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segunda-feira, 9 de junho de 2014

BEATA ANA MARIA TAIGI, Mãe de Família e Mística (dois textos biográficos)


Primeiro texto biográfico

Sem deixar de ser mera dona de casa, Ana Maria Taigi  foi conselheira de nobres e eclesiásticos. Acompanhou e profetizou acontecimentos vistos na própria luz de Deus, que nunca a abandonou.

Observando atentamente a História com os olhos da Fé, contemplamos os "passos de Deus" conduzindo os acontecimentos, segundo seus desígnios. Para tal, não é incomum a escolha do Altíssimo recair sobre os mais débeis e simples de coração, para maior confusão dos soberbos. Várias figuras do Antigo Testamento dão testemunho disso, como Gedeão, Davi, Judith, Ester e muitos outros. E se avançarmos o Novo Testamento adentro, encontraremos ainda, entre tantos, Santa Joana d'Arc, São João Bosco, Santa Bernadete ou os pastorinhos de Fátima.

Assim o afirma São Paulo: "O que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes" (I Cor 1, 27). Sendo Ele mesmo a Humildade, Se esconde atrás dos humildes para tornar evidente sua ação. E para as dificuldades de cada época histórica Ele dá a solução, a resposta e o remédio certo, segundo as exigências do momento.

Para fazer face à irreligião e ateísmo crescentes nos fins do século XVII, suscitou Deus, de diversos modos e em lugares distintos, almas de escol, a fim de reconduzir a humanidade que se perdia no pecado e na incredulidade. Entre estas houve uma que foi, sem dúvida, nas palavras de Louis Veuillot, a "resposta divina a todos os vitoriosos do campo de batalha, da política e das academias", e cujas orações, conforme afirmação do Cardeal Salotti, "tinham diante de Deus mais poder que os exércitos napoleônicos": a Beata Ana Maria Taigi.


Infância no seio da honrada burguesia de Sena

Nascida a 29 de maio de 1769, já no dia seguinte recebeu o nome Ana Maria Antonia Gesualda Giannetti, na pia batismal da Igreja de São João Batista, de Sena. Seus pais, Luigi Giannetti e Maria Santa Masi, procediam da pequena, mas próspera burguesia da cidade. Luigi herdara de seu pai uma conceituada farmácia, considerada como um dos melhores boticários de toda a Toscana.

Durante seis anos, Anna brincará despreocupada entre os vinhedos, ciprestes e olivais daquelas arenosas planícies toscanas, coroadas pelas rubras muralhas dos roseirais, onde vivia a família Giannetti, em uma bela casa da Rua San Martin. Filha única do jovem casal, a encantadora pequena crescia recebendo os primeiros ensinamentos cristãos da boa mãe, que modelava seu caráter, inculcando-lhe o senso do dever e da responsabilidade, sem fazer-lhe perder a alegria e vivacidade que sempre a caracterizaram.

Entretanto, os anos de alegria duraram pouco, pois Luigi, de espírito imprevidente e extravagante, não tardou em ter de vender tudo a fim de pagar suas dívidas e abandonar a cidade. Na completa ruína, todavia com a honra salva, decidiu recomeçar a vida bem longe. E para tal escolheu a Cidade Eterna.



Os primeiros anos em Roma

A vida em Roma trouxe uma mudança radical nos hábitos da família, que passou a morar em uma pobre e pequena casa no bairro Monti. Os pais de Ana viram-se obrigados a trabalhar como empregados em casas de família, ganhando tão somente o necessário para garantir parca alimentação.

Nesse período, a pequena Anna foi matriculada na escola gratuita da Via Graziosa, sob os cuidados do Instituto Maestre Pie Filippine. Por suas maneiras distintas, espírito afetuoso e verdadeira piedade, a menina tornou-se a alegria das irmãs encarregadas da escola. Ali aprendeu lições de religião, leitura, cálculo e trabalhos domésticos, mas da arte da escrita só soube grafar o próprio nome, pois foi obrigada a interromper seus estudos devido a uma epidemia de varíola.

Não mais frequentando os bancos escolares, viu-se na contingência de trabalhar a fim de ajudar nas despesas familiares. Empregou-se em um pequeno ateliê, onde cardava a seda e cosia. Regressando do trabalho, dedicava-se às prendas domésticas. Ao contrário dos pais, mesmo na adversidade, a jovem mantinha um constante sorriso.



Vida de vaidades mundanas

Com o passar dos anos, Ana tornou-se uma bela e vaidosa moça, sonhando em constituir um feliz e próspero lar. Interessava-se muito pela literatura romântica da época e era assídua na participação de festas e bailes. Em 1787, abandonou o trabalho no ateliê para empregar-se como doméstica no Palácio Maccarani, onde trabalhava o pai. A patroa, a senhora Maria Serra Marini, satisfeita com a nova empregada, ofereceu ofício também à mãe, bem como alguns cômodos no palácio, e para lá se trasladou a família Giannetti.

A senhora Serra Marini, encantada com a jovem, não cessava de elogiá-la, deixando-a cada vez mais vaidosa. Presenteava-a com os vestidos que não mais queria usar, e Anna os aceitava comprazida. A influência desta vida mundana, aliada a seu temperamento amável e extrovertido, ameaçavam sua honestidade, e só não caiu nos abismos do mal graças a seus bons princípios. Em 1790, se casou com Domenico Taigi, um servidor do vizinho Palácio do Príncipe Chigi. Fixaram residência em um pequeno apartamento na ala de serviço do Palácio Chigi, oferta do generoso Príncipe aos novos cônjuges.

Domenico se orgulhava da bela esposa, que se adornava elegantemente, fazendo-a ser admirada por todos nos bailes, teatros de marionetes e passeios. Ela levava a fidelidade matrimonial muito a sério, cumprindo todas as suas obrigações de esposa e tomando o marido como seu senhor, tendo-lhe uma inteira submissão afetuosa, suavizando aos poucos seu difícil caráter. Aos vinte e um anos nasceu-lhe o primeiro filho.

Uma conversão plena e completa

Até então, nada fazia entrever o especial chamado a que fora predestinada pela Providência. Pouco a pouco, contudo, a graça foi se fazendo sentir em sua alma. Sem explicação aparente, uma angústia e uma inquietação começaram a tomar conta do coração da jovem mãe, mostrando-lhe o vazio daquela vida.

Em um domingo, passeando com o esposo pela colunata de Bernini, na Praça de São Pedro, cruzou ela com um religioso Servita de Maria, o padre Angelo Verardi, a quem nunca tinha visto. Os dois se entreolharam e o sacerdote ouviu uma voz sobrenatural advertindo-o: "Preste atenção nesta mulher, ela lhe será confiada um dia e tu trabalharás por sua conversão. Ela se santificará, porque Eu a escolhi para ser uma santa".

Ana percebeu aquele olhar fitando-a com profundidade, porém não o entendeu. Mas, desde então, começou a perder o gosto pelas coisas do mundo. Tentou aquietar a ansiedade falando com seu confessor, mas este se limitou aos conselhos habituais para as senhoras casadas: seja fiel e obediente a seu marido...

Buscou, então, outros confessores. No entanto, nenhum conseguiu devolver-lhe a paz de alma. Por fim, decidiu visitar a Igreja de São Marcelo, onde se casara, e encontrou um sacerdote no confessionário. Era o padre Angelo Verardi! Ao ajoelhar Ana para confessar-se, o sacerdote ouviu de novo a mesma voz: "Olhe-a... Eu a chamo à santidade". Cheio de alegria e satisfação, disse-lhe ele: "Afinal viestes, minha filha. O Senhor vos chama à perfeição e vós não podeis recusar o seu chamado".  Contou-lhe, então, a mensagem recebida na Praça São Pedro. Finalmente Deus concedera àquela alma escolhida a graça da conversão. A partir daí, renunciou a todas as vaidades do mundo e não participou mais de diversões fúteis, encontrando o maior consolo e alegria na oração.



Início de uma nova vida

Começava para esta bem-aventurada, de condição simples e desconhecida, uma vida de oração, penitência e austeridade. Visões, revelações, sofrimentos, curas e milagres serão agora o seu cotidiano, sem nunca deixar de cumprir seus deveres de esposa e mãe.

Sete crianças abençoaram aquele lar, sendo três meninos e quatro meninas. Entretanto, quis a Providência levar três deles ainda pequenos. Como mãe extremosa, velava pela educação dos pequenos, transformando a casa em um verdadeiro santuário. A ordem reinava em cada canto. Nas paredes, símbolos religiosos dispostos com gosto e piedade. Uma lamparina se mantinha acesa continuamente em honra de Maria Santíssima e nunca se secava a pia de água-benta, reabastecida todos os dias para afugentar os demônios.

A rotina seguia uma disciplina quase monacal, com horários de orações, de refeições, de conversa e lazer, sempre na harmonia e paz características de uma família católica. Nunca discutiu com o marido, conseguindo mediar as dificuldades entre ambos, e jamais deixou de corrigir as crianças, velando por sua inocência e pela salvação de suas almas.

Com o consentimento de Domenico, depois da conversão, decidira ela entrar para a Ordem Terceira Trinitária, considerando uma glória portar como insígnia seu escapulário branco com a cruz azul e vermelha. Porém, teve de esperar ainda vários anos para receber o santo hábito trinitário, o que se deu somente em 1808.

Neste dia tão esperado, ouviu a voz do Salvador a lhe dizer: "Eu te destino para converter as almas pecadoras, para consolar as pessoas de todas as condições: padres, prelados e até mesmo meu Vigário. A todos que escutarem tuas palavras, Eu os cumularei com graças especiais... Contudo, tu encontrarás também inúmeras almas falsas e pérfidas, e te tornarás motivo de escárnio, desprezo e calúnias. Mas tudo suportarás por meu amor". Ana respondeu um tanto atemorizada: "Meu Deus, quem escolhestes para esta obra? Sou uma indigna criatura". A mesma voz lhe replicou: "Assim o quero. Sou Eu que te guiarei pela mão, como um cordeiro levado por seu pastor ao altar do sacrifício".


Graças místicas extraordinárias

As graças dispensadas a ela foram singulares e especialíssimas. Algum tempo depois de haver sido chamada à via da perfeição, começou a ver junto a si um globo de luz sobrenatural, um "sol místico", como o designava, no qual tinha longos colóquios com o Divino Criador, via os acontecimentos presentes e previa os futuros, perscrutava o segredo das almas e dos corações, como se vê num filme ou se lê num livro. Tal fenômeno a acompanhou até o fim de sua vida.

Em suas primeiras aparições, a luz deste "sol" tinha a cor de chama, e o disco era como de ouro. No entanto, à medida que a bem-aventurada progredia na virtude, ele se tornava mais brilhante e se revestia de uma luz mais intensa que sete sóis juntos. Tal resplendor ficava diante dela a uma distância de um metro e a uns vinte centímetros acima da sua cabeça. Havia uma coroa de espinhos circundando, horizontalmente, todo o diâmetro do globo, e desta desciam dois espinhos compridos, um à direita, outro à esquerda do círculo, cruzando-se com as pontas arqueadas para baixo. No centro da esfera havia uma mulher sentada, majestosa e com a fronte erguida em direção ao Céu, contemplativa, brilhando com a mais viva luz.

A respeito deste fenômeno sobrenatural, testemunhou o Cardeal Pedicini, que conviveu com Ana e foi seu confidente por 30 anos: "Durante 47 anos, dia e noite, em seu lar, na igreja ou na rua, ela via, em seu ‘sol', cada vez mais brilhante, todas as coisas físicas e morais desta Terra; ela penetrava nos abismos e se elevava ao Céu [...]. Ela via os lugares, as pessoas tratando de negócios, suas vias políticas, a sinceridade ou duplicidade dos ministros, toda a política subterrânea de nosso século, assim como os decretos de Deus para confundir os grandes personagens. [...] Ademais, ela exercia um apostolado sem limites, conquistando as almas, em todos os pontos do globo, preparando o terreno para os missionários; o mundo inteiro foi o teatro de seus trabalhos".

Via ainda, em seu globo de luz, as almas que se salvavam ou se perdiam para sempre. Se alguém se aproximava dela em estado de graça, a luz ficava mais intensa e ela sentia o perfume da virtude. Se, ao contrário, era uma alma pervertida, o globo ficava em trevas e ela sentia o mau odor do pecado.

Era procurada por gente do povo, nobres, diplomatas e eclesiásticos, que lhe pediam conselhos para os mais variados campos da espiritualidade e da vida humana. Por mais que lhe oferecessem algo em troca de sua ajuda, recusava com total despretensão e humildade, dizendo: "Não sirvo a Deus por interesse. [...] Eu me confio a Ele, que provê, a cada dia, minhas necessidades". Todos a respeitavam e a temiam, pois refletia em seu próprio físico a nobreza de sua alma: uma simples doméstica com porte de rainha.



Dons especiais: curas e milagres, visões e previsões

Arrebatada em êxtase a qualquer momento ou lugar, também padeceu toda espécie de enfermidades, ficando acamada por longos períodos, sem poder ir à igreja. Recebeu, por isso, autorização do Papa Gregório XVI para ter um oratório privado na própria casa.

Inúmeros foram, também, os fatos da vida comum de todos os dias a atestar seus dons especiais, sobretudo os de cura e milagre. Um dia, por exemplo, sua neta colocou um caroço de ameixa num olho, perdendo praticamente esta vista. A Beata, fazendo o sinal da cruz no olho da menina, com o óleo da lamparina que mantinha acesa em casa, curou-a a ponto desta já poder ir à escola no dia seguinte. Seu esposo também foi objeto de sua ação miraculosa, quando em uma manhã de inverno teve um ataque apoplético, estando na Igreja de São Marcelo. Com suas orações, Ana lhe obteve a cura prodigiosa e instantânea.

Em seu misterioso "sol", ela previu vários fatos, entre eles a eleição de muitos Papas, posteriores a Pio VII, e predisse com antecedência acontecimentos que teriam lugar sob seus pontificados. Um deles, digno de nota, foi quando, ao rezar na Basílica de São Paulo Extramuros, tomada por um êxtase viu o Cardeal Cappellari, ali presente, como futuro Papa com o nome de Gregório XVI. E assim se cumpriu. Do mesmo modo anunciou a eleição do padre Mastai-Ferretti, como Pio IX, em um rápido conclave de apenas 48 horas, e previu todas as tribulações daquele pontificado, quando este sacerdote ainda estava na nunciatura do Chile.

Apesar de sua pouca instrução, falava dos mistérios de nossa Religião com a profundidade de um teólogo. Deixava os mais doutos surpreendidos, dando respostas precisas e com justeza teológica. Por ela não saber escrever, era Mons. Raffaeli Natali - principal postulador de sua causa de beatificação e que vivia junto à família Taigi - quem anotava as alocuções e mensagens divinas recebidas pela Beata.



Vítima de amor pela Igreja até o fim

A bem-aventurada foi "a vítima da Igreja e de Roma", atestam aqueles que com ela conviveram de perto: o confessor, frei Filippo di San Nicola, seu confidente e diretor espiritual, o Cardeal Pedicini, e o próprio Mons. Raffaeli Natali. Seu amor à Igreja a consumia. E muitas vezes a Providência lhe pedia sofrimentos pelo bem do Corpo Místico de Cristo sem lhe revelar exatamente os seus fins.

Em um de seus êxtases, Maria Santíssima lhe ditou uma oração que ela tornou conhecida por meio do Cardeal Pedicini, o qual a apresentou a Pio VII, que a aprovou e enriqueceu com indulgências. Esta oração pede pela Igreja, terminando com as seguintes palavras: "Obtende-me este grande dom, que o mundo inteiro não seja senão um só povo e uma só Igreja" (vide oração abaixo)


Nove meses de acerbos sofrimentos e santa morte

Em sua última enfermidade, que durou nove meses, quis Nosso Senhor fazê-la partícipe de suas dores nas últimas horas da Cruz, sofrendo o abandono total. Havendo recebido o Santo Viático numa quarta-feira e a Extrema Unção no dia seguinte, sentia as dores da morte. Porém, todos pensavam não haver ainda chegado seu fim, deixando-a tranquila e só. Na madrugada da sexta-feira, dia 9 de junho de 1837, Mons. Natali teve a premonição de seu passamento para a eternidade e foi até a casa da doente, encontrando-a sozinha, em seus últimos momentos. Rezou as orações da Igreja para esta hora extrema, deu-lhe a derradeira absolvição, e a bem-aventurada partiu para a Mansão Celestial.

A vida de Anna Maria Taigi foi uma resposta divina ao racionalismo e ceticismo então triunfantes, ao orgulho dos poderosos e ao materialismo do século: "Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes" (Pr 3, 34).




Seu corpo permanece incorrupto na Igreja de São Crisógono, dos Trinitários de Roma, como a atestar a vitória da Igreja, vista em seu "sol" luminoso: "O Senhor quer purificar o mundo e sua Igreja, para a qual prepara um renascimento milagroso, triunfo de sua misericórdia".

Peçamos que este triunfo venha o quanto antes e se faça ouvir, em nosso mundo secularizado e esquecido das coisas do Alto, a mensagem que sua vida encerra: "Deus existe, o sobrenatural existe"!


Irmã Juliane Vasconcelos Almeida Campos, EP




ORAÇÃO
(Ditada pela Virgem durante um êxtase)


Prostrada a vossos pés, grande Rainha do céu, eu os venero com o mais profundo respeito e confesso que sois Filha de Deus Pai, Mãe do Verbo Divino, Esposa do Espírito Santo. 
Sois a tesoureira e a distribuidora das divinas misericórdias. Por isso os chamamos de Mãe da Divina Piedade. Eu me encontro em aflição e angústia. Dignai-vos mostrar-me que me amais de verdade. Os peço igualmente que rogueis com fervor à Santíssima Trindade para que nos conceda a graça de vencer sempre ao demônio, ao mundo e as más paixões;  graça eficaz que santifica aos justos, convertei aos pecadores, destruí as heresias, iluminai aos infiéis e  conduzi os judeus à verdadeira fé.  
Obtenha-nos que o mundo inteiro forme um só povo e uma só Igreja.  Amém! 


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Segundo texto biográfico 

 Beata Ana Maria Taigi, Padroeira das mães de família.


    Ana Maria Antonia Gesualda nasceu na bela cidade toscana de Siena, na Itália, em 29 de maio 1769. Era filha única de um conceituado farmacêutico de Siena. Quando os negócios pioraram, a família foi obrigada a emigrar para Roma em busca de melhores condições de vida. Os pais de Ana trabalharam no serviço doméstico em casas particulares, enquanto a menina era internada em uma instituição que se encarregava da educação de crianças sem recursos.
     Durante dois anos ela permaneceu nas Mestras Pias Filipinas, mas apenas conseguiu rudimentos de leitura e escritura. Na idade de treze anos, Ana começou a ganhar o pão com seu trabalho. Durante algum tempo esteve empregada em uma fábrica de tecidos de seda e depois trabalhou no palácio dos Chigi, onde já estavam empregados seus pais.
     Mas a vida mundana de luxo fácil que a cidade eterna proporcionava chegou a tentar esta jovem. Conseguiu passar ilesa porque se casou, aos vinte e um anos, com Domingos Taigi, servidor do palácio Chigi. Ele era um homem piedoso, mas de caráter difícil e grosseiro, que nunca compreendeu os dons especiais da esposa.
     Vivendo no ambiente da corte, o casal acabou buscando a felicidade fútil das festas, vaidades, diversões e fortuna. Depois de três anos ela viu o vazio de sua vida familiar e o quanto estava necessitada de Jesus. Foi a uma igreja e fez uma confissão profunda com um sacerdote que se tornou seu diretor espiritual. Foi então que ocorreu sua conversão.
     Ana Maria iniciou uma nova vida dedicada aos deveres cristãos e a procura da santificação. Ela quis se entregar a duras penitências, mas o padre a fez compreender que seu sacrifício consistia no amor e fidelidade ao sacramento do casamento e no papel de mãe.
     Por 49 anos ela, finíssima no trato, teve a oportunidade de exercitar continuamente a paciência e a caridade. Conhecendo todo o valor do casamento e considerando-o como uma altíssima missão recebida do céu, a Beata transformou a sua casa em um verdadeiro santuário, onde Deus tinha o primeiro lugar. Dócil ao marido, fazia com que nada faltasse à família e o pouco que tinha era sempre dividido com os pobres e doentes que nunca deixou de ajudar.
     A sua família foi crescendo com a chegada de sete filhos, três dos quais morreram ainda pequenos, e dos seus velhos pais. Mas ela encontrava tempo para ajudar nas despesas da casa costurando sob encomenda. Mais tarde, quando a filha Sofia ficou viúva com seis filhos, foi Ana Maria que os acolheu e criou dando-lhes uma formação reta.
     Ana Maria era devotíssima da Ssma. Trindade, de Jesus Sacramentado e da Paixão de Nosso Senhor; tinha uma terníssima devoção por Nossa Senhora. Em 26 de dezembro de 1808, ingressou na Ordem Secular Trinitária e tornou-se fervorosa serva e adoradora da Santíssima Trindade.
     Favorecida com dons especiais da profecia, tornou-se conhecida por seus conselhos no meio do clero. Ana Maria se tornou muito respeitada durante todos os quarenta e sete anos em que "um sol luminoso aparecia diante dos olhos, onde via os acontecimentos do mundo, os pensamentos e as almas das pessoas", como ela mesma descrevia.
     Foi conselheira espiritual de vários sacerdotes, hoje todos Santos, como Vicente Pallotti, Gaspar Del Búfalo, Vicente Maria Strambi, de nobres e outras personalidades eclesiásticas ilustres.

     Na sua declaração juramentada, e que pode ser consultada no processo de beatificação de Ana Maria, o Cardeal Pedicini se refere aos portentos que ele presenciou nessa mulher extraordinária. Diz o citado Cardeal que Ana Maria Taigi via os pensamentos mais secretos das pessoas presentes ou ausentes; os acontecimentos dos séculos passados, e a vida que levavam as mais importantes personagens. Este dom era o conhecimento de todas as coisas em Deus, na medida em que a inteligência humana é capaz de conhecê-lo nesta vida. E acrescenta o Cardeal: "Me sinto impotente para descobrir as maravilhas de quem fui confidente durante 30 anos".
     A Beata Ana Maria faleceu em 9 de junho de 1837. O Papa Bento XV a beatificou em 1920, designou sua celebração para o dia de sua morte e a declarou padroeira das mães de família. O decreto de beatificação a aponta como: "prodígio único nos fastos da santidade". O corpo da Beata Ana Maria Taigi, que prodigiosamente se conservou incorrupto, está guardado na Igreja de São Crisógono, em Roma, numa Capela a ela dedicada.

     Revelações de Deus à Beata Ana Maria Taigi
     Deus enviará ao mundo duas espécies de castigos. Primeiro virão vários castigos terrenos: vão ser muito maus, mas serão mitigados e encurtados pelas orações e penitências das almas santas.  Haverá grandes guerras nas quais morrerão pelo ferro milhões de pessoas (as duas Grandes Guerras do séc. XX?). Mas depois destes castigos terrenos virá o celeste que será dirigido aos impenitentes. Este castigo será muito mais horroroso e terrível, não será mitigado por coisa alguma, atuará em todo seu rigor e será universal. Contudo, em que este castigo consistirá Deus não o revelou a ninguém, nem mesmo aos Seus mais íntimos amigos.
     Trevas excessivamente espessas se espalharão pelo mundo inteiro e envolverão a terra durante três dias e três noites. Durante essas trevas será absolutamente impossível distinguir-se qualquer coisa. O ar ficará empestado pelos demônios que aparecerão sob todas as formas, as mais odiosas. Essa pestilência atingirá não exclusivamente, mas bem principalmente, os inimigos da religião, ocultos ou conhecidos, com exceção de alguns poucos que Deus converterá logo depois.
     Enquanto durarem as trevas será impossível a luz natural. Aquele que por curiosidade abrir as janelas, olhar para fora, ou sair pela porta, cairá morto instantaneamente. Durante esses dias devemos ficar em casa rezando o Rosário e invocando a misericórdia de Deus. As velas bentas preservarão da morte, assim como a invocação a Maria e aos Anjos.

                     (das Atas de Beatificação de Ana Maria Taigi)

     Em outra ocasião Nosso Senhor comunicou a Beata o grande e próximo triunfo de Sua Igreja. Nosso Senhor disse-lhe: “Primeiro cinco grandes árvores têm de ser cortadas, a fim de que o triunfo possa vir. Essas cinco grandes árvores são cinco grandes heresias”. A Serva de Deus disse então: “Duzentos anos apenas serão suficientes para que tudo isto aconteça?” Nosso Senhor respondeu: “Não levará tanto tempo quanto tu julgas”.

       


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