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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 11 de julho de 2015

SANTO EFRÉM, O SÍRIO, Diácono e Doutor da Igreja.


O Paráclito não só falava pela boca dele, mas cantava com sons harmoniosos através de sua laringe, fazendo vibrar a graça nas almas que escutavam seus hinos. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, "o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo".


Século IV: o Cristianismo emerge das catacumbas, Santos ilustres marcam a História; contudo, também irrompem heresias com força e dinamismo no Oriente, na vã tentativa de cobrir a Santa Igreja com sua tenebrosa sombra. Foi nessa quadra histórica que nasceu em Nísibe, nas combativas fronteiras do Império Romano, uma luz destinada a brilhar com especial fulgor no firmamento da Igreja: Efrém, o Sírio, diácono e Doutor da Igreja.


Discípulo de um Bispo e Santo

Poucos dados seguros temos acerca de sua infância. De acordo com alguns dos seus biógrafos, sua mãe era cristã, mas o pai, sacerdote pagão, proibiu-lhe educar o filho segundo as Leis do Evangelho. Não conseguindo ele, porém, evitar que florescesse na alma do menino uma profunda inclinação para o Cristianismo, expulsou-o de casa.

Efrém acorreu então ao Bispo, São Tiago, que o acolheu como a um filho: deu-lhe profunda formação catequética e ministrou-lhe o santo Batismo. Notando, com alegria, quanto o rapaz se sobressaía por sua inteligência e sabedoria, concedeu-lhe, aos 18 anos, a ordenação diaconal.

Pouco depois, entre maio e junho de 325, teve lugar o I Concílio de Niceia, marco histórico na luta contra as insidiosas doutrinas de Ário. Sabe-se que São Tiago participou dele e se crê que o jovem diácono também compareceu como secretário do santo Bispo.

Encerrada a assembleia, Efrém passou a dar aulas na escola teológica aberta em Nísibe, como meio de combater as heresias que proliferavam por aquelas ruas e praças. Dedicou-se então de alma e corpo a esta tarefa e, em pouco tempo, conseguiu elevar a um alto grau o nível de formação de seus alunos. Com grande perspicácia e sabedoria, travou uma batalha sem tréguas na defesa da verdadeira Fé, cujo resultado não se fez esperar: muitas almas retornaram ao caminho da salvação.


Os três assédios de Nísibe

Enquanto crescia a fama de santidade de Efrém, bem como a admiração dos seus concidadãos, Sapor II, rei persa e inimigo da Cruz de Cristo, ansiava por conquistar a cidade das mãos dos romanos. Por três vezes tentou assediá-la e nas três vezes foi repelido pelos cristãos.

Foi por esta época que Efrém compôs as conhecidas Carmina Nisibena – Canções de Nísibe –, nas quais "canta em termos e figuras bíblicas as gestas e peripécias ocorridas na cidade de Nísibe para defender sua Fé Católica e não cair sob o domínio dos pagãos da Pérsia".

Conta-se que, durante um desses assédios, a população viu o diácono Efrém subir nas muralhas da cidade e traçar com determinação um grande sinal da Cruz, com o qual amaldiçoava as tropas do rei invasor. Em seguida, como que guiadas por uma mão invisível, nuvens de moscas e outros insetos se abateram sobre o exército inimigo. Entraram eles nas trombas dos elefantes, nas orelhas e narinas dos cavalos de guerra e bestas de carga, e provocaram um alvoroço tal que determinou a retirada das tropas.

Entretanto, o que os arrogantes esforços militares dos persas não conseguiram obter, foi-lhes entregue sem esforço, alguns anos mais tarde, pelo imperador Joviano, como parte do preço de um tratado de paz... Forçados a escolher entre o exílio, a escravidão ou a morte nas mãos dos pagãos, os cristãos viram-se obrigados a retirar-se de sua terra.


Santo Efrém, grande teólogo, escritor sacro,
 poeta. Transmitia a sagrada teologia em
suas belíssimas poesias.
Teologia e poesia se encontram

Efrém partiu em direção a Edessa e ali se instalou em uma gruta aberta num alcantilado dos arredores, decidido a dedicar-se por inteiro à contemplação e ascese. Neste privilegiado local escreveu a maior parte de suas obras, todas elas revestidas de grande riqueza teológica e adornadas por uma peculiaridade: a poesia.

A especificidade da obra de Santo Efrém, sublinha Bento XVI em audiência geral, “é que nele teologia e poesia se encontram. Querendo aproximar-nos da doutrina, devemos insistir desde o início sobre este aspecto: isto é, o fato de que ele faz teologia de forma poética. A poesia permite-lhe aprofundar a reflexão teológica através de paradoxos e imagens”.

Não tardaram os eclesiásticos de Edessa a notar a sabedoria e santidade incomuns daquele ermitão e logo o convidaram a estruturar a incipiente escola teológica da cidade. Vendo a devastação causada em seus habitantes, pelas seitas heréticas que nela abundavam, o santo asceta aceitou.

Iniciou-se assim uma nova etapa de seu apostolado. Em pouco tempo reuniu em torno de si numerosos discípulos, aos quais se empenhava em dar sólida formação. Numa carta dirigida a um deles, aconselhava: “Meu filho, fixa-te na humildade e farás com que as virtudes de Deus te acompanhem. [...] É incomensurável a beleza do homem humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar este homem, e não há medida para a sua beleza”.


Citarista do Espírito Santo e bardo de Maria

Não foi fácil a luta do santo diácono contra as heresias, e poucos foram os resultados iniciais. Prosseguiu ele, todavia, sem perder o ânimo e, inspirado pelo Espírito Santo, encontrou um meio eficaz para propagar a boa doutrina na disputa contra os hereges: através da liturgia. Não foi sem razão, pois, conforme ensina o Papa Pio XI, “para instruir o povo nas coisas da Fé e atraí-lo por meio delas às íntimas alegrias do espírito, as comemorações anuais dos sagrados mistérios são mais eficazes que quaisquer ensinamentos, por mais autorizados que sejam, do Magistério eclesiástico”.

Tais comemorações nasceram e se desenvolveram "no transcurso dos séculos, conforme a necessidade e a utilidade do povo cristão iam pedindo, isto é, quando era preciso robustecê-lo contra um perigo comum ou defendê-lo contra os insidiosos erros da heresia, ou com frequência para animá-lo e incentivá-lo, a fim de que conhecesse e venerasse com maior devoção algum mistério da Fé ou algum benefício da divina bondade".

Cheio de eloquência, sabedoria e santidade, compôs ele poesias e canções, pervadidas de beleza, de riqueza doutrinária e de unção sobrenatural, para serem cantadas nas assembleias. Reuniu para isso um grupo de virgens cristãs, favorecidas com especiais dotes musicais, e ensinou-lhes a declamar os poemas e cantar os hinos por ele compostos. Em breve tempo, estas poesias e canções ressoavam melodiosamente por toda a cidade. Devido à genialidade das composições, as pessoas as memorizavam com facilidade.

Deste modo, difundiu-se por todos os rincões de Edessa o perfume dos ensinamentos evangélicos. Seus versos – apesar de simples e acessíveis ao povo, feitos para serem cantados no meio de todo mundo – tinham tanto encanto, formosura e densidade de doutrina, que Santo Efrém passou para a História da Igreja como a Cítara do Espírito Santo. Dir-se-ia "que o Espírito Santo não só falava pela boca dele, mas cantava pelos sons harmoniosos de sua laringe e fazia vibrar a graça nas almas, ao diapasão da cítara com que ele cantava".


Estes magníficos dons poéticos e musicais se direcionavam muitas vezes para uma luminosa Estrela que brilhava com especial fulgor na mente e no coração de Efrém: Maria Santíssima. Nutria por Ela uma devoção profunda e terna, que o acompanhou a cada passo. Em louvor à Virgem Mãe compôs um incontável número de orações e de melodias, as quais proclamavam, já naqueles remotos tempos, glórias e privilégios de Maria que o Magistério infalível da Igreja haveria de definir mais tarde.



O encontro de dois grandes Santos

A par de Santo Efrém, brilhavam por este tempo três outros grandes astros da História da Igreja, denominados Padres Capadócios: São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Gregório Nazianzeno. Três Bispos que, tal como o diácono de Edessa, dedicaram a vida para defender dos erros das heresias o rebanho posto sob sua guarda.

Ecos da fama de santidade de um deles, São Basílio, chegaram a Efrém, o qual empreendeu uma longa viagem a Cesaréia da Capadócia para conhecê-lo pessoalmente. E o santo Bispo, por sua vez, ficou tomado de entusiasmo ao ver a fulgurante santidade de seu visitante. Deste encontro surgiu uma estreita amizade que uniu para sempre os dois varões de Deus.

Santo Efrém tirou muito proveito espiritual desta permanência junto a São Basílio e retornou a Edessa com muita gratidão para com a Divina Providência, por ter-lhe concedido tamanha graça. Por várias vezes quis Basílio conferir ao diácono a ordenação sacerdotal, inclusive elevá-lo à dignidade episcopal, mas sem êxito algum, pois este se considerava indigno de tão alto ministério.


Um esplendor que se irradiou pelo mundo

Por volta do ano 378, enviou Deus a Efrém uma derradeira prova, destinada a coroar de modo magnífico sua existência de incansável luta em favor da Santa Igreja. Edessa foi assolada por uma terrível peste, que levou à eternidade muitos de seus habitantes e deixou numerosos outros prostrados no leito de dor. Tais circunstâncias abriram para o santo diácono um novo campo de batalha, no qual se consagraria de maneira generosa a Cristo: a assistência aos enfermos.

Ele, que até então muito fizera pelas almas, passou a ocupar-se também dos corpos. Entregou-se com admirável empenho à rude labuta de socorrer aqueles infelizes. Atendia-os nas necessidades, animava-os nos sofrimentos, confortava-os nas angústias. Infatigável em tão caritativo labor, sentiu em si, certa manhã, os sintomas da peste. Era, em seu interior, a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo chamando-o para receber no Céu o "prêmio demasiadamente grande" (Gn 15, 1).

Transidos de dor, seus discípulos o assistiram durante a enfermidade. Já nos umbrais da morte, o santo mestre dá-lhes ainda uma última lição. Pede ele que, em vez de honras funerárias, seja-lhe oferecido algo muito mais valioso: as santas orações, o suave aroma do incenso espiritual que se eleva a Deus em favor de sua alma, o maior bem que se pode fazer a quem se apresenta ante o juízo divino.

Assim coroou Efrém uma vida marcada pela entrega completa em favor da verdadeira doutrina, da salvação das almas, enfim, da glorificação da Santa Igreja Católica. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, "o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo".

Por isso, o esplendor de sua santidade irradiou-se em breve por todo o mundo. De fato, afirma São Gregório de Nissa, "ele é conhecido em quase todos os lugares onde brilha o Sol".




Hino de Santo Efrém à Virgem Maria

Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe.

Permanecendo virgem, a Virgem Maria dá ao mundo seu Filho, amamenta Aquele que alimenta as nações, carrega em seu casto seio o sustentador do universo. Ela é Virgem e Mãe, que Lhe falta ser?

Santa de corpo e toda formosa de alma, pura de espírito, reta de inteligência, perfeita de sentimentos, casta, fiel, pura de coração, comprovada, Ela é cheia de todas as virtudes.

Rejubile-se em Maria toda a estirpe das virgens, pois uma dentre elas deu à luz Aquele que sustenta toda a criação, Aquele que libertou da servidão o gênero humano.

Em Maria encha-se de júbilo o velho Adão, ferido pela serpente. Dá-lhe Maria uma descendência que lhe permite esmagar a serpente maldita e o cura de sua mortal ferida.

Regozijem-se os sacerdotes na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno, que é ao mesmo tempo Vítima. Ele pôs fim ao antigo sacrifício, oferecendo-Se como a Vítima que aplaca o Pai.

Alegrem-se em Maria todos os profetas. N'Ela se cumpriram suas visões, realizaram-se suas profecias, confirmaram-se seus oráculos.

Exultem em Maria todos os patriarcas. Assim como recebeu a bênção que lhes fora prometida, da mesma maneira Ela os tornou perfeitos em seu Filho. Por Ele, com efeito, os profetas, os justos e os sacerdotes foram purificados.

Em lugar do amargo fruto colhido por Eva da árvore fatal, deu Maria aos homens um fruto cheio de doçura. E eis que o mundo inteiro se deleita com o fruto de Maria.

A Árvore da Vida, oculta no meio do Paraíso, cresceu em Maria e estendeu sua sombra sobre o universo, difundiu seus frutos tanto sobre os povos mais longínquos quanto sobre os mais próximos.

Maria teceu uma vestimenta de glória e a deu a nosso primeiro pai. Entre as árvores escondera ele sua nudez, e ei-lo agora ornado de pudor, de virtude e de beleza. Aquele cuja esposa havia derrubado, sua Filha o eleva; por Ela sustentado, ele se ergue como um herói.

Eva e a serpente armaram uma cilada e Adão nela caíra; Maria e seu régio Filho Se inclinaram e o tiraram do abismo.

A virginal videira produziu um cacho cujo saboroso vinho restitui aos aflitos a alegria. Em sua angústia, Eva e Adão provaram o vinho da vida e nele encontraram completo reconforto.

Fontes:
Revista Arautos do Evangelho, Junho/2015, n. 162, p. 16 à 18.

AMMAN, Emilie. Le dogme Catholique dans les Péres de l'Eglise; 2.ed. Paris: Gabriel Beauchesne, 1922, p.221-223.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Beata Maria Rosa (Suzanne Aghate Deloye) e Companheiras, Virgens e Mártires (Mártires de Orange).



Suzana Ágata Deloye nasceu em Sérignan, cidade limítrofe com Orange, no dia 4 de fevereiro de 1741, filha de José Alexis Deloye e Suzana Jean-Clerc. Depois de uma infância inteira passada nas práticas mais fervorosas de piedade, tendo um pouco mais de vinte anos de idade, ela pediu e obteve o seu ingresso no mosteiro beneditino de Caderousse, sob a invocação da Assunção de Nossa Senhora.
Ali viveu Irmã Maria Rosa, ali ela fez sua profissão, ali, por fim, por mais de trinta anos, ela se preparou, por sua fidelidade aos deveres diários de sua vocação, para a glória do martírio. Ela deveria abrir caminho para suas companheiras de prisão, e de ser a primeira a se apresentar para as bodas do Cordeiro.
A supressão das Ordens religiosas a fez voltar para sua família por algum tempo. Retirada em Sérignan, ela permaneceu ali até 10 de maio de 1794, edificando os seus familiares por sua piedade, e levando no mundo uma vida de santa monja. Porque as religiosas, que pela malícia dos acontecimentos retornavam para a vida secular, não se acreditavam livres de suas obrigações monásticas. Um pequeno livro de poucas páginas que se fazia circular entre elas, lembrava os votos que as ligavam e as características da vida monástica que tinham de manter no século.
Sob o título de “As regras para a conduta das religiosas dispersas pela Revolução”, elas aí encontravam as instruções mais sábias. Maria Rosa deve ter lido o livro. A casa onde ela encontrou refúgio era de seu próprio irmão, Pedro Alexis. Bom cristão, ele educou seus filhos na piedade e estrita observância das leis da Igreja. Duas de suas filhas deixaram a casa paterna para se consagrar a Deus a serviço dos pobres no Hospital Santa Marta de Avignon; uma terceira, Teresa Rosália Deloye, tendo entrado no Santíssimo Sacramento de Bollène, seria a última a vestir o hábito em 23 de novembro de 1790.
Além disso, embora sabendo que estava pondo sua cabeça em risco, ele escondeu no sótão, nos piores dias do Terror, um padre não juramentado de Saint-Paul-Trois-Châteaux. Por sua audácia e sangue frio ele se impôs aos revolucionários, foi capaz de evitar suas perseguições e graças a ele os fiéis da região puderam às vezes assistir a Missa e receber os sacramentos.
Em 2 de março de 1794, a bem-aventurada beneditina foi convocada pela municipalidade de Sérignan, em companhia de Henriete Faurie e Andreia Minutte, para prestar juramento de acordo com a lei. "Todas se recusaram a fazer o juramento, apesar de tudo o que foi feito pelo prefeito para fazê-las aceitar".
O fracasso desta primeira tentativa não desanimou os municipais. Um período de dez dias "para que elas refletissem sobre uma recusa que não devia existir” foi dado às três religiosas, mas, no sétimo dia, foram convocadas novamente, e Irmã Maria Rosa persistiu na recusa, bem como suas duas companheiras.
O Comitê de Supervisão de sua região a colocou na prisão, e a conduziu a Orange, com as duas religiosas do Santíssimo Sacramento de Bollène, Henriete Faurie e Andreia Minutte, e um padre, o Cônego Lusignan. A partir desse momento a causa de sua prisão pareceu óbvia. "Enviamos”, escreve o Comité de Sérignan ao de Orange, “as três religiosas não juramentadas que temos aqui". Nenhum outro delito era imputado a Irmã Maria Rosa, a não ser sua recusa em prestar um juramento que sua consciência rejeitava. E que culpa seriam capazes de descobrir na vida desta beneditina cujas ações e palavras eram edificantes e puras?
Deus quis que, a partir daquele momento, a Irmã Maria Rosa conhecesse a amargura específica a determinados mártires. A municipalidade de Sérignan a conduziu a Orange na carroça de seu irmão Alexis, dirigida por seu empregado acompanhado de dois Guardas Nacionais.
Em Orange, França, na Revolução Francesa,
o martírio de várias religiosas que se
negaram a prestar o juramento revolucionário
Na prisão da Cure, onde a Irmã Maria Rosa ficou presa desde o dia de sua chegada, 10 de maio, estavam presas há oito dias as religiosas aprisionadas no final de março.
A presença e o fervor destas santas mulheres já tinham dado à escura prisão a aparência de um convento. Lá elas seguiam uma regra e praticavam seus exercícios regulares, e até mesmo se engajavam em algumas austeridades compatíveis com a sua situação. Irmã Maria Rosa encontrou ali, sob uma forma ligeiramente diferente, mas no seu essencial, suas práticas beneditinas. E alegremente tomou seu lugar entre as prisioneiras e participou das suas orações e penitências.
Quase dois meses se passaram assim. Em 05 de julho, ela foi chamada ao tribunal da Comissão do Povo. Os juízes esperavam que tendo sido chamada a primeira e única de suas companheiras, ela enfraqueceria e reconsiderando sua intransigência prestaria enfim o juramento prescrito. Além disso, o presidente Fauvéty imediatamente trouxe o interrogatório em seu verdadeiro ponto, e lhe propôs jurar imediatamente, como diziam então, e obedecer à lei. Irmã Maria Rosa recusou com firmeza, declarando que ela sobretudo via o juramento como uma verdadeira apostasia.
O acusador público Viot tinha uma tarefa fácil. Sobre a cabeça desta primeira vítima, condenada já por sua confissão corajosa a uma morte próxima, ele acumulou palavras retumbantes, mas assassinas, com que ele condenaria todas as suas companheiras. "Muito inimiga da liberdade, esta jovem tem tentado de tudo para destruir a república pelo fanatismo e pela superstição. Ela recusou o juramento que foi exigido dela, ela queria acender a guerra civil... etc.".
O fanatismo, a superstição”, aquilo significava na linguagem revolucionária a fidelidade à Igreja, seus sacramentos, seu culto, seus sacerdotes. Ninguém naquela época se enganava com isso e teria sido difícil manter a este respeito as menores ilusões. Fouquier-Tinville ele próprio tinha precisado o significado destas palavras encontradas em todos os indiciamentos de nossos veneráveis. Em 17 de julho 1794, uma carmelita de Compiègne acusada de fanatismo perguntou o que significava. O procurador-geral respondeu entre as mais horríveis blasfêmias: "Por fanatismo, eu entendo o seu apego às práticas pueris e às suas crenças tolas".
Condenada à morte em 6 de julho, a Irmã Maria Rosa foi executada no mesmo dia às 18h. Com ela morreu pela mesma causa um sacerdote santo, o Cônego Antoine Lusignan. Sua emulação para morrer como dignos mártires, diz um de seus historiadores, foi tal que não podemos dizer se foi a religiosa que sustentou a coragem do sacerdote, ou o padre que apoiou a da religiosa. O que é certo é que eles foram para a morte com uma santa alegria. Irmã Maria Rosa mostrou às suas companheiras o caminho da verdadeira vida. Elas não tardariam a palmilhá-lo.
Foi beatificada pelo Papa Pio XI em 10 de maio de 1925.

Fonte: Heroínas da Cristandade


quinta-feira, 9 de julho de 2015

SANTA AGRIPINA, Virgem e Mártir.


Agripina, cujo nome é por certo de ilustre memória na antiga onomástica romana, é muito venerada pelos católicos na Sicília e, em menor grau, na Grécia.
A tradição nos fala de uma mulher de nobre ascendência que havia consagrado sua virgindade a Cristo e vivia reclusa em sua casa, porém realizando obras de caridade com todos os que batiam à sua porta.
Durante a perseguição de Valeriano (257-260), escandalizada com as matanças de cristãos, pediu uma audiência com o imperador e, por ser de ilustre família, foi recebida. Levada a presença de Valeriano recriminou-o duramente por sua conduta com a comunidade cristã e instou-o a se converter se não queria ir para o fogo eterno junto com seus deuses. Quando o césar a impeliu a sacrificar aos deuses, ela se negou corajosamente, o que o levou a mandar castigá-la. Agripina foi duramente açoitada e vários de seus ossos se quebraram. Em seguida a colocaram na prisão. Após varias sessões dessas, ela acabou morrendo na cela ou durante o tormento.
Seu corpo foi recolhido por três jovens piedosas, Paula, Basa e Agatônice, e foi levado para a Basílica de São Paulo, onde foi enterrado. Posteriormente um monge trasladou suas relíquias para a Sicília, onde foram recebidas por São Gregório de Agrigento, que as trasladou para a cidade de Mineo.
No tempo do imperador Constantino, Severo, bispo de Catânia, mandou erguer uma igreja em sua honra. No século XI suas relíquias foram desenterradas e levadas para Constantinopla para protegê-las da profanação da pirataria turca.
Tudo isto é mencionado pela tradição. Mas não há dados sobre a Agripina histórica. Uma passio foi escrita no século VIII, posterior, portanto, à data de seu martírio.
Alguns historiadores dizem que esta história é pouco verossímil, mas tem pontos de verdade: as boas relações entre os monges basilianos gregos da Sicília com os de Roma, São Gregório foi bispo de Agrigento, mas nos séculos VI-VIII e não no tempo de Constantino. E quanto ao bispo Severo, ele realmente foi bispo de Catania, mas também no século VII. Para explicar a popularidade da santa, o hagiógrafo Papebrochio determinou que a trasladação das relíquias seria mais tardia, mas não há provas disto.
Para concluir, muito provavelmente Santa Agripina é uma santa histórica, cuja existência e martírio são reais, porém não se sabe com certeza como foi martirizada.
Ela é padroeira da cidade de Mineo e dos emigrantes desta cidade no bairro de North’s End, em Boston (EUA), onde até hoje ela é comemorada.
Santa Agripina é protetora dos leprosos e das vítimas de tortura por causa de seu martírio, e é invocada contra os maus espíritos e as tempestades.
Sua iconografia consiste em uma pequena torre sobre um livro, uma cruz e a cabeça de Valeriano a seus pés.

Fonte: blog Heroínas da Cristandade.


terça-feira, 7 de julho de 2015

SANTO ANTÔNIO MARIA ZACCARIA, Presbítero e Fundador dos Padres Barnabitas e das Irmãs Angélicas.

Antônio Maria Zaccaria nasceu de nobre família de Cremona, na Alta Itália.  Dotado de grande inteligência, dedicou-se bem cedo ao estudo das humanidades e, mais tarde, adquiriu os graus de doutor em medicina, em Pádua. Desde a infância, revelou um grande amor à SS. Virgem, Mãe de Deus, e invulgar caridade aos pobres e necessitados.
Bem cedo Deus o fez perceber que a sua missão na terra era ser não tanto médico dos que sofriam fisicamente, mas do que necessitavam de assistência e medicação espirituais.  Como médico de profissão e de alma, visitava os enfermos; aos meninos, ensinava a doutrina cristã; ao seu redor, reunia a juventude para incutir-lhe mais piedade; e adultos, não deixava de falar uma palavra de conforto ou um conselho útil para a emenda de vida.
Não lhe era fácil, católico fervoroso que era, passar incólume por entre uma sociedade frívola, desrespeitadora e fortemente contagiada pelo paganismo e doutrinas heterodoxas.  Na pessoa do grande Apóstolo dos gentios, reconheceu seu ideal a seguir e imitar.  A leitura e o estudo das grandiosas epístolas de São Paulo, constituíam seu prazer, sua alegria, seu alimento espiritual. Com este grande arauto da fé, aprendeu o amor a Jesus, que lhe chegou ao grau de com seu mestre e Apóstolo poder dizer: "Nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem poderes, nada me poderá separar do amor de Cristo" (Rom 8,35).
Respeito humano era-lhe coisa de todo desconhecida. Com o crucifixo na mão, pregava pelas ruas da cidade a penitência e o amor de Deus, manifestado na Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo.
Com 26 anos de idade, tomou o hábito talar e ordenou-se sacerdote. Sua primeira Missa, desejou que fosse celebrada com simplicidade, apenas com a presença de sua amada mãe e alguns parentes. Conta à tradição, que durante sua Missa, Anjos foram vistos por alguns dos assistentes.
Nesta nova fase de sua vida, redobrou o seu zelo pela causa de Cristo e pela salvação das almas. Era uma alma de fogo. Em Milão, associaram-se-lhe Bartolomeu Farrário e Jaime Morígia, dois jovens nobres, de virtude exemplar e animados igualmente pelo zelo apostólico, e com eles lançou os alicerces da Sociedade dos Clérigos Regulares.  A grande devoção que os ligava ao Apóstolo das gentes, fê-los dar o nome de São Paulo à sua fundação.  Reconhecida e aprovada pelos Papas Clemente VII e Paulo III, a Congregação tomou incremento e propagou-se em diversas regiões da Itália. Pela circunstância de os fundadores se terem instalado nas proximidades da Igreja de São Barnabé, receberam o nome de Barnabitas. Antônio Maria fundou uma Congregação religiosa feminina, à qual deu o nome de Angélicas de São Paulo.
Com ânimo forte, enfrentou as dificuldades que se lhe opuseram na execução dos planos, que soube a Divina Providência ter lhe traçado: Tempestades dolorosas que contra si e suas instituições se levantaram, com paciência, firmeza e caridade soube amainar.  Muitos sacerdotes, que à sua direção se confiaram, resolveram a viver de perfeito acordo com as exigências do seu santo estado e, segundo o exemplo do seu diretor, se dedicar a trabalhos apostólicos do seu ministério.  Em muitas famílias conseguiu despertar o espírito de piedade e levá-las, pelo caminho do amor e temor a Deus.
Com suas férvidas orações, incessantes penitências, e a insistência de sua palavra convencedora, obteve a conversão de muitos pecadores e, com isto, sua volta a uma vida reta e edificante.
Modelando-se por São Paulo, mestre por excelência no amor de Jesus crucificado, de corpo e alma Antônio Maria se entregou ao apostolado deste amor, documentado e realizado no SS. Sacramento. Promover a adoração pública e solene de Jesus na Hóstia consagrada, e introduziu a prece permanente das "Quarenta Horas" diante do SS. Sacramento, exercício comemorativo das quarenta horas que o Corpo do Salvador esteve no túmulo. Foi também grande incentivador da leitura orante das Sagradas Escrituras.

Após vida curta, mas riquíssima de extenuantes trabalhos e imperecíveis merecimentos, Antônio Zaccaria faleceu em 05 de julho de 1539. Rodeado da sua família religiosa, tendo ao seu lado sua própria mãe, à qual predisse morte próxima, consolado com a assistência visível dos Apóstolos, que lhe prenunciaram forte incremento das suas fundações, entregou a sua alma a Deus.
 Este glorificou o túmulo do seu fiel servo com muitos milagres, e em 1897, o Papa Leão XIII, inseriu o nome de Antônio Maria Zaccaria no catálogo dos Santos.


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domingo, 5 de julho de 2015

SANTO ANDRÉ BESSETTE, Religioso. Grande devoto e apóstolo de São José.




Santo Irmão André, famoso por sua
grande devoção a São José e pelos 

milagres que este Santo Patriarca

realizava com seus pedidos. 
QUEM É ESTE HOMEM?

“sou um homem como você”
Ir. André Bessette
Seu nome era Alfred Bessette. Nasceu em 09 de agosto de 1845, em Mont-Saint-Grégoire, na província canadense de Quebec, e foi batizado no dia seguinte, pois havia nascido tão fraco que seus pais temiam por sua vida. Em 1849, com a oferta de emprego escassa e sua família vivendo em pobreza, o pai de Alfred decidiu mudar-se para Farnham, onde esperava ganhar a vida como lenhador.

Infelizmente, ele perdeu sua vida em um acidente, sendo esmagado por uma árvore em queda, quando Alfred tinha apenas nove anos de idade. Sua mãe viu-se viúva aos quarenta anos de idade, com dez filhos para criar. Ela morreu de tuberculose três anos mais tarde. Muito tempo depois, Irmão André diria dela: “Eu raramente rezava pela minha mãe, mas sempre rezava a ela”.

A família se dispersou e, aos onze anos de idade, Alfred encontrou-se tendo que enfrentar as dificuldades da vida. Ele foi obrigado a procurar trabalho. Alfred embarcou em uma jornada de treze anos vagando de emprego em emprego, sem muita bagagem e pouca instrução, uma vez que mal conseguia escrever seu nome e ler seu livro de orações.

O TRABALHADOR

Apesar da sua fraqueza física, Alfred tentava ganhar a vida. Ele viajava de emprego a emprego como aprendiz e era facilmente explorado por aqueles mais fortes do que ele. Durante uma época, trabalhou em construção civil e mais tarde em fazenda, como funileiro, ferreiro, padeiro, sapateiro e cocheiro.

Seguindo o fluxo dos emigrantes franco-canadenses, foi para os Estados Unidos e trabalhou durante quatro anos na indústria têxtil. Mesmo tendo saúde frágil, colocava todo o seu coração no trabalho: “Apesar da minha condição frágil – disse ele – não deixava ninguém me passar no que dizia respeito ao trabalho”. Em 1867, retornou ao Canadá.

Foto do santo como jovem religioso.
Em 1870, Alfred se apresentou como candidato ao noviciado da Congregação de Santa Cruz em Montreal. Devido à saúde frágil, seus superiores tiveram dúvidas sobre sua vocação religiosa. Contudo, estas reservas foram logo colocadas de lado quando ele finalmente foi aceito e recebeu o nome de André, com a responsabilidade de porteiro do Colégio Notre Dame. Ao falar de suas tarefas iniciais no colégio, Irmão André tinha orgulho em dizer: “Quando entrei para a comunidade, meus superiores me mostraram a portaria e lá eu permaneci durante quarenta anos sem deixá-la”. Além das suas tarefas como porteiro, suas tarefas cotidianas consistiam em lavar o chão e as janelas, limpar as lâmpadas, carregar lenha e trabalhar como mensageiro.



Santo André foi durante muitos anos
o porteiro do Colégio Notre-Dame e lá

exercia seu apostolado de acolhida aos

doentes e aflitos. 
O IRMÃO AMIGO

Logo, irmão André começou a acolher pessoas doentes e deprimidas. Ele as convidava a rezar para São José para obter as graças que necessitava. Não levou muito tempo para que várias pessoas começassem a relatar que suas preces estavam sendo atendidas. Durante vinte e cinco anos, passou de seis a oito horas por dia recebendo pessoas que o procuravam, primeiro em seu pequeno escritório e depois na estação de bonde do outro lado da rua, em frente ao Colégio.

Irmão André construiu a primeira capela com a ajuda de amigos e com o dinheiro que ganhava cortando o cabelo dos estudantes do colégio. Tinha certeza de que São José queria ter um lugar na montanha; assim, passou sua vida inteira preparando um bonito santuário digno de seu amigo.

Começou a visitar os doentes da região e viajava até os Estados Unidos, onde havia feito amigos. Ganhou a fama de milagreiro, mas protestava veemente contra este título: “Eu não sou nada... sou apenas uma ferramenta nas mãos da Providência, um humilde instrumento a serviço de São José”. E ainda acrescentava: “As pessoas são tão tolas em pensar que posso operar milagres! É Deus e São José que podem curar vocês”.

Foto escolhida para seu painel de canonização.
Sua seriedade na presença de estranhos contrastava fortemente com a atitude solta e bem humorada que ele adorava entre os amigos. Adorava brincar e costumava dizer: “Vocês não devem ficar tristes; é bom rir um pouco”. Ele fazia bom uso do seu humor para compartilhar sua alegria e passar sutilmente algum bom conselho durante uma conversa, ou para mudar de assunto quando uma conversa começava a se desenvolver em fofoca maldosa à custa de alguém.

Era um homem determinado e de princípios firmes. Bondade e uma sabedoria brincalhona se refletiam em seus olhos. O grande respeito que demostrava pelos outros era amplamente responsável pelo respeito que os outros demonstravam por ele. Era um homem muito sensível. Algumas vezes, podia ser visto chorando com os doentes, ou com lágrimas nos olhos após ouvir uma história particularmente triste de algum dos visitantes.

O Santo Irmão André era todo bondade e carinho
para com os doentes e aflitos. Um verdadeiro
pai e anjo para muitas almas. 



UM HOMEM DE GRANDE RESPONSABILIDADE

Durante todos aqueles anos, um imenso projeto estava em andamento e multidões cada vez maiores se dirigiam ao Oratório. A primeira pequena capela foi erguida em 1904, mas logo se tornou muito pequena para receber todas as pessoas que vinham ao monte. Como resultado, a capela foi ampliada em 1908 e novamente em 1910. No entanto, não foi suficiente; uma igreja maior em homenagem a São José se tornou necessária.

Em 1917, uma nova Igreja-Cripta foi inaugurada. A cripta tinha capacidade para pelo menos mil pessoas; porém, este era apenas o ponto de partida para um empreendimento ainda maior. Irmão André devotou seus esforços para construir o Oratório, que se tornaria o maior santuário do mundo dedicado a São José.


Santuário-Basílica de São José, em Montreal. O maior santuário do mundo em honra de São José. 


A crise econômica de 1929 forçou a paralisação da construção da Basílica. Em 1936, as autoridades da Congregação de Santa Cruz convocaram uma reunião especial para decidir se o projeto deveria continuar ou não. O Provincial chamou o Irmão André para pedir sua opinião sobre o assunto. O Irmão, já envelhecido, tinha apenas algumas palavras para a assembleia: “Este não é o meu trabalho, é o trabalho de São José. Coloquem uma estátua sua no meio da construção. Se ele quiser uma cobertura sobre sua cabeça, ele cuidará disso”. Dois meses mais tarde, a Congregação havia arrecadado os fundos necessários para continuar a trabalho da construção.


Foto do santo já idoso e alquebrado pela doença
UM HOMEM BONDOSO E DEVOTO

Irmão André tinha grande dedicação em se reunir e cumprimentar as pessoas. Passava muitas horas em seu escritório, onde milhares de pessoas vinham vê-lo e, à noite, visitava lares e hospitais acompanhado por um de seus amigos. Sua bondade e compaixão eram combinadas com uma notável inteligência.

Ele fez o seguinte comentário sobre os inúmeros pedidos por cura que recebia: “É surpreendente como sou frequentemente solicitado por pessoas buscando cura, mas raramente por humildade e pelo espírito de fé. No entanto, eles são tão importantes...”, acrescentou: “Se a alma estiver doente, deve-se começar tratando a alma”. Consequentemente, ele sempre fazia tais perguntas às pessoas que o consultavam: “Você tem fé”?Você acredita que Deus pode fazer alguma coisa por você”? Então, antes de fazer qualquer outra coisa, ele lhes dizia: “Vá se confessar ao padre, comungar e depois volte para me ver”. De fato, Irmão André tinha uma verdadeira compreensão do senso e do valor do sofrimento e falava com sabedoria ao tratar este assunto: “As pessoas que sofrem têm algo a oferecer a Deus”. Quando elas têm sucesso ao suportar seu sofrimento, este é um milagre diário!”.



UM HOMEM DE DEUS

Irmão André sempre negou ter qualquer dom de cura, dizendo: “Eu não tenho nenhum dom e não posso dar nenhum”. Suas exortações eram sempre as mesmas: fazer uma novena e esfregar o óleo ou a medalha de São José.

Para ele, estes eram verdadeiros “atos de amor e fé, de confiança e humildade”. Ele encorajava as pessoas a procurar um médico para o tratamento. Aos médicos dizia: “O seu trabalho é muito importante. Sua ciência lhes foi dada por Deus; portanto, agradeçam a Ele e rezem a Ele”. Irmão André tinha tal maneira de falar sobre Deus que o levava a ter sucesso em semear sementes de esperança nas pessoas que encontrava. Um de seus amigos relatou este fato: “Eu nunca levei uma pessoa doente ao Irmão André sem que ela voltasse para casa enriquecida”. Algumas eram curadas. Outras faleciam algum tempo depois, mas Irmão André lhes trazia paz de espírito.


O CAMINHO PARA O CÉU

Para Irmão André, o céu é viver na casa de Deus. Sua visão da morte como a realização final era geralmente expressa da seguinte forma: “Vocês sabem, é permitido desejar a morte se o objetivo único de uma pessoa for encontra-se com Deus... Quando eu morrer, irei para o céu, estarei muito perto de Deus do que estou agora; terei mais poder para ajuda-los”.

Alguns momentos antes da sua morte, aqueles ao seu redor o ouviram chamar: “Estou sofrendo tanto meu Deus! Meu Deus!”. E então com uma voz muito fraca: “Eis o grão”, referindo-se ao evangelho de João 12, 24: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto”.

“Ele passou sua vida inteira falando dos outros a Deus e de Deus aos outros”. Ao dar este testemunho, seu amigo apresentou uma avaliação válida da vida imbuída de fé e amor de Irmão André. Na verdade, é difícil dizer em que ponto da sua vida o trabalho terminava e a oração começava, uma vez que os dois pareciam fluir tão naturalmente um no outro.

Irmão André faleceu no dia 06 de Janeiro de 1937, aos noventa e dois anos, numa Quarta-feira, dia semanal dedicado ao glorioso São José. Os jornais publicaram que muito mais de um milhão de pessoas participaram do seu velório e enterro, seu corpo descansa hoje em um túmulo simples no bonito Oratório que se ergue tão grandiosamente no Monte Real. Até os dias de hoje, milhares de visitantes vêm ao Oratório de São José para receber cura física e espiritual. Foi declarado venerável em 1978 e, em 23 de maio de 1982, Irmão André foi beatificado pelo Papa João Paulo II.


Canonização do Irmão André Bessette, CSC, amigo incondicional de São José e servo de Deus, que se fez irmão dos mais necessitados.

Irmão André Bessette foi canonizado e reconhecido como primeiro Santo oficial da Congregação de Santa Cruz, em 17 de Outubro de 2010. Esse anúncio foi promulgado pelo Papa Bento XVI, durante cerimônia realizada no Vaticano no dia 19 de fevereiro de 2010.

Irmão André ficou conhecido pelos inúmeros milagres realizados através de suas orações a São José. Sua grande confiança em São José o inspirou a recomendar essa devoção a todos àqueles que eram afligidos de maneiras diferentes. Muitos exaltaram que foram curados e que as curas eram graças às suas orações que haviam sido ouvidas.

A consideração ao Irmão André cresceu e rapidamente ele ficou conhecido como o milagreiro do monte Royal. Sobretudo por que ele era a “expressão do Amor”, fonte de libertação, redenção e alegria. Um homem de vida interior e humildade que constantemente cultivava a devoção a São José.

Seguindo fielmente as virtudes de São José, Irmão André tornou-se um religioso justo, trabalhador, compassivo, silencioso e de bastante fé. De grandes virtudes e de extrema humildade, atraía multidões, consolava e curava a muitos com suas preces. Ele passou a dedicar sua vida atendendo a doentes e aflitos, acolhendo-os com dedicação e misericórdia e também os visitando em suas casas.

Ainda hoje, Irmão André permanece para nós um símbolo vivo da renovação cristã a qual todos somos convidados. O que Irmão André foi capaz de realizar através da graça de Deus, também somos capazes de realizar através da mesma graça oferecida a nós tão generosa e consistentemente.

A Canonização do Irmão André em se deu em Roma no dia 17 de Outubro de 2010, pelo Papa Bento XVI.

     
Oração para obter uma graça especial por intercessão de Santo Irmão André:

Santo Irmão André, nós celebramos a tua presença entre nós. A vossa amizade com Jesus, Maria e José faz de ti um intercessor poderoso junto do Pai.
A compaixão liga as tuas palavras ao coração de Deus. As tuas preces são ouvidas e trazem conforto e cura. Contigo, nossa boca aproxima-se do ouvido de Deus, para lhe apresentar o nosso pedido...
Que nos seja permitido participar, como vós,  na obra de Deus, em espírito de oração, de compaixão e humildade.
Santo Irmão André, rogai por nós. Amém!