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sábado, 23 de novembro de 2013

Beato Miguel Agustín Pro, Presbítero Jesuíta e Mártir de Cristo Rei - memória em 23 de novembro


Beato Miguel Agustín Pro, presbítero e mártir. 
(conhecido como "Mártir de Cristo Rei")
Hoje, trago ao conhecimento dos leitores de nosso "blog" um resumo da vida e do martírio do glorioso beato Miguel Pro, jesuíta, brutalmente assassinado a mando do governo socialista anti-católico e anti-clerical que governou o México nos anos 1927-1929, que ceifou a vida de centenas de católicos (bispos, padres, religiosos e leigos), pelo simples fato de praticarem a sua fé. 
     Interessante que praticamente ninguém conhece esse fato que se deu no século XX, a não ser o povo católico mexicano, que ainda guarda viva a memória de seus mártires (alguns já canonizados e beatificados). 

   A insurgência dos católicos mexicanos contra a arbitrariedade, crueldade e falácia do governo socialista/comunista da época levou-os a pegarem em armas e lutarem pela deposição do dito cujo governo. Essa revolta popular ficou conhecida como a "Revolução dos Cristeros" ou a "Revolta Cristera". 

Os "cristeros", como eram chamados, eram compostos por alguns ex-militares que abandonaram as fileiras do exército fiel ao governo e por uma grande maioria de homens e mulheres de origem humilde: camponeses e agricultores que se organizaram como exército e conseguiram com que a nação mexicana pudesse voltar às origens católicas que tanto a marcaram e que tão profundamente estavam arraigadas nos corações e nas famílias de todo o país. 

A situação, como estava se desenrolando, não podia ser mais suportada: as igrejas, conventos e seminários foram fechados, os padres e religiosos foram proibidos de vestirem seus hábitos e batinas, era proibido o ensino religioso, missas não poderiam ser celebradas e nem mesmo a administração dos sacramentos. Os padres ou leigos que eram pegos desobedecendo às ordens presidenciais eram sumariamente conduzidos à prisão e imediatamente executados. Muitos não foram nem sequer julgados! Alguns padres foram fuzilados ou enforcados dentro ou em frente à própria igreja onde eram flagrados celebrando a Santa Missa. O bom povo católico mexicano não pode ficar inerte e se mobilizou para destituir o governo autoritário e tirano do poder. 

Foto tirada no dia de sua prisão (véspera de sua 
morte). 
Observam-se as roupas civis. Conforme  
a ultrajante legislação da época não era 
lícito a um padre o uso da batina em público.
Bem, voltemos ao nosso querido beato. Padre Miguel Agustín Pro era um padre "maravilhoso", usando um termo moderno. Inteligente, piedoso, simpático, dedicado a seu rebanho, amante da Santa Igreja, devoto da Virgem Maria e fiel à administração dos sacramentos, centro da vida sacerdotal. Mesmo com a perseguição e proibição de exercer seu ministério, padre Miguel o fazia com assiduidade e amor, na clandestinidade, arriscando-se a ser capturado e preso (como ocorreu).
 
Dos mártires daqueles dias, nenhum chamou tanto a atenção do público no México e no resto do mundo como o jesuíta Miguel Agustín Pro. Pro foi morto por um pelotão de fuzilamento em frente às câmeras dos jornais que o governo trouxera para gravar o que esperava ser o constrangedor espetáculo de um padre implorando por misericórdia. 
Foi uma das primeiras tentativas modernas de usar a mídia para a manipulação da opinião pública com propósitos anti-religiosos. Mas, em vez de vacilar, Pro demonstrou grande dignidade, pedindo apenas a permissão de rezar antes de morrer. 
Após alguns minutos de prece, levantou-se, ergueu seus braços em forma de cruz – uma tradicional posição de oração mexicana – e, com voz firme, nem desafiante, nem desesperada, entoou de forma comovente palavras que desde então se tornaram famosas: ‘Viva Cristo Rey'.”

De personalidade cativante, dono de si e piedoso, Padre Pro destacou-se entre os personagens do movimento dos Cristeros, de resistência ao regime socialista que se instaurava no México em 1926.

Padre Pro retornou ao México (passara um tempo na Europa por motivo de estudos) justamente no período do governo do presidente Plutarco Elias Calles, o “Nero do México”, em meados de 1926. Antes de sua chegada, cerca de 160 padres já haviam sido fuzilados e outros vários presos. Como relatado por um biógrafo jesuíta:

toda ordem religiosa foi dissolvida. Todas as escolas católicas, secularizadas, o que significa que, na realidade, tornaram-se ateístas; nelas, nenhuma menção a Deus era tolerada. Crucifixos foram arrancados das paredes e as estátuas, destruídas. Em seguida, para eliminar toda “propaganda católica” (…);

Para que entendam a importância deste homem, beato, publico logo abaixo suas últimas fotos, que mostram sua execução. Cabe lembrar, como dito acima, que as fotos só existem porque o governo mexicano chamou a imprensa, acreditando que Padre Pro negaria a Cristo e pediria misericórdia aos comunistas. 

Ao contrário, como podem ver abaixo, Padre Pro foi fiel até o fim, causando desespero aos políticos da época a ponto de confiscarem todas as fotos tiradas (algumas das que restaram retratam bem o ocorrido). As imagens são fortes e podem ser chocantes. Não estamos "acostumados" em praticamente assistir a um martírio. 

Apesar de ter sido um assassinato, não confundamos o que aconteceu com o padre Miguel Pro e o que acontece no "dia a dia" de nossas cidades: homicídios, por vezes, diários, motivados por brigas, roubos, assaltos, vinganças ou motivos "passionais". Não. O padre Pro morreu por Cristo, morreu porque era um padre católico, fiel à sua vocação e ao seu ministério. 

Não fiquem "horrorizados" com as fotos abaixo. Elas mostram os últimos momentos na terra de um herói de nossa fé. Ao mesmo tempo que nos dá "pena" vermos um homem bom como ele ser morto injustamente, não esqueçamos que ele morreu pela fé. Sua alma certamente voou para os braços de Deus tão logo recebeu aqueles tiros dos soldados. 

Peçamos ao beato Miguel Pro que tenha piedade de nós e que interceda por nós. Vivemos na época do "secularismo" e do "relativismo". A fé está enfraquecida em muitos que se dizem cristãos e católicos. Peca-se facilmente. Renega-se ao Cristo e à sua vontade por pouca coisa. Cada vez mais "católicos" (pessoas que dizem que eram "católicas") trocam sua religião por falsas doutrinas, por seitas, por superstições e crendices "mágicas" e "esotéricas". 

Que seu exemplo e o sangue derramado em seu martírio continue a suscitar verdadeiros cristãos que, como ele, estejam dispostos a dar a sua vida antes de trair a Cristo, no mínimo que seja... 


Momento no qual o padre chega ao local de seu iminente martírio. Foi
condenado à morte sem direito a um julgamento. Padre Pro caminha para
a morte certa, portando apenas um crucifixo e um rosário.


Padre Miguel Pro pede para rezar antes da execução. Pega
nos bolsos do paletó, um crucifixo e um terço. Oferece
suas preces e seu perdão aos seus executores.


Padre Miguel Pro, de joelhos, pede perdão a Deus por seus pecados e reza
por seus executores, perdoando-os de todo o coração. O chefe do pelotão
mostrado na foto, pede-lhe perdão pelo que irá fazer.


O padre Miguel estica os braços em forma de cruz, com o crucifixo na mão.
direita e o terço na mão esquerda. Seu semblante é sereno.


No momento de receber os tiros, o padre exclama com voz
forte e corajosa: "Viva, Cristo Rei!"

O padre recebe os tiros e começa a cair ao solo.

O padre recebe os tiros e começa a cair no solo.

O padre Miguel cai, no entanto, ainda não está morto. Um soldado
aproxima-se e lhe dá o "tiro de misericórdia" na cabeça.

A alma heroica do mártir de Cristo é recebida no Céu pelos
Anjos.
O corpo do mártir chega ao necrotério.

O corpo do mártir é examinado no necrotério.
Funeral do Padre Miguel Pro. Uma multidão de fiéis seguiu seu
sepultamento, apesar do grande risco que correu de ser abordada
e dispersada por tropas fiéis ao governo socialista. 


         Beato Miguel Agustín Pro, rogai por nós! Rogai pela América Latina, pelo México e pelo Brasil, nestes tempos tão difíceis!


Comentário explicativo:

Para ser canonizado, um beato necessita que um grande milagre de cura, inexplicável pela medicina, aconteça e seja rigidamente documentado e enviado ao Vaticano, que submeterá os documentos (laudos, exames, testemunhos) a rígidos estudos, feitos por vários médicos (inclusive, alguns ateus, agnósticos ou não católicos), membros da comissão médica da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos. 

Infelizmente (o porquê está no mistério de Deus), até o momento, isso não aconteceu. Muitos já alcançaram graças e favores atribuídos à intercessão da alma do Beato Miguel Pro, mas ainda não se tem notícia de algum grandioso milagre. Recordo que a medicina atual tem muitos tratamentos para a maioria das doenças. Por isso que não basta que ocorra uma cura "normal" ou que possa ser atribuída a algum tratamento. Tem que ser, realmente, uma cura INEXPLICÁVEL pela medicina: de uma doença gravíssima, incurável, ocorrida de forma instantânea ou muito rápida e completa. 

Mas o que importa é que, no Céu, Padre Miguel Pro é, certamente, um santo. Foi um MÁRTIR: corajosa testemunha de amor e fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja. 

A glória de alguém no Céu, caso seja julgado digno, é recebida logo após ter passado por seu juízo particular, perante o Soberano Juiz. 

A beatificação e a canonização não alteram em nada a glória já recebida pela alma. A importância de uma beatificação ou canonização aqui na terra serve apenas para que um determinado fiel tenha seu exemplo e testemunho de vida cristã, de virtudes e de santidade (fidelidade, amor a Deus, pureza de vida, caridade para com o próximo, humildade, paciência e conformidade nas cruzes, etc.) reconhecidos oficialmente pela Igreja, para servir de modelo também para os outros, digo, para todos nós, e para que o culto de veneração (dulia) seja autorizado pelo Santo Padre, o Papa. 

Assim, o Beato ou Beata poderá ser venerado(a) e ter altares e capelas na cidade, território ou país onde viveu ou deu testemunho de sua fé. 

Quando canonizado(a), recebe a alcunha de Santo ou Santa, tendo seu culto estendido a todo o Orbe Católico, podendo ele(a) mesmo(a) ter altares, igrejas, capelas ou santuários em qualquer diocese ou paróquia da face da terra. 

São Columbano, Abade beneditino - memória em 23 de novembro (facultativa).


São Columbano, abade beneditino: 
(Catequese do Papa Emérito Bento XVI, dada no Vaticano em 11 de junho de 2008)

Queridos irmãos e irmãs!
Hoje gostaria de falar do santo abade Columbano, o irlandês mais conhecido do início da Idade Média: com razão ele pode ser chamado um santo "europeu", porque, como monge, missionário e escritor, trabalhou em vários países da Europa ocidental. Juntamente com os irlandeses do seu tempo, ele estava consciente da unidade cultural da Europa. Numa sua carta, escrita por volta do ano 600 e dirigida ao Papa Gregório Magno, encontra-se pela primeira vez a expressão "totius Europae”, isto é: de toda a Europa, referindo-se à presença da Igreja no Continente (cf. Epístola I, 1).
Columbano nasceu por volta do ano 543 na província de Leinster, no sudeste da Irlanda. Educado na própria casa por ótimos mestres que o iniciaram no estudo das artes liberais, confiou-se depois à guia do abade Sinell da comunidade de Cluain-Inis, na Irlanda setentrional, onde pôde aprofundar o estudo das Sagradas Escrituras. Com cerca de trinta anos, entrou no mosteiro de Bangor, no nordeste da ilha, onde era abade Comgall, um monge muito conhecido pela sua virtude e pelo seu rigor ascético. Em total sintonia com o seu abade, Columbano praticou com zelo a severa disciplina do mosteiro, conduzindo uma vida de oração, de ascese e de estudo. Ali foi também ordenado sacerdote. A vida em Bangor e o exemplo do abade influenciaram a concepção do monaquismo que Columbano maturou com o tempo e difundiu depois ao longo da sua vida.


Aos cinquenta anos, seguindo o ideal ascético tipicamente irlandês da "peregrinatio pro Christo", isto é, do fazer-se peregrino por Cristo, Columbano deixou a ilha para empreender com doze companheiros uma obra missionária no continente europeu. De facto, devemos ter presente que a migração de povos do norte e do leste fez voltar ao paganismo inteiras regiões já cristianizadas. Por volta do ano 590, este pequeno grupo de missionários chegou à costa da Bretanha. Acolhidos com benevolência pelo rei dos Francos da Austrásia (atual França), pediram apenas um pouco de terra inculta. Obtiveram a antiga fortaleza romana de Annegray, totalmente em ruínas e abandonada, já coberta pela floresta. Habituados a uma vida de extrema renúncia, os monges conseguiram em poucos meses construir sobre as ruínas o primeiro eremitério. Assim, a sua reevangelização começou a desenvolver-se, antes de tudo, mediante o testemunho da vida. Com a nova cultivação da terra, começaram também uma nova cultivação das almas. A fama daqueles religiosos estrangeiros, que, vivendo de oração e em grande austeridade, construíam casas e arroteavam a terra, difundiu-se rapidamente, atraindo peregrinos e penitentes. Sobretudo muitos jovens pediam para ser acolhidos na comunidade monástica para viver, como eles, esta vida exemplar que renovava a cultura da terra e das almas. Depressa se tornou necessária a fundação de um segundo mosteiro. Foi edificado a poucos quilômetros de distância, sobre as ruínas de uma antiga cidade termal, Luxeuil. O mosteiro tornar-se-ia depois o centro da irradiação monástica e missionária de tradição irlandesa no continente europeu. Um terceiro mosteiro foi erigido em Fontaine, a uma hora de caminho mais ao norte.



Em Luxeuil, Columbano viveu quase vinte anos. Ali, o santo escreveu para os seus seguidores a Regula Monachorum, durante certo período mais difundida na Europa do que a de São Bento, designando a imagem ideal do monge. É a única antiga regra monástica irlandesa que hoje possuímos. Como integração, ele elaborou a Regula Coenobialis, uma espécie de código penal para as faltas dos monges, com punições bastante surpreendentes para a sensibilidade moderna, explicáveis apenas com a mentalidade do tempo e do ambiente. Com outra obra famosa intitulada: "De poenitentiarum misura taxanda", escrita também em Luxeuil, Columbano introduziu no continente a confissão e a penitência privadas e reiteradas; foi chamada penitência "tarifada" devido à proporção estabelecida entre gravidade do pecado e tipo de penitência imposta pelo confessor. Estas novidades despertaram a suspeita dos bispos da região, uma suspeita que se transformou em hostilidade quando Columbano teve a coragem de reprová-los abertamente pelos costumes de alguns deles. A ocasião em que se manifestou o contraste foi a contenda sobre a data da Páscoa: de facto, a Irlanda seguia a tradição oriental, em contraste com a tradição romana. O monge irlandês foi convocado em 603 a Châlon-sur-Saôn para prestar contas diante de um sínodo dos seus costumes relativos à penitência e à Páscoa. Em vez de se apresentar ao sínodo, ele enviou uma carta com a qual minimizava a questão, convidando os Padres sinodais a discutir não só sobre o problema da data da Páscoa, segundo ele um pequeno problema, "mas também de todas as necessárias normas canônicas desatendidas por muitos, o que é mais grave" (cf. Epístola II, 1). Contemporaneamente escreveu ao Papa Bonifácio IV, como alguns anos antes já se tinha dirigido ao Papa Gregório Magno (cf. Epístola I) para defender a tradição irlandesa (cf. Epístola III).

Sendo muito intransigente em todas as questões morais, Columbano entrou depois em conflito também com a casa real, porque tinha reprovado asperamente o rei Teodorico pelas suas relações adulterinas. Isso originou uma rede de intrigas e manobras a nível pessoal, religioso e político que, no ano 610, se transformou num decreto de expulsão de Luxeuil para Columbano e para todos os monges de origem irlandesa, que foram condenados ao exílio definitivo. Foram escoltados até o mar e embarcados para a Irlanda com o patrocínio da corte. Mas o navio encalhou a pouca distância da praia e o capitão, vendo nisto um sinal do céu, renunciou a prosseguir e, com receio de ser amaldiçoado por Deus, reconduziu os monges para a terra firme. Eles, em vez de voltarem para Luxeuil, decidiram começar uma nova obra de evangelização. Embarcaram no Reno e subiram o rio. Depois de uma primeira etapa em Tuggen, junto ao lago de Zurique, foram para a região de Bregenz, perto do lago de Constância, para evangelizar os Alamanos.
Mas, pouco depois, Columbano, devido a vicissitudes políticas pouco favoráveis à sua obra, decidiu atravessar os Alpes com a maior parte dos seus discípulos. Permaneceu só um monge de nome Galo; da sua ermida ter-se-ia depois desenvolvido a famosa abadia de Sankt Gallen, na Suíça. Tendo chegado à Itália, Columbano encontrou um acolhimento favorável junto da corte real longobarda, mas teve que enfrentar imediatamente grandes dificuldades: a vida da Igreja estava dilacerada pela heresia ariana que ainda prevalecia entre os longobardos e por um cisma que tinha separado a maior parte das Igrejas da Itália setentrional da comunhão com o Bispo de Roma. Columbano inseriu-se com autoridade neste contexto, escrevendo um libelo contra o arianismo e uma carta a Bonifácio IV para convencê-lo a dar alguns passos decididos em vista de um restabelecimento da unidade (cf. Epístola V). Quando o rei dos longobardos, em 612 ou 613, lhe confiou um terreno em Bobbio, no vale da Trebbia, Columbano fundou um novo mosteiro que depois se tornaria um centro de cultura comparável com o famoso de Montecassino. Nele viu o fim dos seus dias: faleceu a 23 de novembro de 615, e nesta data é comemorado no rito romano até hoje.

A mensagem de São Columbano concentra-se numa firme chamada à conversão e ao desapego dos bens terrenos em vista da herança eterna. Com a sua vida ascética e com o seu comportamento sem ceder face à corrupção dos poderosos, ele evocava a figura severa de São João Batista. A sua austeridade, contudo, nunca é fim em si mesma, mas unicamente o meio para se abrir livremente ao amor de Deus e corresponder com todo o ser aos dons por Ele recebidos, reconstruindo assim em si a imagem de Deus e, ao mesmo tempo, arroteando a terra e renovando a sociedade humana. Cito das suas Instructiones: "Se o homem usar rectamente as faculdades que Deus concedeu à sua alma, então será semelhante a Deus. Recordemo-nos de que lhe devemos restituir todos aqueles dons que ele depositou em nós quando estávamos na condição originária. Ensinou-nos o seu modo com os seus mandamentos. O primeiro deles é o de amar o Senhor com todo o coração, porque Ele nos amou primeiro, desde o início dos tempos, ainda antes que nós viéssemos à luz deste mundo" (cf. Inst., XI). O Santo irlandês encarnou realmente estas palavras na própria vida. Homem de grande cultura escreveu também poesias em latim e um livro de gramática; revelou-se rico de dons e de graça. Foi incansável construtor de mosteiros, assim como intransigente pregador penitencial, empregando todas as suas energias para alimentar as raízes cristãs da Europa que estava a nascer. Com a sua energia espiritual, com a sua fé, com o seu amor a Deus e ao próximo, tornou-se realmente um dos Padres da Europa: ele mostra-nos também hoje onde estão as raízes das quais pode renascer esta nossa Europa.


São Columbano, Abade, rogai por nós! 

São Ricardo Pampuri, Médico e Religioso da Ordem Hospitaleira de São João de Deus (os Fatebenefratelli) - memória em 1 de maio.



São Ricardo Pampuri nasceu em Trivolzio, perto de Pávia, a 2 de agosto de 1897, e foi batizado com o nome de Hermínio Filipe. Foi o penúltimo de 11 filhos de Inocente Pampuri e Ângela Campari. A sua mãe faleceu quando Hermínio era ainda uma criança de apenas três anos de idade e o seu pai morreu alguns anos mais tarde; por isso, foi confiado aos tios. Ainda jovem estudante, entrou para a Sociedade de São Vicente de Paulo e colaborou na fundação da Associação Juvenil da Associação Católica "Dom Bosco".

Ao terminar os seus estudos de Medicina, com 24 anos de idade, tornou-se médico de família em Morimondo, uma aldeia não muito distante de Trivolzio; exerceu aí a sua profissão com zelo e bondade, pondo em prática na vida profissional a sua fé e o seu forte sentido de missão. Escreveu as seguintes palavras à sua irmã Longina, freira missionária:

“Reza para que o orgulho, o egoísmo ou qualquer outra má paixão nunca me impeçam de ver Jesus nos meus doentes. É Ele que cura, é Ele que consola”.

E assim escrevia, nos seus propósitos, ao preparar-se para a profissão religiosa (na Ordem Hospitaleira de São João de Deus):

"Quero servir-Vos, meu Deus, no futuro, com perseverança e amor supremo: nos meus superiores, nos irmãos, nos doentes, vossos prediletos: dai-me a graça de os servir como Vos serviria a Vós."

Depois da morte, ocorrida no dia 1.º de maio de 1930, a sua fama de santidade foi-se difundindo por toda a Itália e, depois, na Europa e no mundo. Vários milagres foram atribuídos à sua intercessão. São ainda muitos os peregrinos que se deslocam a Trivolzio para venerar os seus restos mortais (corpo incorrupto), que repousam na igreja paroquial.

Durante a cerimônia de canonização, celebrada no dia 1.º de novembro de 1989, o Santo Padre São João Paulo II afirmou na homilia que proferiu:

 
“Não podem deixar de nos impressionar as palavras com que Ricardo se dirigia, num último colóquio, ao seu diretor espiritual: ‘Padre, como me acolherá Deus?... Eu amei-O muito, e muito O amo. Neste intenso amor reside o valor supremo do carisma de um verdadeiro Irmão da Ordem de São João de Deus, cuja vocação consiste precisamente em repropor a imagem de Cristo a cada pessoa que encontra no seu caminho, numa relação feita de amor desinteressado e alimentado pela fonte de um coração puro”.

Oxalá que São Ricardo Pampuri, estimado e venerado com devoção por muitos jovens e médicos, seja sempre um modelo de fé e de oração, de amor e de caridade para os jovens de hoje. Humilde discípulo de Cristo, segundo o estilo de São João de Deus, colocou toda a sua humanidade no dom generoso de si mesmo ao serviço dos irmãos que sofrem.
 
Oração: São Ricardo, caminhaste tempos atrás pelas ruas da nossa terra. Rezaste no silêncio das nossas igrejas. Serviste com amor e inteligência aos doentes nas nossas casas. Foste acolhedor para com todas as pessoas que te procuraram.
Hoje, como naquele tempo os teus doentes, eu também te procuro e dirijo-me a ti para que me ajudes a ter o corpo e o espírito curados e obtenha-me do Senhor a tua mesma fé. Amém!
São Ricardo Pampuri, rogue por nós!





São Ricardo Pampuri, rogai por nós, pelos doentes e sofredores!


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MENSAGEM DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II AO PRIOR-GERAL DA ORDEM HOSPITALEIRA DE SÃO JOÃO DE DEUS NO PRIMEIRO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SÃO RICARDO PAMPURI:

Ao Reverendíssimo FR. PASCUAL PILES FERRANDO
Prior-Geral da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

1. No centenário do nascimento de São Ricardo Pampuri, desejo dar graças ao Senhor por este Santo que honra essa família religiosa. A presença das suas relíquias no hospital dos Fatebenefratelli, na Ilha Tiberina, constitui a ocasião oportuna para repropor, a quantos trabalham no âmbito dessa estrutura hospitalar, o testemunho eloquente da sua vida, inteiramente impregnada do programa ascético do «ama nesciri et pro nihilo reputari». Tive a alegria de proclamar Beato em 1981 e Santo em 1989, esta límpida figura de homem do nosso tempo. Nele refulgem os traços da espiritualidade laical delineada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II.

A sua existência terrena, contida no arco de apenas 33 anos, mostra como, em breve tempo, este jovem religioso soube alcançar o ápice da santidade. Nos primeiros anos de vida em Trivolzio e Torrino, durante os estudos secundários e universitários em Milão e Pavia, na frente ítalo-austríaca durante a Primeira Guerra Mundial, e depois em Morimondo, como médico municipal, deixou em toda a parte vestígios de piedade e de amor pelos pobres. Sustentado pelo exemplo dos seus entes queridos e pelo convívio com piedosos e zelosos sacerdotes, empenhou-se em múltiplos campos de apostolado: foi sócio assíduo e generoso do Círculo Universitário e das Conferências de São Vicente de Paulo, presidente da Associação juvenil da Ação Católica, terciário franciscano e animador incansável de iniciativas de formação espiritual e de caridade. Com a idade de 30 anos, entrou na Ordem dos Fatebenefratelli, de cujo carisma se tornou um dos intérpretes mais significativos.

2. «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» (Mc 10, 17). Parece ser esta a pergunta que atravessa os pensamentos deste jovem, sempre em busca da perfeição cristã. «Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e segue-me» (Mc 10, 21). Ao convite do Senhor, ele, dotado de fé e caridade profunda, respondeu com alegria, doando-se completamente a Cristo pobre, humilde e casto, e entrando na Ordem dos Fatebenefratelli. Vítima de uma doença contraída em zona de guerra, ao abraçar o carisma de São João de Deus, conseguiu dar plenitude ao seu desejo de anunciar e testemunhar aos doentes o Evangelho de Cristo crucificado e ressuscitado.

Como o divino Mestre, sentiu a urgência do «deserto» e da oração (cf. Mc 1, 35) para depois poder servir os irmãos, especialmente os doentes e os sofredores. «Tenho necessidade de me recolher um pouco em mim mesmo na presença do Senhor, para que a minha alma não se torne insensível nem se perca em estéreis e prejudiciais preocupações externas», escrevia numa sua carta. Essa necessidade levava-o a viver constantemente unido ao Senhor, a deter-se por longo tempo diante do tabernáculo e a nutrir uma terna devoção pela Virgem. Na escola do Evangelho, tornou-se para quantos o conheceram e, sobretudo, para os seus assistidos um sinal vivo da misericórdia de Deus, sempre disponível a ver nos doentes o Cristo que sofre, a ajoelhar-se na soleira das casas onde reinava a dor e a partir apressado sem esperar nenhuma recompensa.

Tendo escolhido cumprir profundamente a vontade do Pai, à imitação do seu Senhor, viveu como ato supremo de obediência e de amor também a doença e a morte.

3. Como não acolher a mensagem contida no maravilhoso caminho de santidade de São Ricardo Pampuri, que essas celebrações centenárias repropõem de modo eloquente?

Aos coirmãos da ordem à qual pertencia, chamados a servir Cristo nos doentes, o testemunho deste jovem médico-cirurgião indica que a união com Deus deve alimentar constantemente a vida religiosa e a atividade apostólica. Aos leigos que trabalham nas estruturas hospitalares, São Ricardo Pampuri, médico apaixonado pela sua missão entre os doentes, propõe que amem a própria profissão e a vivam como vocação. Ele, que no cuidado dos que sofriam jamais separou ciência e fé, empenho civil e espírito apostólico, convida todos os agentes de saúde a terem sempre em conta a dignidade da pessoa humana, para exercerem o «dever quotidiano» com o espírito do bom Samaritano. O testemunho que deu na doença, que o levou à morte, encoraja todos os que sofrem a não perderem a confiança em Deus; antes, exorta-os a acolherem também na prova o projeto de amor do Senhor.

Enquanto invoco a especial proteção de São Ricardo Pampuri, oro para que as celebrações jubilares do seu nascimento e o inteiro programa espiritual e cultural preparado para essa festividade constituam para todos uma ocasião de renovado empenho na vida cristã, nas relações interpessoais e no serviço aos doentes.

Relicário com o coração
de São Ricardo Pampuri.
Possam aqueles que visitam as Relíquias de São Ricardo Pampuri, com a radicalidade e generosidade por ele testemunhadas até à morte, seguir o exemplo de São João de Deus, Fundador dessa Ordem Hospitaleira.

Com estes bons votos, concedo-lhe, bem como aos coirmãos, às religiosas colaboradoras, aos agentes de saúde e aos doentes, uma especial bênção apostólica.

Vaticano, 22 de outubro de 1997.


JOÃO PAULO II











sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Beato Miguel Rua, Presbítero, primeiro sucessor de São João Bosco, cofundador da Congregação Salesiana - memória em 29 de outubro


Beato Miguel Rua: primeiro sucessor de São João Bosco.
Miguel Rua nasce em Turim no dia 9 de junho de 1837. Último de nove filhos, perde o pai aos oito anos. Estudou com os Irmãos das Escolas Cristãs até a terceira série elementar.
Deveria começar a trabalhar na Real Fábrica de Armas de Turim, onde o pai era operário, mas Dom Bosco – que aos domingos ia confessar na escola – propôs-lhe continuar os estudos com ele, garantindo-lhe que a Providência pensaria nas despesas.
Certo dia, Dom Bosco distribuía algumas medalhas aos seus meninos. Miguel era o último da fila e chegou atrasado, mas ouviu Dom Bosco dizer: "Toma, Miguelzinho!". O padre, porém, não lhe estava dando nada, mas acrescentou: "Nós dois faremos tudo meio a meio", e assim foi de fato.
Colaborador da Companhia da Imaculada com Domingos Sávio, foi aluno modelo, apóstolo entre os colegas. Dom Bosco lhe disse: "Preciso de ajuda. Farei com que recebas a veste dos clérigos; estás de acordo?". "De acordo!", respondeu.
Em 25 de março de 1855, nos aposentos de Dom Bosco, nas mãos do fundador, fez os votos de pobreza, castidade e obediência. Era o primeiro salesiano. Começa a trabalhar intensamente: ensina matemática e religião; assiste no refeitório, no pátio, na capela; tarde da noite, copia numa bela caligrafia as cartas e as publicações de Dom Bosco e, enfim, estuda para ser padre. Tinha apenas 17 anos!
É-lhe entregue também a direção do oratório festivo São Luís. Em novembro de 1856, morre Mamãe Margarida. Miguel, então, vai encontrar-se com sua mãe: "Mamãe, a senhora quer vir com a gente?". A senhora Joana Maria vem, e também nisso a família Rua fez meio a meio com a família Bosco.
Em 1859, Rua acompanha Dom Bosco na audiência com o Papa Pio IX para a aprovação das Regras e, ao retorno, é-lhe confiada a direção do primeiro oratório em Valdocco. Foi ordenado sacerdote em 29 de julho de 1860.
Dom Bosco escreve-lhe um bilhete: "Verás melhor do que eu a Obra salesiana atravessar os limites da Itália e estabelecer-se no mundo". O Padre Rua abre a primeira casa salesiana fora de Turim, em Mirabello. Poucos anos depois, retorna a Valdocco, substituindo e assistindo Dom Bosco em tudo.
Em novembro de 1884, o Papa Leão XIII nomeia o Padre Rua vigário e sucessor de Dom Bosco, que morrerá em seus braços quatro anos depois.
O Padre Rua, considerado então a regra viva, torna-se paterno e amável como Dom Bosco. Enfrenta e supera inúmeras dificuldades no governo da Congregação. Consolida as missões e o espírito salesiano.

Morreu no dia 6 de abril de 1910, com 73 anos. Com ele, a Sociedade passou de 773 a 4.000 Salesianos, de 57 a 345 Casas, de 6 a 34 Inspetorias em 33 países. Paulo VI beatificou-o em 1972, dizendo: "Ele fez da fonte um rio". 
Abaixo, publico um bom acervo com fotos e estampas desse santo homem que tão bem soube encarnar o espírito do fundador e pai espiritual Dom Bosco: 


Foto do Beato Miguel Rua.


Beato Miguel Rua

Primeira Missa do beato Miguel Rua, assistido por Dom Bosco (pintura).


Beato Miguel Rua 

Beato Miguel Rua rezando o breviário.

Beato Miguel Rua orando perante uma imagem de
Nossa Senhora de Lourdes


Foto do beato sentado junto à sua mesa de estudos.


Beato Miguel Rua


Beato Miguel Rua

Beato Miguel Rua (pintura em parede de igreja).

Beato Miguel Rua (pintura)



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Beata Edvige Carboni, Virgem Leiga, Mística, Taumaturga e Estigmatizada - memória em 17 de maio.



Edvige Carboni nasceu em Pozzomaggiore, a 2 de maio de 1880, filha de Giovane Battista e Maria Domenica Pinna. Sua infância e adolescência transcorrem num ambiente familiar moralmente são, honesto, forte e generoso, dedicado ao trabalho assíduo e diligente. Trabalhava no tear e ajudava a mãe nos trabalhos domésticos. Aos dez anos, Edvige fez sua primeira comunhão e, apesar de sua vida não revelar exteriormente nada de singular, a serva de Deus iniciou um caminho de perfeição evangélica, fortificada pela oração incessante, pelos sacramentos; humilde, obediente, pura e caritativa com todos, Edvige Carboni correspondia generosamente à graça de Deus que nela trabalhava de modo pleno, enchendo-a com os seus dons.

         Não ficou livre das incompreensões que vinham por parte de muitos; Edvige perdoava a todos e sempre, com doçura e humildade, que foram suas marcas. Na paróquia, desenvolveu com amor sua atividade de catequista, ensinando a todos como amar e servir a Deus... E não só com palavras; para todos, ela tinha um sorriso, uma palavra de encorajamento, uma oração; os homens pobres e os doentes eram seus prediletos, aqueles que se aproximavam dela sentiam a presença do sagrado. Existiam muitos padres e bispos que a estimavam e viam nela o dedo de Deus. Entre esses estão o Servo de Deus Padre Giovanni Battista Manzella, Monsenhor Ernesto Maria Piovella, São Luís Orione, Padre Felício Capello, São Pio de Pietrelchina e o passionista Ignazio Parmeggiani, seu último confessor.

         A luta e a doença da família impediram-na de tornar-se religiosa e levaram-na a aceitar o emprego perto do Correio, pois sua família em casa necessitava após o desaparecimento da mãe. Edvige pensou e decidiu doar-se totalmente, sem reservas e com alegria.

         Mesmo necessitando de muitas coisas, ela se privava mesmo do necessário para assistir aos pobres e famintos durante as duas grandes guerras mundiais. Ela não era distante dos problemas do mundo e tinha coragem de enfrentá-los. Deus e a fé eram o centro de toda a sua intenção e ação: este é o seu segredo, essa é a sua singularidade no meio de tantas mulheres do seu e do nosso tempo.

         A Beata Edvige era aquela mulher forte da Bíblia e aquela virgem prudente do Evangelho; ela soube perfeitamente fundir e unir a vida de Marta e Maria. “Senhor, vou morrer de tanto amar-te”, era seu lema. E todo o seu diário é permeado de expressões similares. Imenso era o seu amor pela Eucaristia, pela Santíssima Virgem e pelas almas do Purgatório.
         Em 1929, resignada pela vontade de Deus, Edvige deixou sua terra natal para viver em seguida em várias localidades do Lácio, e em 1938 em Roma, ano em que fez sua última visita à Sardenha.

         Seria um erro falar de sua gigantesca figura sem falar de seus dons místicos e dos carismas que muitos notaram nela, apesar de fazer tudo para que não fossem conhecidos. Não foram, porém, esses dons que a fizeram santa, mas somente a virtude evangélica que ela praticou, sua fé forte, sua esperança e caridade, o espírito de bem-aventurança que nela operou coisas extraordinárias e, finalmente, a obediência ao Papa que ela defendia tenazmente diante das críticas ao seu magistério.

         Os fatos relatados sobre ela são muitos e maravilhosos: ela lia os corações, previa eventos futuros, foi vista em êxtase sob o chão onde estava ajoelhada, a farinha que doava para o pão se multiplicava, obteve a graça da chuva e, com sua oração, fez com que um rapaz voltasse à vida após ter sofrido uma queda de cavalo.

         O dom que mais lhe custou foram os estigmas que trouxe em seu corpo desde 1909 até o fim da vida. Além dos estigmas, ela tinha outros fenômenos místicos: êxtase e visão, a visita de Nossa Senhora e dos Santos, animação de imagens sacras, perseguição diabólica, bilocação, comunhão mística, perfume e contato com as almas do purgatório.

         Não era portadora de nenhum mal psíquico; a serva de Deus era equilibrada e mulher sã; chegamos então à conclusão de que Deus se manifesta misteriosamente e maravilhosamente nos seus Santos; Deus, por ser Poderoso, age como quer e em quem quer. O muro que separa a nossa realidade da realidade eterna é frágil; no místico, Deus anula esse muro e dá uma resposta a tantos que O negam.

         A Beata Edvige Carboni deixou sua jornada terrena para iniciar a celeste em 17 de fevereiro 1952 em Roma. Foi beatificada em 15 de junho de 2019. Seu corpo primeiramente repousou no cemitério Albano Laziale. Os restos mortais da Beata Edvige Carboni, durante o processo da beatificação, após terem sido as virtudes heróicas da mesma (venerabilidade), foram exumados, transferidos e sepultados na Igreja Paroquial de São Jorge Mártir (Chiesa di San Giorgio Martires), localizada em Pozzomaggiore, sua terra natal na ilha da Sardenha, Itália.