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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 24 de outubro de 2015

SÃO VICENTE GROSSI, Presbítero e Fundador (das Filhas do Oratório).



O Martirológio conta com excelsos modelos de santidade encarnados em modestos e humildes sacerdotes rurais que iluminaram a fé de incontáveis pessoas com uma vida humilde, silenciosa e entregue a Deus que, por vezes, esconderam aos olhos dos outros o martírio cotidiano no qual viviam, como aconteceu ao santo Cura d’Ars e tantos outros santos.
Apesar de sua aparentemente modesta vida, Padre Vicente Grossi representa todo um exército de humildes sacerdotes dedicados à cura de almas, sem maiores pretensões do que se santificarem, santificando as pessoas a eles confiadas.


Vicente Grossi é um destes sacerdotes que tem dado glória a Deus e à Igreja com um exemplar zelo apostólico e louvável criatividade. Nasceu em 09 de março de 1845 na localidade italiana de Pizzighettone, pertencente a Cremona, na região da Lombardia. Foi um dos sete filhos, o penúltimo, do humilde lar formado por Baldassare Grossi e Maddalena Capellini. Novamente, foi uma figura feminina, a sua mãe, como tem sucedido a outros santos e beatos, quem teve um peso capital em sua vida. Ela se ocupou de inculcar-lhe o amor à oração, educando-o na fé cristã, ainda que seu pai, trabalhador e honesto, também tenha sido para ele modelo de integridade de vida.  Soube aproveitar o tempo do qual dispunha para entrega-lo aos demais. O ambiente no qual cresceu lhe servirá depois em sua missão.
Era muito jovem quando se sentiu chamado ao sacerdócio, porém seu progenitor julgou oportuno que adiasse um pouco seu ingresso no seminário. De certa forma, e ainda que também pesasse as necessidades familiares que requeriam sua presença, ele quis constatar que não se tratava de uma simples ideia que estava na mente de seu filho, senão que estava enraizada no mais íntimo de seu ser. Assim era. Em 04 de novembro de 1864, aos 19 anos, Vicente converteu-se em seminarista em Cremona e foi ordenado sacerdote na catedral da cidade em 22 de maio de 1869. Inicialmente, foi vigário em distintas paróquias, até que, em 1873 se lhe encomendou a de Regona. Dez anos mais tarde o prelado Bonomelli pôs debaixo de sua responsabilidade a de Vicobellignano, isso em 1882, e ali permaneceu por trinta e quatro anos, até o fim de sua vida, vida que havia sido, na realidade, a de Cristo.
Era uma paróquia complicada, bastião do protestantismo. O bispo o advertiu e a pôs debaixo de seu amparo com a certeza de que faria dela uma fonte de bênçãos. Sabia que se em todas era necessária a presença de sacerdotes generosos, prudentes, pastores cheios de zelo apostólico e de caridade, tinha no Santo uma imagem certeira de uma pessoa que encarnava todas essas virtudes.
Por isso lhe distinguiu com sua confiança, dizendo-lhe que em torno de dez anos esperava que tivesse dado um “toque” à paróquia, contribuindo para o desaparecimento do erro. Dom Bonomelli não se equivocou. Padre Grossi ocupava-se com os paroquianos que amava entranhadamente. E eles também o faziam objeto de sua atenção: viam em seu pároco um homem bom, fiel ao Santo Padre, abnegado, austero, obediente a seu bispo, com a sabedoria de Deus em seus lábios, forjada em sua oração, e um senso de humor que punha em manifesto seu gozo espiritual, com uma entrega exemplar a cada um dos fiéis. A coluna vertebral de sua vida era a Santa Missa. Dela extraía a fortaleza que nutria seu zelo apostólico. A seus paroquianos ele alentou um dia dizendo-lhes: “quando nosso coração está cheio de amor por Deus, não persegue outros amores, entendido? Portanto, ao trabalho”!
Era humilde em sua forma de vida. É suficiente dizer que a sua bagagem, extremamente leve, consistia de uma mala de viagem modesta com o breviário e um relógio. Tanto as homilias como a própria Missa eram fruto de sua oração e de uma intensa preparação, e isso os fiéis o percebiam.
Fez tudo o que estava em suas mãos para leva-los ao regaço misericordioso do Pai. Sonhou com eles e orou por eles. Por isso, e porque sabia por própria experiência o que significava a pobreza e a carência, não somente dos bens materiais senão também dos espirituais, se deixou guiar pela inspiração e tomou como ponto principal para sua missão a atenção aos jovens. Eram o futuro e sempre o serão. Padre Grossi tinha isso constantemente em mente.
Em seu coração apostólico, também as crianças, junto aos jovens, ocupavam um lugar preponderante. Via com claridade evangélica a importância de contar com um núcleo de formadores em cada paróquia (uma visão bem avançada para época). Foi o germe de sua fundação: o Instituto das Filhas do Oratório, que iniciou em 1885, com a ajuda de Ledovina Maria Scaglioni, com o objetivo de proporcionar orientação moral e religiosa às meninas que frequentavam sua igreja paroquial.
As religiosas dedicavam-se a colaborar na pastoral de outras paróquias, promovendo catequeses, apoiadas por uma rede de jardins da infância, centros assistenciais e escolas primárias que, pouco a pouco, foram surgindo. As Regras que o fundador escreveu de joelhos diante do sacrário foram inspiradas na espiritualidade de São Felipe Néri, o santo da alegria espiritual. E esse espírito animou e fortaleceu a fundação, que tinha como modo de ser e agir a humildade, a caridade, a alegria no serviço, assim como o sacrifício e a imitação de Cristo.

Esse grande sacerdote que tão delicadamente tutelou sua vida espiritual, consolando e assistindo material e humanamente a seus paroquianos, pouco antes de morrer indicou à mestra de noviças: “Procurem não queixarem-se nunca; buscando, ao contrário, alegrar-se quando as coisas vão de contra a seus desejos”. Em 07 de novembro de 1917 entregou sua alma a Deus, vítima de uma peritonite fulminante, dizendo: “o caminho está aberto; tendes que percorrê-lo. Foi beatificado por Paulo VI em 01 de novembro de 1975. Na ocasião, o pontífice destacou desse ato “a solidez de suas generosas virtudes, ocultas no silêncio, purificadas pelo sacrifício e pela mortificação e refinadas pela obediência”, afirmando que havia deixado “uma profunda marca na Igreja”. Foi canonizado pelo Papa Francisco em 17 de outubro de 2015. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

SÃO JOÃO DE CAPISTRANO, Presbítero Franciscano, grande pregador e taumaturgo.



João nasceu no ano de 1385 em Capistrano, pequena cidade dos Abruzos no reino de Nápoles. Seu pai era um fidalgo angevino que tinha ido para a região na comitiva do duque de Anjou, e lá se havia fixado. Nada se sabe da infância e adolescência de João, a não ser que estudou humanidades em sua terra natal, indo depois para Perúsia estudar direito civil e canônico. Doutorou-se nestes com sucesso. Assinalou-se tanto, por sua honestidade e prudência e por seus costumes puros, que lhe foi oferecido um posto na magistratura na própria Perúsia. Naqueles felizes tempos, ao contrário de hoje, a virtude era premiada. Um dos principais personagens da cidade lhe ofereceu a mão de sua filha única. O que mais poderia desejar João? Tudo para ele eram flores e louvores. Mas essa felicidade sem nuvens não duraria muito, pois a Divina Providência tinha altos desígnios em relação ao jovem jurista.

Nesse tempo a orgulhosa Perúsia levantou-se em armas contra o rei Ladislau, da Sicília. Na batalha que se seguiu, os perusinos foram vitoriosos. João, que tentara ser moderador entre as duas forças, teve sua atitude mal interpretada –– foi acusado de favorecer o partido de Ladislau e de estar em comunicação com o exército inimigo. Isso bastou para pô-lo no cárcere. Defendeu-se brilhantemente, mas os homens eram surdos aos seus argumentos. Ele esperava que o rei Ladislau se interessasse por sua sorte; ou que o fizesse algum dos magistrados de Perúsia, que tão devotados tinham se mostrado antes. Mas ninguém se interessou por ele, que ficou esquecido na prisão. Para ele, era a hora da Providência.

Nas longas e monótonas horas de recolhimento forçado, João começou a considerar a inconstância da amizade humana, o falacioso das glórias deste mundo, e como não se podia fiar senão em Deus. A graça começou a trabalhar sua alma. Aos poucos começou a pensar em entregar-se a Deus.

E Deus secundava seus planos: nesse tempo faleceu sua jovem esposa, com quem não tivera filhos. Esse fato determinou-o a romper radical e totalmente com o mundo. Por sua ordem, seus bens foram vendidos e seu resgate pago, sendo ele posto em liberdade. Liquidou suas dívidas e doou o resto de sua boa fortuna aos pobres. Dirigiu-se depois ao convento franciscano do Monte, perto de Perúsia, da estrita observância, e pediu admissão. Tinha ele 30 anos de idade.

Humilhações para formar um santo
João vinha precedido da sua boa fama no mundo. O mestre de noviços quis então experimentar sua vocação por meio das humilhações. Para começar, fê-lo desfilar pela cidade onde antes triunfara, montado num burrico, vestido com um velho hábito, tendo na cabeça uma mitra de papel na qual estavam escritos alguns pecados. Suportou com espírito sobrenatural não só essa humilhação, mas todas que Deus Nosso Senhor permitiu que sofresse, a fim de fazê-lo caminhar mais rapidamente no caminho da perfeição. Por duas vezes foi expulso do convento como inapto para a vida religiosa, e por duas vezes foi readmitido. Enfim, fez a profissão religiosa e foi ordenado sacerdote.

Para controlar seus impulsos ardentes e sua natureza viva, entregou-se com empenho à mortificação, flagelando-se duramente, reduzindo as horas de sono para três por noite e alimentando-se uma só vez por dia. Rezava diariamente inúmeras preces, entre elas o Ofício de Nossa Senhora, o Ofício dos Mortos, os Sete Salmos Penitenciais. Dedicava-se com empenho à meditação das verdades eternas e à leitura espiritual. Durante a celebração do santo sacrifício da Missa, chamava atenção sua profunda piedade.

João de Capistrano, como ficou seu nome depois da profissão religiosa, foi designado para trabalhar nos hospitais da cidade e para a pregação.


Devoto de Nossa Senhora e prodigioso pregador
Os santos se atraem entre si, assim como acontece com os maus. Estreita amizade logo uniu Frei João com São Bernardino de Siena, do qual se fez discípulo. E quando se levantou uma campanha de calúnias contra o mestre –– por causa da reforma da Ordem, que levava a efeito, e da propagação da devoção ao nome de Jesus, que empreendia –– João de Capistrano foi a Roma defendê-lo diante do Papa e da Corte romana. Foi tal o brilho com que o fez, chamando sobre si a atenção da Santa Sé, que esta passou então a empregá-lo em várias missões difíceis, tornando-lhe impossível entregar-se à vida retirada e contemplativa que pretendia. Frei João manteve também profunda amizade em relação a São Lourenço Justiniano, outro reformador.

Sua devoção para com a Virgem Maria era terna e profunda. Quando pregava sobre Ela, o auditório chorava de emoção. Certo dia em que aludiu num sermão às palavras do Apocalipse: signum magnum apparuit in coelo (um sinal admirável apareceu no céu), os assistentes puderam contemplar brilhante estrela que apareceu sobre o auditório, lançando raios sobre a face do pregador. Em outra ocasião, fez parar no ar a chuva que prejudicava seu sermão e silenciarem os passarinhos que chilreavam muito forte. Com ele repetiu-se o milagre ocorrido com alguns outros santos: negando-se um barqueiro a levá-lo à outra margem do rio Pó, atravessou-o a pé enxuto sobre seu manto, que lhe serviu de barco. No fim de um sermão sobre as vaidades e perigos do mundo, em Áquila, as mulheres da cidade trouxeram seus ornamentos e os queimaram em grande fogueira na praça pública. O mesmo sucedeu em vários outros lugares. Em Praga, depois de um sermão que fez sobre o Juízo Final, mais de cem jovens abraçaram a vida religiosa. Na Moravia, converteu quatro mil hussitas e deixou um livro no qual refutava ponto por ponto a doutrina dessa seita herética. Também converteu bom número de judeus.

Inquisidor, diplomata e reformador
No final do século XIII, surgira na comarca de Ancona, na Itália, uma seita religiosa muito perniciosa de monges vagabundos, quase todos apóstatas, com o nome de Fraticelli, que escandalizavam a Igreja e a Cristandade. Apesar de condenada várias vezes a seita, restos dela ainda existiam na Itália no tempo do santo. O papa Eugênio IV nomeou então Frei João de Capistrano inquisidor contra a seita, para exterminá-la de vez. Ele agiu com decisão e sucesso, logrando livrar a Itália do flagelo e confirmando que faz parte da caridade combater o mal. O papa Eugênio IV nomeou-o seu núncio na Sicília e enviado especial no Concílio de Florença, para procurar estabelecer a união entre gregos e latinos. Enviou-o depois para afastar os duques de Bolonha e Milão de sua adesão ao antipapa Félix V. Em missão junto ao rei da França, Carlos VII, desempenhou-se também Frei João a contento do Papa. Os sucessores do Pontífice continuaram a servir-se dos bons ofícios do santo, que desse modo tornou-se enviado apostólico na Alemanha, Boêmia, Caríntia, Saxônia, Morávia, Polônia e Hungria.

Frei João de Capistrano tinha uma graça particular para reconciliar inimigos. Apaziguou uma sedição em Riete, ressuscitando um homem que tinha tido a cabeça partida em dois durante o tumulto. Reconciliou também a cidade de Áquila com Afonso de Aragão, e várias famílias divididas entre si.

Contrário a toda forma de relaxamento, ao mesmo tempo trabalhava para a reforma de sua Ordem, da qual foi Geral duas vezes, vendo-se florescer a disciplina e o fervor em todos os conventos por onde ele passava.


Na Batalha de Belgrado, salva a Cristandade
Pode-se dizer que a grande missão da vida de São João Capistrano foi a luta contra o temível Maomé II. Este sultão, tendo se apoderado de Constantinopla no ano de 1453, havia jurado hastear o estandarte otomano no Capitólio, de Roma, ameaçando assim toda a Cristandade. Era necessária uma reação imediata e eficaz. O Papa Nicolau V convocou então uma Cruzada e nomeou São João de Capistrano seu pregador e chefe religioso.

Por suas exortações cheias de fogo, animou os presentes a pegarem as armas contra os turcos, que ameaçavam o nome cristão. Essa guerra, entretanto, foi adiada devido à morte do Papa Nicolau V. Subindo ao trono pontifício, Calixto III fez voto de empregar todas suas forças e até a última gota de seu sangue nessa guerra.

Como todo verdadeiro santo, João de Capistrano era também um combatente. Em 1455, participou da Dieta que se realizava em Neustadt. Com o fervor de suas pregações e dom de persuasão, conseguiu ele reunir um exército de quarenta mil homens, entre franceses, italianos, alemães, boêmios, poloneses e húngaros. Chefiados por Ladislau, rei da Hungria, João Uniade, senhor da Transilvânia, e George, príncipe da Rússia, tiveram que enfrentar o exército muito maior e mais bem armado dos muçulmanos, que cercava Belgrado.

Conta-se que, quando estava a caminho de Belgrado, o santo foi alertado por uma flecha caída do céu, que revelava a vitória cristã. O Céu queria aquela guerra santa. Nessa flecha estava escrito: “Não temas; triunfarás sobre os turcos pela virtude de meu Nome e da Santa Cruz, que tu portas”.

Armado assim com a cruz, João de Capistrano animava a todos, aparecendo nos lugares em que os cristãos pareciam fraquejar, animando-os em nome de Jesus Cristo. O exército cristão, tomado por um fervor sobrenatural, avançou irresistivelmente contra as linhas islâmicas, rompendo o cerco. Foi tal o ímpeto, que o próprio Maomé foi ferido, e seu exército desbaratado. A Cristandade estava salva. Diz-se que na batalha morreram mais de 40 mil turcos, sendo relativamente pequenas as perdas dos cristãos. Apesar de São João de Capistrano estar sempre no local mais perigoso da batalha, não sofreu o mais leve arranhão, o que foi considerado como fato milagroso.
Toda a Cristandade reconheceu que a vitória fora concedida pelo Céu, devido às orações e ação de presença do santo. Apenas três meses depois da vitória ele falecia, em 1456, na Hungria, aos 71 anos de idade.


Seu corpo, que se livrara da barbárie dos turcos, foi vítima da impiedade dos luteranos. Esses inimigos da verdadeira fé, tomando a cidade, desenterraram seus restos mortais e os lançaram no rio Danúbio. Felizmente os católicos os reencontraram e levaram para Elloc, perto de Viena, onde até hoje são venerados pelos fiéis, enquanto aguardam o dia da ressurreição final.

SÃO MACÁRIO DO EGITO, Eremita, dito "O Grande".




Macário do Egito (ca. 300 - 391 d.C.) foi um monge cristão egípcio e um eremita. Ele também é conhecido como Macário, o Velho, Macário, o Grande e Luz do Deserto.

Macário nasceu no Alto Egito. Uma antiga tradição afirma que o seu nascimento ocorreu no vilarejo de Shabsheer (Shanshour), em Al Minufiyah, por volta de 300 d.C. Algum tempo antes de iniciar sua vida ascética, Macário ganhava a vida contrabandeando natrão nas redondezas de Nítria, uma vocação que o ensinou como sobreviver e como viajar através da vastidão desolada da região.

Ainda jovem, Macário foi forçado a se casar contra a sua vontade. Assim, ele fingiu estar doente e pediu aos seus pais a permissão para ir até as regiões selvagens para relaxar. Quando retornou, ele descobriu que sua esposa tinha morrido e, logo em seguida, seus pais também partiram. Macário então distribuiu todo seu dinheiro entre os pobres e necessitados. Admirando suas virtudes, o povo da vila acabou levando-o até o bispo de Ashmoun, que o ordenou padre.

Um tempo depois, uma mulher grávida o acusou de tê-la atacado. Macário não tentou se defender e aceitou a acusação em silêncio. Porém, quando o parto se aproximou, o trabalho de parto ficou muito difícil. Ela não conseguiu dar à luz até que confessou que Macário era inocente. Uma multidão então clamou por sua inocência, mas ele preferiu fugir para o deserto da Nítria (Wadi El Natrun) para escapar de todas as glórias do mundo.

Por um breve período, Macário foi banido para uma ilha no Nilo pelo imperador Valente, juntamente com São Macário de Alexandria, por conta de uma disputa sobre o Credo de Niceia. Ao retornar, em 13 Paremhat (= 4 de abril), eles foram recebidos por uma multidão de monges do deserto da Nítria, alegadamente cinquenta mil, entre os quais São Pichoi e São João Anão.


Morte e relíquias
Macário morreu no ano de 391 d.C. Após sua morte, os nativos da vila de Shabsheer roubaram seu corpo e construíram uma grande igreja para ele na vila. Durante o papado do Papa Miguel V de Alexandria, as relíquias de São Macário foram trazidas de volta ao deserto da Nítria no dia 19 Mesori. Hoje em dia, o corpo de São Macário encontra-se em seu mosteiro, o Mosteiro de São Macário, o Grande, em Scetes, no Egito.


Legado e o mosteiro
Macário é um santo para a Igreja Católica Romana e para a Igreja Católica Oriental, para a Igreja Ortodoxa e a Igreja Ortodoxa Oriental. São Macário do Egito fundou um mosteiro que ainda hoje tem o seu nome, o Mosteiro de São Macário, o Grande, que vem continuamente sendo habitado por monges desde a sua fundação, no século IV d.C. Hoje, ele pertence à Igreja Ortodoxa Copta. Todo o deserto da Nítria é, às vezes, chamado de "Deserto de Macário", pois ele foi o monge pioneiro na região. As ruínas de diversos mosteiros na região quase confirma a tradição local de que os claustros de Macário eram iguais, em número, aos dias do ano.


Obras
Genádio de Marselha reconhece apenas uma carta como sendo genuinamente de Macário, endereçada aos monges mais jovens. Embora cinquenta Homilias espirituais terem sido atribuídas à Macário umas poucas gerações após sua morte, os estudiosos patrísticos modernos estabeleceram que Macário não teria como ser o autor. Exatamente quem o autor delas seria não foi definitivamente estabelecido, embora seja evidente a partir das afirmações contidas neles, o autor seria da Mesopotâmia superior, onde o Império Romano fazia fronteira com o Império Sassânida, e que elas teriam sido escritas antes de 534 d.C. Além das homilias, algumas cartas foram atribuídas a ele. A primeira, chamada "Ad filios Dei", podem de fato serem as cartas genuínas de Macário mencionadas por Genádio, mas as outras provavelmente não são dele. A segunda, chamada "Grande Carta", utilizou a De instituto christiana, de Gregório de Nissa, que foi escrita em 390 d.C. O estilo e conteúdo da "Grande Carta" sugere que seu autor é o mesmo mesopotâmio anônimo que escreveu as cinquenta Homilias espirituais.

Os ensinamentos de Macário são caracterizados por uma forte ênfase pneumática que inter-relaciona o trabalho de salvação de Jesus Cristo (como o 'Espírito de Cristo') com as obras sobrenaturais do Espírito Santo. Esta iniciativa 'pneumática' nas "Homílias espirituais" é geralmente chamada de mística e, assim, é uma forma de pensamento espiritual que tem encantado os místicos cristãos de todas as eras, ainda que, por outro lado, em sua antropologia e soteriologia, ele frequentemente se aproxime do ponto de vista de Santo Agostinho.

(Fonte: Wikipedia)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Beata Teresa Bracco, Virgem e Mártir da Pureza.


Nasceu em 24 de fevereiro de 1924, penúltima de sete filhos, em Santa Giulia, no Piemonte, Itália. Mãe e pai – Ângela e Jacobo Bracco - foram para ela um exemplo de fé e fortaleza cristã. Em 1927 sepultaram em apenas três dias dois filhos: um de nove e outro de quinze anos. Uma fé submetida ao cadinho da prova. No fim do dia, o próprio Jacobo dirigia a reza do Rosário em família. O nome de Teresa ela recebera em honra da “pequena santa” de Lisieux, beatificada em 1923.
Teresa só pôde frequentar até o quarto ano do primeiro grau, pois com o seu trabalho de pastorinha procurou contribuir para o sustento da família. Trazia o Terço sempre consigo e no campo nunca parava de rezar.
Teresa era uma jovem extremamente reservada, modesta, delicada no relacionamento com as pessoas, sempre pronta a dar a sua ajuda. Era bela: dois grandes olhos escuros e aveludados sobressaíam num rosto sereno e pensativo, emoldurado por grandes tranças castanhas. Bela, mas sem qualquer vaidade. Sabia atrair a admiração respeitosa dos conterrâneos: “Uma garota assim, eu nunca tinha visto antes e jamais vi depois”, afirmou um deles. “Havia nela algo de diferente das demais garotas”, recorda uma amiga. “Era a melhor de nós todas”, confia sua irmã Ana.
Ginin – como era chamada – sacrificava de boa vontade preciosas horas de sono desde que pudesse comungar. A igreja não ficava tão perto de sua casa, e a Missa era ali celebrada ao alvorecer. Mesmo assim, Teresa jamais renunciava à Santa Missa, por nada no mundo. A Eucaristia, a devoção a Nossa Senhora e a espiritualidade das obrigações, eis o segredo da sua santidade.
Na casa da família Bracco chegava regularmente o Boletim Salesiano. Do número de agosto de 1933, Teresa cortou a terceira página que trazia a figura de Domingos Sávio, filho de camponeses como ela, que havia sido declarado venerável há pouco, e que tinha feito o seguinte propósito: “A morte, mas não o pecado”. A pequena – tinha apenas nove anos – ficou fascinada por ele, e colocou a página na cabeceira da cama. Desde então, o mote de Domingos foi também seu. Declarou guerra ao pecado: “Antes, eu me deixo matar”, escreveu. E manteve o propósito.
Em 28 de agosto de 1944, uma feroz investida alemã chega a Santa Giulia e Teresa, assim como outras mulheres e crianças da região, foi tomada como refém de guerra por soldados alemães. Entendendo as intenções não benevolentes dos oficiais, Teresa tentou fugir indo em direção à floresta, mas foi alcançada por um oficial que, tomado pela raiva, a estrangulou e disparou um tiro de pistola no coração. O soldado ainda chutou o corpo já sem vida de Teresa, provocando a quebra do crânio.





O corpo da jovem foi encontrado na floresta dois dias depois. Teresa tentara inicialmente fugir às atitudes brutais do soldado; depois, vendo a inutilidade de seus esforços, preferiu renunciar à vida a perder a virtude tão ciosamente conservada. O seu sacrifício não foi senão o último de uma vida inteiramente vivida pelo Evangelho. Toda a dinâmica do assassinato foi esclarecida pelo exame dos restos feitos em 10 de maio de 1989, sob a ordem do tribunal eclesiástico.

São João Paulo II beatificou-a em Turim no dia 24 de maio de 1998, memória de Maria Auxiliadora, durante sua peregrinação ao Santo Sudário.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SÃO BARTOLOMEU, Apóstolo e Mártir (esfolado vivo).



São Bartolomeu foi um dos doze discípulos de Jesus Cristo. Seu nome vem da língua aramaica e faz uma referência ao nome de seu pai. Bartolomeu vem de “Bar Talmay” e significa “filho de Talmay”.


São Bartolomeu é Natanael

As narrações bíblicas não enfocam São Bartolomeu de maneira especial. A não ser numa passagem do Evangelho de João, as passagens bíblicas limitam-se a citar seu nome entre os doze escolhidos por Jesus. Sabe-se, porém, através dos Evangelhos, que Bartolomeu é o mesmo apóstolo Natanael, citado em outros trechos evangélicos. Isso fica bastante claro quando se faz uma comparação entre os Evangelhos Canônicos.


Desdenha Nazaré

Natanael é um nome que quer dizer "Deus deu". Este nome ganha um novo sentido se observarmos que Natanael veio de Caná da Galiléia. Lá, ele presenciou o primeiro milagre de Jesus, nas famosas “Bodas de Caná”. Conferir o Evangelho de João 2, 1-11. Como São João evangelista nos conta, o discípulo Filipe contou a Natanael (ou Bartolomeu) que tinha acabado de encontrar o Messias.
E disse-lhe ainda que o salvador vinha de Nazaré. Natanael imediatamente respondeu conforme o conhecimento da época. Ele disse: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" (Jo 1, 46). Essa pergunta de São Bartolomeu mostra claramente que o Messias, ou o Salvador, era esperado como um grande general, vindo de lugares importantes de Israel, e não de um vilarejo perdido na Galileia chamado Nazaré.


O Encontro pessoal com Jesus

Quando São Bartolomeu se encontrou com Jesus, aquele “Messias vindo de Nazaré”, recebeu do Mestre um elogio inesperado. Jesus disse a ele "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo  1, 47). São Bartolomeu, surpreso, respondeu: "De onde me conheces?" Jesus respondeu revelando a ele sua messianidade: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira".
Sem dúvida, Jesus faz menção a um momento importante na vida de Bartolomeu. Sentindo o olhar do mestre, Bartolomeu percebe que aquele Mestre realmente o conhece. Depois desse momento, Bartolomeu decide seguir o Mestre e faz a sua profissão de fé em Jesus. Ele diz: "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel".


São Bartolomeu, discípulo e apóstolo

São Bartolomeu seguiu a Jesus nos três anos de vida pública do Mestre em Israel. Ele presenciou os ensinamentos, as ações, os milagres, a morte e a ressurreição de Jesus. Ele estava em Pentecostes, no nascimento da Igreja, quando o Espírito Santo veio sobre todos e todos se tornaram missionários corajosos da Boa Nova pelo mundo.
Bartolomeu conheceu pessoalmente Nossa Senhora, e dela certamente aprendeu mais sobre os ensinamentos do Mestre. Assim, cheio do Espírito de Deus, depois de ter sido discípulo de Jesus, ele passou a ser Apóstolo, palavra grega que quer dizer “Enviado”. Ele foi enviado, Apóstolo, em nome de Jesus. E fez maravilhas pelo Reino de Deus em terras longínquas.

Missão de São Bartolomeu

A Tradição da igreja e fontes históricas nos dizem que São Bartolomeu foi anunciar Reino de Deus até ao distante país da Índia. Há outra tradição, ela afirma que São Bartolomeu foi pregar o Evangelho onde é hoje a Europa Oriental. Lá, ele realizou uma maravilhosa missão acompanhada de conversões sinceras que confirmavam a pregação da Palavra de Deus.


Martírio

Depois dessa frutuosa missão em que muitos se converteram a Jesus Cristo e onde várias comunidades cristãs foram criadas, São Bartolomeu foi martirizado, vítima de esfolamento de toda a sua pele. Foi na cidade de Albanópolis, hoje Derbent, na região russa do Daguestão, às margens do mar Cáucaso. Ele teria sido morto por ordem do governador local, que não aceitou a pregação do cristianismo em suas terras.


Iconografia (Representação artística)

Essa tradição é tão forte que São Bartolomeu foi pintado na Capela Sistina segurando a pele de seu corpo em sua mão esquerda e, na mão direita, uma adaga, tipo de uma espada afiada, instrumento do martírio que ele sofreu. Séculos depois, as relíquias de São Bartolomeu foram transportadas para Roma e estão hoje na igreja dedicada a ele.


Devoção a São Bartolomeu


A festa litúrgica de São Bartolomeu é celebrada no dia 24 de agosto, provável dia de sua morte. As igrejas da Europa oriental devem sua fé, em última instância, à pregação corajosa de São Bartolomeu, cujos frutos permanecem até hoje.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Beatos Mártires Passionistas de Daimiel, Espanha (Guerra Civil Espanhola, em 1936)




Os gloriosos Mártires Passionistas de Daimiel


Hoje, 19 de outubro, memória litúrgica de São Paulo da Cruz, presbítero e fundador, trago a história destes ilustres "filhos da Paixão do Senhor", que deram sua vida por causa de sua fidelidade ao Cristo, durante a terrível perseguição impetrada pelos comunistas na Guerra Civil Espanhola de 1936. 

A Congregação da Paixão de Jesus Cristo, fundada no século XVIII por São Paulo da Cruz, nasceu para anunciar o Evangelho da Paixão aos homens. O convento Passionista de Daimiel (Cidade Real), casa de formação de futuros passionistas, foi viveiro do qual saíram gerações de jovens para as missões da Espanha e América.

A Comunidade Passionista de Daimiel foi violentamente expulsa de seu convento às doze horas da noite do dia 21 de julho de 1936. Vinte seis de seus trinta e um religiosos foram martirizados.
O Padre Nicéforo de Jesus e Maria, superior provincial (Nicéforo significa: “aquele que leva à vitória”) reuniu os religiosos na igreja, junto ao Cristo da Luz e à Virgem Dolorosa. Deu-lhes a comunhão e os exortou assim ao martírio:
“Meus filhos, este é nosso Getsêmani; nossa natureza, em sua parte débil, desfalece e se acovarda; porém, Cristo está conosco. Eu vos dou Aquele que é a fortaleza dos débeis. A Jesus lhe confortou um anjo; a nós, Ele mesmo, Jesus, é quem nos conforta e sustenta. Dentro em poucos momentos estaremos com Ele. Ânimo, moradores do Calvário, para morrer por Cristo! A mim me toca animá-los e eu mesmo me estimulo com vosso exemplo”.
Recebida a comunhão, se dispuseram todos para o martírio, fazendo realidade o ideal de sua vida: serem outros “cristos crucificados”. Padre Nicéforo, antes de abrir as portas da igreja insistiu-lhes que aquela era a hora de provar com sua vida que eram sincer’os passionistas. As abriu de par em par. Fora e envoltos na obscuridade da noite, lhes esperavam uns duzentos milicianos armados e apinhados próximos à entrada. Um deles, com a arma na mão, lhes exigiu, ameaçador, que abandonassem o convento e a igreja.
Pe. Nicéforo lhes contestou tranquilamente: “se querem matar-nos, façam-no aqui, na igreja”. O miliciano, confuso, balbuciou: “quem foi que disse que queremos mata-los? O que queremos é que vão embora daqui de uma vez por todas”.
Escoltados como malfeitores, os passionistas saíram da igreja e caminharam para a escuridão e para o desconhecido. Ninguém intentou fugir ante a morte. Onde lhes levavam na noite cerrada aqueles inimigos armados?
Caminhavam em filas, dois a dois, escoltados por milicianos de olhar obscuro e debaixo de ordem de silêncio. Rezavam calados meditando os mistérios dolorosos: a prisão no Horto, o caminho do Calvário, que viviam em pessoa, atualizados.


Se Deus o quer, nos encontraremos em Madrid; se não, no Céu.

Se lhes disseram que os levariam à estação e alguns pensaram que ali lhes deixariam tomar um trem e alojarem-se, porém, a coluna dos presos mudou de rumo e tomou outra direção: à das cercanias do cemitério.
Pensaram que ali seriam fuzilados. Porém, não. Ao chegarem à porta do mesmo, deixaram-lhe em “liberdade”, com a ordem de seguirem adiante e de não retornarem mais a Daimiel, sob pena de perderem a vida.
Os religiosos deram um suspiro de alívio e empreenderam seu êxodo. Ao chegarem à bifurcação da estrada de Cidade Real a Bolaños, detiveram-se na negritude da noite a deliberar: o que fazer? Trinta e um homens juntos não passariam despercebidos às linhas de frente vermelhas, por isso, decidiriam dividirem-se em grupos. O superior os abençoou. Abraçaram-se todos despedindo-se e cada grupo tomou seu caminho. Como lhes disse o Padre Nicéforo, se Deus o quisesse, encontrar-se-iam de novo em Madrid; caso contrário, no Céu.
Porém, ainda que deixados, aparentemente, em liberdade, seus “libertadores” os seguiam e iam informando a seus comparsas de seus possíveis itinerários até a capital da Espanha com dicas como esta: “vão passar por aí os passionistas de Daimiel. São ‘carne fresca’! Não a deixeis escapar...”. No dia seguinte seriam já fuzilados próximos à povoação de Manzanares os primeiros mártires. Cinco, entre eles o Padre Nicéforo, morreram ali mesmo; outros sete lograram sobreviver aos balaços, porém, três meses mais tarde e depois de muito sofrimento por causa das feridas sofridas, morriam também fuzilados pela segunda vez. Os passionistas dos demais grupos alcançariam também a glória do martírio em distintos lugares e datas, igualmente fuzilados em Carabanchel Bajo (Madrid), em Carrión de Calavatra (Ciudad Real) e em Urda (Toledo).
Testemunhas presenciais contaram na “positio” do processo que o Padre Nicéforo, apesar de receber vários disparos, já mortalmente ferido e próximo de morrer, levantou os olhos ao Céu, volveu o rosto para seus assassinos e lhes ofereceu um doce sorriso, o que lhes desconcertou. Um deles, mais enfurecido ainda, lhe recriminou: “como, todavia, ainda sorris”? E disparou outro tiro à queima roupa, que pôs fim à sua vida aqui na terra. Segundo confessaram mais tarde os mesmos assassinos, Padre Juan Pedro e o Irmão Paulo Maria morreram com o crucifixo entre as mãos gritando: “Viva Cristo Rei”!
Os 26 Beatos Passionistas do convento do Santo Cristo da Luz, de Daimiel, que deram sua vida por sua fidelidade ao Cristo e à Igreja são:







Nicéforo Díez Tejerina, Superior Provincial.
Germán Pérez Jiménez, Superior da comunidade
Juan Pedro Bengoa Aranguren, presb.
Felipe Valcobado Granado, presb.
Ildefonso García Nozal, presb.
Pedro Largo Redondo, presb.
Justiniano Cuesta Redondo, presb.
Pablo María Leoz Portillo, presb.
Benito Solana Ruiz, presb.
Anacario Benito Lozal, irmão coadjutor.  
Felipe Ruiz Fraile, irmão coadjutor;
Eufrasio de Celis Santos, estudante.
Maurilio Macho Rodríguez, estudante.
Tomás Cuartero Gascón, estudante.
José María Cuartero Gascón, estudante (irmão de Tomás)
José Estalayo García, estudante
José Osés Sáinz, estudante.
Julio Mediavilla Concejero, estudante.
Félix Ugalde Ururzun, estudante.
José María Ruiz Martínez, estudante.
Fulgencio Calvo Sánchez, estudante.
Honorino Carracedo Ramos, estudante.
Laurino Proaño Cuesta, estudante.
Epifanio Sierra Conde, estudante.
Abilio Ramos Ramos, estudante.
Zacarías Fernández Crespo, estudante.

Em 01 de outubro de 1989, todos foram Beatificados pelo Papa São João Paulo II na Praça de São Pedro, no Vaticano. Na cripta da Ermida de Cristo da Luz de Daimiel repousam suas relíquias esperando a gloriosa ressurreição.
Suas almas estão presentes diante do Trono do Cordeiro, Rei dos Mártires, intercedendo por nós, para que a Fé Católica da Espanha, pela qual deram sua vida, não desfaleça diante desta atual, mas, sutil perseguição.


(Nota: texto traduzido do espanhol por mim)



Beatos Mártires Passionistas de Daimiel, rogai pela
Espanha e por todos nós! 

SANTA APOLÔNIA, Virgem e Mártir. Padroeira dos Dentistas. Dois relatos biográficos.


Esta santa mártir do século III da Era Cristã, como veremos adiante, possui uma história polêmica e que suscitou discussões. Quanto ao seu martírio, na fogueira, existem duas versões: uma diz que, a princípio, teria escapado ilesa das chamas e que teria sido decapitada. Outra versão diz que seu corpo foi consumido pelas chamas da fogueira. Bem, de uma forma ou de outra, o que se sabe é que esta santa existiu de verdade e que realmente testemunhou com a vida sua fé e seu amor por Cristo Jesus. É a padroeira dos cirurgiões dentistas.



Primeiro Relato Biográfico

Registros históricos
Santa Apolônia viveu no tempo do império romano por volta do ano 249. Era o tempo do imperador Felipe, que foi derrotado por Décio. Este tornou-se um dos  mais cruéis perseguidores dos cristãos. Apolônia era filha de um rico magistrado de Alexandria, cidade importante do Egito, então sob o domínio do império Romano. Apolônia teve sua história contada pelo então Bispo de Alexandria, São Dionísio, em cartas ao Bispo Fabio de Antioquia.

Perseguição
Na sétima investida do Imperador Décio contra os cristãos, ela foi capturada. Como Décio sempre fazia, Apolônia foi obrigada a renunciar a sua fé cristã pelas forças do império. Além disso, foi obrigada a prestar culto aos deuses romanos e a obedecer o Imperador. Santa Apolônia, porém, firme na fé e tomada por uma coragem impressionante, negou-se a obedecer. Por isso, ela passou a sofrer terríveis torturas em praça pública, diante de todo o povo, que se impressionava com tudo o que via.

Padroeira dos dentistas
Em meio às grandes torturas que sofreu sem negar sua fé, Santa Apolônia teve seus dentes arrancados por pedras afiadas. Mesmo sofrendo a dor lancinante de ter seus dentes quebrados, ela não renunciou à sua fé em Jesus Cristo. Ao ver sua firmeza na fé, os carrascos quebraram sua face com pancadas. Em seguida, foi condenada a morrer queimada. Depois de sua morte, seus dentes foram recolhidos e levados para vários mosteiros. Existe um dente e um pedaço de sua mandíbula no Mosteiro de Santa Apolônia em Florença, Itália.

Morte de Santa Apolônia
Depois de todos os sofrimentos pelos quais tinha passado, Santa Apolônia ainda reunia forças para mostrar a todos sua fé inabalável. Assim, mesmo amarrada, ela própria se jogou na fogueira onde morreria, dizendo que preferia a morte a renunciar sua fé em Cristo Jesus. Deus, porém, protegeu Santa Apolônia e ela escapou ilesa da fogueira. Muitos dos presentes se converteram ao presenciar este fato. Então os algozes lhe deram vários golpes de espada e lhe deceparam a cabeça. Santa Apolônia faleceu no ano de 249.


Reverência de Santo Agostinho
Mais tarde Santo Agostinho explicou que esse ato de Santa Apolônia não foi um “suicídio”, mas uma atitude inspirada pelo Espírito Santo, como um ato de coragem ao enfrentar todas as forças da época em nome de Jesus Cristo.
Um suicida tira a própria vida por angústia, medo ou covardia diante de uma situação ou problema. Santa Apolônia, pelo contrário, não teve medo de seus algozes e da morte, mas, “correu para ela” com coragem e força heroica, desvencilhando-se das mãos daqueles que a arrastavam para o suplício.


Canonização e festa
Santa Apolônia foi canonizada no ano 300. Seu culto é mais conhecido e divulgado na Europa, principalmente na Alemanha, França e Itália. Sua festa litúrgica é realizada no dia 9 de fevereiro. Ela é padroeira da Odontologia e dos cirurgiões-dentistas, dos que sofrem de dores na boca e problemas nos dentes.

Representação
Por ter tido os seus dentes arrancados ela é representada por uma imagem de uma senhora com vestes simples, adornada de um véu. Tem a seus pés uma palma e um fórceps na mão segurando um dente.


Oração a Santa Apolônia

"Ó, bom Deus. Rogamos que a intercessão da gloriosa mártir de Alexandria, Santa Apolônia, nos livre de todas as enfermidades do rosto e da boca. Lembrai-vos principalmente das criaturas inocentes e indefesas. Afastai, se possível, a amargura das dores de dente. Iluminai, fortificai e protegei os cirurgiões-dentistas, para que sempre se dediquem ao próximo com o amor que de vós emana, e nos seja dado usufruir de vosso reino. Santa Apolônia, intercedei a Deus por nós. Amém."



Segundo Relato Biográfico

O martírio de Santa Apolônia é relatado pelo historiador Eusébio de Cesareia (265-340), que na sua Historia Ecclesiastica, escrita no terceiro século, transcreve um trecho da carta do bispo São Dionísio de Alexandria († 264), endereçada a Fábio de Antioquia, na qual ele narra alguns episódios de que fora testemunha.

     O governo de Felipe o Árabe (243-249) foi um período em que praticamente houve uma trégua nas perseguições anticristãs, mas, em 248, eclodiu em Alexandria do Egito uma sublevação popular contra os cristãos instigada por um adivinho alexandrino.
     Muitos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo foram flagelados e lapidados; nem os mais débeis escaparam do massacre. Os pagãos entravam em suas casas saqueando tudo e devastando a habitação.
     Durante este furor sanguinário dos pagãos, foi aprisionada a virgem Apolônia, já anciã, definida por Eusébio “parthenos presbytès”, mas que na iconografia sagrada, como todas as santas virgens, é apresentada como uma jovem.
     Os perseguidores arrancaram seus dentes com uma tenaz. Depois, levaram-na fora da cidade, acenderam uma fogueira e ameaçaram lançá-la viva nela se não pronunciasse uma palavra de impiedade contra Deus. Apolônia pediu para deixaram-na livre por um momento e, obtido isto, se lançou rapidamente no fogo, sendo reduzida a cinzas.
     O fato ocorreu no fim do ano 248 e início de 249. Na sua carta São Dionísio afirma que sua vida fora digna de toda admiração e, devido sua conduta exemplar e pelo apostolado que desenvolvia, a fúria dos pagãos caíra sobre ela com uma crueldade particular.
     O gesto de Apolônia de lançar-se no fogo a fim de não cometer um pecado grave, suscitou entre os cristãos e os pagãos de então uma grande admiração e nos séculos seguintes foi objeto de considerações doutrinárias.
     Eusébio e Dionísio não acenam com nenhuma reprovação ao seu gesto, que pode ser considerado suicídio, mas de fato a virgem estava condenada de qualquer forma ao fogo se não abjurasse a Fé. Quiçá, ela quis livrar-se de torturas posteriores que poderiam quebrantar sua vontade e que isto a fez decidir por se lançar nas chamas.

     Santo Agostinho, na sua De civitate Dei, se põe perguntas sobre o problema se é lícito dar-se voluntariamente a morte para não renegar a Fé e diz: “Não é melhor fazer uma ação vergonhosa da qual é possível se livrar com o arrependimento, do que um delito que não deixa espaço a um arrependimento que salva?” Mas o suicídio voluntário de algumas santas mulheres que em “tempo de perseguição se jogavam em um rio para fugir de quem tentava corromper a sua castidade” o deixava perplexo: e se não fora Deus mesmo que inspirara o gesto? Então não teria sido um erro, mas uma obediência. Santo Agostinho não se decide por uma posição sobre o argumento.

     Seja como for, o culto pela mártir da Alexandria se difundiu primeiro no Oriente e depois no Ocidente. Em várias cidades europeias surgiram igrejas dedicadas a ela; em Roma havia uma, hoje desaparecida, perto de Santa Maria em Trastevere. A sua festa, desde a Antiguidade, é celebrada no dia 9 de fevereiro.
     Na Idade Média era tão grande a devoção a esta santa mártir, protetora dos dentes e das doenças a eles relacionadas, que se multiplicaram os dentes-relíquia milagrosos, o que fez com que o Papa Pio VI (1775-1799), que era muito rígido nestas formas de culto, mandasse recolher todos os dentes que eram venerados na Itália. Este episódio nos ajuda a compreender quanta impressão e admiração o martírio desta santa suscitava no mundo cristão.

Fonte: www.santiebeati.it e blog "Heroínas da Cristandade" (com permissão da autora).