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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Servo de Deus Antoninho da Rocha Marmo, Leigo e Adolescente. Conhecido pelo povo como "Santo Antoninho"




No fim da Grande Guerra e em plena "gripe espanhola", nascia, nesta Capital, uma criança privilegiada: com seis meses de idade apenas, já acenava para entrar nas igrejas por onde passava; predisse a solução da velha pendencia entre o Vaticano e o Quirinal; seu passatempo predileto era "celebrar missas", no quintal, num altarzinho portátil. Atacado de agressiva tuberculose, sucumbiu aos 12 anos. Sempre protegeu os pobres e os humildes. Conformou-se estoicamente com a breve morte irremediável.
São Paulo possui também o seu "santinho". Um "santinho" que caiu do céu e veio satisfazer a alma popular, que, há muito, não via santos sobre a terra...
É bem comovedora e merece, por isso mesmo, maior divulgação a encantadora historia diferente dessa criança predestinada que foi Antônio da Rocha Marmo, consagrado pela devoção do povo como o "santo Antoninho".
Esse suave e exemplar menino paulista, que sobrevoou a terra, durante apenas 12 anos, arrebatado, na flor da idade, por insidiosa enfermidade, trouxe consigo, desde o berço, a aureola da santidade e da espiritual beleza.
Era um pequenino com qualquer coisa de sobrenatural. Uma criaturinha com algo de extraordinário. Foi portador de doce mensagem divina endereçada aos homens esfaimados e egoístas da geração que passa. Veio com uma missão de Deus perante esta humanidade trágica que se suicida na guerra e tinge as mãos de sangue na cobiça insaciável das coisas materiais. Mas não teve tempo de realizar a sua missão celestial, porque os outros anjos seus irmãos vieram buscá-lo, com medo de que ele, tão pequenino e tão puro, se contaminasse com as peçonhas da terra.
Seu lugar era no céu. E para lá retornou. E lá se encontra na mansão dos justos, gozando as primícias da presença de Deus, enquanto o halo da sua glorificação ainda inebria a pobre humanidade sofredora, que busca lenitivo, alongando os olhos para os céus, numa prece angustiada, bradando por um bocadinho de felicidade...


O NASCIMENTO
Foram seus virtuosos progenitores Pamphilo Marmo e D. Maria Isabel da Rocha Marmo. Desse consórcio feliz e abençoado vieram ao mundo Maria da Penha, Nair, Ciro, Antônio e Wanda.
Antes de vir ao mundo o nosso menino, apareceu em casa de seus pais, sem que ninguém o chamasse, um clínico de alto renome, porém desconhecido da família, oferecendo seus valiosos préstimos em ocasião tão oportuna quão necessária.
Assim veio ele a luz numa época em que a dor e a tristeza cobriam de luto inúmeros lares. Seus pais, tomados de justa apreensão pela constituição física e, tendo no seio da família um de seus membros gravemente enfermo, contaminado pela gripe pneumônica, viram, por favor celeste, o seu restabelecimento e os demais, incólumes da terrível epidemia.
Grande fora a angústia de todos, pois o doente já havia sido desenganado pelos médicos e assim esperava-se um fatal desenlace. Entre os amigos do enfermo, correra por equívoco, a notícia do seu falecimento e muitos se apressaram por isso a enviar a família telegramas de condolências e até coroas.
Gozando depois de invejável saúde, recordou daqueles dias apreensivos e também das palavras de incitamento à gratidão para com Deus, proferidas mais tarde por Antoninho, que assim queria explicar-lhe ter ele sido naquela ocasião favorecido pelos céus.

O BATISMO
Levando a “renascer de novo” pelas águas lustrais e divinas do Santo Batismo, seus pais mostravam-se conhecedores de que a vida natura é uma existência envenenada na sua fonte, marcada pelo pecado original, em si estéril para o céu.
Antoninho ia pois renascer, recebendo uma vida superior, que sem destruir a vida natural no que possui de bom, iria ultrapassá-la, elevá-la, edificá-la.
Pela vez primeira saiu Antoninho do berço para o templo de Deus, a fim de receber a água que regenera a alma pela virtude do Espírito Santo. Acompanhado de seus padrinhos Dr. Oscar Tollens e D. Augustinha Tollens, pais, irmão e pessoas amigas, foi conduzido à Matriz de Santo Antonio do Pary, seu patrono, sendo-lhe administrado o Santo Batismo, e recebendo, então, o nome de Antonio: grande taumaturgo da Igreja de quem mais tarde deveria imitar as heroicas virtudes, consagrando-lhe sincera a acendrada devoção.
Este foi o primeiro passo para a sua santidade, que deveria culminar aos 12 anos apenas, correndo assim como gigante no caminho da perfeição. Da pia batismal saiu ele purificado do pecado, regenerado pela água fecundada pelo Espírito Santo, com a alma ornada pela graça: “Morrer para o pecado e viver em Jesus Cristo”.
Foi justamente esse o lema do nosso santo menino: abominando terminantemente o pecado, sentiu no âmago de sua alma toda a ofensa a Deus, o que deparamos a cada passo em sua vida, não só pelo exemplo, que a todos edificava, como pelas palavras que proferia: aconselhando, excitando em todos repulsão mortal ao pecado. Comprazia-se ele ao contrário, por tudo quanto se referisse à virtude e concitava todos a que possuíssem a alma branca como que repetindo as palavras do Apóstolo: Todos vós que fostes batizados em Cristo, estais revestidos de Cristo.
Lançada a base do edifício espiritual, Antoninho cercado de todos os desvelos e carinhos, não só por parte de seus virtuosos pais, como também pelos devotados irmãos e parentes. Segundo os insondáveis desígnios do senhor, começou ele sua vida para o céu, dando-nos exemplos de acrisoladas virtudes, glorificando a Deus nosso senhor pela graça que já se operava em seu coração, provando o quanto pode o amor de Deus na alma de seus eleitos.
Assim, passaram-se os primeiros meses de sua vida amparado sempre pelos desvelos maternos.
Notando em Antoninho qualquer coisa de atraente o sobrenatural, o que se justificava pela afeição singular que todos lhe tributavam, parentes e amigos, seu pai começou a chamá-lo de “santo filhinho” deixando de fazê-lo, instintivamente, logo após a manifestação da moléstia que o deveria arrebatar.

OS PRIMEIRO PASSOS
Fora ele entregue aos cuidados de uma ama, que o levava a passear assiduamente, aproveitando o ar puro da manha, tão necessário à sua constituição franzina.
Quando sucedia passarem por uma igreja, o pequerrucho não se continha nos braços da ama: olhava firme para o templo e, gesticulando os bracinhos, forçava-a entrar.
Já no interior, compenetrava-se: olhos fitos no tabernáculo, realizando-se então, em sua alma, qualquer coisa de extraordinário: transfigurava-se, ele, que ainda não sabia pronunciar uma palavra sequer.
Sabemos, que nem todos os templos possuem a capela do SS. Sacramento conservando-se as espécies sagradas no Altar Mor. Quando, porém, Antoninho entrava numa igreja enriquecida com a capela do Santíssimo, sabia perfeitamente, apenas com seis meses de idade, procurar o seu Jesus! A ama, julgando distraí-lo, mostrava-lhe as imagens dos altares. Contudo, via-se obrigado a aproximar-se da capela do Santíssimo Sacramento, levada pelos anseios do menino, que enlevado, olhando para o tabernáculo numa alegria encantadora, parecia um serafim a receber os eflúvios e as carícias de Jesus, todo seu amor!
Em suas visitas ao convento da luz e igreja de Maria Auxiliadora, por ocasião da Benção do Santíssimo, assistia compenetrado à cerimônia e levantando também a mãozinha abençoava os assistentes, o que chamava a atenção dos circunstantes.
Seus pais, que de há muito notavam algo de estranho no pequeno, sentiam uma profunda tristeza, levados pela impressão de que ele não seria por muito tempo deste mundo: lírio de puríssima alvura, não poderia vicejar no paul impuro da terra. Antoninho era uma criança dotada de grande acuidade. Possuía feliz inteligência, memória extraordinária e um forte poder de observação aliado à lógica, que chamava a atenção. No dia de seu primeiro aniversário natalício, seus pais entronizaram solenemente e com grande júbilo de todos, a imagem do Sagrado Coração de Jesus, afim de que reinando no lar, velasse pela família que se fazia sua humilde serva.
O menino, grandemente estimado pela vizinhança, foi com o decorrer dos anos, conquistando com o coração de todos pela candura e afabilidade do seu trato. Em casa, era ele quem recebia as visitas e o fazia de tal modo e com tanta simplicidade, educação e respeito, que não parecia uma criança. Palestrando, era loquaz, não se lhe notando a menor leviandade, mas, ao contrário, observava-se em todos os seus atos muita seriedade, aliada à jovialidade tão natural quão sincera, o que cativava a todos, indistintamente.


PROMESSA CUMPRIDA
Antoninho da Rocha Marmo era um crente. Fazia promessas e sabia cumpri-las. Certa vez, chegando o padeiro, Antoninho recebeu-o como de costume. Gostava muito de conversar e ensinar aos humildes os princípios da fé. O padeiro era um de seus ouvintes cotidianos e que muito o estimava. Quando ele vinha, Antoninho subia na boleia da carrocinha e ficava ali, até que ele voltasse para depois darem um pequeno passeio pelas proximidades. Numa dessas ocasiões, ia acontecer um grave desastre.
Não se sabe como, provavelmente só saberemos quando subirmos e pudermos conversar com o nosso pequeno, mas o fato é que, o cavalo se espanta, não sabemos com o que, e sai em desabalada carreira pela ladeira abaixo. O padeiro não conseguiria de jeito nenhum alcançar a carroça, a carroça que rodava sempre com o nosso pequeno Antoninho.
De súbito, como que por encanto o animal estaca imediatamente, sob os olhares atônitos de todos que já contavam com uma inevitável desgraça.
Em agradecimento a Deus pelo claro milagre que se realizara, Antoninho prometerá à Santa Cruz ascender 22 velas pela graça alcançada. Mal sabiam todos que esse número devia assinalar o dia de seu sepultamento!
Esse fato deu-se em Santana, sendo a Santa Cruz local a receptora dessa homenagem.


A PRIMEIRA MISSA
Por ocasião da primeira missa de um neossacerdote, a família de Antoninho da Rocha Marmo fora convidada para assisti-la, pois o novo levita, quando menino, recebera do pai de Antoninho palavras de estímulo à sua incipiente vocação. No dia solene da Missa, Antoninho madrugou, acordando toda a família. Sua mãe fez-lhe ver que era muito cedo ainda. Ele não se deu por vencido, só ficando satisfeito quando todos se puseram de pé para irem à matriz de Sant’Ana. Uma vez no templo, esperou pela hora solene.
Terminada a Missa, sentou-se o novo levita para a cerimônia do beija-mão. Recorda-se ainda ele, que a todos relata comovido, o seguinte fato: Antoninho de joelhos, tomou-lhe as mãos, beijando-as e não satisfeito ainda, atira-se ao colo abraçando-o demoradamente, sendo preciso que sua mãe lhe advertisse, dizendo:
– Você assim amarrota os paramentos do Padre...
O sacerdote acrescenta que sentiu nessa ocasião, qualquer coisa inexplicável, a ponto de chegar a chorar. Esse fato que acabou comovendo a todos, é comentado até os dias atuais. O maior desejo de Antoninho era ser padre, para viver, como ele dizia, ao lado de Jesus e na maior intimidade. Queria trabalhar na seara do Senhor, cheio de fé, leal e desassombradamente. Perguntaram-lhe certa vez em que ordem religiosa queria professar. Ele levado pelo zelo na salvação das almas, respondeu que desejava pertencer ao clero secular, porque os sacerdotes, no seio do povo, possuem campo vastíssimo para um maior apostolado.
O sofrimento indispensável que sempre os acompanha nas lutas do ministério, era ardentemente desejado por Antoninho.
Desse-lhe um dia uma pessoa da sua família:
– Antoninho, se você for vigário terá que ir para longe de nós.
Ele prontamente respondeu :
– Não faz mal, nesse caso irão todos comigo.


AMIGO DO SANTO PADRE
Antoninho da Rocha Marmo tinha uma devoção particular pelo sumo Pontífice. Era de se estranhar que uma criança pudesse compreender a sublime e alcançadora significação sintetizada no solene : UBI PETRUS IBI ECCLESIA !
Ao Papa, dedicava ele também um grande afeto que se traduzia sempre numa alegria espontânea, toda vez que ouvia a prolação do seu nome. Ao se referirem ao Pontífice da época, Pio XI, gloriosamente reinante, Antoninho da Rocha Marmo como que transfigurava. Lia-se-lhe no olhar qualquer coisa que demonstrava seu grande interesse e depois num sorriso próprio das almas eleitas, repetia com unção: o Papa! Sabia ele ser o Papa o fundamento de um edifício moral: a Igreja; o Pastor que apascenta a Igreja do Senhor; o Piloto incumbido de dirigir a Barca de S. Pedro no oceano proceloso da vida! É o nosso Pai, dizia! Entusiasmava-se em suas práticas às crianças, que comumente reunia em sua casa para lhes ensinar o catecismo. Discorria sobre a igreja de Cristo e seu Pastor, o Papa! Repetia com ênfase ao seu auditório: “E JESUS falou a São Pedro e a ele só : Eu te darei as chaves do reino dos céus e tudo quanto ligares na terra, será ligado nos céus e tudo quanto desligares na terra, será desligado nos céus: Assim a Igreja com o Papa nos ensinam a verdade que devemos professar”.
O Papa é guiado e assistido pelo Divino Espírito Santo! E o nosso pregador arrebatava-se em frases concisas, repassadas de ternura, revelando-se um amigo sincero e leal, transformando-se num admirador do Santo Padre, pelos sentimentos filiais que a miúde externava.
Certa vez manifestara-se sobre a questão romana, solucionada definitivamente a 11 de fevereiro de 1929! Havia já 58 anos que o chefe da Cristandade se condenara voluntariamente prisioneiro no Vaticano, como protesto ao esbulho de que fora vítima o Pontificado Romano. Até então, nenhuma voz se levantara em favor da Sé Apostólica, humilhada pelas forças garibaldinas. O ambiente social e político e o cuidado dos Pontífices Romanos em salvaguardar o secular prestígio da Igreja faziam prever que a situação não se modificaria tão cedo. Toda a hipótese de se encontrar um MODUS VIVENDI que viesse preservar o direito da Santa Sé e os interesses da Itália, era afastada como ilógica e irrealizável! A injustiça levada a efeito pelo governo italiano que se instalara em Roma a 2 de julho de 1871, não só clamava aos céus, como era um axioma que transformara a vitória garibaldina numa mancha indelével.
Mussolini, sentindo pesar sobre sua pátria essa mácula como sinal de maldição e, levado pelos mais nobres sentimentos de pundonor racial e de justiça, envidava todos os esforços para ver resolvida decisivamente a magna pendência. Antoninho, que frequentava a Santa Casa de Misericórdia, não só pela amizade que tributava às religiosas da benemérita Congregação de São José, como para sujeitar-se a sérios tratamentos clínicos, ouvira certa vez a Irmã Maria Vicentina que, conversando com sua mãe sobre o Papa, recordava a sua longa e injusta prisão. Antoninho, que acompanhava atento toda a conversa, não se contendo, disse a Irmã “Mas isso não pode continuar assim. A senhora verá que logo o Papa não será mais prisioneiro. Que não se afligisse, por quanto o Papa seria solto”.
A religiosa voltando-se para o menino sorriu ao ver seu entusiasmo e interesse por uma questão que sua inteligência não poderia ainda alcançar e acrescentou: “Reze, Antoninho, reze muito, pelo Papa!” Essa passagem deu-se no ano de 1924, tendo Antoninho 06 anos de idade, e, todavia, não se debatia ainda a Questão Romana.
A 11 de fevereiro de 1929, dias depois da estada de Antoninho da Rocha Marmo no hospital de S. José dos Campos, os jornais publicavam ter sido resolvida, definitivamente, a tão delicada questão, que desafiara as inteligências dos estadistas mais notáveis. Operara-se o portento, extasiando o mundo inteiro e enchendo de alegria o coração da Cristandade. A fórmula encontrada por Mussolini e pelo virtuoso quão sábio Cardeal Pedro Gasparri, Secretário de Estado do Vaticano, de saudosa memória, vinha elevar, ainda mais, a Igreja de Deus, no esplendor de sua justa glória, por esse belo triunfo! Antoninho participou das alegrias da família e embora não soubesse ler, recortou de um jornal a sensacional notícia, enviando-a a religiosa para comprovar suas previsões.
Respeitava profundamente os bispos e sacerdotes. Ao ver um padre alegrava-se e, em seguida, pedia-lhe a benção, o que fazia com veneração edificante! Conversava com os padres na maior intimidade atendendo-os em todos os seus conselhos. Os sacerdotes que tiveram a felicidade de conhecê-lo, guardam ainda no espírito a impressão profunda daquela criança que já sabia discorrer sobre assuntos religiosos com tanta proficiência!
Antoninho da Rocha Marmo, magoava-se quando alguém, imprudentemente, procurava ferir a reputação dos sacerdotes. Defendia-os então, com todo o ardor de sua alma infantil. Certa vez, queixara-se amargamente à sua mãe, de pessoas sem escrúpulos que visaram, com palavras desrespeitosas, a reputação de um Vigário. Antoninho, apenas viu o padre em questão, disse-lhe que em breve seria removido pelo Ordinário e convidou-o a ir à sua casa. Pela conversa, o pároco compreendeu logo que estava diante de uma criança invulgar e deixou, com isso, muito comovido, a casa de Antoninho. Passados alguns dias, realizava-se o prognóstico: o senhor Bispo Diocesano, removia o dito padre.

AMIGO E PROTETOR DOS HUMILDES
O garoto tinha, na verdade, coisas excepcionais, próprias de gente grande. Antoninho era um menino diferente dos outros. Um menino prodígio.
Doente gravemente, viu-se obrigado a procurar o clima ameno de S. José dos Campos e de Campos de Jordão, a fim de tentar a cura de uma tuberculose que se apossara valentemente do seu débil corpo. Enfraquecera-se, a principio, sob violenta erupção de sarampo. Depois veio aquela enfermidade insidiosa, para que se tornaram vãos todos os apelos à medicina. Ele mesmo previra que os maiores esforços resultariam inúteis.
Mesmo atormentado pelos dolorosos sofrimentos, jamais esquecia os humildes. Um dia, em Campos de Jordão, soube que fora detido um pobre homem, surpreendido com o porte irregular de um revolver, achado no mato. Antoninho interessou-se pelo caso. Demandou à Delegacia, a fim de falar ao Delegado que era, então, o Dr. Caio Machado Leite Sampaio. Não o encontrou. Falou ao carcereiro. Pediu-lhe que transmitisse por favor à autoridade a sua solicitação: "Diga ao delegado assim que chegar que Antoninho quer a liberdade do preso". E como lembrete desenhou uma caricatura qualquer sobre a escrivaninha do delegado.
"Faço esta careta no caso do senhor esquecer-se de transmitir meu recado. O delegado, vendo-a, ha de perguntar quem a fez. O senhor dirá então que fui eu e fará o meu pedido".
E assim aconteceu. A autoridade ali chegando achou estranho o desenho. Interpelou o carcereiro, que lhe contou tudo. O Dr. Caio Machado, com aquela bondade que lhe é peculiar, foi em pessoa à procura de Antoninho, que lhe contou do interesse em favor do seu "constituinte". O delegado, que não o conhecia, achou curioso os modos do garoto. E declarou-lhe que mandaria por em liberdade o detido. Assim o fez, porém, por medida de precaução, despachou-o para Pindamonhangaba.
O homem, profundamente reconhecido ao gesto de Antoninho, regressou a Campos, em áspera travessia a pé, a fim de agradecer-lhe pessoalmente, trazendo de presente uma cabra e dois cabritinhos. O garoto enternecido com a atitude do pobre camponês, fez-lhe ver que a Deus devia agradecer e não a ele, e negou-se a receber o presente, aconselhando-o a vendê-lo, pois era pobre e necessitava de dinheiro.

PREVISÃO
Enfermara a superiora da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Como se agravasse o seu estado, a avó e a mãe de Antoninho resolveram levar-lhe seu preito de sincera amizade, e para lá se dirigiram em companhia do nosso menino que nessa época estava com cinco anos de idade. Ao entrarem no portão da Santa Casa, a mãe de Antoninho considerou “quem será a nova Superiora quando deixar de existir Madre Águeda!” Antoninho apresentou-se, dizendo “É aquela que vai do lado direito”. Referindo-se a uma das duas religiosas que naquele momento tomavam a entrada principal do Hospital.
Sua mãe, muito admirada, perguntou-lhe: “Como é que você pode saber e ainda mais se aquelas duas irmãs estão de costas”?
Por curiosidade, resolveram então alcança-las. Antoninho que correra adiante tocou com a mão na que lhe parecia, e disse : “É esta”.
A religiosa voltou-se e reconhecendo as recém-chegadas, cumprimentou-as.
A mãe de Antoninho disse-lhe: esta é Mère Eugenie e já é superiora do Hospital de Taubaté, e depois se voltando para a religiosa pormenorizou aquele breve incidente. A irmã, a quem Antoninho via pela primeira vez, sorriu dizendo: “Eu estou chegando agora, em visita a Superiora doente”, e discretamente despediu-se. Baldados foram os esforços dos dedicados clínicos da Santa Casa.
A Superiora, com grande pesar de todos, veio a falecer. A dor cobriu de luto a benemérita Congregação de S. José e a Santa Casa, que a 26 de agosto de 1923 perdia uma de suas mais dedicadas auxiliares que, na direção do nosso maior hospital, prestara trabalhos de longos anos. A família de Antoninho sentiu muito a falta da boa religiosa.
Cada vez que nisso se falava, Antoninho insistia dizendo que a irmã que ele vira no jardim seria a nova superiora. Passaram-se alguns dias, sendo escolhida a nova superiora. A mãe de Antoninho, chamando-o, perguntou-lhe:
“Quem é a nova Superiora!”
– “Ora, mamãe, e Mère Eugenie!”
Todos ficaram surpresos por se realizar o fato conforme a previsão do menino.
Sobre a nova superiora, Antoninho fez algumas revelações que infelizmente deixaremos de reproduzir em respeito ao mesmo que não gostava de se gabar, não gostava de se mostrar. Deixamos esses comentários, para que o nosso menino nós conte quando estivermos UNIDOS NO CÉU!

O PÁSSARO
Há muito tempo escuto uma história, que não sai de minha cabeça, nela Antoninho já era conformado com a própria morte. Depois acabei sabendo que isso já chegou a ser passado na Rede Globo, em um programa que passava há muitos anos atrás sempre no período da manha, era um programa que mostrava fatos reais. Bem, voltando ao assunto.
Minha avó Leonor, sempre me dizia o seguinte:
Antoninho já muito doente (com a tuberculose) em mais uma de suas tentativas de consolar sua mãe (desesperada) perguntou se o passarinho que cantava em uma árvore próximo deles, viesse e pousasse em seu dedo, se ela assim acreditaria que sua morte era realmente vontade de Deus. Sua mãe deu um sorriso e diante dos fatos, acabou afirmando. Antoninho então levantou o dedo e o passarinho mais que certeiramente, veio em sua direção e acabou pousando em seu dedo.
Outra Versão:
Alguns dizem outra coisa, dizem que na verdade ele teria pegado ração de pássaro, colocado em uma das mãos, e deixando a outra vazia. E perguntado a sua mãe, se ela acreditaria que seria vontade de Deus que ele morresse, se o pássaro pousasse na mão vazia, sua mãe teria sorrido, e dito “Oh Antoninho, ela vai pousar na mão em que tem a ração”. Antoninho levantou as duas mãos, e o pássaro parou em cima da mão vazia.

CONFORMADO COM A MORTE PRÓXIMA
Antoninho piorava cada dia mais nos últimos meses da sua rápida vida. Conhecia perfeitamente o precário estado de sua saúde e mostrava-se conformado com a vontade de Deus.
Uma tarde, vendo a pobre mãe tristonha por causa da sua moléstia, interpelou-a assim:
- Por que está tão triste, mamãe?
- Por nada, meu filho. Eu nunca estou triste ao seu lado.
- Mamãe, precisa fazer a vontade de Nosso Senhor! Nosso Senhor precisa de mim!
E após uma pausa:
- A senhora está vendo aquele pintassilgo naquela arvore? Se eu fizer com que ele venha pousar no meu dedo e cantar, a senhora acredita que é por vontade de Nosso Senhor?
- Acredito, sim, meu filho!
- Então veja! Pintassilgo, passarinho querido, em nome de Deus Nosso Senhor, vem pousar aqui no meu dedo e canta!
Realmente, o lindo passarinho veio obediente ter sobre a mão de Antoninho, e cantou um canto mavioso e doce.
- Então, mamãe, ouviu o canto da vontade de Nosso Senhor?
- Sim, meu filho, ouvi e acredito!
- Vai, vai, meu amiguinho, para a tua arvore e lá continua a cantar!
E assim aconteceu. A avezinha voou e foi cantar na arvore donde descera.
Voltaram mãe e filho para casa. Horas depois, o interpelava:
- Está ainda pensando no passarinho, mamãe?
- Sim, é verdade, meu filho...
Dias após, perguntava Antoninho à sua progenitora:
- Minha mãe, que frade foi esse que esteve aqui conversando comigo?
- Frade, meu filho? Eu não vi nenhum frade ao seu lado. Você, com certeza, teve algum sonho...
- Bem, mamãe, não se fala mais nisso...
Logo mais bateram à porta. Era o carteiro. Trazia um envelope. Abriram. Dentro, o retrato de um frade. Antoninho o reconheceu:
- Este retrato, minha mãe, é de Frei Fabiano de Cristo, que, ainda há pouco, esteve palestrando comigo.
Não era possível aquilo senão por milagre: Frei Fabiano de Cristo falecera já há muitos anos. Aquela fotografia fora enviada por uma irmã do garoto prodigioso.

A MORTE DE UM JUSTO
Antoninho marchava, cada dia, para a morte certa. Ele o sabia perfeitamente. E era um conformado com a dura realidade. Era a vontade de Deus. Deus o queria. Que se fizesse, então, a vontade de Deus.
A 19 de dezembro, dois dias antes, ainda armou, com as próprias mãos, num grande esforço, o seu tradicional presépio de Natal!
Dali foi carregado pela mãe desvelada, causando tamanho trabalho, até o leito, donde não mais se levantaria.
Na manhã do dia 20, foi visitá-lo a Superiora da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, acompanhada de outras freiras. Aquela visita foi excepcional motivo de alegria para o doente.
Ali compareceu depois frei Ângelo de Rezende, que lhe ministrou os últimos sacramentos, em altar previamente armado e ornamentado pelo próprio Antoninho, que, da cama, ia orientando tudo.
Em dado momento, após a comunhão, supôs o sacerdote que o menino tinha já entregue a alma ao Criador, apresentando-se com os olhos fechados, em atitude de êxtase. Tocou-lhe de leve no ombro. Ele abriu os olhos e falou: "Eu estou rendendo graças a Deus!"
Logo mais, não esquecendo o padre, pediu à mãe que providenciasse um automóvel para reconduzi-lo ao convento e que não o deixasse ir sem tomar uma xicara de café.
Depois solicitou um copo d’água e principiou a balbuciar estas frases:
- Que linda estrada... Atapetada de flores... Como são belas! Quantos anjos! Olha, minha mãe: alguns tocam... Outros sorriem! Convidam-me para acompanhá-los... Que belo cortejo!... Eu vou, mamãe... Vou... Sim... Vejo um clarão! Um vulto se aproxima... Olha, mamãe, é meu avozinho... O pai da senhora!
Pediu que acendessem duas velas em torno da imagem de S. Antônio, junto do leito.
- Antes que estas velas se consumam, eu estarei no céu! Estou cansado... Preciso repousar...
Principiou a lenta agonia. Em dado instante, num esforço, abriu os olhos. Circunvagou-os pelo quarto, num meigo sorriso para todos. Um ligeiro tremor de lábios, como se quisesse falar alguma coisa. Depois, mais nada. Estava morto! Morrera como um pássaro do céu!
O relógio assinalava 23h e 30m de 21 de dezembro de 1930. Contava 12 anos de idade.
No dia seguinte, era inumado no jazigo da família no Cemitério da Consolação, na quadra 80, sepultura nº 6, onde a visitação publica o consagrou com a sua admiração e a sua veneração, de então para cá.



Belíssimo túmulo do menino Antoninho da Rocha Marmo, visitado por milhares de devotos, sempre
mantido enfeitado por flores. 



A missa de 7º dia foi celebrada sem qualquer pompa, com a encomendação sobre um modesto pano preto, entre quatro velas singelas. Era satisfeita assim a sua ultima vontade.
E, numa curiosa e bem interessante coincidência, conforme uma sua anterior previsão: por acidental engano da Empresa Funerária, foi seu corpo encerrado num caixão de adulto, carregado num coche de adulto e enterrado numa cova de adulto...
Toda a pequena existência desse grande menino paulista, não há duvida, extraordinária, fora assim revestida de grandes lances: reviveu, em poucos anos, nos dias da atualidade, uma vida beatífica igual à dos santos da antiguidade...



(Fontes: site oficial de Antoninho, construído pela Sra. Leonor Rocha Ferreira, prima de 1º grau de Antoninho e o Banco de Dados do Folha de São Paulo)

domingo, 12 de abril de 2015

Servo de Deus Fabiano de Cristo, Irmão Franciscano (1676-1747).


 Trago ao conhecimento dos leitores deste Blog a história de mais um "santo popular": Frei Fabiano de Cristo. Seu nome, infelizmente, é muito associado à doutrina espírita, pois algumas obras e "centros" de seguidores dessa doutrina recebem o seu nome. Porém, isso não passa de um grande e infeliz equívoco. Frei Fabiano na verdade foi um frade da Ordem de São Francisco que viveu entre os séc. XVII e XVIII e que se prodigalizou nos cuidados com os doentes e desamparados. Foi exemplo e modelo de desapego aos bens materiais, de amor por Jesus, de serviço à Igreja e de amor cristão. 


Ao norte de Portugal, numa aldeia chamada Soengas, nasceu a 08 de fevereiro de 1676, Frei Fabiano de Cristo, que no século se chamava João Barbosa. Filho de Gervásio Barbosa e da Senhorinha Gonçalves, formavam uma das muitas famílias de vida simples que ali viviam, dedicadas sobretudo ao cultivo da uva.
De suas cinco irmãs, quatro se fizeram religiosas, o mesmo acontecendo com o único filho da família. Pouco se sabe sobre os anos de infância e adolescência de João. Sabe-se apenas que pela vida simples e pobre que levavam, pouca oportunidade teve de travar contato com os livros.
À procura de algo mais – João Barbosa sabia que o ambiente que o cercava não era resposta aos seus ideais. Sabia que sua família fora, outrora, abastada e que em suas veias corria a nobreza antiga, agora oculta na pobreza. Por ser ambicioso, sentiu logo o desejo de restabelecer a antiga nobreza. Mas não seria em Soengas que isso poderia acontecer. No primeiro instante pareceu-lhe que o melhor caminho seria o comércio. Dirigiu-se então à cidade do Porto, onde as possibilidades se mostravam mais abundantes e ricas. Aí ouvia histórias fantásticas de terras distantes e muita riqueza, deixando o jovem João muito entusiasmado. No final do século XVII, a novidade mais ambiciosa que os marinheiros traziam a Portugal era a descoberta abundante do ouro em Minas Gerais. Assim como muitos, também João viu lá longe, no Brasil, despontar a solução de seus problemas.
João despede-se de seus pais e irmãs e parte para o Brasil numa penosa viagem de meses de balanço no mar e outra não menos penosa por terra, até chegar ao seu destino, na região das promessas douradas: o Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo (hoje Mariana) e Ouro Preto. Muita riqueza foi vista, muitos homens arrancavam da terra quantidades enormes de ouro que os tornavam ricos da noite para o dia. Mas, paralelamente à exploração das minas, surge outra fonte de renda: a vida do comércio ou “carreira das minas”. Foi esta a profissão que João escolheu logo que chegou ao Brasil.
Não sabemos exatamente qual a especialidade dos negócios de João. Sabemos apenas que em pouco tempo conseguiu uma respeitável fortuna. A partir de 1704, vamos encontrar João Barbosa com residência fixa na vila de Parati, tocando seus negócios que lhe rendiam bons lucros, mas nunca deixando de manter contato com as coisas de Deus. Assim ligou-se logo ao pároco da vila, auxiliando-o em tudo. Todas as obras de caridade recebiam dele largas quantias em dinheiro, não deixando nunca de ajudar os pobres, que encontravam nele a mão generosa sempre pronta a ajudar.
Os planos de João eram de trabalhar mais alguns anos e regressar a Portugal com suficiente fortuna para alterar a situação de sua família. Mas aí Deus entrou em sua vida de forma diferente e alterou o plano do homem. O trabalho espiritual exercido em Parati foi mudando as concepções de João. Foi sentindo cada vez mais forte o convite à vida religiosa. Hesita. Esperava maior clareza. Algum sinal, talvez. Mas um acontecimento trágico veio pôr fim às suas hesitações. A morte por assassinato de um sócio e companheiro seu, por motivos desconhecidos, fez com que João ficasse profundamente abalado e percebesse como os bens materiais não significam nada diante da grandeza de Deus.
Nesta altura da história, muitas Ordens Religiosas já estavam estabelecidas no Brasil. Examinando-as, pode sentir que nenhuma estava tão de acordo com seus propósitos como a “Ordem Seráfica de São Francisco de Assis”. Porque, como nascera na pobreza, passara depois à riqueza pelo trabalho, queria à luz da fé voltar a ser pobre. E ninguém melhor que Francisco de Assis para guia nesta troca de valores.
O Franciscano - Tomada a decisão, João apresentou-se ao Padre Provincial, no Convento Santo Antônio do Rio, que percebeu imediatamente suas qualidades e, sobretudo, um homem que sentia o chamado de Deus, logo sendo admitido à vida franciscana. Primeiro passo de João: desfazer-se de todos os bens. Dividiu toda a sua fortuna em três partes: a primeira foi enviada a Portugal para a família e para outros acertos; a segunda parte foi destinada às obras de caridade; e a terceira foi distribuída entre os pobres. Assim, a 08 de novembro de 1704, apresentou-se no Convento São Bernardino em Angra dos Reis, e no dia 11 de novembro trocou suas vestes seculares pelo hábito marrom de São Francisco, trocando também seu nome de João para “Frei Fabiano de Cristo”, nome pelo qual é conhecido ainda em nossos dias, pois foi a partir desta troca que ele enveredou pelos caminhos da santidade. Frei Fabiano de Cristo, no tempo de formação, optou por ser irmão franciscano.
No Convento Santo Antônio do Rio - No final do ano de 1705, Frei Fabiano de Cristo recebeu ordens de transferir-se para o Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro, com o encargo de porteiro. Aliás, na Ordem Franciscana dava-se particular importância a esta função, pois prescrevia-se fosse ela entregue somente a religiosos de muita prudência, confiança e virtude, após 15 anos de hábito. A nomeação de Frei Fabiano de Cristo era um reconhecimento à sua virtude e confiança, pois estava apenas há dois anos na Ordem. Apesar do bom trabalho exercido por Frei Fabiano na portaria, os superiores pediram, no ano de 1707 ou 1708, que ele tomasse conta da enfermaria. Imediatamente obedeceu e, aqui como na portaria, deu belíssimo exemplo de caridade.
Embora não tivesse preparação especial para esta função, a caridade e o esforço pessoal substituíam as deficiências. Praticamente levava sua vida junto aos doentes, a tal ponto que nem sequer tinha um quarto próprio, por longo tempo, contentando-se em dormir em qualquer lugar da enfermaria, para que, dia e noite, pudesse estar à disposição dos doentes. Só mais tarde aceitou um quarto, mas sempre junto à enfermaria. Assim consumiu quase todo o resto de sua vida, cerca de trinta e oito anos, exercendo sua caridade para com os doentes e idosos.
Enfermidade e morte - Com o passar do tempo, o corpo de Frei Fabiano foi sentindo o peso da idade e dos sacrifícios, na forma de sofrimento físico que o crucificaram por quase 30 anos. A causa inicial destes sofrimentos foi uma erisipela crônica, localizada nas pernas, acentuadamente na esquerda, que mais tarde se transformou numa horrível chaga. Para aumentar estes sofrimentos nas pernas, apareceu-lhe um quisto num dos joelhos, atribuído por alguns ao tempo excessivo que o bom irmão permanecia de joelhos nas suas longas horas de oração.
Jamais se ouviu dele a mínima queixa ou atitude de revolta diante de tanto sofrimento. A única coisa que o atormentava era o fato de não poder mais exercer sua função de enfermeiro. Seu estado de saúde agravou-se muito, já estava ele na casa dos 70 anos. Pressentiu que ia chegando ao fim de seus dias e, conforme dizem, chegou a anunciar aos confrades o dia e a hora de sua morte. No dia 17 de outubro de 1747, pelas 14h, Frei Fabiano de Cristo, rodeado pelos confrades, quase despercebidamente como vivera, parte ao encontro do Pai.
Uma multidão tomou conta do Convento Santo Antônio. Todos queriam se despedir de Frei Fabiano, pois ele era visto como um “santo”, um Servo de Deus. Todos desejavam ver e tocar aqueles restos que representavam a santidade.O local onde estavam encerrados os ossos de Frei Fabiano começou a ser abandonado, terminando por cair em ruínas. Dos cento e tantos religiosos do tempo de Frei Fabiano o Convento não abrigava, em 1870, mais que seis e, aos poucos, o Convento foi se transformando numa espécie de hospedaria até que, em 1885, Dom Pedro II hospedou ali o sétimo Batalhão de Infantaria do Exército. E vieram as depredações e os estragos. A ruína começara um trabalho demolidor, levando consigo a placa de bronze que assinalava o local da urna com os ossos de Frei Fabiano. Assim, quando o batalhão se retirou, ninguém mais sabia o local que se encontrava a urna. Inclusive acreditava-se que a mesma havia sido violada.
O reencontro - Não queria Deus fosse este o fim dos ossos de Frei Fabiano, pois em fins de janeiro do ano de 1924, chuvas fortes e prolongadas, causaram grandes estragos no Rio e em vários Estados. Às três horas da madrugada do dia 2 de fevereiro, com um estrondo terrível, ruiu grande parte do muro, atrás do qual, antigamente, se achava a enfermaria. Em meados de abril, foram iniciadas as obras de reconstrução do dito muro, derrubando a 1° de maio do ano de 1924, o resto do muro que ainda não ruíra. Parte do muro já havia sido derrubado, quando do lado do Convento, de repente, apareceu uma urna de chumbo, cheia de ossos. Imediatamente entregue ao Guardião, este logo ficou convencido de tratar-se dos ossos de Frei Fabiano. Abrindo a urna, encontrou em cima, coberto de cal, um documento em péssimo estado, onde ainda se lia: “Frei Fabiano…….. enfermeiro deste convento…….. Rio……..”.
Resolveram então encerrá-los em uma urna de mármore, com uma pequena abertura lateral, por onde se poderiam ver os ossos. A urna foi colocada numa capela, do lado esquerdo da Igreja do Convento Santo Antônio. E a veneração recomeçou. Em pouco tempo, os fiéis começaram a procurar o santo irmão, como nos primeiros dias após sua morte. Ainda hoje, a procissão de devotos continua a desfilar diante do altar singelo que abriga os ossos de Frei Fabiano. De todos os cantos do Brasil chegam cartas comunicando graças e pedindo lembranças do santo irmão que, pequeno na terra, continua no céu uma presença benéfica, atestando como Deus é magnífico em seus santos, pois neles manifesta sua imensa misericórdia e sua paterna solicitude de ajudar os homens pelos homens.


Frei Hugo Baggio, ” Frei Fabiano de Cristo”, 1974.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Serva de Deus Maria da Conceição de São Jaime e Santa Teresa, Virgem Carmelita Descalça. Apóstola da Devoção ao Coração de Jesus.


Maria da Conceição de Oleza Gual de Torrella nasceu a 25 de Abril de 1905, no seio de uma das famílias mais importantes e abastadas, em em Palma de Maiorca. Foi batizada no dia seguinte na Paróquia de Santa Eulália de Palma de Maiorca.
Era a primogênita de nove filhos de uma família feliz. Seus pais, Jaime de Oleza e de Espanha e Maria da Conceição Gual de Torrella e de Villalonga, eram cristãos fervorosos e grandes devotos do Coração de Jesus. Recebeu uma esmerada educação e formação humana, religiosa, cultural e artística.
Fez a sua Primeira Comunhão aos sete anos de idade.
Maria era uma exímia pintora e deixou-nos um vasto espólio que revela bem um sentido artístico apurado.
Simpática, bonita, elegante participava com entusiasmo em todas as festas e bailes, como era costume entre as pessoas da sua condição social.
Adorava a leitura, o desporto (tênis, natação e equitação) e cinema. Aos 22 anos, enamorou-se radicalmente por Jesus e iniciou um processo de discernimento vocacional.
Maria entrou no Carmelo a 24 de Outubro de 1928, dia de São Rafael. Contava então 23 anos.
No dia 25 de Abril de 1929 recebeu o hábito e tomou o nome de Maria da Conceição de São Jaime e Santa Teresa (para homenagear seu pai, sua mãe e sua nova mãe, Santa Teresa). No ano seguinte fez os primeiros votos e passados três anos fez a sua Profissão Solene como carmelita descalça.
Foi priora durante 21 anos, não consecutivos, e a que mais tempo exerceu o cargo desde a fundação do mosteiro em 1617.
Durante os 70 anos de vida religiosa, empenhou-se na santidade mediante o cumprimento da Regra e das Constituições, com um esforço constante e crescente: “sem mitigação, até à morte”.
Grande devota do Sagrado Coração de Jesus, a Ele se consagrou e n’Ele estabeleceu a sua morada. Repetia continuamente a jaculatória: “Coração de Jesus, eu confio em Vós”.
Era de uma profunda humildade, duma caridade sempre em ação e duma esperança sempre renovada.
Viveu por amor e para o Amor, por isso pôde dizer no final da sua vida: “No Carmelo fui imensamente feliz”.
Na sua vocação contemplativa, a Madre Conceição imolou-se cada dia, numa doação por amor, no silêncio e na humildade do Carmelo, oferecendo a sua oração pela salvação dos homens e pelas necessidades do mundo.


Num dos seus escritos, no Carmelo, ela escreveu: “Procurei olhar Jesus no seu zelo pelas almas, para imitá-lo em Nazaré, na sua vida de trabalho e na sua vida apostólica. Quero, meu Deus, que toda a minha vida seja apostolado, à carmelita, oculta no Teu Coração”.
Entregou a sua alma a Deus aos 93 anos de idade no dia 07 de Fevereiro de 1999. Sua morte foi acompanhada por muitos sinais que revelavam o quanto sua alma era querida por Deus.
Foi iniciada a sua causa de canonização na diocese de Palma, como eco do seu odor de santidade que cada vez mais se espalha por toda a parte.
Foi imitando Jesus, na sua vida escondida de Nazaré, que a Madre Conceição se santificou e irradiou, à sua volta, a vida da graça.


Cronologia de sua vida:
Nascimento: 25 de Abril de 1905
Batismo: 26 de Abril de 1905
Confirmação: 12 de Junho de 1907
Primeira Comunhão: 20 de Junho de 1912
Entrada no Carmelo: 24 de Outubro de 1928
Profissão Simples: 26 de Abril de 1930
Profissão Solene: 26 de Abril de 1933
Falecimento: 07 de Fevereiro de 1999



Alguns pensamentos da Serva de Deus:
1.  “Contemplar com frequência o Infinito que me envolve por todo o lado, perder-me n’Ele e eliminar todas as formas de orgulho. – Destinar um momento de manhã e outro à tarde para pensar n’Ele de joelhos, saboreando estas lindas palavras: ‘Meu Deus e meu tudo!’”.
2.  “Assistir à Santa Missa, como o ato maior do dia, como se estivesse no calvário, na companhia de Maria”.
3.  “Em cada hora pedir o reinado do Coração de Jesus e pelos sacerdotes”.
4.  “Quero deveras trabalhar para alcançar a santidade. Não quero ser uma mancha na Igreja e na Ordem”.
5.  “Proponho-me amar a Deus com todo o meu coração, apaixonadamente, e ao próximo por Deus, com delicadeza como trataria a Cristo”.
6.  “Fazer tudo como faria Jesus, pensando em Deus, amando a Deus e fazendo tudo por ser a vontade de Deus, e renovar estes atos 12 vezes cada hora”.
7.  “Como vão passando os anos, vejo com mais claridade que o fim da nossa vida é conhecer, amar e servir a Deus nesta vida e depois vê-Lo e gozá-Lo eternamente…”.
8.  “Não posso perder nem um minuto”.
9.  “Quero ser santa custe o que custar”!
10.                    “O amor não cansa. Se se cansa, não é amor”...
11.                     “Amar é dar-se, sacrificar-se, esquecer-se para agradar aquele a quem se ama”.
12.                    “Terrível o poder da natureza humana: poder dizer sim, ou não, a Deus. Se dizemos não da Deus, diante da perfeição que exige de nós, privamo-nos de inumeráveis graças, e talvez milhares de almas não se salvarão… Diante da vontade de Deus, nas pequenas ou grandes coisas, devemos responder como a Virgem: Ecce ancilla Domini. Fiat… Sempre Fiat”.
13.                    “Proponho-me evitar toda a imperfeição deliberada e trabalhar para diminuir os pecados e faltas semideliberadas. Convenci-me que devo tudo a Jesus Cristo e que até agora não fiz quase nada, senão pecar e perder tempo”.
14.                    “Diante de Jesus Crucificado proponho-me firmemente unir-me a Ele em todas as minhas obras e fazê-las como Ele as faria”. (Exercícios Espirituais de 1958).
15.                    “Quanta diferença entre a minha pobreza e a pobreza de Cristo! Cristo num pobre estábulo, e eu em acomodado aposento; Cristo alegra-se numa total penúria, e eu queixo-me de que me falta o não necessário; Cristo padece necessidades na habitação, alimentação e vestuário; e eu só desejo roupa delicada, comida saborosa e esplêndida habitação. Quando imitarei o que adoro”?
16.                    “Estarei sempre indiferente a viver em qualquer lugar, e a tomar qualquer alimento, ainda que seja o mais incômodo e vil, alegrando-me de sentir os efeitos da santa pobreza. Estando onde Tu quiseres, qualquer choça me servirá de palácio”.
17.                    “Ó, Senhor, que ouves o desejo do pobre, dá-me aquilo que o mais pobre dos pobres considere rico tendo-Te a Ti”.  (Madre Maria da Conceição de S. Jaime e Santa Teresa, Exercícios de 1957).




ATO DE CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
(A Madre Conceição consagrou-se ao Coração de Jesus com esta fórmula)

“Minha Mãe Imaculada, ainda que seja uma tua indigna filha, venho até ti, pois sei que nesta ocasião te agradará o meu desejo. Quero ser toda do Coração de Jesus, mas sendo tu minha mãe não quero dar um só passo sem ti. Aqui tens a minha pobre consagração, acolhe-a como te aprouver e depois nas tuas puríssimas mãos, ou se achares melhor guardada no teu puríssimo Coração, apresenta-a ao Coração do teu Filho, e logo, Mãe querida, toma o encargo de ma fazer cumprir, a fim de que conste, eternamente, que tudo o que eu alcançar por esta via, a glória, depois do Coração de Jesus, se deve a ti.
Coração dulcíssimo de Jesus, meu Rei de bondade e de amor, quero ser tua por completo e para sempre. Aceito gozosa este pacto que desejas, tão doce e tão honroso, de cuidares Tu de mim, e eu de Ti, ainda que saias a perder.
Aqui me tens, a mim e tudo que é meu; é tudo Teu. Faz o que quiseres, sem atender o meu gosto ou desconsolo que, ainda que morra em Ti esperarei e de Ti me fiarei. Aqui tens a minha alma com as suas potências e a sua liberdade, para que a uses sem limites.
A minha salvação eterna, o meu grau de glória no Céu, e de virtude na terra, o meu progresso espiritual; em tudo nada quero que Tu não queiras, pois os meus interesses, agora, são os Teus.
O meu corpo, a minha saúde e vida, dá-me o que Te agradar e na medida da Tua vontade. As minhas boas obras, feitas ou por fazer, até ao meu último instante, de pouco te servirão, mas quanto valham, aí as tens.

Como não são minhas já não disporei delas, senão nos casos de obrigação, ou nas obras pedidas pela caridade, mas com a condição expressa de que sejam do Teu agrado.
Quanto por mim oferecerem, durante a minha vida ou depois da minha morte. Os meus assuntos, a minha família, ofícios, projetos, amigos, obras de zelo, etc. Tu sabes melhor do que eu o que mais convém para a Tua glória e para o meu bem. Faz tudo como Te agradar, ainda que me custe.
Em tudo isto quero fazer como se o êxito dependesse só de mim, mas que o resultado seja só Teu, não as minhas pobres diligências, mas que Tu leves tudo ao seu término.
Quero meu Deus, esquecer-me por completo de mim mesma, e de todo o interesse próprio, e confiar absolutamente em Ti, descansando com paz, segura e tranquila na Tua doce providência. Ajuda-me a consegui-lo.
Proponho-me fazer tudo quanto possa para não ter outro ideal na terra nem no céu que os teus santos interesses. Trabalhar para que reines em todos os corações, servindo-me, para isso, de todos os meios que estiverem ao meu alcance, a saber:
- Oração, o mais constante possível, pedindo o Teu reinado em todas as partes e a todas as horas: na Igreja, em casa e em todas as ocupações diárias.
- Sacrifício passivo de aceitação resignada e alegre, de quantos sofrimentos possam aparecer, dessas mil coisas pequenas que se oferecem diariamente, e de outras mais graves que a Providência permita, para que Tu reines;
- Sacrifício ativo, com penitencias externas e vencimentos internos do meu caráter, feitio, paixões e más inclinações, sobretudo conseguindo, com valentia, a mortificação contínua nas mil pequenas coisas que se oferecem a cada momento.
- Atos de virtude, cumprindo com esmero os deveres de cada instante, dando muito bom exemplo, mas sem chamar a atenção em nada.
- Propaganda do que Tu me inspirares. E como vejo, com pena, que além de não reinares em milhares de corações, o Teu Santo Nome é ultrajado e traído por causa das nossas culpas, sobretudo as que tocam o Sacramento do Teu Amor, eu quero fazer o possível, com o sofrimento, preces e sacrifícios, vida santa, apostolado, para reparar a Tua honra e glória divinas e restituir-lhes, segundo a minha pequenez e miséria, a luz e o esplendor que Te é tão merecido.

Por último proponho:
- Vida Eucarística o mais intensa possível com a comunhão diária, sobretudo nas primeiras Sextas-feiras. Com visitas ao Santíssimo Sacramento, sempre que possível pessoalmente, e continuamente em espírito.
- Ler e meditar, quanto me for possível, coisas desta Devoção, para melhor conhecê-la, praticá-la e divulgá-la.
- Renovar todos os dias esta minha consagração com a maior seriedade.
Muito me determinei a fazer, Coração amabilíssimo, mas como Tu, mais do que eu, há de ser quem agirá, não duvido em comprometer-me. Tudo espero de Ti, de mim não espero nada e alegro-me que assim seja, a fim de que eternamente conste que toda a glória é Tua e a mim não se deve coisa alguma”. Amém.




Consagração ao Coração de Jesus (fórmula resumida)

Coração de Jesus… quero ser tua por completo e para sempre. Aceito gostosa este pacto que desejas, tão doce e tão honroso, de cuidares Tu de mim, e eu de Ti… Ainda que morra em Ti esperarei e de Ti me fiarei… Quero meu Deus, esquecer-me por completo de mim mesma e de todo o interesse próprio e fiar-me em absoluto de Ti, descansando com paz, segura e tranquila na Tua doce providência…
Proponho fazer tudo quanto possa para não ter outro ideal na terra nem no céu que os teus santos interesses.
Trabalhar para que reines em todos os corações…
Oração, o mais constante que possa, pedindo o Teu reinado em todas as partes e a todas as horas… e em todas as ocupações diárias.
Sacrifício passivo, para que reines…
Sacrifício ativo, com penitencias externas e vencimentos internos… a mortificação contínua…
Atos de virtude, cumprindo com esmero os deveres de cada instante, dando muito bom exemplo, mas sem chamar a atenção em nada…
Quero fazer o possível, com o sofrimento, preces e sacrifícios, vida santa, apostolado, para reparar a Tua honra e glória divinas e restituir-lhes, segundo a minha pequenez e miséria, a luz e o esplendor que Te é tão merecido.
Tudo espero de Ti e de mim não espero nada e alegro-me que assim seja, a fim de que eternamente conste que toda a glória é Tua e a mim não se deve coisa alguma.


Madre Maria da Conceição de S. Jaime e Santa Teresa