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domingo, 17 de novembro de 2013

Beata Alexandrina Maria da Costa, Virgem e Mística

     Hoje, dou início à publicação das biografias de grandes místicas do século XX. Quando se fala em "mística" ou "místico", essas palavras podem soar estranho. Por que? Por causa da grande deturpação que se deu a elas. 
     Comparo com o que se deu com o uso da palavra "amor", por exemplo. Quando se fala em "amor", o que se pensa? Em amor Ágape (puro, verdadeiro, que se doa, que se sacrifica, que renuncia a si mesmo), no amor "Filia" (amizade, coleguismo ou parceria) ou no amor "Eros" (paixão, atração física ou sexo)? Muitas vezes não é nada fácil distinguir. A palavra "amor" é muito mal empregada hoje em dia, infelizmente... 
      Da mesma forma, a palavra "místico" ou "mística". Pensa-se logo em algo "mágico", "esotérico", "cabalístico", "espiritualista", etc. Na realidade, não tem nada a ver com isso! 
        Místico, mística, é alguém mergulhado (a) no Ser de Deus, cuja vida está plenamente preenchida da Vida Divina. Uma pessoa mística vive o que Jesus disse nos Evangelhos: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada (João 14, 23)Assim, a pessoa "transborda Deus" em todo o seu ser. Deus se sente plenamente livre para fazer na vida daquela pessoa suas grandes maravilhas. Não é mais ela quem vive, é Cristo quem vive nela (como disse são Paulo Apóstolo). 
      Iniciaremos com a vida da beata Alexandrina Maria da Costa, uma grande mística portuguesa, de Balasar, que viveu de forma extraordinária o carisma da união com o Cristo Sofredor, tornando-se, ao mesmo tempo, apóstola da reparação aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, reparação essa que é o centro da mensagem de Fátima. 
       Não estranhem algumas fotos que serão publicadas. Elas mostrarão a beata (que vivia confinada ao leito devido à uma paraplegia causada por um fatídico acidente) em êxtase, contemplando, sentindo e vivendo a Paixão de Cristo em seu próprio corpo. A beata Alexandrina foi uma "alma vítima", isto é, uma alma escolhida por Deus para sofrer, e sofrer muito pela conversão dos pecadores e salvação das almas, em união com o Cristo Sofredor que constantemente está a sacrificar-se nas Santas Missas que se celebram no mundo inteiro. 
             Espero que apreciem a história e a divulguem. 



Beata Alexandrina Maria da Costa, Virgem e Leiga
(da União dos Cooperadores Salesianos 1904-1955) 

ALEXANDRINA MARIA DA COSTA nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de março de 1904, e foi batizada no dia 2 de abril, Sábado Santo. Foi educada cristamente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até aos 7 anos. Depois foi para uma pensão dum marceneiro na Póvoa de Varzim a fim de freqüentar a escola primária que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal em 1911 e no ano seguinte recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.
Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvário”, onde irá permanecer até à morte.
Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifóide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.
Aos 14 anos aconteceu um fato que seria decisivo para a sua vida.
Era Sábado Santo de 1918. Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz, estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam a entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As conseqüências foram terríveis, embora não imediatas. De fato, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um fato irreversível.
Até aos 19 anos pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925 quando Alexandrina ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.
Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que se sarasse partiria para as missões. Depois compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. Dizia: “Nossa Senhora concedeu-me uma graça ainda maior. Depois da resignação deu-me a conformidade completa à vontade de Deus e, por fim, o desejo de sofrer”.
São desse período os primeiros fenômenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. 
Um dia em que estava só, veio-lhe improvisamente este pensamento: “Jesus, tu és prisioneiro no Tabernáculo. E eu por tua vontade prisioneira na minha cama. Far-nos-emos companhia”. Desde então começou a primeira missão: ser como a lâmpada do Tabernáculo. Passava as noites como em peregrinação de Tabernáculo em Tabernáculo. Em cada Missa oferecia-se ao Eterno Pai como vítima pelos pecadores, junto com Jesus e segundo as suas intenções. 



Um dos êxtases de Alexandrina, nos quais
era crucificada à semelhança de Jesus Cristo. 


Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.
De sexta-feira, 3 de Outubro de 1938 a 24 de Março de 1942, ou seja por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.
A beata Alexandrina revivendo o momento em que Cristo
é manietado e flagelado. 

“Amar, sofrer, reparar” foi o programa que o Senhor lhe indicou. Desde 1934, a convite do padre jesuíta Mariano Pinho, que a dirigiu espiritualmente até 1941, Alexandrina punha por escrito tudo quanto, vez por vez, lhe dizia Jesus.
Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Santo Padre, através do P. Pinho, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido foi renovado várias vezes até 1941, pelo que a Santa Sé interrogou três vezes o Arcebispo de Braga a respeito de Alexandrina. No dia 31 de Outubro de 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria com uma mensagem transmitida de Fátima em língua portuguesa. Este ato foi repetido em Roma na Basílica de São Pedro no dia 8 de Dezembro do mesmo ano de 1942.
Depois de 27 de Março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia. Em 1943, por quarenta dias e quarenta noites, foram rigorosamente controlados por médicos o jejum absoluto e a anúria, no hospital da Foz do Douro, no Porto.


Apesar de seus sofrimentos atrozes, conservava
sempre o rosto sereno e sorridente, jamais se
queixando de nada do que sofria. 
Em 1944, o novo diretor espiritual, P. Umberto Pasquale, salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a continuar a ditar o seu diário; fê-lo com espírito de obediência até à morte. No mesmo ano de 1944 Alexandrina inscreveu-se na União dos Cooperadores Salesianos. E quis pôr o seu diploma de Cooperadora «em lugar bem visível a fim de tê-lo sempre debaixo dos olhos» e colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo juvenis. Rezou e sofreu pela santificação dos Cooperadores Salesianos de todo o mundo.

Apesar dos sofrimentos, continuava a dedicar-se aos problemas dos pobres, do bem espiritual dos paroquianos e de muitas outras pessoas que a ela recorriam. Promoveu em sua paróquia tríduos e horas de adoração.
Especialmente nos últimos anos de vida, muitas pessoas, vindas de longe, atraídas pela fama de santidade, visitavam-na; muitas atribuíam a própria conversão aos seus conselhos.
Em 1950, Alexandrina festejou o 25º ano de sua imobilidade. E em 7 de Janeiro de 1955 foi-lhe preanunciado que aquele seria o ano da sua morte. De fato, dia 12 de Outubro quis receber a unção dos enfermos. E dia 13, aniversário da última aparição de N. Sra. de Fátima, ouviram-na exclamar: “Sou feliz porque vou para o céu”. Às 19h30 expirou.
Sobre a sua campa podem ler-se estas palavras por ela tão desejadas:


“Pecadores, se as cinzas do meu corpo puderem ser úteis para a vossa salvação, aproximai-vos: passai todos por cima delas, pisai-as até desaparecerem, mas não pequeis mais! Não ofendais mais o nosso Jesus! Pecadores, queria dizer-vos tantas coisas. Não bastaria este grande cemitério para escrevê-las todas! Convertei-vos! Não queirais perder a Jesus por toda a eternidade! Ele é tão bom!... Amai-O! Amai-O! Basta de pecar!”.
É a síntese da sua vida gasta exclusivamente para salvar as almas.
No Porto, na tarde do dia 15 de Outubro, os vendedores de flores viram-se sem nenhuma flor branca: todas tinham sido vendidas para a homenagem floral a Alexandrina, que tinha sido a rosa branca de Jesus. 

4 comentários:

Alphonse Rocha disse...
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José Fernandes Costa disse...

Tudo isso é história viva. Muito bom termos conhecimento de fatos ocorrido em séculos passados!! Seja sobre religiões, seja sobre cultura em geral!! - Parabéns !!

José Fernandes Costa disse...

Agradeço!!

juscelino souza disse...

Que pena que ainda poucos conhecem a história da vida destes santos mártires pela casda do Senhor jesus, esta não é apenas uma linda história a Beata Alexandrina quer que sigamos seu exemplo, talvez não de sofrer como ela pois Deus permite esta graça apenas para alguns eleitos para mostrar ao mundo que seu sacrifício na cruz nunca foi e jamais será em vão.Ela nos mostra que devemos buscar amar a Jesus e jamais o perder de vista para que um dia na Eterna Glória o encontremos face a face. ameiiiii a vida desta santa, mas não quero apenas me impressionar quero viver tambem pelo Senhor e doar a minha vida por inteiro, me afastar deste mundo tenebroso e nojento com suas modas indecentes, onde tem levado a tantos ao inferno, mas sim arrepender das minhas faltas e seguir o mestre Jesus, o amando, o buscando e lutando dia a dia pela santidade até um dia como uma ave alçarmos um vOo definitivo para toda a Eternidade com O Senhor.

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