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quinta-feira, 15 de março de 2018

Servo de Deus Padre José Kentenich, Fundador do Movimento de Schoenstatt





Infância

Pe. José Kentenich criança.
Nascido em 18 de Novembro de 1885 em Gymnich, perto de Colónia, Alemanha. É batizado no dia seguinte na Igreja Matriz de São Cuniberto, recebendo o nome de Pedro José, sendo que José se tornou seu nome familiar. Seus pais descendem ambos de famílias de pequenos agricultores. Em 12 de Abril de 1894, quando contava ele nove anos de idade, não podendo tê-lo consigo por causa de grandes dificuldades familiares e econômicas, sua mãe Catarina o levou ao Orfanato de S. Vicente em Oberhausen. À entrada, a mãe consagra-o a Nossa Senhora. José, menino de oito anos, leva esta consagração muito a sério. Maria, agora, tem a Seu cargo a educação de José.
“O que sou e o que em Schoenstatt se formou, à Mãe de Deus o devo.”- assim o confessa mais tarde, ao lançar um olhar retrospectivo sobre a sua vida.
Recebeu sua primeira comunhão em 1897, no primeiro domingo depois da Páscoa. Neste dia manifestou a sua mãe o desejo de se tornar sacerdote.

Juventude

1ª Comunhão em 1897
no Orfanato de São Vicente.
Em 22 de Setembro de 1899 ingressou à Congregação Missionária dos Palotinos, tendo, portanto, 14 anos incompletos. Em 1904 faz o Noviciado e estuda Teologia em Limburgo. Suporta, durante anos, uma grave crise espiritual que o leva quase ao esgotamento das suas forças. José, intelectualmente muito dotado, é assediado pelas perguntas: O que é a verdade? Posso eu conhecê-la? No entanto, o seu amor a Maria nunca fora afetado por nenhuma dúvida ou incerteza que tantas vezes o atormentavam. Graças à Mãe de Deus, ele encontra uma saída para a sua crise interior. Ela concede-lhe a participação, de uma forma verdadeiramente profunda, no Seu amor ao Deus Trino e aos Homens.








Sacerdote / Diretor Espiritual

1910 - Após a ordenação sacerdotal.
Em 1910 recebe a Ordenação Sacerdotal e torna-se professor no Seminário Menor da sua comunidade em Ehrenbreitstein. Em 1912 trabalha como Diretor Espiritual dos alunos no novo Seminário Menor em Schoenstatt, Vallendar, às margens do Rio Reno. Neste momento, percebe-se que o Pe. Kentenich é um pedagogo muito dotado. O seu objetivo pedagógico é claro e entusiasma os alunos a que se tornem personalidades fortes e livres; que vivam santamente no meio do mundo moderno.
O Pe. Kentenich condu-los a uma séria auto-educação e oferece-lhes, sobretudo, Maria, como Mãe e Educadora. Sua pedagogia gera uma confiança extraordinária que une os alunos e os conduz com muito equilíbrio ao mundo sobrenatural, sem desvinculá-los do mundo natural (relacionamento pessoal, dedicação ao estudo e trabalho, amor à pátria etc). O diretor espiritual indica-lhes constantemente a Maria, como modelo do verdadeiro relacionamento com Deus e da dedicação ao próximo.
Pouco depois, alguns desses alunos são chamados como soldados para a guerra e oferecem a própria vida a Deus, em holocausto pela frutuosidade da Obra que iniciaram com o Pe. José Kentenich. Após a guerra muitas pessoas chegam a Schoenstatt atraídas pela espiritualidade que conheceram nos campos de batalha. A Obra se expande além dos muros do seminário em grupos de famílias, sacerdotes, irmãs, homens, mulheres e jovens.




Fundação de Schoenstatt

A 18 de Outubro de 1914, com alguns alunos, arrisca o primeiro passo para a fundação do Movimento de Schoenstatt. Numa pequena capela, em Schoenstatt, selam uma Aliança com Maria, a “Aliança de Amor”. Por ela se pede à Santíssima Virgem que Se estabeleça nessa capelinha e atue como Educadora do Homem livre. O Pe. Kentenich e os jovens acreditam que essa capela se converterá num lugar de peregrinação e de graças para muitas pessoas. Eles mesmos se empenham, como contribuição para este fim, em levar uma vida radical de fé e de compromisso por Schoenstatt. “Nada sem Ti; nada sem nós!” é a breve fórmula que abrasa os corações desta nova comunidade de caminho com Maria, que agora começa.
O desejo de fundar um Movimento torna-se, a pouco e pouco, realidade. A capela, em Schoenstatt, é hoje o lugar de origem de um movimento internacional para homens e mulheres, crianças e jovens, famílias e sacerdotes. Atualmente, existem cerca de 180 santuários de Schoenstatt em mais de 130 países do mundo. A eles peregrinam inúmeras pessoas que imploram à Mãe de Deus a graça de realizarem a sua vocação cristã em todos os estados de vida, na Igreja e na sociedade.
Uma das características principais do Pe. Kentenich é conservar sempre “a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus”. Seguindo os sinais indicados pela Divina Providência, em 18 de outubro de 1914, em meio a I Guerra Mundial, com seus alunos, sela a Aliança de Amor com Maria, suplicando-lhe que torne a pequena Capelinha, no terreno do seminário, um Santuário de Graças e um centro de renovação religioso e moral para a Alemanha e o mundo.
Em uma carta, Padre José Kentenich afirma: "No domingo passado estive em Schoenstatt. Os momento mais belos foram os que eu passei na capelinha, diante da imagem de graças da Mater Ter Admirabilis. Sim, nossa capela é realmente um lugar de graças onde a Mãe Três Vezes Admirável atua com todo o seu poder. É uma nova Nazaré, onde Jesus e Maria vivem intimamente unidos."





Campo de Concentração

Em 20 de setembro de 1941, depois de um interrogatório, Pe. Kentenich foi preso pela Gestapo (polícia secreta do Estado durante o nazismo) em Coblença e levado ao porão do Alojamento, num calabouço, onde ficou por quatro semanas. Mesmo assim foi-lhe permitido conservar o traje preto e assim ser reconhecido como sacerdote. Com a ajuda de dois guardas, foram providenciados todos os paramentos e objetos sagrados para que se pudesse celebrar a Santa Eucaristia em sua cela, diariamente.
Entre 1941 e 1945, o Pe. Kentenich encontra-se cativo dos nacional-socialistas. Primeiro na prisão de Coblença, depois no campo de concentração de Dachau. Também aí continua a trabalhar intrepidamente na missão da sua vida, anunciando aos homens o amor misericordioso de Deus e, com a ajuda de Maria, ajudando-os a que se tornem pessoas de um grande amor. No meio do inferno de Dachau, muitos prisioneiros puderam experimentar, graças ao Pe. Kentenich, uma grande proximidade com Deus.
Em 20 de janeiro de 1942 decidiu-se a ir livremente para o Campo de Concentração e assim foi levado, em 11 de março, para Dachau, onde as condições de alimentação eram tão deficientes que o número de mortos por fraqueza e fome aumentava dia a dia. Não muito depois de sua libertação o Pe. Kentenich conta que o Campo de Concentração de Dachau era povoado de "figuras cambaleantes e vacilantes". De março a agosto foram registradas 550 mortes.
Sem prévio aviso, os doentes e incapacitados ao trabalho eram reunidos e levados às câmaras de gás. Pe. Kentenich só escapou porque o chefe do bloco onde ele estava evitou que fosse apresentado ao médico que sorteava os "candidatos à morte".
Com a morte diante de si, Pe. Kentenich frequentemente dava de presente os alimentos que lhe eram trazidos ocultamente e até mesmo uma parte de sua ração habitual para ajudar aos outros. Em vários outros casos conseguiu que companheiros de prisão fossem tirados da lista fatal da câmara de gás. "Nós, Sacerdotes do Campo de Concentração de Dachau, vivendo nas condições mais primitivas, não queremos reagir de modo primitivo, mas de modo singelo e autêntico e, se for a vontade de Deus, ou morrer heroicamente no campo como personalidades sacerdotais fortes, ou mais tarde, como sacerdotes amadurecidos, continuar a trabalhar com zelo e fecundidade para o reino de Deus."
Mesmo assim, por caminhos secretos conseguia receber hóstias e vinho para a celebração da Santa Missa no campo e durante todo o tempo de prisão dava diariamente duas conferências para cerca de 100 sacerdotes.
Em 22 de outubro de 1942, após liberação dos superiores do campo, recebeu um pacote contendo 2 pares de meia, 2 ovos cozidos, 250 gramas de manteiga, e algumas bolachas e salgadinhos, que foram repartidos com seus amigos mais íntimos. Estas "encomendas" vinham regularmente até o início de 1945 quando foram novamente proibidas. Em seguida o campo foi acometido de um surto de tifo. De janeiro a março de 1945, morreram cerca de 11.000 pessoas. Em correspondência secreta, pediu a Schoenstatt que enviassem vacinas contra o tifo, assim todos os padres foram vacinados.
Em 6 de abril de 1945, pode deixar o Campo de Concentração de Dachau, devido ao fim da guerra. Sua primeira visita foi ao Pároco da aldeia para agradecer todo o auxílio prestado aos sacerdotes por seu intermédio.
Em 20 de maio de 1945, depois de três anos e meio de prisão, celebrou novamente a Santa Missa no Santuário da Mãe de Deus. Era um domingo de Pentecostes, a festa do Espírito Santo.




Viagens internacionais

Entre 1947 e 1948, o Pe. Kentenich inicia as suas viagens pela América do Sul, África e E.U.A. para incrementar contatos internacionais e ajudar os schoenstattianos desses países na construção do Movimento. O seu amor à Mãe de Deus impele-o a trabalhar por eles a uma escala internacional.
Nos primeiros dias de maio de 1947, a convite de Frei Martinho Friese, o Pe. Kentenich visitou o Jaraguá, onde 20 anos mais tarde se estabeleceria a primeira comunidade dos padres de Schoenstatt no Brasil.


Exílio em Milwaukee, EUA, 1951-1965
Exílio

De 1951 a 1965, a Igreja separa o Pe. Kentenich da sua Obra. Milwaukee, nos E.U.A., torna-se o lugar de residência fixa. As autoridades eclesiásticas competentes examinam a sua pessoa e a sua fundação. Nos longos anos de ausência de Schoenstatt, ficou comprovada a autenticidade do amor do Pe. Kentenich à Igreja e a fidelidade à sua Obra.










Últimos anos de vida

Na Noite Santa de 1965 regressa a Schoenstatt. No tempo que ainda resta de vida, este sacerdote octogenário trabalha ininterruptamente na consolidação interna e externa do Movimento de Schoenstatt. Apesar de todos os compromissos, jornadas, retiros e, ainda, do sobrecarregado programa de trabalho diário, a sua primeira preocupação foi sempre cada pessoa. A sua profunda união com Deus e a sua paternal bondade, que deixava irradiar, deram a muitas pessoas uma ideia do amor de Deus, nosso Pai.

Na manhã de 15 de setembro de 1968, Pe. Kentenich dirigiu-se à nova Igreja da Santíssima Trindade, no Monte Schoenstatt, para celebrar a Missa pela primeira vez. Era festa de Nossa Senhora das Dores. De volta à sacristia, convidou dois padres para almoçarem com ele e em seguida ficou em silêncio, junto a seus dois assistentes. De repente notaram que o Pe. Kentenich se inclinava para frente. Procurava apoiar-se, mas não conseguiu. O corpo dobrou-se e o Padre foi caindo. Tentaram sentá-lo numa cadeira, mas acharam melhor deitá-lo de costas no chão. Padre Kentenich levou a mão ao coração e respirou ainda por dois ou três minutos. Chamaram rapidamente um médico e outro padre administrou-lhe a unção dos enfermos. O médico chegou e examinando-o disse: "O coração está parado". Padre Kentenich estava morto.
Cinco dias depois foi sepultado no mesmo local onde falecera. Após a missa de corpo presente, o corpo foi levado até o Santuário da Mãe Três Vezes Admirável. Sobre sua sepultura, um sarcófago simples de basalto cinzento, estão gravados, além de seu nome, data de nascimento e falecimento, as palavras que ele mesmo desejou: "Dilexit Ecclesiam" (Ele amou a Igreja).



Todo o seu amor pertencera a Igreja. Toda sua vida foi uma vida pela Igreja: pela Igreja na atualidade, mas sobretudo pela Igreja do futuro e pela obra que ele mesmo iniciou, o Santuário da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt.
Agora, ele continua a missão da sua vida; porém, de uma nova forma. Que o Pe Kentenich, de fato, a realiza, experimentam-no já muitas pessoas que a ele se vinculam e recorrem nas suas necessidades.








Espírito Santo, Tu és a alma de minha alma. Cheio de humildade Te adoro. Ilumina-me, fortifica-me, guia-me e consola-me. Revela-me, tanto quanto isso ao plano do eterno Pai corresponde, revela-me os Teus desejos. Faze-me entender o que o Amor eterno de mim deseja. Faze-me entender o que devo fazer. Faze-me entender o que devo sofrer. Faze-me entender o que, em silêncio, com modéstia e reflexão, devo aceitar, carregar e suportar. Sim, Espírito Santo, faze-me entender a Tua vontade e a vontade do Pai. Pois, minha vida inteira não quer ser mais que um contínuo e perpétuo SIM aos desejos e ao querer do eterno Pai.  
Padre José Kentenich





Oração para Canonização do Padre José Kentenich

Deus Pai todo-poderoso, és o amor e a misericórdia. Somente Tu, como Pai onisciente, compreendes tudo o que se passa em mim. Ajuda-me, Pai de bondade, nesta minha grande aflição. Atende-me por intermédio do Pe. José Kentenich. Como fiel sacerdote ele amou tanto a Tua igreja peregrina e procurou conduzir todos os que dele se aproximavam a um amor pessoal a Ti. Foi sábio e humilde conselheiro para todos os que dele precisaram. Concede-me, Pai eterno, por intercessão do Pe. José Kentenich, especialmente a graça (...). Em sinal de gratidão, eu Te ofereço o precioso sangue de Cristo, nas intenções da Santa Igreja e por todos os que se encontram em grande aflição. Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, roga ao Pai Eterno, que conceda ao Pe. José Kentenich a honra dos altares, como recompensa por todo o bem que fez à Igreja, para Teu louvor e a glória da Santíssima Trindade. Amém. Rezar 03 "Glória ao Pai".












2 comentários:

Giovani Carvalho Mendes disse...

Obrigado, Állyssen, pela maravilhosa matéria. Deus lhe pague e recompense a grande ajuda que você está me dando, visto que, muitas vezes, o tempo me falta devido à minha carga horária de trabalho deveras extenuante. Que a Virgem Maria a proteja, abençoe e santifique. Amém!

Allyssen Ferreira disse...

É um grande prazer colaborar. Eu que agradeço pela oportunidade!

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