 30 de Maio de 1863. Nos primeiros anos de sacerdócio foi professor e depois reitor do Seminário; em seguida assumiu a paróquia de S. Bartolomeu. Com apenas 36 anos de idade foi consagrado Bispo de Placência, no dia 30 de Janeiro de 1876.

A sua atividade pastoral e social foi bastante vasta: realizou pessoalmente cinco visitas pastorais às 365 paróquias da diocese, muitas delas localizadas longe e em situações de difícil acesso; celebrou três Sínodos, um deles dedicado ao culto eucarístico para incentivar a adoração perpétua; reorganizou os Seminários, cuidando da reforma dos estudos eclesiásticos; foi infatigável na administração dos sacramentos, na pregação e na educação do povo ao amor ativo à Igreja e ao Papa, no culto da verdade, da unidade e da caridade. Nesta virtude, em particular, desvelou-se na assistência aos doentes de cólera, na visita às famílias empobrecidas e na generosidade ao perdão.

Definido por Pio IX «Apóstolo do Catecismo », quis que este fosse ensinado em todas as paróquias, incentivando a catequese dos adultos; fundou a primeira revista catequética italiana.

Impressionado, desde o início do seu episcopado, pelo desenrolar dramático da emigração italiana, Dom Scalabrini fez-se apóstolo dos milhões de italianos que abandonavam a própria Pátria. Com a aprovação de Leão XIII, no dia 28 de Novembro de 1887 fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos), para a assistência religiosa, moral, social e legal dos emigrantes. Em 1895 fundou, com esta mesma finalidade, a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos, e abriu o campo da emigração também para as Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração. Mais recentemente, em 1961, fruto dos seus ensinamentos nasceram as Missionárias Seculares Scalabrinianas.

A enorme atividade de São João Batista Scalabrini tinha origem e encontrava inspiração profunda na ilimitada fé em Jesus Cristo, presente na Eucaristia e em oferta contínua na Cruz; extraordinária também foi a sua devoção a Nossa Senhora, sempre recordada nas suas homilias e muitas vezes visitada nos santuários marianos.

Morreu no dia 1 de Junho de 1905, tendo pronunciado estas palavras: «Senhor, estou pronto, vamos!». De fato tinha cumprido o seu programa: «Fazer-se tudo para todos».


(Fonte: site vatican.va)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Beata Josefa Maria de Santa Inês (Benigànim), Virgem Agostiniana Descalça e grande Mística.


Beata Josefa Maria de Santa Inês, o
"Lírio de Benigànim", Agostiana
Descalça.
Josefa Teresa nasceu em Benigànim (Valência, Espanha) em 09 de janeiro de 1625, filha de Luis Albyñana e de Vicenta Gomar, pais muito modestos de bens da terra, em uma pobre casa da Rua de São Miguel.
     Seguindo louvável costume da época foi batizada no mesmo dia. A venerada igreja paroquial de Benigànim, hoje do Puríssimo Sangue de Cristo, teve a honra de ser o local do batismo de Josefa Teresa; onde também, oito anos mais tarde, foi crismada, em 24 de agosto de 1633. Pouco tempo depois ela recebeu sua Primeira Comunhão na mesma venerada igreja.
     Entregue ao cultivo de sua angelical pureza, Josefa passou a infância e a adolescência. Era analfabeta, e não aprendeu outra língua além do valenciano. Ficou órfã de pai quando era ainda muito jovem e teve que empregar-se na casa de seu tio Bartolomeu Tudela, de quem suportou maus tratos. Na mansão dos Cuquerella, com o seu horto anexo, foi onde a jovem travou suas primeiras batalhas contra o demônio e recebeu do Senhor dons celestiais de consolação e familiaridade.

O Menino Jesus aparecia-lhe
frequentemente em seu trabalho
cotidiano
     Ao deixar a casa de seu tio Bartolomeu, o perfume dos milagres ali ocorridos permaneceu, pois no horto, entre as árvores frutíferas, as plantas e as flores, Josefa passava o dia trabalhando, e era onde Jesus gostava de se manifestar a ela. Enquanto lavava a roupa, o Menino Jesus lhe aparecia; ela era uma hábil lavadeira, deixava as roupas tão brancas quanto sua alma angelical.
    No horto há também uma árvore plantada por Josefa. Ela havia plantado, por desconhecer os segredos do plantio, um ramo de laranja, mas com as folhas no chão, ao invés do caule. Mesmo assim, os peregrinos ainda hoje podem ver os belos frutos da árvore plantada por ela.
     Superadas algumas dificuldades, como irmã leiga ingressou no mosteiro das Agostinianas Descalças da Puríssima Concepção e São José, em sua terra natal, em 25 de outubro de 1643. Este convento pertencia à observância descalça, fundada dentro da Ordem pelo Arcebispo de Valência, São João de Ribeira, em 1597. Na Ordem chamou-se Josefa Maria de Santa Inês, por devoção àquela virgem mártir. Comumente era chamada Madre Inês.
A Bem-Aventurada Josefa gozava de
frequentes aparições de Nosso Senhor
Jesus Cristo
     Em 27 de agosto de 1645 professou e em 18 de novembro de 1663 o Arcebispo D. Martín de Ontiveros a tornou corista.
     Desempenhou trabalhos como irmã leiga, dedicada aos trabalhos domésticos. Destacou-se por sua espiritualidade, extrema obediência ao realizar os serviços na cozinha ou no jardim, entre outros. Por causa de sua inocência, era chamada carinhosamente "la niña".
     Simples, humilde, entregue infatigavelmente aos trabalhos e serviços da comunidade, era um espírito de eminente contemplação. De medíocres qualidades intelectuais, analfabeta, seu dom de conselho e seus conhecimentos teológicos causavam admiração. Seus êxtases surpreendiam a todos.
     Por causa disso, e também pelo extraordinário dom do discernimento, seu conselho era procurado pelas pessoas mais importantes e mais influentes da Espanha.

A Beata Josefa era grande devota das
benditas almas do Purgatório
     Outras características da Irmã Josefa foram: sua penitência assombrosa, que dedicava à conversão dos pecadores; sua caridade inesgotável para com as almas do Purgatório; e seu dom de oração e contemplação, que a mantinham em constante arroubamento das potências naturais, e que pela força de seu espírito arrebatava do solo sua leve carga corporal, que se mantinha no ar, cravados os olhos no céu. Sua vida foi toda ela um milagre do sobrenatural e uma confidência continua com seu esposo divino, que lhe aparecia e falava com invejável familiaridade.
     A Beata Josefa morreu no dia 21 de janeiro de 1696, na festa de sua patrona, Santa Inês, aos 71 anos de idade e 52 de profissão religiosa.

     Foi beatificada por Leão XIII em 26 de fevereiro de 1888. Seu confessor, Frei Filipe Benevento, pároco de Benigánim, escreveu sua biografia autorizada. Seus restos mortais estiveram conservados no convento das Agostinianas Descalças de Benigánim até o ano de 1936, quando desapareceram.

A título de curiosidade, transcrevemos abaixo notícia da imprensa espanhola de 2002:

Buscam corpo incorrupto de uma beata espanhola

Madri, 24 de março de 2002 (ACI). A publicação de um livro sobre a destruição de templos durante a Guerra Civil, revelou que os restos incorruptos da beata Josefa Maria de Santa Inês foram escondidos em 1936 para evitar sua profanação, porém, ainda não foram encontrados.

Andrés de Sales recopiou em um livro mais de 150 fotos inéditas de esculturas patronais e templos destruídos durante a Guerra Civil em Valência. A obra, de 350 páginas, é intitulada "Escultura patronal velentina  destruída em 1936". Inclui fotografias de operários "demolindo templos a marteladas, para o que inclusive lhes pagavam um jornal".

Segundo a Agência Avan, o corpo da beata Josefa Maria de Santa Inês, religiosa nascida em 1625, "suportou o macerante passo do tempo e a corrupção até 1936 em uma urna de cristal e bronze dourado em Benigánim (Valência)".

Porém estalou a Guerra Civil, e diante da onde de vilania e vandalismo que destruiu igrejas e imagens sagradas - em Valência ficou reduzido a cinzas noventa por cento do patrimônio artístico da Igreja -, o venerado corpo da beata foi ocultado para preservá-lo da profanação. A pessoa que o ocultou certamente o fez com consciência, posto que ainda não foi encontrado.

Josefa Maria de Santa Inês foi elevada aos altares pelo Papa Leão XIII em 26 de fevereiro de 1896. "Seus restos, se crê que foram ocultados em 1936, porém ainda não se pôde localizá-los" explicou De Sales. Por este motivo, os fiéis de Benigánim fizeram uma reprodução do corpo jazente que foi abençoado em 1944.

Reprodução do corpo jacente da Beata Josefa de Santa Inês