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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Beata Lindalva Justo de Oliveira, Virgem e Mártir (Filha da Caridade de São Vicente de Paulo). Mártir da Castidade.


Mártir brasileira do fim do século XX Admirável por sua disponibilidade e alegria no serviço aos pobres, deu sua vida como prova de amor a Deus, por conservar intacta sua pureza.

Na quarta-feira da Semana Santa de 1500, aportou em terras brasílicas uma esquadra vinda do outro lado do Atlântico. Poucos dias depois, no Domingo de Páscoa, sob a proteção de uma enorme Cruz fincada na praia, o franciscano Frei Henrique de Coimbra celebrou ali a primeira Missa. Nasceu assim, nas belas praias da Bahia, um país de proporções continentais. Batizado com o nome de Terra de Santa Cruz, o Brasil já trazia em si, em gérmen, todo um futuro cheio de atos heroicos e de catolicidade, dos quais as páginas de sua História estão repletas.

Um destes deu-se em nossos dias, tão marcados pelo pragmatismo e pela falta de fé, tão carentes de pessoas dispostas a servir a Deus, a ter generosidade, a ser casta ou a doar-se pelos demais.

Também numa Semana Santa, na mesma Bahia gloriosa, tal como Santa Maria Goretti, uma freira de nossos tempos derramou o sangue na defesa de sua pureza, no amor à obediência e ao serviço dos mais necessitados, cumprindo sua vocação de Filha da Caridade de São Vicente de Paulo e de Santa Luisa de Marillac: Irmã Lindalva Justo de Oliveira.




Propensão para ajudar os outros

Nascida em 20 de outubro de 1953, no seio de uma família camponesa do município de Açu, no Rio Grande do Norte, recebeu as águas batismais três meses depois de vir à luz.

O pai, João Justo da Fé, pequeno proprietário, cultivava seu sítio para manter uma família numerosa de 16 filhos. Era homem piedoso e de caráter forte. Admirava as histórias dos Patriarcas do Antigo Testamento e em algo os imitava. Maria Lúcia, a mãe, tinha consciência do compromisso que assumira ao contrair matrimônio: a formação dos filhos. Nessa católica família refletia-se o amor entre pais e filhos, mas igualmente não faltavam a disciplina e a severidade, quando era necessário corrigir os pequenos caprichos e as travessuras infantis.

Desde criança, Lindalva demonstrava propensão para ajudar os outros e se sensibilizava com o sofrimento alheio. Não lhe agradavam as brigas e nunca se zangava. Gostava de correr, banhar-se na lagoa próxima ou subir em árvores para comer os frutos recém-colhidos. Mas seu brinquedo favorito era modelar bonecas de barro, que deixava secando ao sol, e depois coser roupinhas para elas, com retalhos de tecidos.

Revelando-se uma menina muito madura para sua jovem idade, tinha consciência do sacrifício dos pais para manter e educar a numerosa prole, e queria auxiliá-los de alguma forma. Assim, estava sempre disponível para ajudar à mãe, aprendendo muito cedo a cozinhar e a costurar. E procurava imitar o exemplo de sua progenitora que, apesar de pobre, tirava de sua parca despensa para socorrer outros mais necessitados.



Vivia no mundo sem ser do mundo

Os filhos cresceram, precisavam estudar e as exigências aumentaram. João decidiu mudar-se para Açu, onde vários deles conseguiram emprego. Lindalva cursava o Ensino Fundamental e trabalhava como babá na casa de uma família abastada. Quando algum conhecido precisava de ajuda, por doença ou qualquer outro motivo, recorria a ela. "Você deve ter vocação para enfermeira, porque está sempre disponível e faz tudo com alegria!" - dizia-lhe uma de suas companheiras.

Quando nasceu a primeira filha do irmão mais velho, que se casara e morava em Natal, foi viver com ele nessa capital, onde ajudava à jovem mãe e continuava seus estudos. Empregou- se como auxiliar de escritório e levava uma vida como qualquer moça de bons princípios. Vivia no mundo, mas a ele não pertencia. Não pensava em casar-se e prestava serviços como voluntária num abrigo para idosos, mantido pelas Filhas da Caridade.

Tímida e reservada por temperamento, ali se transformava, tornando- se manifestativa, cheia de vida e com uma alegria contagiante. Os velhinhos a esperavam ansiosos, devido à sua paciência, afeto e afabilidade. Era a vocação que amadurecia com força em sua alma. "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade" (Gl 5, 22), diz o Apóstolo. Pois não foi outra coisa que Lindalva manifestou ao longo de sua vida relativamente curta.


Alegria na doação aos outros

Começou a estudar enfermagem para poder doar-se mais e tomou a grande decisão de sua vida: em setembro de 1987, escreveu à Provincial das Filhas da Caridade, pedindo admissão como postulante. "Faz muito tempo que sinto o desejo de entrar na vida religiosa, mas somente agora estou disponível a seguir o chamado de Deus. Estou pronta para dedicar-me ao serviço dos pobres", escreveu ela. 1

Admitida dois meses depois, foi enviada para fazer o postulantado na comunidade do Educandário Santa Teresa, em Olinda, Pernambuco. Esse período não foi senão um contínuo exercício do propósito que fizera, de basear sua vida espiritual na felicidade em Cristo e no bem do próximo. O testemunho de suas superioras durante essa fase foi sempre de admiração por sua disponibilidade, humildade e alegria na doação aos outros, quer aos pobres ou idosos, quer às outras irmãs, na vida comunitária.

"Quero ser santa!"

Progredia na vida interior, entregando- se mais e mais nas mãos d'Aquele ao qual se havia abandonado, confiando-Lhe inteiramente seu destino, tal qual recomenda o Rei Profeta: "Confia ao Senhor a tua sorte, espera n'Ele, e Ele agirá" (Sl 36, 5).

Algumas de suas cartas confirmam a plenitude desta entrega ao Senhor, e revelam a autenticidade da vocação que escolhera. "Estou muito feliz. (...) O meu destino está nas mãos de Deus, mas desejo de todo coração servir sempre com humildade, no amor de Cristo", escrevia a uma amiga, em março de 1988. Ensina Dom Chautard que a alma de todo apostolado é o transbordamento da vida interior. E o dom do serviço de Lindalva fundamentava- se em sua vida de piedade e oração. Não se limitava a aliviar os sofrimentos físicos ou as tristezas dos mais necessitados, mas procurava nutrir-lhes o espírito com orações e bons conselhos. Gostava de rezar com eles, sobretudo o terço meditado, acompanhado de cânticos a Nossa Senhora.

Sua oração preferida era mesmo o Rosário. Levava o terço sempre à mão e aproveitava qualquer tempo livre para recitá-lo. Explicava este hábito, dizendo: "Há muita gente que precisa de minha ajuda e não posso fazer nada a não ser rezar por eles".

O desejo de progredir na vida espiritual levou-a a perguntar candidamente à superiora, Irmã Maria Expedita Alves, como fazer para ser santa. Com sabedoria, respondeu-lhe esta:

- Minha filha, ninguém nasce santo; isto pode ser alcançado procurando a perfeição na vida do dia-a-dia, e também em cada ação, mesmo a mais insignificante.

- Quero ser santa! - retrucou Lindalva, fitando à superiora com um olhar profundo.

"Aqui tudo é graça!"

Este firme desejo foi o que marcou sua vida, na trajetória simples e comum de uma postulante, rumo à plenitude da vida religiosa, na prática dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência.

Sob o olhar atento das superioras, foi admitida no noviciado, dando um passo mais decidido na entrega a Jesus, dentro do carisma de sua Congregação: o serviço aos pobres e necessitados. Na festa da Virgem do Carmo, 16 de julho de 1989, vestiu o hábito de Filha da Caridade e passou a chamar-se Irmã Lindalva.

Em carta a uma amiga, nesse mesmo ano, manifestou como se sentia realizada na vida religiosa: "Aqui tudo é graça! Vivemos num profundo silêncio e união com Deus. (...) Os meus pensamentos e o desejo que tenho de amar a Deus sobre todas as coisas fazem com que eu me sinta muito feliz. Outra parte da nossa vida é o amor às pessoas que conquistamos, mas é através do amor a Deus que amamos as criaturas; somente não devemos deixar que este amor seja maior que o amor a Deus".

Todos a admiravam muito

Findo o tempo de noviciado, em 26 de janeiro de 1991, Irmã Lindalva foi enviada para um abrigo de idosos em Salvador, capital da Bahia. Em carta a uma irmã de hábito, renovava seus propósitos de ser humilde e simples nas dificuldades que certamente viriam, recordando as palavras da Escritura: "Nada temas, pois Eu te resgato, Eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres de atravessar as águas, estarei contigo. E os rios não te submergirão" (Is 43, 1-2).

Foi com esta confiança que cruzou os portões do antigo casarão do século XIX, onde funcionava o Abrigo Dom Pedro II, sob administração pública municipal, mas aos cuidados das Filhas da Caridade. Recebeu a incumbência de cuidar do pavilhão São Francisco, com 40 idosos, situado no primeiro andar do imponente edifício. Em pouco tempo cativou sua superiora e as companheiras de hábito, bem como os velhinhos, com seu jeito alegre de ser e o perfume da santidade de sua presença. Todos a admiravam muito.

Acalmava os queixosos, lembrando- lhes os sofrimentos do Salvador, e dava alguma ocupação aos que ainda podiam fazer algo, para eles se sentirem úteis. Onde havia necessidade, aí estava Irmã Lindalva com sua figura sempre animada e caridosa.

Cuidava não só das coisas materiais dos idosos, mas também de sua vida de piedade. Rezava com eles o terço e levava o capelão para administrar- lhes os Sacramentos. Sua vigilância, em matéria de castidade, se notava até mesmo quando ia buscar o padre, pois sempre pedia a alguém para acompanhá-la. Era assídua aos atos da Comunidade e quando lhe sobravam alguns minutos invariavelmente estava na Capela, rezando um pouco mais.

No escasso tempo que lhe restava do atendimento no Abrigo, Irmã Lindalva participava do Movimento de Voluntárias da Caridade Santa Luisa de Marillac, que visitava idosos e doentes nas periferias da cidade. Este Movimento era dividido em grupos e ela pertencia ao Grupo Santa Maria Goretti. Talvez não por mero acaso, como se verá adiante.





Subida ao Monte Calvário

Não podia essa santa religiosa imaginar que aquele querido Abrigo seria seu Monte Calvário, o lugar destinado por Cristo para misturar seu sangue ao d'Ele. Os problemas começaram em janeiro de 1993, quando ali foi admitido Augusto da Silva Peixoto. Com apenas 46 anos, não tinha ele idade para estar num estabelecimento de caridade para anciãos, mas as freiras tiveram de aceitá-lo, por motivos políticos. Alojaram-no no pavilhão a cargo da Irmã Lindalva.

Homem destituído de princípios religiosos e morais, Augusto interessou-se com más intenções por aquela freira de vida ilibada e passou a assediá-la de modo insistente e inconveniente. As admoestações que lhe fizeram outros internos e a própria diretora do setor social do Abrigo serviram apenas para aumentar nele os fortes sentimentos de frustração por ser sempre repudiado.

Irmã Lindalva, que preferia morrer a romper seu voto de castidade, viu-se obrigada a tomar muito cuidado, evitando qualquer atitude que pudesse ser mal interpretada por aquele indivíduo sem escrúpulos. Narrou a situação a algumas freiras e companheiras de voluntariado e intensificou suas orações. Mas por amor aos idosos e pela fidelidade à obediência que a havia designado para o Abrigo, não quis sair dali. De caráter forte e seguro, não conhecia o medo ou a fraqueza, jamais abandonando seu "campo de batalha". "Prefiro que meu sangue se derrame, do que ir embora daqui" - afirmou durante um recreio da comunidade.

"Nunca cedeu"

Na segunda-feira da Semana Santa, esse nefando personagem comprou no mercado popular um facão de pescador, com a intenção deliberada de matar aquela religiosa que opunha intransponível barreira a seus péssimos intuitos.

Durante toda a semana, Irmã Lindalva participara, ao raiar da aurora, da Via Sacra na paróquia da Boa Viagem. Ao percorrer as ruas das proximidades na madrugada da Sexta- Feira Santa, 9 de abril de 1993, meditando sobre a Via Dolorosa de Jesus, certamente não tinha ideia que sua subida particular ao Calvário também culminaria naquele dia.

Voltando ao Abrigo, dirigiu-se logo ao refeitório para cumprir sua tarefa de servir o café da manhã aos velhinhos, sem notar a presença de Augusto sentado num dos bancos do jardim. Este, que a esperava, subiu atrás dela, entrou pela porta dos fundos do salão e atacou-a pelas costas, a golpes de facão, numa fúria insana e diabólica. A vítima mal teve tempo de balbuciar: "Deus me proteja!" Recebeu ao todo 44 golpes.

Enquanto limpava na própria roupa a arma tingida pelo sangue inocente, o criminoso ensandecido rugia: "Nunca cedeu! Está aqui a recompensa...". Testemunhava, assim, que Irmã Lindalva havia dado sua vida como prova de amor a Deus, por conservar intacta sua pureza, num verdadeiro martírio do qual os próprios internos davam testemunho.



Semente de novas vocações

Durante toda a noite, passou pelo Abrigo um fluxo contínuo de fiéis desejosos de prestar uma última homenagem à religiosa. O Arcebispo Primaz do Brasil, na época o Cardeal Lucas Moreira Neves, oficiou a cerimônia fúnebre e afirmou na homilia que "o sangue da vítima será semente de novas vocações, não só para as Filhas da Caridade, mas, também, para todas as Congregações da Igreja de Deus".

A Igreja proclamou-a Bem-aventurada em 02 de dezembro de 2007, durante cerimônia realizada no Estádio Manoel Barradas, em Salvador. Seus restos mortais se encontram, atualmente, na capela do Abrigo Dom Pedro II. A Beata Irmã Lindalva é um exemplo de como a alegria e a pureza são notas características da santidade, para a qual todos somos chamados.

Foi o que declarou o Cardeal Saraiva Martins, na cerimônia de Beatificação: "Desejo a todos, e invoco do Senhor para cada um, aquela vitalidade alegre que sabia transmitir aos outros, que é talvez a herança mais fascinante de Lindalva, para saber contagiar quem nos está perto, com a alegria inefável que mergulha as suas raízes nos pés de Cristo Ressuscitado, conscientes de que enquanto filhos de Deus, somos todos chamados a ser santos e que a santidade é um caminho de liberdade para cada um”?

1 Todas as citações de cartas e outros documentos foram extraídas de: PASSARELLI, Gaetano. O sorriso de Lindalva. Recife: Dom Bosco, 2003.
2 Mensagem na Beatificação da Serva de Deus Lindalva Justo de Oliveira, 2/12/2007.


(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2010, n. 100, p. 32 à 35)

CORPOS INCORRUPTOS DE SANTOS - VÍDEO EM ESPANHOL (YOU TUBE)


  A maravilha de um mistério inexplicável para a ciência: a incorruptibilidade de corpos de muitos santos católicos, alguns, entre eles, absolutamente intactos, apesar dos vários anos de seu falecimento. 
 Até mesmo a parapsicologia, que estuda e tenta explicar fenômenos considerados "paranormais", não consegue entender como um corpo, sepultado sem tratamento especial, em terreno ou local totalmente propício à decomposição normal, consiga permanecer incorrupto. 
   Além disso - ouvi uma vez o próprio padre Quevedo dizendo isso - tem o caso de que apenas uma parte ou um órgão do (a) santo (a) mantém-se incorrupto (p.ex.: o aparelho fonador de Santo Antônio de Pádua). Nesses casos, mesmo para a parapsicologia, o fenômeno é ainda mais sensacional e inexplicável... 
   Este vídeo em espanhol mostra alguns casos e abre o debate: se este milagre existe é porque Deus existe. Se este milagre existe na Igreja é porque a Igreja Católica Apostólica Romana é a única Igreja fundada por nosso Senhor Jesus Cristo. 




SÃO FELIPE NÉRI, Presbítero e Fundador dos Oratorianos. É o Santo da Alegria e Apóstolo de Roma.


São Felipe Néri, Presbítero e
Fundador: o Santo da Alegria.
Poucos são os santos da Igreja privilegiados como São Filipe Néri...

Filho de pai nobres e piedosos, Filipe nasceu em 1515, na cidade de Florença. De boa índole, de modos afáveis e inclinação à oração mereceram ao menino de cinco anos o apelido de "o bom Filipe".
Um incêndio destruiu grande parte da fortuna dos pais e Filipe passou a morar com um primo que era negociante riquíssimo em São Germano. Este primo prometeu-lhe estabelecê-lo como herdeiro de todos os seus bens, se quisesse tomar-lhe a gerência dos negócios. O bom Filipe, porém, pouca inclinação sentia para ser negociante; o que queria, era ser santo e apesar das repetidas insistências do primo, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus.
Fez os estudos de Filosofia e Teologia em Roma e começou desde logo a observar a regra de vida austeríssima, que o acompanhou até o fim da vida. Alimentava-se de pão, água e legumes; para o sono reservava poucas horas, para a adoração, porém, muitas.
No grande desejo de dedicar-se à vida contemplativa, vendeu a biblioteca, deu os bens aos pobres e aprofundou o espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Todo o tempo disponível passava-o nas igrejas ou de preferência catacumbas.
 A graça de Deus tocou-lhe o coração com tanta violência que, prostrado por terra, exclamou muitas vezes: “Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias. Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente”?
Foi nas catacumbas de São Sebastião, no ano de 1545, que recebeu o Espírito Santo, em forma de bola de fogo. Naquela ocasião sentia em si um ardor tão forte do amor de Deus que, devido às palpitações fortíssimas do coração, foram deslocadas a segunda e a quarta costelas.
Com o amor de Deus, grande era-lhe também o amor do próximo. Filipe possuía o dom de atrair todos a si, circunstância para a qual concorriam muito sua afabilidade, cortesia e modéstia. Recorria a mil estratagemas, para ganhar os jovens das ruas e nas oficinas de Roma. Era amigo de todos e uma vez adquirida a confiança preparava-os para a recepção dos Sacramentos e encaminhava-os para o bem.
As noites passava-as nos hospitais, tratando os doentes como uma mãe. O monumento mais belo de sua caridade é a Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim principal era receber os romeiros e tratar dos doentes.
No início de cada mês convidava o povo para adoração ao SS. Sacramento e, nestas ocasiões, embora leigo, fazia admiráveis alocuções aos fiéis. A piedosa ideia achou eco entre o povo que, abundantes esmolas deitavam para a nova instituição. Cardeais, bispos, reis, ministros, generais e princesas, viam grande honra em poderem pertencer a esta irmandade.
Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe recebeu o santo Sacramento da Ordem, tendo a idade de 36 anos. Tinha a vontade de trabalhar nas índias e de morrer mártir pela religião de Cristo. Pela vontade de Deus, porém, sua “Índia” havia de ser Roma, e lá ficou.
Deixando-se guiar pela Providência Divina, tornou-se apóstolo da capital da cristandade, sendo sua obra principal a fundação da Congregação do Oratório (Oratorianos) para a qual chamou homens igualmente distintos pelo saber e piedade.
As conferências espirituais tinham grande concorrência entre cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, os quais se confiavam à direção de São Filipe, a quem veneravam como um pai. São Felipe foi muito amigo de vários santos contemporâneos: São Francisco de Sales, São Carlos Borromeu, Santo Inácio de Loyola, contam entre eles. 
Grande parte do dia passava no confessionário e só Deus sabe o número das almas que a seus pés acharam a paz, o perdão e a salvação. Todos nele depositavam uma confiança ilimitada. Tinha o precioso dom de ler as consciências, profunda sabedoria e discernimento dos espíritos. Isso fez com que fosse também um grande apóstolo do confessionário e um convertedor de muitas almas. Era estimado, amado e respeitado por muitos. 
 Porém, o mal não descansa. Tanta santidade e tantas almas conquistadas para Cristo suscitaram profundo ódio do inferno. Ilimitada era a inveja, o despeito e o ódio de Satanás e seus sequazes. Foi também alvo de contradição reservada aos discípulos de Jesus. Até de confrades teve que saborear muitas vezes o escárnio, a calúnia e perseguição.
O ódio dos inimigos chegou a tal ponto, que levaram uma acusação falsa à autoridade eclesiástica, de que resultou para Filipe a suspensão de ordens. Privado da celebração da Santa Missa, da pregação e da administração do SS. Sacramento, o Santo não perdeu a calma e só dizia:

 “Como Deus é bom, que me humilha!"

A suspensão foi retirada e o inimigo principal do Santo, caindo em si, fez reparação pública e tornou-se-lhe discípulo.
Pelo fim da vida já não lhe era possível dizer a santa Missa em público, tanta era a comoção que lhe sobrevinha, na celebração dos santos mistérios. Estando no púlpito, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do amor de Deus e da Paixão de Cristo.
Dom da levitação de São Felipe Néri durante
a Santa Missa. O fenômeno era visto com muita
frequência. 
Quando celebrava a Missa, chegando à Liturgia Eucarística, pelo espaço de duas a três horas ficava arrebatado em êxtase enquanto o corpo se lhe elevava à altura de dois palmos.
Não é para admirar que o Papa o consultasse nos negócios mais importantes e quisesse beijar-lhe as mãos e a batina. Por três vezes os Papas que conviveram com o santo o chamaram ao cardinalato, porém, humílimo, restringia-se a recusar humilde e veementemente a honraria e dizer: "prefiro o Paraíso"!  À sua prudência e clarividência junto ao papado deve a França a felicidade de ter permanecido país católico.
Henrique IV, calvinista, tinha abjurado a heresia e entrado na Religião Católica. No ardor das guerras civis, tornou a voltar ao calvinismo, para depois outra vez se agregar à Igreja. O Papa Clemente VIII, com o apoio dos cardeais, negou ao rei a absolvição e opôs-se-lhe à reconciliação.
 Filipe, prevendo a apostasia da França, no caso de o Papa persistir nesta resolução, fez jejuns e orações extraordinárias e pediu a Barônio, que era confessor do Papa, que o acompanhasse nestes exercícios, para alcançar a luz do Divino Espírito Santo. Posteriormente, Henrique IV obteve a absolvição do Papa e foi solenemente recebido no seio da Igreja.
Fatigado e exausto de trabalhos e alquebrado pela idade, Filipe foi acometido de grave doença, tendo os médicos o examinado e saindo do quarto desanimados, ouviram o doente exclamar:

"Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem!".

Voltaram para ver o que tinha acontecido e encontraram o Santo elevado sobre o leito e, em êxtase exclamou:

"Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!".

Os médicos, respeitosos, indagaram ao doente o que sentia. Este, voltando a si e tomando a posição costumeira no leito, perguntou: “Não a vistes, a Santíssima Virgem, que me livrou das dores?”. De fato se levantou completamente curado e viveu mais um ano. Tendo predito a hora da morte, Filipe fechou os olhos para este mundo no dia 02 de maio de 1595.
Por seu temperamento sempre alegre, iluminado ainda mais pela graça divina e pelo amor de Deus que ardia em seu coração, São Felipe Néri é considerado o “Santo da Alegria”. Que maravilha, não é? Grande ensino para muita gente que pensa que ser santo é ser sério, carrancudo, macambúzio, pensativo ou quase depressivo... Tudo isso não tem nada a ver com santidade!
Ser santo é ser alegre: muito alegre! É ser feliz, plenamente feliz, mesmo estando no mais profundo sofrimento, cruz, tribulação ou provação. O santo põe em Deus toda a sua esperança, toda a sua confiança e Ele se entrega absolutamente, sem reservas... 

SANTA BIBIANA (ou Viviana), Virgem e Mártir


Na época em que Roma estava sob o poder o imperador Juliano, "o Apóstata", aconteceu um dos últimos surtos de perseguição fatal aos cristãos, entre 361 e 363. O tirano, que já tinha renegado seu batismo e abandonado a religião, passou a lutar pela extinção completa do cristianismo.

Começou substituindo todos os cristãos que ocupavam empregos civis por pagãos, tentando colocar os primeiros no esquecimento. Mas não parou por aí. Os mais populares e os mais perseverantes eram humilhados, torturados e, por fim, mortos.

No ano 363, a família de Bibiana foi executada na sua presença, porque não renunciou à fé cristã. Flaviano, seu pai, morreu com uma marca na testa que o identificava como escravo. Defrosa, sua mãe foi decapitada. Ela e a irmã Demétria, antes, foram levadas para a prisão.

A primeira a morrer foi Demétria, que perseverou na fé após severos suplícios na presença da irmã. Por último, foi o martírio de Bibiana, para a qual, conforme a antiga tradição, o governador local usou outra tática. Foi levada a um bordel de luxo para abandonar a religião ou ser prostituída. Mas os homens não conseguiam aproveitar-se de sua beleza, pois a um simples toque eram tomados por um surto de loucura. Bibiana, então, foi transferida para um asilo de loucos e lá ocorreu o inverso, os doentes eram curados.

Sem renegar Cristo, foi entregue aos carrascos para ser chicoteada até a morte e o corpo jogado aos cães selvagens. Outro prodígio aconteceu nesse instante, pois os cães não o tocaram. Ao contrário, mantiveram uma distância respeitosa do corpo da mártir. Os seus restos, então, foram recolhidos pelos demais cristãos e enterrados ao lado dos familiares, num túmulo construído no monte Esquilino, em Roma.

Finalmente, a perseguição sangrenta acabou. A história do seu martírio ganhou uma devoção dos fieis. Santa Bibiana passou a ser invocada contra os males de cabeça e as doenças mentais e a epilepsia. Seu túmulo tornou-se meta de peregrinação e o seu bonito nome escolhido na hora do batismo. Também a conhecida variação, não menos bela, de Viviana se tornou popular na cristandade.

A veneração era tão intensa que o papa Simplício mandou construir sob sua sepultura uma pequena igreja dedicada a ela, no ano 407. O culto ganhou um reforço maior ainda quando, por volta de 1625, foi erguida sob as ruínas da antiga igreja uma basílica. Nela, as relíquias de santa Bibiana se encontram guardadas debaixo do altar-mor.


Além de ser uma das padroeiras da belíssima cidade de Sevilha, na Espanha, santa Bibiana é, também, padroeira da diocese de Los Angeles, nos Estados Unidos. É celebrada no dia 2 de dezembro, considerado o de sua morte pela fé em Cristo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SANTOS JACINTA E FRANCISCO MARTO, Leigos, Irmãos e Videntes de Nossa Senhora de Fátima



Jacinta Marto
Jacinta de Jesus Marto (Fátima - Ourém, 11 de Março de 1910 — Lisboa, 20 de Fevereiro de 1920)  foi uma dos três pastorinhos que afirmaram ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917.
Filha mais nova de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos, Jacinta era uma criança típica do Portugal rural da época. Como de início não frequentava a escola, Jacinta trabalhava como pastora em conjunto com o seu irmão e a sua prima Lúcia.
Mais tarde, logo após as aparições e segundo as mesmas, por recomendação de Nossa Senhora, entrou na escola primária.
 De acordo com as memórias de Lúcia, Jacinta era uma criança afetiva e muito afável e emocionalmente frágil.
Na sequência das aparições, os dois irmãos foram influenciados porque terem visto o Inferno, durante a terceira aparição (Julho de 1917).




Foto dos pastorinhos após terem tido a visão do inferno.
Percebe-se claramente o semblante "carregado" das crianças. 


Muito tocada com a triste sorte dos pecadores, na sua simplicidade, decide responder ao apelo da Virgem Maria e fazer penitência e sacrifício pela conversão dos pecadores. As três crianças, mas particularmente Jacinta, praticavam mortificações e penitências.
É possível que prolongados jejuns a tenham enfraquecido ao ponto de ter sucumbido à epidemia do vírus influenza que varreu a Europa em 1918 e em consequência da Primeira Guerra Mundial.
 Jacinta, que sofria de pleurisia e não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi assistida em vários hospitais, acabando por sucumbir em 20 de Fevereiro de 1920, no Hospital D. Estefânia em Lisboa.
Jacinta foi beatificada, juntamente com o seu irmão, pelo Papa São João Paulo II no dia 13 de Maio de 2000; é a cristã mais nova não-mártir a ser beatificada. Sua solene canonização, também juntamente com o santo irmão, foi em Fátima, Portugal, pelo Papa Francisco, em 13 de maio de 2017 (ano centenário das aparições). 
 O seu dia festivo é 20 de Fevereiro; no dia 11 de Março de 2010 celebrou-se o centenário do nascimento de Santa Jacinta Marto, com a audiência do Santo Padre.



Aparições particulares a Jacinta

Jacinta vê o Santo Padre

Lúcia assim relata na sua Terceira Memória:
"Um dia, fomos passar as horas da sesta para junto do poço de meus pais. A Jacinta sentou-se nas lajes do poço; o Francisco, comigo, foi procurar o mel silvestre nas silvas dum silvado duma ribanceira que aí havia.
Passado um pouco de tempo, a Jacinta chama por mim:
 – Não viste o Santo Padre? – Não! – Não sei como foi! Eu vi o Santo Padre em uma casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar.
Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-Ihe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por Ele.
Em outra ocasião, fomos para a Lapa do Cabeço. Chegados aí, prostramo-nos por terra, a rezar as orações do Anjo.

Passado algum tempo, a Jacinta ergue-se e chama por mim:
 – Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer?
E o Santo Padre em uma Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com Ele”?



Visões da guerra

"Um dia fui a sua casa, para estar um pouco com ela. Encontrei-a sentada na cama, muito pensativa.
– Jacinta, que estás a pensar? –
Na guerra que há-de vir. Há-de morrer tanta gente! E vai quase toda para o inferno!
 Hão-de ser arrasadas muitas casas e mortos muitos Padres (tratava-se da Segunda Guerra Mundial). Olha: eu vou para o Céu. E tu, quando vires, de noite, essa luz que aquela Senhora disse que vem antes, foge para lá também!

– Não vês que para o Céu não se pode fugir?

 – É verdade! Não podes. Mas não tenhas medo! Eu, no Céu, hei-de pedir muito por ti, por o Santo Padre, por Portugal, para que a guerra não venha para cá, e por todos os Sacerdotes.

A pequena Jacinta chorando de saudades da Virgem Maria após
uma das aparições. Ela é consolada por parentes. 

Visitas de Nossa Senhora

 - A 23 de Dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram ao mesmo tempo. Indo visitá-los, Lúcia encontrou Jacinta no auge da alegria.
Na sua Primeira Memória, Lúcia conta:
"Um dia mandou-me chamar: que fosse junto dela depressa. Lá fui, correndo.
– Nossa Senhora veio-nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim.
 Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito; que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria e por amor de Jesus. Perguntei se tu ias comigo. Disse que não. Isto é o que me custa mais.
Disse que ia minha mãe levar-me e, depois, fico lá sozinha!
Em fins de Dezembro de 1919, de novo a Santíssima Virgem se dignou visitar a Jacinta, para Ihe anunciar novas cruzes e sacrifícios.
 Deu-me a notícia e dizia-me:
– Disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver, nem os meus pais; que, depois de sofrer muito, morro sozinha, mas que não tenha medo; que me vai lá Ela buscar para o Céu.
Durante a sua permanência de 18 dias no hospital em Lisboa, Jacinta foi favorecida com novas visitas de Nossa Senhora, que lhe anunciou o dia e a hora em que haveria de morrer.
Quatro dias antes de a levar para o Céu, a Santíssima Virgem tirou-lhe todas as dores.
Nas vésperas da sua morte, alguém lhe perguntou se queria ver a mãe, ao que ela respondeu:
- A minha família durará pouco tempo e em breve se encontrarão no Céu… Nossa Senhora aparecerá outra vez, mas não a mim, porque com certeza morro, como Ela me disse".


 Eventos históricos

Apresenta-se a seguir uma cronologia de alguns eventos históricos relacionados com a vida de Santa Jacinta Marto:
11 de Março de 1910 - Nasce em Aljustrel, Fátima.
23 de Dezembro de 1918 - Jacinta e Francisco adoecem, vítimas de pneumonia.
21 de Janeiro de 1920 - É levada para Lisboa, onde fica internada no Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na Rua da Estrela, nº 17. No dia 2 de Fevereiro de 1920 muda para o Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.
20 de Fevereiro de 1920 - Morre no Hospital de Dona Estefânia. É sepultada no cemitério de Vila Nova de Ourém, no jazigo da família do Barão de Alvaiázere.
12 de Setembro de 1935 - Os seus restos mortais são trasladados para o cemitério de Fátima, data em que a urna foi aberta e revelado o seu corpo incorrupto.
1 de Maio de 1951 - Os seus restos mortais são trasladados para a Basílica de Fátima onde é sepultada.
13 de Maio de 1989 - O Papa João Paulo II publica o decreto que proclama a heroicidade das virtudes dos videntes Francisco e Jacinta Marto.
13 de Maio de 2000 - Beatificação em Fátima dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto pelo Papa João Paulo II.
11 de Março de 2010 - Celebração do centenário do seu nascimento com a audiência do Papa Bento XVI.
12 e 13 de Maio de 2010 - O Papa Bento XVI, visita o Santuário de Fátima no 10º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco.
Francisco de Jesus Marto (Fátima, Ourém, 11 de Junho de 1908 — Fátima, Ourém, 4 de Abril de 1919) , conhecido mundialmente como São Francisco de Fátima e da Igreja Católica, foi um dos três pastorinhos que dizem ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, de 13 de Maio até 13 de Outubro de 1917.
13 de maio de 2017 - Solene canonização em Fátima, pelo Papa Francisco, juntamente com seu irmão, São Francisco Marto. 




       São Francisco Marto
Filho mais velho de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos, Francisco era uma criança típica do Portugal rural da época.
Como não era obrigatório, ele não frequentava a escola e trabalhava como pastor em conjunto com a sua irmã Jacinta e a sua prima Lúcia.
Como Nossa Senhora sugeriu numa das aparições, Francisco ingressou no ensino primário, mas acabou por deixar de assistir às aulas.
De acordo com as memórias de Lúcia, Francisco era um rapaz muito dado, mas calmo, e gostava de música, o qual mostrava habilidade no pífaro.
Sendo muito independente nas opiniões, no entanto era pacificador, e mostrava-se muito respeitoso pelas pessoas.
Conta a sua prima que até os animais não escapavam a sua caridade.
Na sequência das aparições, o comportamento dos dois irmãos alterou-se e desde então Francisco passou a preferir rezar sozinho.
Marcado pelas palavras de Nossa Senhora para "que não ofendam mais a Deus", ele retirava-se na solidão "para consolar Jesus pelos pecados do mundo".
As três crianças, particularmente o Francisco, tinham o costume de praticar mortificações, mas que Nossa Senhora numa das aparições pedira moderação.
Contudo, como penitência, Francisco deixara de ir à escola e escondia-se para reparar pelos pecadores.
É possível que prolongados jejuns o tenham enfraquecido a ponto de sucumbir à epidemia do vírus influenza que varreu a Europa em 1918, em consequência da Primeira Guerra Mundial.
Ele acabou por falecer em casa em 1919.
Francisco e a irmã Jacinta foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 13 de Maio de 2000.
Solenemente canonizado em 13 de maio de 2017, juntamente com Santa Jacinta, sua irmã. 
O seu dia festivo é 20 de Fevereiro.



São Francisco Marto: o consolador
de Jesus. 
Eventos históricos

Apresenta-se a seguir uma cronologia de alguns eventos históricos relacionados com São Francisco Marto:

11 de Junho de 1908 - Nasce em Aljustrel, Fátima.
23 de Dezembro de 1918 - Adoece, vítima de pneumónica.
4 de Abril de 1919 - Morre na casa da sua família, em Aljustrel. É sepultado no cemitério de Fátima.
13 de Março de 1952 - Os seus restos mortais são trasladados para a Basílica de Fátima. É sepultado junto de sua irmã Jacinta.
13 de Maio de 1989 - O Papa João Paulo II publica o decreto que proclama a heroicidade das virtudes dos videntes Francisco e Jacinta Marto.
13 de Maio de 2000 - João Paulo II visita Fátima pela última vez para a beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Aí se encontra pela última vez com a Irmã Lúcia. O Cardeal Ângelo Sodano, no final da solene Concelebração Eucarística, anuncia o Terceiro Segredo de Fátima.
19 de Fevereiro de 2006 - Os restos mortais de Lúcia são trasladados para a Basílica de Fátima onde é sepultada junto dos seus primos, Francisco e Jacinta.
12 e 13 de Maio de 2010 - O Papa Bento XVI, visita o Santuário de Fátima no 10º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco. Concede a 2ª Rosa de Ouro ao Santuário, colocando-a aos pés da imagem da Virgem na Capelinha das Aparições
13 de maio de 2017 - São Francisco Marto é solenemente canonizado em Fátima, Portugal, juntamente com sua irmã, Santa Jacinta Marto, pelo Papa Francisco. 



ORAÇÃO AOS SANTOS JACINTA E FRANCISCO DE FÁTIMA


Santa Jacinta e São Francisco, Pastorinhos de Fátima, queremos aprender convosco o caminho que nos leva a uma vida de verdadeira união com Jesus.
Ensina-nos Jacinta, a amar os outros com todo o nosso coração, a reconhecer neles o Amor de Deus e a dar a vida para que nenhum se perca.
Ensina-nos a desejar tão intensamente como tu a conversão dos pecadores, a começar por cada um de nós.
Ensina-nos, Francisco, o teu enorme amor, fiel e silencioso, por Jesus. Faz-nos desejar cada vez mais a sua companhia na oração e identificar-nos com a dor do seu Coração ferido pela ingratidão dos homens.
Pastorinhos de Fátima, pela vossa mão queremos entrar cada vez mais no coração de Maria, nosso refúgio, que nos há de conduzir até Deus.
Amém!


terça-feira, 25 de novembro de 2014

São Rafael de São José (Kalinowski), Presbítero da Ordem Carmelita Descalça (OCD)

          
São Rafael Kalinowski: apóstolo do confessionário. 
Dedicava várias horas do dia a administração do 
Sacramento da Reconciliação.Era muito procurado
 por penitentes e peregrinos, vindos de várias 
localidades da Polônia, mesmo as mais longínquas. 
  São Rafael de São José (Kalinowski), presbítero. Foi o segundo frade carmelita descalço canonizado já que o primeiro foi São João da Cruz. 

          São Rafael de São José, Kalinowski, nasceu em Vilna, na Polônia, no dia 01 de setembro de 1835 e foi batizado com o nome de José, na igreja paroquial de São João, fundada pelos Padres Jesuítas, hoje transformada em museu da Universidade. Filho do casal André Kalinowski e Josefina Polonska, ambos nascidos em famílias nobres. Fez em casa seus primeiros estudos. Aos oito anos começou a estudar no Instituto para os Nobres, em Vilna, onde seu pai era professor e diretor.

O jovem Kalinowski pensava em cursar estudos superiores. Nesta época a Polônia estava dividida entre três potências militares: Áustria católica, Prússia protestante e Rússia Ortodoxa. A cidade de Vilna e arredores estavam sob o domínio russo. As universidades polacas e lituanas tinham sido fechadas. Os jovens polacos e lituanos só podiam estudar nas universidades russas de Petersburgo, Moscou e Kiev. O pai propõe a José e a um irmão que frequentassem a Academia de Agronomia de Hory-Horki, uma cidade situada próxima a Orsza, na região de Mohylev, na Bielorússia.

José não se sentia nem um pouco atraído para a agricultura. Ao final de dois anos, em 1852, foi para Petersburgo para estudar na Escola Superior de Pontes e Estradas, mas não encontrou vaga. Então, por necessidade, matriculou-se na Escola Militar de Engenharia.

Tendo terminado com êxito os cursos básicos, em 1855, foi admitido à Academia Militar Superior. Seus dotes morais e sua inteligência atraíram a atenção dos professores. Assim, Kalinowski recebeu a função de Assistente de matemática e de mecânica.

Por ocasião da guerra da Criméia (1835-1856) foi enviado à Ilha de Kronstadt, na baía da Finlândia, para construir, junto a outros estudantes, trincheiras para a defesa da ilha contra as operações de guerra dos ingleses. Em julho de 1856, foi promovido a Subtenente e transferido para a seção prática da Academia. Em julho de 1857 foi promovido como Tenente Engenheiro e permaneceu na Academia como professor permanente, colocando-se assim, ao serviço do Corpo de Engenheiros da Academia.

A vida militar não o agradava, mas a Providência Divina o conduzia por este caminho. No futuro, a arte militar lhe seria útil para ajudar a pátria. Mas não queria permanecer muito tempo naquele ambiente no qual, segundo escreve em uma de suas cartas, "ao buscar o espírito, encontrava a matéria".

Em 1859 deixou a Academia e foi transferido para o Comando de Engenheiros de Petersburgo. Porém, aí também não ficou satisfeito. Por sua própria conta iniciou o trabalho de projeção da ferrovia estratégica de Kursk-Kiev-Odesa.

Em 1860 foram suspensos os trabalhos da ferrovia, e Kalinowski, em outubro deste mesmo ano, foi designado, a seu próprio pedido, para a fortaleza de Brest Litowski, com a função de engenheiro superintendente da manutenção e fortificação.

Brest Litowski é célebre por alguns importantes eventos históricos. Aí se ratificou, em 1596, a União da Igreja Oriental de Kiev com a Igreja Romana. Em 1918 foi assinado o tratado de paz entre os Bolcheviques de Lênin, Alemanha e Áustria, mais tarde anulado.

Além dos trabalhos na fortaleza, dos deslocamentos ao Estado Maior de Petersburgo, Kalinowski abriu em 1861, na cidade de Brest, uma casa para abrigar jovens abandonados e fundou uma escola gratuita para eles. Em abril de 1862 foi promovido a Capitão do Estado Maior do exército russo. Eram tempos difíceis, dado que a juventude polaca de Varsóvia estava preparando a insurreição armada contra a Rússia.  
São Rafael quando era capitão do exército russo. 

Kalinowski, que conhecia perfeitamente o poder militar russo, desaconselhava a insurreição; mas, ao ver que os jovens compatriotas não queriam aceitar raciocínios prudentes, pediu baixa do exército russo para não se ver obrigado a lutar contra seu próprio povo. Em janeiro de 1863 explodiu a revolta. Kalinowski, tendo recebido a aceitação de sua renúncia, deixou Brest Litowski e retornou a sua casa em Vilna. Dirigiu-se a Varsóvia para receber o último soldo, quando se encontrou casualmente com o coronel José Galezowski, que lhe pediu para assumir o cargo de Ministro da Guerra na Lituânia. Kalinowski aconselhou-se com seu diretor espiritual e com pessoas de sua confiança e aceitou o posto que lhe fora oferecido.

Assim ele justifica os motivos de sua decisão: "O que ouvira não me entusiasmava a participar na insurreição: mas deveria fechar os olhos aos que haviam provocado o incêndio, e voltá-los, antes de qualquer coisa, para os que se atiravam a esse fogo trepidante, e isto foi decisivo".

Nos primeiros dias de junho de 1863, Kalinowski regressava a Vilna. Sem que seus familiares o soubessem, estabeleceu o quartel general em sua própria casa. Contudo, era perseguido sempre mais intensamente por uma necessidade de vida espiritual num tempo tão perigoso. Em cumprimento de seu dever como Ministro da Guerra, ajudava às famílias dos combatentes, fazendo o possível para lhes poupar do pior.

Kalinowski retornou às praticas da vida sacramental, graças à uma de suas irmãs, Maria, que, ao lhe oferecer uma cruzinha de ouro destinada a um primo, Jaime Gieysztor, condenado à deportação na Sibéria, suplicou a José que se confessasse. José não pôde resistir a um convite tão amável e se confessou. Era o dia 15 de agosto de 1863. A partir deste dia começou a viver uma vida de intensa espiritualidade.

Enquanto isso, os chefes da insurreição na Polônia e Lituânia caíam nas mãos dos russo e eram condenados à morte ou deportados para a Sibéria. Em Vilna, durante os meses de fevereiro e março, Kalinowski ficou só. Mas também foi levado na madrugada de 24 para 25 de março de 1864. Foi processado e condenado ao fuzilamento. A intervenção da família e outros motivos, entre os quais se encontrava a grande estima moral de que ainda gozava entre os russos, induziram o governador de Vilna, Murawiew, a comutar-lhe a pena de morte. Foi mandado para o exílio e trabalhos forçados na Sibéria por dez anos.

Ao final de nove meses de caminhada num percurso de 8.000 km, os sobreviventes, entre os quais se encontrava Kalinowski, chegaram a Usolé, perto do lago de Bajkal. Usolé era uma aldeia construída às margens do rio Angara; os sobreviventes foram amontoados num único salão do quartel local. É impossível se ter uma mínima ideia dos sofrimentos enfrentados pelos deportados, expostos durante o inverno ao frio siberiano, que oscilava entre 30 e 45 graus abaixo de zero, às tempestades de neve e às enfermidades. Kalinowski a tudo suportou resignadamente, fortalecido pela oração e uma profunda vida interior. Também pôde consolar, ajudar e animar a seus desventurados companheiros. Por isso era muito querido. Tinham-no por santo. O padre Nowakowski, capuchinho e companheiro de exílio, testemunha que os prisioneiros chegavam a acrescentar às suas orações a seguinte invocação: "Pelas orações de José Kalinowski, liberta-nos, Senhor!"

Em agosto de 1868, o governo russo trocou a pena de trabalhos forçados para um simples desterro em Irkutsk, onde permaneceu até 1872, ano em que recebeu licença para estabelecer-se em Perm, próximo aos Montes Urais, de onde podia ir abraçar seus familiares durante as férias.

A repatriação definitiva ocorreu em 1874. Mas o decreto de anistia lhe proibia estabelecer-se na Lituânia. Foi então para a casa de seu irmão Gabriel, em Varsóvia, localizada à Rua Krakowskie Przedmiescie, próxima à igreja dos Carmelitas Descalços.

Na Sibéria, Kalinowski adquirira fama de excelente educador. Por influência de Alexandre Oskierka, um de seus amigos durante o exílio ofereceu-lhe o cargo de preceptor e educador do príncipe Augusto Czartoryski, que residia em Paris, no "Hotel Lambert". O príncipe Ladislau Czartoryski queria para seu filho não apenas um mestre, mas um guia, um amigo, alguém que representasse toda a cultura histórica e religiosa da Polônia e que estivesse em condições de formar o jovem, ligado, da parte de sua mãe Maria do Amparo, à família real espanhola, então no exílio.

O "Hotel Lambert" era uma residência para príncipes, localizada no centro de Paris, na ilha de Saint Louis. A mãe de Augusto morrera muito jovem e o príncipe Ladislau se casara com uma sobrinha do rei Luís Felipe, a princesa Margarida de Orleans, que era a "dona da casa" quando chegou Kalinowski.

Na residência parisiense do Hotel Lambert, Kalinowski logo descobriu a riqueza interior de Augusto, sua vocação sacerdotal. Durante três anos se dedicou a ele integralmente, com um carinho sempre crescente. Nas contínuas viagens que Augusto precisava fazer, à procura de locais de clima mais suave, devido à sua frágil saúde, Kalinowski sempre o acompanhava. Transformou-se assim em verdadeiro pai, amigo, mestre, companheiro, diretor espiritual e enfermeiro.

Kalinowski entendeu que Augusto precisava de um educador sacerdote, enquanto ia, ele mesmo, descobrindo sua vocação ao Carmelo. Augusto, efetivamente, tornou-se sacerdote salesiano e morreu em odor de santidade. Atualmente é Venerável Servo de Deus e só lhe falta um milagre para sua beatificação. No dia 5 de julho de 1877, Kalinowski deixou a família Czartoryski e se mudou para a Áustria.

Os Carmelitas Descalços fundaram o primeiro convento em Cracóvia no ano de 1605. Antes da divisão da Polônia contavam com 17 conventos e 291 religiosos, 7 mosteiros e 116 monjas. Depois da divisão, no transcurso de um século foram-se suprimindo todos os conventos de padres, exceto o de Czerna, e todos os mosteiros, entre os quais apenas um se salvou, o de Cracóvia, à Rua Kopernika. Neste mosteiro, em 1875, viviam 26 monjas, provindas dos vários mosteiros supressos. Neste mesmo ano a Madre Xaviera de Jesus Czartoryska fundou em Cracóvia o segundo mosteiro, à Rua Lobzowska, e com suas religiosas, tudo fez para restaurar o ramo masculino da Província. No entanto, o problema mais agudo de seu projeto era a falta de homens candidatos a tal empresa.

Eis que aparece no horizonte a figura de José Kalinowski. Madre Czartoryska viu nele o homem providencial e apto para uma obra grandiosa. Conhecia-o bem, pois sabia muito a seu respeito através de sua família em Paris, já que ela era tia de Augusto. Kalinowski não se sentia apto para empreender a restauração do Carmelo na Polônia, mas decidiu ingressar na Ordem para fazer penitência e orar por sua pátria e pela Igreja. A Providência Divina, sem dúvida, atuou de tal forma em sua vida religiosa e sacerdotal, que Kalinowski se tornou o verdadeiro restaurador da província polaca.

No dia 26 de novembro de 1877, Kalinowski ingressou no noviciado da Ordem dos Carmelitas Descalços, em Graz, na Áustria, recebendo o hábito carmelitano e adotando o nome de Frei Rafael de São José. O Mestre de noviços foi muito exigente, mas Kalinowski, acostumado à vida dura da Sibéria, suportou todo o rigor da vida religiosa.

Concluído um noviciado exemplar, emitiu seus votos temporários e foi enviado a Raab (Gyor), na Hungria, para iniciar seus estudos de filosofia e teologia. Aí emitiu seus votos solenes no dia 27 de novembro de 1881. Foi mandado para Czerna, onde foi ordenado sacerdote no dia 1882, pelo bispo Dom Albino Dunajewski, futuro cardeal e amigo do Frei Rafael. Após sua ordenação, foi nomeado Vice Mestre dos noviços, e já em 1883, era Prior.


São Rafael Kalinowski era diretor espiritual e grande amigo de Santo Alberto
Chmielowski, franciscano secular, famoso por suas obras de caridade para
com os pobres.


Frei Rafael se propôs a trabalhar pela restauração da vida religiosa em Czerna através de novas fundações, de Monjas, em Premislia (1884), Leópolis (1888) e dos Padres em Wadowice (1892) e Cracóvia (1906).

Em 1892 foi com alguns padres para Wadowice como superior da nova fundação. Rapidamente construíram uma bela igreja e um grande convento sob a proteção de São José. As vocações começaram a surgir.


Uma das raríssimas foto de São Rafael.
Mostra o santo confessando.


Em Wadowice, Frei Rafael "viveu os anos mais belos de sua vida, dedicado à direção dos trabalhos, sobretudo à educação dos jovens candidatos à vida religiosa, à direção espiritual de numerosíssimas almas que procuravam sua direção espiritual (seu confessionário em Wadowice, como em Czerna, era assediado até as primeiras horas da madrugada).". Organizou a Ordem Carmelita Secular e a Irmandade do Escapulário. Em meio a esta intensa atividade apostólica encontrou tempo para investigações históricas e teológicas com as quais pudesse reforçar as bases históricas e teológicas da restauração da Ordem e a renovação espiritual do Povo de Deus.

São Rafael tinha um grande sonho: morrer no dia 02 de novembro, dia de Finados, por causa de sua devoção às almas do Purgatório. Isso não ocorreu. Em compensação, morreu em Wadowice, no dia 15 de novembro de 1907, exatamente no dia da comemoração de todos os fiéis falecidos do Carmelo. Todos estavam convencidos de que morrera um santo. Dele alguém disse: "tinha todas as virtudes dos anjos e nenhum defeito dos humanos". Esta fama de santidade se espalhou imediatamente, conforme afirmou uma testemunha ocular, frei Bronislau da Santíssima Trindade, Carmelita Descalço:

"Os habitantes da cidadezinha de Wadowice e das aldeias circunvizinhas visitaram espontaneamente e em grande número os despojos mortais; rezavam, tocavam o corpo do Servo de Deus com pequenas imagens, devocionários e rosários. [...] Os religiosos, de sua parte, pegavam às escondidas da cela do Servo de Deus pequenos objetos, como relíquias de quem morrera em odor de santidade. Eu mesmo peguei uma espécie de venda, que havia usado durante sua enfermidade. Dela emanava um estranho aroma balsâmico. Não querendo acreditar neste aroma, pensei que ele talvez usasse alguma pomada perfumada quando o vendavam. Fui ao coro monástico, onde o Servo de Deus celebrava a Missa, depois de sua primeira enfermidade; ali encontrei o amito, o corporal e o sanguíneo que ele usava para celebrar a Santa Missa, e percebi uma coisa estranha. O mesmo idêntico aroma balsâmico emanava dos panos sagrados, do cálice e do amito, como eu percebera na venda. Muito respeitosamente, fiz um pacote com estes objetos e o entreguei às Monjas Carmelitas da Rua Wesola, em Cracóvia, para que o conservassem".

São Rafael era um homem de profunda 
vida interior e oração. Muitos o chamavam 
com o apelido de "oração vivente".
 Era devotíssimo da Virgem Maria. 

Foi sobretudo um homem de Deus, solícito em estar em contínua comunhão com Ele. Seus contemporâneos são unânimes em definí-lo como "oração vivente". Continuamente recordava a seus religiosos: "Nosso principal afazer no Carmelo é o conversar com Deus em todas as nossas ações". A oração, alimentada e sustentada pela austeridade, pelo silêncio e pelo recolhimento, foram o cimento de toda sua vida espiritual. Procurava viver em profunda intimidade com a Virgem Maria e isto recomendava a seus frades e monjas. Venerava-a e a amava como "Mãe e Fundadora" da Ordem, empenhando-se em tê-la sempre presente no espírito e se esforçava para trabalhar por sua glória. Dizia: “Para os religiosos e monjas carmelitas, o ato de honrar a Virgem Santíssima é de capital importância. Nós a amamos verdadeiramente quando nos esforçamos em imitar suas virtudes, especialmente sua humildade e seu recolhimento na oração... Nosso olhar deve estar constantemente fixado nela, e a ela devem se orientar todos os nossos afetos, conservando sempre a lembrança de seus benefícios e esforçando-nos em lhe ser sempre fiéis". Escreveu vários livros sobre Maria e outros temas carmelitanos. Foi confessor famoso. Para este apostolado escolheu o lema de São Paulo: "Caridade, alegria e paz" (Gl 5,22).


São Rafael oferecia a Deus os méritos de todas as suas 
orações e ações pela reconciliação e união entre as Igrejas 
Católica Romana e Ortodoxa Russa. 


O beato João Paulo II (em breve também santo) o beatificou na Polônia, no dia 22 de junho de 1983. Foi canonizado no dia 17 de novembro de 1991 pelo mesmo papa. Vale lembrar que em Wadowice, cidade onde faleceu São Rafael de São José, nasceu, em 1920, o beato João Paulo II que, pelo afeto que nutria pelos Carmelitas e por sua veneração aos restos de São Rafael Kalinowski, por duas vezes tentou ser religioso carmelita.

São Rafael de São José, rogai por nós! 

(Fonte para consulta: site do Carmelo Nossa Senhora Aparecida)