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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

SÃO JOÃO PAULO II (Karol Wojtyla), Papa. O Papa “Peregrino”, o Papa da Misericórdia, o Papa da Juventude – 22 de outubro.

Nascimento – Wadowice, Cracóvia, 18 de maio de 1920.
Pontificado: 22 de outubro de 1978 a 2 de abril de 2005.
Falecimento: - Cidade do Vaticano, 2 de abril de 2005.
Dia de festa: 22 de outubro — Memória Facultativa.

Emblemas:

Hábito pontifício branco, a faixa papal (que contém seu brasão), a cruz peitoral, o pálio arquiepiscopal (pois, é arcebispo de Roma), a férula papal (nome que é dado ao "báculo do Papa", o "anel do Pastor", por vezes uma imagem de Maria ou o lema Totus tuus.

Ele foi o primeiro papa polonês e o primeiro pontífice não italiano desde Adriano VI, trazendo para seu ministério a experiência da Polônia, que foi oprimida primeiro pelo nazismo e depois pelo comunismo.

Participou do Concílio Vaticano II como bispo e promoveu sua implementação durante seu pontificado.

Incansável proclamador do Evangelho, realizou inúmeras viagens apostólicas aos cinco continentes, defendendo a liberdade dos povos, a paz e a dignidade da pessoa humana.

Seus ensinamentos, expressos em importantes encíclicas como Redemptor Hominis, Laborem Exercens, Veritatis Splendor e Evangelium Vitae, abordaram as principais questões espirituais, sociais e morais do mundo contemporâneo.

Promoveu o diálogo ecumênico e inter-religioso, com gestos significativos como o encontro de 1986 em Assis e a oração no Muro das Lamentações em Jerusalém.

Dedicou especial atenção aos jovens, instituindo as Jornadas Mundiais da Juventude (as JMJ).

Em 13 de maio de 1981, ele sobreviveu a um grave ataque a tiros na Praça de São Pedro.

Em seus últimos anos, falou publicamente sobre sua progressiva debilidade física, causada por grave Mal de Parkinson.

Faleceu em 2 de abril de 2005, após acompanhar a Igreja no terceiro milênio. Beatificado por Bento XVI em 1º de maio de 2011 e canonizado por Francisco em 27 de abril de 2014, seus restos mortais repousam na Basílica de São Pedro, no Vaticano, onde aguardam a ressurreição dos mortos. 

Foto do futuro Papa com seus amados pais. Tinha
especial apreço, carinho e amor por sua mãe, que, 
inclusive, por ter falecido em odor de santidade, 
está em processo de beatificação. 

Karol Woytyla com aproximada-
mente 1,5 ano a 2 anos de idade. 
Texto hagiológico:

Karol Józef Wojtyła nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, perto de Cracóvia, filho de Karol Wojtyła e Emilia Kaczorowska.

Sua infância foi marcada por perdas familiares: sua mãe, que ele muito amada (e tinha, também, fama de santidade) faleceu em 1929. 



Karol Wojtyla com
aproximadamente
4 a 5 anos. 

Seu irmão mais velho, Edmund, médico, que ele muito amava e admirava, faleceu em 1932, e seu pai em 1941.

Frequentou a escola em Wadowice, desenvolvendo interesse por literatura, poesia, teatro e vida religiosa.

Em 1938, ingressou na Universidade Jaguelônica de Cracóvia, onde estudou literatura.

A invasão alemã da Polônia em setembro de 1939 e o fechamento da universidade interromperam seus estudos regulares.


Para se sustentar e evitar o risco de deportação para trabalhos forçados, Wojtyła trabalhou entre 1940 e 1944, primeiro em uma pedreira e depois nas fábricas químicas da Solvay.

Karol Wojtyla com vestes de operário.

Participou da experiência clandestina do Teatro Rapsódico, na qual a linguagem poética e a cultura polonesa se tornaram instrumentos de resistência espiritual e cultural à ocupação.

Karol Wojtyla quando
era ator de teatro. 

Em 1942, iniciou sua formação sacerdotal no seminário clandestino de Cracóvia, liderado pelo Arcebispo Adam Stefan Sapieha. Sua escolha, portanto, amadureceu em um contexto de severas restrições à liberdade religiosa e à educação.

Karol Wojtyla quando 
seminarista de Teologia

Sacerdote, erudito e pastor. 

Em 1º de novembro de 1946, foi ordenado sacerdote por Sapieha. Prosseguiu seus estudos em Roma, no Angelicum, aprofundando seu conhecimento da teologia de São João da Cruz, e em 1948 retornou à Polônia.

Padre Karol Wojtyla

Exerceu seu ministério pastoral em Niegowić e, posteriormente, na paróquia de São Floriano, em Cracóvia, dedicando-se especialmente aos jovens e aos universitários.

Sua experiência pastoral foi acompanhada por reflexões filosóficas sobre o ser humano, a consciência, o amor e a responsabilidade moral. Lecionou-se em ética e filosofia em instituições acadêmicas, inclusive na Universidade Católica de Lublin.



Suas pesquisas entrelaçaram a tradição tomista com a fenomenologia e o personalismo, tendo como ponto central a irredutibilidade da pessoa a um mero meio.

Entre suas obras do período anterior ao pontificado, destacam-se "Amor e Responsabilidade" e "Pessoa e Ato". Sua atividade intelectual não se dissociou de seu cuidado pastoral: em seus escritos, o valor da liberdade está constantemente ligado à verdade, à consciência e à responsabilidade para com os outros.


Dom Karol Wojtyla, recém
ordenado bispo. 

Bispo, Concílio e arcebispo de Cracóvia:

O Venerável Servo de Deus Papa Pio XII o nomeou Bispo Auxiliar de Cracóvia e Bispo Titular de Ombi em 4 de julho de 1958; recebeu a ordenação episcopal em 28 de setembro.

Participou do Concílio Vaticano II, contribuindo principalmente para a reflexão sobre a Igreja no mundo contemporâneo e para a constituição pastoral Gaudium et Spes.



Em 13 de janeiro de 1964, São Paulo VI o nomeou arcebispo de Cracóvia e, em 26 de junho de 1967, o elevou ao cardinalato, com apenas 47 anos (!), algo realmente extraordinário, pela relativa juventude do novo cardeal da Igreja de Roma. 

Como arcebispo, atuou em uma sociedade sujeita ao controle político do regime comunista. Defendeu os espaços da vida eclesial, a formação religiosa e a liberdade das comunidades, sem reduzir a missão da Igreja a uma função partidária.

O confronto com as autoridades estatais exigia um equilíbrio entre a firmeza de princípios e a capacidade de negociação. Sua experiência pastoral e conciliar influenciaria profundamente as prioridades de seu futuro pontificado.

 

A eleição de 1978:

Após a morte de São Paulo VI e o brevíssimo (apenas 33 dias) pontificado do (no momento) Beato João Paulo I, o conclave elegeu Wojtyła em 16 de outubro de 1978.

O novo papa adotou o nome de João Paulo II, em continuidade com seu antecessor e os dois pontífices do Concílio Vaticano II. Em 22 de outubro, ele iniciou solenemente seu ministério petrino na Praça de São Pedro.


Momento que é apresentado ao povo como o novo 
Papa recém eleito: Joannes Paulus p.p. II





Sua eleição teve forte repercussão internacional: pela primeira vez em mais de quatro séculos, o bispo de Roma não era italiano e vinha de uma nação situada atrás da Cortina de Ferro.

Seu pontificado foi caracterizado desde o início por uma intensa presença pública, contato direto com as multidões e o uso de viagens como forma regular de governança pastoral e comunicação.

 

São João Paulo II gozava de grande respeito
por parte também de autoridades governamentais:
presidentes, reis, rainhas, príncipes e princesas
vieram visitá-lo e consideravam uma honra 
conhecê-lo. Realmente, era uma personalidade
muito carismática. Na foto acima com o 
presidente americano George W. Bush. 


E na foto acima, o Santo com o então
presidente americano Ronald Reagan. 


João Paulo II realizou 104 viagens apostólicas fora da Itália e 146 visitas pastorais dentro do país. A abrangência geográfica dessas viagens tornou a dimensão global do catolicismo mais visível, mas também trouxe um foco particular para a figura pessoal do pontífice.

Um dos homens (não digo somente "Papa") mais
fotografados da história, São João Paulo II, em 
mais um de seus muitos voos de suas viagens
apostólicas, flagrado ou lendo algum livro ou 
fazendo suas orações... 


A chegada do Papa João Paulo II sempre era um momento de grande emoção para todos
aqueles que o esperavam e o vinham recepcionar. Só quem o viu pessoalmente (como eu, 
por quatro vezes) é que pode atestar uma espécie de "energia" que parecia emanar
daquele Santo Papa. 



Cena muito comum e característica do Papa
São João Paulo II: beijar o solo de mais um
país que ele chegava para uma visita ou
missão apostólica. 


Em todo e qualquer lugar onde chegava, ao
descer do avião, beijava o chão daquele 
lugar, demonstrando profundo amor às
almas a ele confiadas e à sua missão como
Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo naquela
terra à qual ele acabara de chegar.  

 

Polônia, Direitos Humanos e o Fim da Guerra Fria.

A primeira viagem do Papa à Polônia, em junho de 1979, foi um importante evento religioso e cívico. A presença do Papa fortaleceu a identidade cultural e espiritual de amplos setores da sociedade polonesa e ajudou a criar um clima favorável às reivindicações por liberdade.

Em 1980, foi fundado o sindicato independente Solidariedade, liderado por Lech Wałęsa.

O papel de João Paulo II no processo que levou à crise dos regimes comunistas europeus foi significativo em um nível moral e simbólico, mas não pode ser considerado a única causa das transformações, que também foram determinadas por fatores políticos, econômicos e sociais.

Em seus ensinamentos, a liberdade religiosa foi apresentada como um direito humano fundamental. O Papa denunciou formas de opressão e violação da dignidade humana, opondo-se tanto a sistemas totalitários quanto a uma concepção de vida social dominada exclusivamente pelo lucro ou pelo interesse material.

As encíclicas Laborem exercens de 1981, Sollicitudo rei socialis de 1987 e Centesimus annus de 1991 abordaram o trabalho, o desenvolvimento, a solidariedade e as transformações do mundo contemporâneo.

 

Foto do Papa sendo socorrido às pressas após
ter sido alvejado por dois disparos bem próximos.
O próprio "assassino" contratado para matar o Papa
uma vez declarou que não entendia como ele
havia sobrevivido, pois, era habilidoso no tiro
E nunca havia falhado antes em alguma missão. 
 

A tentativa de assassinato de 13 de maio de 1981:

Em 13 de maio de 1981, durante a audiência geral na Praça de São Pedro, São João Paulo II foi gravemente ferido por tiros disparados por Mehmet Ali Ağca. Ele foi submetido a uma longa cirurgia no Hospital Gemelli e enfrentou uma recuperação complexa.



Declarou publicamente seu perdão ao assassino e o visitou na prisão em dezembro de 1983.




Atribuiu a proteção de Nossa Senhora de Fátima como crucial para sua sobrevivência: essa interpretação deriva de sua experiência religiosa e não constitui uma reconstrução médico-histórica do evento. O atentado contra sua vida tornou-se um dos episódios mais marcantes de seu pontificado.

O Santo com a Venerável Serva de Deus Irmã Lúcia,
quando visitou Fátima, em três ocasiões: 1982 (12-15 de maio) - 
1 ano após o atentado, para agradecer a Nossa Senhora e
doar ao Santuário uma das balas que quase o vitimaram;
1991 (10-13 de maio) - no 10º aniversário do atentado e em
 2000 (12 a 13 de maio) - para beatificar Francisco e Jacinta Marto. 


Magistério e reformas eclesiais:

João Paulo II publicou catorze encíclicas. Redemptor hominis (1979) apresentou Cristo e a dignidade do homem como os pilares do programa pontifício; Dives in misericordia (1980) e Dominum et vivificantem (1986) completaram um amplo curso de reflexão teológica. Veritatis splendor (1993) abordou os fundamentos da moral católica; Evangelium vitae (1995) defendeu a dignidade e a inviolabilidade da vida humana; Ut unum sint (1995) relançou o compromisso ecumênico; Fides et ratio (1998) examinou a relação entre fé e razão; Ecclesia de Eucharistia (2003) explorou o significado eclesial da Eucaristia.


São João Paulo II escrevendo mais uma de suas Encíclicas
ou Cartas Apostólicas. 

Em 1983, promulgou o novo Código de Direito Canônico para a Igreja Latina e, em 1990, o Código de Cânones das Igrejas Católicas de Ritos Orientais.

Durante seu pontificado, o Catecismo da Igreja Católica foi publicado em 1992, com sua edição em latim lançada em 1997.

Essas obras figuraram entre os instrumentos mais importantes de organização doutrinal e disciplinar após o Concílio Vaticano II.

Seu ensinamento sobre corporeidade, matrimônio e amor humano, também desenvolvido nas catequeses conhecidas como A Teologia do Corpo, foi amplamente difundido.

Sua liderança também foi marcada por discussões e controvérsias. Suas posições sobre a reserva da ordenação de homens, contracepção, moral sexual e disciplina eclesiástica foram alvo de críticas por parte do público e de teólogos católicos.

O tratamento dado aos casos de abuso sexual por clérigos e as respostas das autoridades eclesiásticas durante seu pontificado são objeto de escrutínio histórico e institucional que distingue o conhecimento, as responsabilidades e as decisões das diversas partes envolvidas.

Uma avaliação geral não pode ignorar esses problemas, nem atribuir ao Pontífice, sem provas, conhecimento específico de cada caso individual.

 

Diálogo, paz e encontros inter-religiosos:

São João Paulo II promoveu encontros ecumênicos e inter-religiosos de considerável importância. Em 13 de abril de 1986, visitou a sinagoga de Roma, reunindo-se com a comunidade judaica num gesto de grande significado histórico. Em 27 de outubro do mesmo ano, convocou um Dia Mundial de Oração pela Paz em Assis, com representantes de diversas tradições religiosas. Em 2000, viajou à Terra Santa e rezou no Muro das Lamentações, em Jerusalém; em 2001, visitou a Mesquita Omíada, em Damasco.

São João Paulo II buscou o diálogo com representantes
de Igrejas Orientais, com líderes religiosos cristãos e até
mesmo com não cristãos. Isso não significa que "dialogar"
é "concordar" com tudo que o outro irá dizer ou falar, 
mas, entre pessoas no mínimo civilizadas é trocar ideias
a respeito de temas em "comum" a quaisquer crenças. 
Geralmente, a paz e o bem da humanidade é comum
a todas as religiões, a não ser àquelas de origem bastante
duvidosa e controversa, quiçá, diabólica mesmo. 


Esses gestos não eliminaram as diferenças doutrinais, mas fizeram do diálogo um elemento reconhecível de seu ministério.

Ele se manifestou repetidamente em favor da paz, criticando o recurso à guerra e defendendo a proteção das populações civis.

Em 2003, expressou clara oposição à guerra no Iraque. Seu ensinamento internacional buscou conciliar a defesa dos direitos humanos, a liberdade religiosa, a reconciliação e a responsabilização das instituições políticas.

 

Um das coisas que São João Paulo II mais gostava de fazer era estar entre os jovens, 
falar-lhes sobre Jesus, sobre fé, esperança, caridade, sobre desejarem serem santos, em 
"não terem medo" de dar o seu "sim" a Cristo. O carisma do Santo Papa com os jovens
era, realmente, extraordinário. Atraía centenas de milhares. Às vezes, milhões. 
Já perto de morrer, ao ser avisado que uma multidão de jovens estava na Praça de São
Pedro, teria dito: "Por tanto tempo eu vos procurei. Hoje, são vocês que vem ao encontro de mim. Muito obrigado!". Palavras de um verdadeiro pai... 

São João Paulo II, cheio de alegria por estar entre os jovens. Na foto acima, com
jovens poloneses. 


Juventude, Jubileu e Santidade.

As Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), lançadas durante o seu pontificado, tornaram-se encontros periódicos capazes de reunir um grande número de jovens de diversos países.

A celebração em Roma, no ano 2000, durante o Grande Jubileu, foi particularmente significativa. O Papa desejava que a entrada no novo milênio fosse acompanhada por uma renovação da vida cristã, pela memória dos mártires e por pedidos de perdão pelos pecados cometidos pelos cristãos ao longo da história.

Promoveu um grande número de causas de beatificação e canonização, propondo modelos de santidade de diversos contextos geográficos e sociais.

Durante o seu pontificado, celebrou 147 ritos de beatificação, proclamando 1.338 beatos e 51 canonizações, com 482 santos.

A amplitude desta atividade alterou significativamente a visibilidade pública de figuras reconhecidas pela Igreja como exemplos de vida cristã.

Na foto acima, São João Paulo II canoniza Santa
Maria Faustina Kowalska, também polonesa, a
apóstola da Divina Misericórdia. 

Na foto acima, a canonização de São Pio de Pietrelcina, com imensa afluência de devotos.
Estima-se que 500 mil pessoas vieram à canonização. Foi necessária a instalação de
telões também nas praças das Basílicas de São João do Latrão e de Santa Maria Maior. 

Doença, Morte e Reconhecimento do Culto:

Nos seus últimos anos, João Paulo II sofreu uma deterioração progressiva da sua saúde, causada por grave  Mal de Parkinson (resistente aos tratamentos médicos de então), manifestada por dificuldades de movimento e fala.

Contudo, continuou a exercer o seu ministério, confiando cada vez mais a leitura de textos e certas funções públicas a outros.

Faleceu no Palácio Apostólico a 2 de abril de 2005, às 21h37.

O seu funeral, a 8 de abril, reuniu representantes religiosos e civis de numerosos países e uma grande multidão de fiéis em Roma. Foi inicialmente sepultado nas Grutas Vaticanas.

O processo de sua beatificação iniciou-se com particular rapidez, após a dispensa do período de espera habitual. Inclusive, durante suas exéquias, não poucos fiéis, portando cartazes, clamavam: “Santo Súbito!”, isto é, “Santo já!”.  



O Papa Bento XVI, que havia sido grande amigo seu, com admiração mútuas, quando ainda era o cardeal Joseph Ratzinger, proclamou-o Beato em 1 de maio de 2011.

Após o reconhecimento canônico de mais um milagre atribuído à sua intercessão, o Papa Francisco canonizou-o a 27 de abril de 2014, juntamente com João XXIII.

Os seus restos mortais, transferidos para a Capela de São Sebastião na Basílica de São Pedro por ocasião da sua beatificação, são um local de veneração.

A comemoração de 22 de outubro recorda a inauguração de seu pontificado e não o dia de sua morte.

 

Informações adicionais (um resumo do texto acima): 

Foto "icônica" de São João Paulo II. Baseadas
nessa foto, inúmeras estatuetas e imagens
do Santo foram confeccionadas para venda. 
 

A Importância Histórica do Pontificado

O pontificado de João Paulo II, que durou quase vinte e sete anos, abrangeu o fim da Guerra Fria, a dissolução do bloco soviético e o alvorecer do terceiro milênio.

Sua contribuição para a recepção do Concílio Vaticano II se expressou em seu magistério, na legislação eclesiástica, nos sínodos e nas iniciativas pastorais globais.

A grande visibilidade do pontífice conferiu ao papado uma dimensão pública sem precedentes na era da mídia de massa.

Seu modelo de governo, caracterizado por uma marcada centralidade da Santa Sé, também impulsionou discussões sobre a colegialidade episcopal e a autonomia das Igrejas locais.

 

Polônia, Solidariedade e o fim do comunismo europeu.

A experiência do nazismo e do regime comunista polonês afetou profundamente sua compreensão da liberdade religiosa e dos direitos humanos.

Sua viagem à Polônia em junho de 1979 teve um impacto profundo na sociedade civil; nos anos que se seguiram, o pontífice apoiou moralmente as aspirações de liberdade personificadas pelo sindicato independente “Solidariedade”.

Seu papel na transformação da Europa Oriental foi significativo tanto no plano espiritual quanto no diplomático, mas o colapso dos regimes comunistas dependeu de múltiplos fatores políticos, econômicos e sociais, e não pode ser atribuído a um único indivíduo.

O Concílio Vaticano II e as Reformas da Igreja.

Já como bispo, Wojtyła contribuiu para os trabalhos do Concílio, particularmente para a constituição pastoral Gaudium et Spes.

Como Papa, promulgou o novo Código de Direito Canônico para a Igreja Latina em 1983, o Código de Cânones das Igrejas Orientais em 1990 e o Catecismo da Igreja Católica em 1992.

Essas intervenções ofereceram ferramentas normativas e doutrinais de referência para a vida eclesial após o Concílio. Sua aplicação esteve intrinsecamente ligada ao confronto entre diferentes interpretações da renovação conciliar.

Magistério e Encíclicas:

As catorze encíclicas de João Paulo II abordaram questões teológicas, antropológicas, morais e sociais. Redemptor hominis (1979) colocou Cristo e a dignidade do homem no centro de seu programa pontificado; Dives in misericordia (1980) explorou a misericórdia divina; Laborem exercens (1981), Sollicitudo rei socialis (1987) e Centesimus annus (1991) desenvolveram a doutrina social da Igreja. Veritatis splendor (1993) e Evangelium vitae (1995) abordaram questões fundamentais de moralidade, enquanto Fides et ratio (1998) examinou a relação entre fé e razão. Ecclesia de Eucharistia (2003) foi a última encíclica de seu pontificado.

Jovens e Jornadas Mundiais da Juventude:

João Paulo II atribuiu aos jovens um papel central na transmissão da fé.

Após os grandes encontros romanos de 1984 e 1985, ele instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude em 1985, com a primeira celebração diocesana ocorrendo em 1986.

Encontros internacionais, incluindo Santiago de Compostela em 1989, Częstochowa em 1991, Denver em 1993, Manila em 1995 e Roma em 2000, tornaram-se uma marca registrada de seu pontificado.

O contato direto com as gerações mais jovens também transformou a linguagem e os métodos da pastoral juvenil católica.


Ecumenismo e diálogo inter-religioso

O compromisso ecumênico encontrou uma formulação coerente na encíclica Ut unum sint, de 1995.

O pontífice promoveu encontros com representantes das Igrejas Ortodoxas e comunidades surgidas da Reforma, embora sem superar todas as diferenças doutrinais e institucionais.

Em 27 de outubro de 1986, ele convocou um Dia Mundial de Oração pela Paz em Assis, com representantes de diferentes tradições religiosas, seguido por outras iniciativas.

O diálogo foi concebido como encontro e colaboração, sem apagar as diferenças entre as religiões.

A relação com o judaísmo:

A visita à sinagoga de Roma em 13 de abril de 1986 marcou um marco histórico nas relações entre católicos e judeus.

Durante sua peregrinação à Terra Santa em março de 2000, João Paulo II visitou o memorial do Holocausto Yad Vashem e rezou no Muro das Lamentações em Jerusalém.

Seu pontificado fomentou um aprofundamento da reflexão católica sobre o antissemitismo, a memória da perseguição aos judeus e a responsabilidade dos cristãos na história.

Contudo, o debate permaneceu aberto sobre a interpretação de certos eventos e documentos do passado.

O Grande Jubileu de 2000

O Jubileu de 2000 foi um dos momentos culminantes do pontificado. Sua preparação foi delineada na carta apostólica Tertio millennio adveniente de 1994.

Em 12 de março de 2000, Dia do Perdão, o Papa presidiu uma celebração penitencial na qual os pecados cometidos pelos cristãos ao longo da história foram reconhecidos.

O Jubileu reuniu grandes celebrações públicas, peregrinações, reflexões sobre a reconciliação e atenção às dívidas dos países pobres.

A carta Novo millennio ineunte de 2001 apresentou suas perspectivas pastorais.

 

O prestígio do Papa era tamanho que até mesmo 
"inimigos ideológicos" seus o respeitavam. Acima, o 
famigerado e cruel ditador cubano Fidel Castro, como
chefe de Estado e de governo cubano, recepciona o 
Santo Padre que é o chefe de Estado do Vaticano. 

Dignidade humana, paz e doutrina social.

A defesa da dignidade humana foi um princípio orientador do ensinamento de João Paulo II. Ele denunciou as violações da liberdade religiosa, criticou tanto os sistemas totalitários quanto os efeitos desumanizadores de uma economia desprovida de responsabilidade ética e chamou a atenção para a pobreza e a solidariedade internacional.

Opôs-se à guerra como instrumento padrão para a resolução de conflitos e manifestou-se publicamente contra a guerra de 2003 no Iraque.

Suas posições sobre a vida nascente, a eutanásia, a família e a moral sexual atraíram apoio, mas também debates dentro e fora da Igreja.

 

Brasão do Papa São João Paulo II. 
O Santo Padre era consagrado, inteiramente,
à Virgem Maria. "Totus Tuus" era seu lema. 

Devoção Mariana e Fátima.

O lema episcopal e papal, "Totus Tuus", expressava a entrega pessoal a Maria, inspirada pela espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort. Uma vez declarou que o famoso livro do Santo: “Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Maria” era seu “livro de cabeceira” (sic).

São João Paulo II interpretou religiosamente sua sobrevivência à tentativa de assassinato de 13 de maio de 1981 à luz da proteção mariana e vinculou essa experiência a Nossa Senhora de Fátima. Em 1982, ele visitou o santuário português para agradecer por sua salvação.

Uma das duas balas que o atingiram no atentado foi posteriormente colocada na coroa da estátua de Nossa Senhora de Fátima. Essa interpretação espiritual se distingue da reconstrução judicial dos responsáveis ​​pelo atentado.

 

A espiritualidade do sofrimento.

Em sua carta apostólica de 1984, Salvifici doloris, João Paulo II refletiu sobre o significado cristão do sofrimento.

Em 1992, instituiu o Dia Mundial do Doente, celebrado anualmente desde 11 de fevereiro de 1993.

Nos seus últimos anos, a doença e a progressiva limitação das suas capacidades motoras e vocais expuseram a fragilidade da sua pessoa. A

 sua decisão de continuar o ministério, apesar das crescentes dificuldades, tornou-se um dos aspetos mais marcantes da fase final do seu pontificado.

Beatificações, canonizações e a memória dos mártires:

João Paulo II deu grande impulso ao reconhecimento eclesial da santidade. Segundo dados oficiais da Santa Sé, ele presidiu 147 celebrações de beatificação, proclamando 1.338 beatos, e 51 canonizações, proclamando 482 santos.

A reforma dos procedimentos processuais, implementada em 1983, acompanhou essa intensa atividade.

Deu-se especial ênfase à valorização dos mártires do século XX (tanto os da “Guerra Cristera – México, de 1927 – 1929) quanto os da “Guerra Civil Espanhola” – Espanha, de 1936 – 1937), de figuras leigas, de missionários e testemunhas de diversos países, destacando a dimensão universal da santidade católica.

Curiosidades

- O nome João Paulo II era uma referência ao seu antecessor imediato e também a João XXIII e Paulo VI.

- Ele foi o primeiro pontífice polonês e o primeiro não italiano desde a eleição de Adriano VI em 1522.

- Durante a ocupação nazista, participou de apresentações teatrais clandestinas em Cracóvia.

- Sua memória litúrgica em 22 de outubro coincide com a solene inauguração de seu pontificado em 1978, e não com o dia de sua morte.

- Realizou 104 viagens apostólicas internacionais e 146 visitas pastorais à Itália.

- Visitou 317 paróquias romanas durante seu ministério como Bispo de Roma.

- Publicou quatorze encíclicas durante seu pontificado.

- Em dezembro de 1983, encontrou-se na prisão com Mehmet Ali Ağca, o homem que o assassinou em 1981.

- Ele foi o primeiro papa a visitar oficialmente a sinagoga de Roma, em 13 de abril de 1986.

- Em 2000, foi ao Muro das Lamentações em Jerusalém e deixou uma oração escrita no local.

- Em 2003, publicou o Tríptico Romano, uma obra poética composta durante seu pontificado.

- Seu corpo repousa na Capela de São Sebastião, na Basílica de São Pedro.

 

Cronologia

- 18 de maio de 1920 - Nasceu em Wadowice, Polônia.

- 1938 - Matriculou-se na Universidade Jaguelônica em Cracóvia.

- 1939 - A ocupação nazista interrompeu seus estudos universitários regulares.

- 1942 - Iniciou sua formação no seminário clandestino em Cracóvia.

- 1º de novembro de 1946 - Ordenado sacerdote.

- 1948 - Retornou à Polônia após estudar em Roma.

- 4 de julho de 1958 - Nomeado bispo auxiliar de Cracóvia.

- 28 de setembro de 1958 - Recebeu a ordenação episcopal.

- 1962-1965 - Participou do Concílio Vaticano II.

- 13 de janeiro de 1964 - Nomeado arcebispo de Cracóvia.

- 26 de junho de 1967 - Criado cardeal.

- 16 de outubro de 1978 - Eleito papa.

- 22 de outubro de 1978 - Iniciou solenemente seu ministério petrino.

- Junho de 1979 - Realizou sua primeira viagem papal à Polônia.

- 13 de maio de 1981 - Foi vítima de uma tentativa de assassinato na Praça de São Pedro.

- 1983 - Promulgou o Código de Direito Canônico em latim.

- 13 de abril de 1986 - Visitou a sinagoga de Roma.

- 27 de outubro de 1986 - Promoveu o encontro inter-religioso pela paz em Assis.

- 1990 - Promulgou o Código de Cânones das Igrejas Orientais.

- 1992 - Foi publicado o Catecismo da Igreja Católica.

- 2000 - Celebrou o Grande Jubileu e fez uma peregrinação à Terra Santa.

- 2 de abril de 2005 - Faleceu no Vaticano.

- 1º de maio de 2011 - Foi beatificado por Bento XVI.

- 27 de abril de 2014 - Ele é canonizado por Francisco.

 

São João Paulo II, saudoso e querido Papa, rogai por nós!

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