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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 25 de maio de 2023

SANTA MARIA FRANCISCA DE JESUS Rubatto (1844-1904), Virgem e Fundadora das Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, a primeira santa do Uruguai.

        




      


Ana Maria Rubatto nasceu em Carmagnola, Itália, no dia 14 de fevereiro de 1844, penúltima de oito filhos de João Tomas Rubatto e Catarina Pavesio, pessoas notáveis pela piedade e de bons costumes cristãos. Quando tinha quatro anos, ficou órfã de pai.

Dotada de uma grande inteligência, embora não tivesse estudos alcançou um notável grau de cultura, que harmonizou constantemente com a vida prática. Cultivou desde pequena uma profunda espiritualidade.

Aos dezenove anos, em virtude do falecimento da mãe, Ana Maria se transferiu para Turim, para a casa de sua irmã mais velha, Madalena, onde ficou por cinco anos, dedicada as obras de caridade. Foi adotada por Mariana Scoffone, uma senhora riquíssima, de quem se tornou dama de companhia e colaboradora na administração de seu patrimônio, de 1864 até 1882. Nestes anos, visitava todos os dias o Cottolengo de Turim, servindo os doentes com alegria, ajudava os pobres, ensinava o catecismo às crianças. São João Bosco a teve entre seus colaboradores dos Oratórios.

Quando sua mãe adotiva faleceu, voltou para junto de sua irmã. No verão ia para Loano, na Riviera da Ligúria, onde ajudava os pescadores e os doentes, se interessava pelas crianças abandonadas. Neste local se uniu a um grupo de piedosas senhoras dedicadas às obras de caridade e de apostolado, sob a direção dos padres Capuchinhos.

No verão de 1883, ao sair da igreja, ouviu lamentos e prantos. Uma pedra havia caído de uma construção e havia ferido na cabeça um jovenzinho. Ana Maria socorreu o jovem, lavou e tratou a ferida e depois de lhe dar o equivalente a dois dias de trabalho, o enviou para casa para se recuperar.

A construção devia albergar uma comunidade feminina para a qual estavam procurando uma diretora. O padre capuchinho Angélico de Sestri Ponente, que apoiava esta iniciativa, pensou que Ana Maria Rubatto podia ocupar o cargo. E foi ele próprio quem convidou Ana Maria a colocar-se na direção do novo Instituto.

No dia 23 de janeiro de 1885, Ana Maria vestiu o hábito religioso franciscano, junto com algumas amigas, dando vida à família religiosa das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, depois chamada Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, com o fim de prestar assistência aos doentes, especialmente nas casas, e a educação cristã da juventude.

No dia 17 de setembro de 1886 emitiu os votos, ocasião em que adotou o nome de Maria Francisca de Jesus, tornando-se a primeira superiora do Instituto, cargo que manteve até a morte. Três anos depois, o Instituto estava presente em Gênova-Voltri, Sanremo, Gênova-Centro. Depois de organizar as casas da Itália, iniciou viagens para fundações na América.

Desde 1892, Madre Francisca transpôs sete vezes o Oceano para fundar casas da sua Congregação no Uruguai e na Argentina. Abriu dezoito casas nos vinte anos de seu governo. Durante os oito anos que permaneceu na América, foram incontáveis as viagens do Uruguai a Argentina, e de uma casa a outra. Em 1899, ela acompanhou um grupo de Irmãs à Missão do Alto Alegre, Maranhão, no Brasil, onde em 1901 morreram assassinadas pelos índios sete de suas filhas, junto com missionários capuchinhos e muitos fiéis.

Quando se encontrava em Montevidéu, adoeceu de câncer, ocasião que para todos foi um exemplo admirável de força católica e de plena resignação. Morreu naquela cidade no dia 6 de agosto de 1904, lamentada especialmente pelos doentes e pelos pobres.

Seus despojos repousam no Uruguai, no Colégio de Belvedere por ela fundado em 1895, no meio de seus amados pobres, como desejava. Sua Congregação também está presente na Etiópia desde 1964. A causa para sua beatificação foi introduzida em 1965. O decreto sobre a heroicidade de suas virtudes foi promulgado no dia 1º de setembro de 1988. Em 10 de outubro de 1993 foi beatificada solenemente em Roma por São João Paulo II. Em 15 de maio de 2022, o Papa Francisco a canonizou, junto com outros santos (entre eles São Charles de Foucauld).

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Site oficial da Santa:  https://www.scmrubatto.org/


domingo, 21 de maio de 2023

Venerável Serva de Deus Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, virgem carmelita descalça, "Nossa Mãe" (do Carmelo de Três Pontas, MG).

 

Maria Luíza nasceu em 24 de dezembro de 1915 na cidade de Borda da Mata, no estado de Minas Gerais, no Brasil, a quinta filha de Francisco Marques da Costa Júnior e D. Mariana Resende Costa.  Foi batizada na igreja de Nossa Senhora do Carmo em 10 de fevereiro de 1916.

Sua Primeira Comunhão


Os pais desejavam que os filhos pudessem estudar. Impôs-se a urgência de procurar uma residência em cidade maior. Assim a família transferiu-se para a cidade de Cruzeiro no Estado de São Paulo, com escolas maiores e com mais recursos.

Durante um retiro espiritual, realizado no Colégio, sentiu um primeiro toque do Senhor no seu coração para a vida de clausura do Carmelo. Depois em uma visita a Aparecida, estando na capela do Santíssimo da Basílica velha, sentiu novamente no seu coração o chamado do Senhor. Lendo as Memórias da Beata Elisabeth da Trindade veio a confirmação.

Vence a resistência paterna, e aos 29 de maio de 1937, como postulante entra no Carmelo de Mogi das Cruzes.  Em 20 de Junho, apenas vinte dias após a entrada no Carmelo, é atingida por uma grande dor por causa da morte de seu pai. Foi um período de grande sofrimento para Maria Luiza, por não poder ficar perto de sua mãe e seus irmãos.

Seu irmão João logo manifestou vocação ao sacerdócio e entrou nos Salesianos. Foi ordenado sacerdote em 1935 e em 1967 foi eleito Arcebispo de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas.


Nossa Mãe com seu irmão, que se tornou sacerdote salesiano
e, depois, foi ordenado bispo: Dom João. 


Ao receber o hábito de noviça recebeu o nome de Tereza Margarida Coração de Maria. Sua constante oração: “Mãe, que o vosso Coração, seja o lugar da união, de Jesus com Tereza Margarida”.

O período de noviciado transcorreu sereno.  Irmã Tereza Margarida era desejosa de prosseguir o caminho! Assumia tudo o que lhe era pedido dentro do processo de preparação para a vida carmelitana.  Aos 02 de fevereiro de 1942 emitiu os votos Solenes.

A vida no Carmelo Mogi das Cruzes era caracterizada de grande rigor, penitência, silêncio e trabalho A casa era improvisada, adaptou-se para isso uma antiga Igreja do lugar, porém as celas das Irmãs ficaram mal instaladas, de  sorte que não recebiam muita luz solar, estando sempre a casa úmida. De modo que prejudicava a saúde das Irmãs.

Em 1952, pela intervenção do Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, a comunidade transferiu-se para o novo Carmelo especialmente construído em Aparecida: Carmelo Santa Teresinha. 

Depois de algum tempo, diversos bispos pediram ao Carmelo de Aparecida a fundação de um novo Carmelo em suas Dioceses. Entre estes estava o pedido insistente do Monsenhor João Rabelo de Mesquita, Vigário Geral da Diocese de Campanha. 

Foto de Nossa Mãe em um curso que fez
de formação para Mestras. 

Irmã Tereza é indicada e proposta para tal missão. O bispo de Campanha Dom Inocêncio Engelke concedeu a licença, sendo indicada primeiramente a cidade de Campanha (sede da Diocese) e depois Três Pontas para abrigar o novo Carmelo.  Dá-se início, na obediência ao desígnio de Deus os preparativos para a nova fundação, pois como afirmou, nunca pensou em empreender uma fundação. 

Uma vez decidida, e ao saber, que o novo Carmelo seria de São José, ela disse: “Para São José, eu nada posso recusar, porque Ele nunca me recusou nada”. Juntamente com sete Irmãs, aos 16 de julho de 1962, Solenidade de Nossa Senhora do Carmo e 400 anos da fundação do 1º. Carmelo São José, em Ávila, por Santa Teresa. 


Madre Tereza (sentada, ao centro) e demais irmãs fundadoras
do Carmelo de Três Pontas. 


As Irmãs chegaram em Três Pontas para começar a vida monástica no mosteiro novo. No início a comunidade habitou em casas provisórias, especialmente adaptadas à vida de clausura. Finalmente no dia 22 de janeiro de 1969, a comunidade mudou-se para a residência definitiva, construída nos moldes de um convento, adequado ao estilo de vida claustral. Por várias vezes foi Priora, sub-Priora e  Mestra de Noviças.






O mosteiro tornou-se cada vez mais um ponto de referência para os fiéis da região. Muitos procuravam a Nossa Mãe para pedir conselhos, orientação espiritual e ajuda. Logo as pessoas, como sinal de veneração e afeto começaram a chamá-la de Nossa Mãe. Possuía uma grande visão do futuro e desejo de viver a espiritualidade do Carmelo de modo vivo e atual. Empenhou-se em acompanhar com a comunidade o Concílio Vaticano II.


A Madre era referência de bondade, alegria, simplicidade, 
acolhimento e de sabedoria para todo o povo católico de
Três Pontas. Muitos encontraram nela o bom conselho, 
a orientação acertada e o discernimento de seus muitos
problemas, cruzes e dificuldades. 


Com idade avançada, acostumada com a fragilidade e a pouca saúde, mas não ouvindo muito a natureza, lutou sempre para realizar todos os seus compromissos de Carmelita. Um número cada vez maior de pessoas a procuravam para pedir um conselho e direção espiritual. Sua fraqueza ia aumentando, manifestando-se os primeiros sintomas da doença que a levou a um lento calvário de sofrimento até à morte.

Escreverá em suas memórias; “Como é bom estar nas mãos, no Coração de nosso Deus! Como saboreio o seu amor, a sua ternura!” Se assim foi sua vida, assim foi também nos últimos dias de sua existência terrena. Estes foram de um longo e profundo silêncio… silêncio adorador…silêncio reparador…silêncio de ação de graças…

No momento solene do abraço do Pai, estavam presentes sacerdotes amigos e a comunidade , aguardando a consumação do sacrifício.

Assistida por toda a comunidade, ao redor daquele leito que se transformou num Santuário sagrado, finalmente adormeceu no Senhor, no dia 14 de novembro de 2005.

O corpo de Nossa Mãe foi exposto junto à grade do coro e às primeiras horas do dia, o povo veio prestar a última homenagem. Devido à grande multidão e numerosos sacerdotes presentes, foi decidido celebrar o funeral na Igreja Matriz. O cortejo fúnebre assemelhava-se à procissão do enterro do Senhor morto na 6ª. Feira Santa.

Entrando o cortejo na Matriz de Nossa Senhora D’Ajuda, a urna carregada pelo clero, foi aplaudida pela multidão de fiéis que lotavam a Igreja.

Na verdade cada um que participou do cortejo sentia-se diante de uma pessoa amiga que partira para grande e aprazível viagem, mas deixando muito viva a sua lembrança. E cada um carregava a certeza de ser levado também no coração, por esta que tanto amava.


Quadro com a "foto oficial" da Madre Tereza Margarida, Nossa Mãe. 


Viver é iluminar durante a vida e depois dela! O tempo foi passando e sua memória não foi esquecida.

Devido à fama de santidade e de graças alcançadas por sua intercessão, nosso Bispo Dom Diamantino, de acordo com a Comunidade do Carmelo São José, introduziu em Roma o pedido para abertura do Processo de Beatificação.

Para abrigar os restos mortais de Nossa Mãe, foi construída uma Capelinha, para que à sombra do Carmelo, junto às suas filhas, ela continue intercedendo por todos aqueles que, nesse lugar de paz e oração, a invocam com confiança.

No dia 4 de março de 2012 realizou-se a abertura do Processo de Beatificação, cujo Postulador é o Dr. Paolo Villotta.

No dia 20 de maio de 2023, um sábado, no Vaticano, o Santo Padre e a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, aprovou a venerabilidade de suas virtudes. Isso significa que a Santa Sé reconhece que as virtudes da Serva de Deus Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, carmelita descalça, foram vividas em grau heroico. São consideradas as virtudes teologais: fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais: justiça, prudência, fortaleza e temperança.

Resta-nos, agora, pedir ao bom Deus e ao Imaculado Coração de Maria, a quem a Venerável tanto amou na terra, que, conceda, por intercessão de sua alma, um grande milagre: uma cura instantânea, perfeita e inexplicável para a ciência médica, de uma grave doença.

Uma vez aprovado esse milagre, o Santo Padre marcará a data para sua beatificação. Se houver um segundo grande milagre, dar-se-á a canonização da Madre, se Deus quiser.

Roguemos ao Céu e peçamos-lhe a sua intercessão perante Jesus e Maria.


ORAÇÃO PELA BEATIFICAÇÃO DA VENERÁVEL SERVA DE DEUS MADRE TEREZA MARGARIDA, “NOSSA MÃE”


Trindade Santa, vós ornastes vossa serva,
Madre Tereza Margarida do Coração de
Maria, Nossa Mãe, com inúmeras virtudes.
Nutria profundo amor a Vós e ao próximo,
acolhia e escutava a todos que a ela
acorriam e, sorrindo, procurava fazer o bem.
Confiando em sua intercessão, peço-
vos a graça de que necessito (…) E se for

para vossa glória e o bem da Igreja,
suplico-vos que ela seja elevada à honra
dos altares. Por Cristo Nosso Senhor.
Amém!



Os servos de Deus Guido Schäffer e a Madre Tereza Margarida tornaram-se "Veneráveis" no mesmo dia. 




Uma foto raríssima:
o encontro entre dois "santos": a Venerável Madre Tereza Margarida (a monja carmelita) e o Venerável Guido Schäffer (jovem com camisa branca) que, com um grupo de jovens, visitou o Carmelo de Três Pontas, em Minas Gerais. Quem diria que, no mesmo dia: 20 de maio de 2023, ambos se tornariam "Veneráveis" para a Igreja Católica.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

SANTA GEMMA GALGANI (UM CORAÇÃO CRUCIFICADO PARA CRISTO)



Virgem, que, distinta na contemplação da Paixão do Senhor e na paciente paciência das dores, terminou sua existência angélica aos vinte e cinco anos no Sábado Santo; participou de forma mística e singular da paixão de Cristo, feliz por se sentir "broto das suas feridas". Ardeu de amor pelo Crucifixo e ofereceu-se como vítima pela conversão dos pecadores.

Santa Gemma Galgani nasceu em 12 de março de 1878 em Bogonuovo di Camigliano (Lucca) e desde cedo foi atingida pelo sofrimento: na verdade, ela tinha apenas 7 anos quando sua mãe morreu.

Mas a família foi espancada por outras dores: a morte de seu irmão Gino, um seminarista, depois a do seu pai. Os irmãos Galgani acabaram na rua e Gemma foi recebida por uma tia. Sua própria existência também foi marcada pela doença: osteíte das vértebras lombares e otite mastoideia.

Ficou na cama semiparalisada por vários meses. Nesse momento ela leu a biografia de San Gabriel da Dolorosa, que a impressionou muito. Depois invocou Santa Maria Margarida Alacoque e depois de uma novena, ela recuperou. Era 1899.

A jovem Gemma sentiu profundamente o desejo de se consagrar ao Senhor mas por diversas razões não lhe foi dada a oportunidade de se tornar religiosa de encerramento. No entanto, isso não o impediu de mergulhar na contemplação de Jesus Crucificado. No dia 8 de junho de 1899, oitava do Corpus Domini e véspera da festa do Sagrado Coração de Jesus, recebeu os estigmas, que serão repetidos periodicamente da tarde de quinta-feira até às 15 horas de sexta-feira.

Por um tempo eles se manifestarão quase todos os dias. Alguns ficaram perplexos com a autenticidade destes sinais, mas o Padre Germano Ruoppolo, postulador geral dos passionistas e grande estudioso da mística, defendeu-a. As conversas com Jesus, Maria, o Anjo da Guarda e São Gabriel da Dolorosa são também uma forte expressão da sua vida mística. Estas entrevistas são relatadas na correspondência, no Jornal e na Autobiografia.

Como hóspede em Lucca na casa de Giannini, estes serão como uma família para ela até a morte. Em maio de 1902, Gemma foi diagnosticada com sintomas de tise. Então, ele teve que se mudar para outro apartamento, embora próximo do dos Giannini.

Sua morte ocorreu no Sábado Santo, 11 de abril de 1903, quando os sinos já tinham anunciado a Ressurreição de Cristo.

Foi o Papa Pio XI que a beatificou 30 anos depois e depois foi canonizada em 1940 pelo Venerável Servo de Deus Papa Pio XII que a definiu como a "estrela do seu pontificado".irgem, que, distinta na contemplação da Paixão do Senhor e na paciente paciência das dores, terminou sua existência angélica aos vinte e cinco anos no Sábado Santo; participou de forma mística e singular da paixão de Cristo, feliz por se sentir "broto das suas feridas". Ardeu de amor pelo Crucifixo e ofereceu-se como vítima pela conversão dos pecadores.

Santa Gemma Galgani nasceu em 12 de março de 1878 em Bogonuovo di Camigliano (Lucca) e desde cedo foi atingida pelo sofrimento: na verdade, ela tinha apenas 7 anos quando sua mãe morreu.

Mas a família foi espancada por outras dores: a morte de seu irmão Gino, um seminarista, depois a do seu pai. Os irmãos Galgani acabaram na rua e Gemma foi recebida por uma tia. Sua própria existência também foi marcada pela doença: osteíte das vértebras lombares e otite mastoideia.


Ficou na cama semiparalisada por vários meses. Nesse momento ela leu a biografia de San Gabriel da Dolorosa, que a impressionou muito. Depois invocou Santa Maria Margarida Alacoque e depois de uma novena, ela recuperou. Era 1899.

A jovem Gemma sentiu profundamente o desejo de se consagrar ao Senhor mas por diversas razões não lhe foi dada a oportunidade de se tornar religiosa de encerramento. No entanto, isso não o impediu de mergulhar na contemplação de Jesus Crucificado. No dia 8 de junho de 1899, oitava do Corpus Domini e véspera da festa do Sagrado Coração de Jesus, recebeu os estigmas, que serão repetidos periodicamente da tarde de quinta-feira até às 15 horas de sexta-feira.

Por um tempo eles se manifestarão quase todos os dias. Alguns ficaram perplexos com a autenticidade destes sinais, mas o Padre Germano Ruoppolo, postulador geral dos passionistas e grande estudioso da mística, defendeu-a. As conversas com Jesus, Maria, o Anjo da Guarda e São Gabriel da Dolorosa são também uma forte expressão da sua vida mística. Estas entrevistas são relatadas na correspondência, no jornal e na autobiografia.

Como hóspede em Lucca na casa de Giannini, estes serão como uma família para ela até a morte. Em maio de 1902, Gemma foi diagnosticada com sintomas de tise (escarros com sangue, causados pela tuberculose pulmonar). Então, ele teve que se mudar para outro apartamento, embora próximo do dos Giannini.

Sua morte ocorreu no Sábado Santo, 11 de abril de 1903, quando os sinos já tinham anunciado a Ressurreição de Cristo.

O corpo de Santa Gemma, sendo venerada por familiares,
amigos e fiéis, em seu leito de dor, após sua morte. 

Foi o Papa Pio XI que a beatificou 30 anos depois e, depois, foi canonizada em 1940 pelo Venerável Servo de Deus Papa Pio XII que a definiu como a "estrela do seu pontificado".



São Pio de Pietrelcina, aos peregrinos que vinham procurá-lo, vindos da diocese de Lucca, perguntava: "o que vocês fazem aqui? De onde vocês vieram, há uma 'Santona'! Não precisam vir aqui"! 

domingo, 7 de maio de 2023

Serva de Deus Maria de Lourdes Guarda, alma vítima.




Nasceu em Salto, Estado de São Paulo, aos 22 de Novembro de 1926, filha de Innocêncio Guarda e Júlia Froner Guarda. Estudou como interna no Colégio Patrocínio das Irmãs de São José, em Itu, lecionou em Salto, com 18 anos no Colégio da Congregação das Filhas de São José (D. Caburlotto). Sonhava em seguir os passos de sua irmã, na vida religiosa, mas primeiramente precisava tratar de um problema na coluna, uma lesão que lhe causava muita dor. Foi operada com relativo sucesso em 12/08/1947, mas as dores não passaram, e precisou se submeter a uma segunda cirurgia, que a deixou paralisada da cintura para baixo: durante cinco anos sofreu seis operações, como tentativas frustradas de fazê-la andar. Com o pé direito gangrenado, teve a perna amputada do joelho para baixo. Pode-se imagi­nar a reação de uma jovem cheia de vida e de planos para o futuro ao saber-se totalmente imobilizada numa cama, sem ao menos poder se sentar.

No dia 09/08/1972, no Hospital Matarazzo, celebrou seus 25 anos de paralisia. Assume sua condição de deficiente física e embora deitada, numa forma de gesso, com uma perna amputada e a outra atrofiada, trabalha para pagar sua diária na enfermaria, fazendo tricô e bordados sob encomenda. Seu quarto é um ponto de encontro e de atração, que reúne não só amigos, mas pessoas que buscam consolo e ajuda para suas carên­cias. Sua paz de espírito e sua alegria de viver "fazendo a vontade de Deus", se irradiam cada vez mais para além das paredes do quarto hospitalar.

Desta época seus amigos recordam de seu rosto sadio, corado, olhos azuis, brilhantes, e suas palavras: "a vida é boa demais". Enfim, se engaja na Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes - movi­mento internacional fundado na França, que ajudou a difundir no Brasil - Ao aceitar e assumir sua reali­dade paraplégica, abre espaço para acolher a graça de Deus, e tem a mesma experiência que o Apóstolo Paulo, 2° Cor 12,9: "Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder".

Em 1980, foi eleita coordenadora nacional da FCD, e no ano seguinte começou a viajar, formando em todo território nacional, grupos da fraternidade; graças a doações de passagens de uma empresa aérea, que incluíam os acompanhantes, médico e enfermeira. Em 1992 terminou seu mandato como coordenadora da FCD, e suas viagens cessaram, pois o movimento já estava semeado por todo o Brasil. Faleceu ao cinco de maio de 1996.


Fonte: postagem do Reverendíssimo Padre Reinaldo Bento. 

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Beato Mário Borzaga, presbítero, missionário e mártir.

Hoje recordamos um novo irmão espiritual. Trata-se do Beato Mario Borzaga OMI, Oblato de Maria Imaculada. 
Um verdadeiro místico da Cruz! 

Ainda no seu tempo formativo escreverá: “20 de setembro de 1956. Esta manhã ressoa em mim apaixonadamente a voz de Jesus: “Toma a cruz”. A aceitação do sacerdócio para mim não é senão a aceitação do cálice de sangue, do cálice amargo que faz tremer a natureza como um leão ferido, mas que salva as almas. Longe de mim o pensamento de um sacerdócio luminoso e prazeroso, eu quero me preparar ao sacerdócio do Getsemâni, ao sacerdócio de Maria extenuada por todas as dores, ao sacerdócio dos mártires: sou sacerdote do sangue e da carne coroada de espinhos: todo outro desejo deve ser estranho ao meu sacerdócio”.

Sua grande sede é a santidade! Escreve assim: “16 de janeiro de 1957. Uma ideia me impressionou: que é preciso se apressar para se santificar nas atuais circunstâncias. [...] Não há tempo a perder: é preciso queimar as etapas [...]. Os mártires são aqueles que no caminho da santidade queimaram as etapas e venceram as dificuldades. Para chegar a um heroico amor a Jesus não tiveram tempo de se informar sobre os graus da vida contemplativa, de fazer para si uma bibliotecazinha de belos livros espirituais, de consultar periodicamente o Diretor; quando ouviram o chamado de Jesus, o grito desesperado dos irmãos, correram para a linha de frente e morreram com um imenso amor no coração. De resto, para se fazer santo, é preciso mais coragem que tempo; portanto, nestas circunstâncias, é preciso se apressar. Não devo perder nenhuma ocasião para ser santo o mais rápido possível: da Eucaristia a um qualquer Kyrie eleison, de um ato de caridade ao silêncio, tudo deve ser recolhido para se apressar. E, sobretudo amar, amar com a letra maiúscula”. 

Foi ordenado sacerdote em 24 de fevereiro de 1957.  Será missionário no Laus, onde consumará sua oblação. Aqui viverá sua noite escura. A cruz da missão em si com suas dificuldades, adequar-se à outra cultura, aprender sua língua. Deus tem pressa. Durante anos, Mario tinha suplicado depois da Comunhão, ser “sacerdote, apóstolo, missionário, mártir”. E Deus realizará seus mais íntimos desejos. 

Em 25 de abril de 1960, parte com seu catequista Paul Thoj Xyooj, para uma vila vizinha. Nunca mais retornará. Deus realizará seu grande desejo: será mártir.

Beato Mário Borzaga, rogai por nós!

Fonte:
Professor José Eduardo Câmara, hagiólogo e membro da ABRHAGI (Academia Brasileira de Hagiologia) 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A famosa "Oração de São Francisco" : Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz", não é do Santo.

Texto legítimo da benção a
Frei Leão 


 A (falsa) oração de São Francisco: "Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz..."

A  "Preghiera semplice" ("Oração simples") de São Francisco: uma falsificação do Século XX. 

É a mais célebre oração franciscana depois do "Cântico das Criaturas", homenageada por canções, santinhos, discursos solenes e expressões artísticas e religiosas de todo tipo. Pena que não tem nada a ver com São Francisco de Assis.

A Oração Simples é a mais clamorosa falsificação da espiritualidade contemporânea. Tanto mais clamoroso justamente porque contemporâneo. Não se trata, de fato, de uma antiga oração erroneamente atribuída ao santo de Assis, mas de um texto "juveníssimo", visto que foi escrito há apenas um século.

Permitiu que se "emboscasse" entre os escritos do Poverello, além da extraordinária beleza e o espírito – isso, sim  – autenticamente franciscano, também o fato de que as poesias de Francisco de Assis representam um universo tão povoado quanto diversificado e descontínuo. 

Como por exemplo o caso do "Lodi di Dio Altissimo" ("Louvores a Deus"), que o santo escreveu na volta da viagem ao Egito, no qual há inclusive a assinatura do próprio Francisco, guardado, hoje, no Sacro Convento di Assisi. Segundo o testemunho de frei Leão, Francisco escreveu a oração no Santuário do Monte Alverne, depois de receber os estigmas. No mesmo papel, no verso, Francisco traçou, depois, uma benção para frei Leão, que guardou a pergamena até sua morte dentro de um bolso costurado no hábito, à altura do coração.

A "Preghiera davanti al Crocifisso" ("Oração diante do Crucifixo"), ao contrário, nos foi transmitida por uma tradição antiquíssima, que a situa em 1206, ou seja, nos primeiríssimos tempos da conversão, quando o jovem Francisco se questionava ainda sobre o caminho a seguir, enquanto a paternidade do "Cantico delle creature" ("Cântico das Criaturas") é atestada por muitas fontes, entre as quais as memórias dos companheiros mais íntimos, como o próprio frei Leão.

A tradição que atribuiu a Oração Simples a São Francisco, ao invés, se formou mesmo no curso do Século XX, mas se arraigou de tal forma que é aceita também pelos guardiães das memórias Bufão de Deus.

Uma verdadeira legenda contemporânea, portanto, cultivada no século do racionalismo e da ciência e que se formou nos mesmos anos em que os estudos sobre São Francisco davam passos de gigantes graças à descoberta, em Perúgia, em 1922, de um manuscrito que revolucionaria os estudos franciscanos: aquele que restou conhecido como "Legenda Perugina", e no qual – como demonstrou Raoul Manselli – se podem rastrear as lembranças dos companheiros mais próximos do Santo. 

Como nasceu, então, a tradição que deseja que a Oração Simples tenha sido composta por São Francisco de Assis?

“Na realidade, trata-se de uma história tão singular quanto bela”, explica Alfonso Marini, francescanista e docente de História Medieval na Universidade la Sapienza de Roma. Um acontecimento ao qual o historiador Christian Renoux dedicou um livro inteiro: "La prière pour la paix attribuée à saint François, une énigme à résoudre" ("A oração pela paz atribuída a São Francisco, um enigma a solucionar"), publicado por Edizioni francescane, Paris, 2001, e ainda inédito na Itália.

Tudo se inicia em dezembro de 1912, quando a poesia é publicada pela primeira vez na França, na revista eclesiástica "La Clochette", pelo padre Esther Bouquerel. O texto estava em francês, anônimo, e se intitulava "Belle prière à faire pendant la messe" ("Bela oração para fazer durante a missa").

“La Clochette – explica padre Pietro Messa, reitor da "Scuola superiore di studi medievali e francescani" de Roma – era o órgão da "Ligue de la Sainte-Messe" ("Liga da Santa Missa"), uma pia associação que tinha a finalidade de difundit a participação à Missa, sobretudo dominical, entre os católicos”.

"La Clochette" contava com 8000 assinantes e entre estes estava o canônico Louis Boissey (1859-1932), que também editava um boletim, o "Annales de Notre-Dame de la Paix" ("Anais de Nossa Senhora da Paz"), em cujas páginas, em janeiro de 1913, publicou a oração deixando o mesmo título e indicando a origem. Através dessa segunda difusão, a oração chegou ao conhecimento do Marquês de Normandia, Stanislas de la Rochethulon et Grente, presidente do "Souvenir Normand", uma associação que ostentava ligações inclusive com o Vaticano.

Foi graças a essas ligações que, em dezembro de 1915 – em plena Primeira Guerra Mundial, definida por Bento XV como "um inútil massacre" – o Marquês enviou ao Secretário de Estado vaticano Pietro Cardeal Gasparri uma série de orações para transmitir ao Papa. Em 20 de janeiro de 1916, o "Osservatore Romano" publicou a oração, com uma tradução italiana.

A lenda começara, e certo Monsenhor Alexandre Pons a publicou definindo-a "une prière très ancienne" ("uma oração muito antiga").

A ligação com a figura de Francisco de Assis nasceu com o próprio padre Bouquerel (o provável autor da oração), o qual, na Normandia, desenvolvera sua atividade pastoral em uma  comunidade de Franciscanos; a sua primeira obra, havia sido uma homenagem a uma terciária francisca, publicada em 1889. "O que caracterizou a sua atividade – explica ainda Messa – foi o apostolado eucarístico e, sobretudo a partir de 1914, a oração em prol da paz". Uma obra em consonância com o pacifismo [???] de Papa Bento XV que havia condenado duramente a Primeira Guerra Mundial.

E é justamente no fronte da Grande Guerra que começam a circular folhetos com o texto destinado a se tornar célebre em todo o mundo. "É uma oração que fala de paz – observa Marini – transcrita, traduzia e difundida por homens que estavam vivendo o horror da guerra: isto a torna, então, mais bela e significativa do que se tivesse sido escrita pelo próprio Francisco" [?].

Depois de algum tempo, a oração apareceu em santinhos, ao lado da imagem do Santo de Assis: iniciou, assim, a identificação do Poverello como o autor daquela que se tornou, com o passar do tempo, um emblema do próprio Franciscanismo. Nos primeiros santinhos, é estampado que esta oração "maravilhosamente resume a fisionomia exterior do verdadeiro seguidor de S. Francisco", enquanto depois de 1920 a oração se difunde também nos ambientes protestantes, sobretudo na Suíça e na Bélgica, através de cartões postais com o título "Prière des Chevaliers de la paix" ("Oração dos Cavaleiros da Paz") e com a menção: "attribuée a St. François d’Assise" ("atribuída a S. Francisco de Assi").  

Entre os anos Vinte e Trinta, se difunde na Inglaterra e na Alemanha, enquanto em 1945 a igreja de Genebra a define "do século XIII e obra de Francisco de Assis". 

"A oração foi difundida inicialmente em francês, depois em inglês e alemão – acrescenta Marini – é, então, muito hilário o fato de que, para comprovar sua autenticidade tenha sido traduzida depois também em italiano antigo". 

“Nos Estados Unidos e em Canadá, conheceu grande difusão – narra Messa – e alguns franciscanos canadenses afirmam que teria sido lida, em 1945, no momento da conferência de São Francisco da qual nasceu a ONU. No dia primeiro de fevereiro de 1946, foi apresentada ao Senado de Washington definindo-a como uma "oração de São Francisco" escrita em 1226. A esta altura, todos os textos atribuem a oração a São Francisco, e em 1952 a peregrinação "Pax Christi' a Roma e Assis adota a tal oração". "A partir dos anos Cinquenta – acrescenta o frei menor – as edições franciscanas e Daca, em Assis, iniciam a difundir a nossa oração em várias línguas em cartões postais, e desse modo se espalhou literalmente por todo o mundo, sem que os franciscanos ficassem alarmados com a falsa atribuição".

Entre as muitas versões, há aquela de Sebastian Temple (1967), executada aos 6 de setembro de 1997, na abadia londrina de Westminster, nos funerais da Princesa Diana e aquela escrita por Riz Ortolani e Jean-Marie Benjamin (padre, músico, funcionário da ONU e enviado do Vaticnao no Iraque) para o filme "Fratello sole, sorella luna" ("Irmão Sol, Irmã Lua), cantada por Claudio Baglioni.

“Definitivamente, ela se tornou a oração universal de que tomaram posse o movimento gandhiano de Lanza del Vasto, o bispo brasileiro [comunista] Helder Câmara, o Conselho Ecumênico das Igrejas. Madre Teresa de Calcutá a considerava como um programa espiritual dos Missionários da Caridade, e a fez recitar em 1979 quando recebeu em Oslo o prêmio Novem da paz, enquanro o bispo [sic] anglicano sul-africano Desmond Tutu a considera parte integrante de sua devoção. Também houve políticos que a citaram, como a Primeira Ministra inglesa, Margaret Thacher, no dia 4 de maio de 1979, e o presidente Bill Clinton, em 1995, quando recebeu a visita de João Paulo II nos Estados Unidos". [pelos nomes ligados a essa oração, talvez seja prudente manter distância. É bonita, foi feita antes do CVII, mas a Maçonaria já implementava nessa época seu plano maligno contra a Fé. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.]

E, se é verdade – como observa Messa – que em 27 de outubro de 1986 João Paulo II a citou durante a jornada com todos os representantes das religiões (Assis I), "é também verdade que a escolha de Assis para aquela reunião foi determinada em parte também à atribuição a São Francisco dessa oração pela paz". 

De outro lado, se com certeza a oração não foi escrita por Francisco de Assis, o texto parece fazer eco a uma fonte franciscana como os Ditos do beato Egídio de Assis: “Beato aquele que ama e não deseja ser amado, beato aquele que teme e não quer ser temido, beato aquele que cuida dos outros e não quer cuidados para si”.

Obviamente, a Oração Simples não cabe nas coleções oficiais das Fontes Franciscanas; contudo, sua difusão popular é tamanha que Kajetan Esser, autor da mais importante edição crítica dos escritos de Francisco, sentiu a exigência de fazer, em seu livro, pelo menos uma breve menção ao célebre apócrifo, com estas palavras: "Forma huius orazioni, hodie per totum ordem terrarum diffusae, paulatim initio saeculi XX exorta posteas Francisco erronee attributa est" ("A forma dessa oração, hoje em todo o mundo difundida, surgiu gradativamente no início do século XX depois de erroneamente atribuída a Francisco").

terça-feira, 4 de outubro de 2022

SANTA JOANA ANTIDA THOURET , Virgem e Fundadora - memória em 24 de agosto.

Nascida em Sancey-le-Long, França, em 27 de novembro de 1765, Joana nasceu em uma família pobre, dedicada ao trabalho no campo. Sua mãe faleceu quando ela tinha dezesseis anos.

Desde jovem, a santa demonstrou forte devoção à Virgem Maria e, apesar da oposição de seu pai, conseguiu ingressar no convento das Filhas da Caridade em Paris.

Após a eclosão da Revolução Francesa, a Congregação foi dissolvida à força. Joana encontrou refúgio em Besançon, onde mais tarde fundou a Congregação das Irmãs da Caridade.

Seu trabalho se expandiu, chegando até Nápoles, onde Joana assumiu a administração de um grande hospital. Na França, porém, enfrentou a oposição do Arcebispo de Besançon, que se recusou a aprovar a congregação que ela havia fundado, apesar do reconhecimento papal.

Joana não se deixou abater e continuou seu compromisso com a caridade, a educação e o trabalho apostólico.

Acometida por uma hemorragia cerebral, ela faleceu na noite de 24 de agosto de 1826. Foi proclamada santa por Pio XI em 1934.


RELATO HAGIOGRÁFICO: 

Ela nasceu perto de Besançon, na França, em 27 de novembro de 1765. Vinda de uma família pobre, dedicou-se à dura vida do campo. A pequena Joana, frágil e longe de ser bonita, parecia destinada a uma vida curta e repleta de sofrimento. Possuía uma alma delicada, uma bondade singular e era sempre marcada por uma doce melancolia.

Aos 16 anos, perdeu a mãe, e sua dor foi tão grande que parecia destinada a segui-la até o túmulo. Mas sua terna devoção à Virgem Maria a consolou e salvou. A infância e a juventude de Joana foram dedicadas assiduamente às tarefas domésticas e ao trabalho na lavoura. Após a morte da mãe, assumiu seu lugar. Apesar da pouca idade e da saúde frágil, toda a sua força vinha da oração e dos sacramentos.

Sentindo-se chamada à vida religiosa, após repetidas orações e lágrimas para vencer a oposição do pai, que tanto a amava, conseguiu entrar para o convento das Filhas da Caridade (Vicentinas) em Paris. Tinha 22 anos.

Ela logo adoeceu e, temendo ser mandada para casa, rezou fervorosamente a Nossa Senhora, o que resultou em uma recuperação completa. Após se tornar noviça, as tentações mundanas continuaram a desviá-la do caminho que havia trilhado, mas Joana resistiu.

Com a eclosão da Revolução Francesa, a pobre freira, aos 28 anos, viu-se exilada para o mundo e longe de sua casa. Ela partiu e, após uma longa jornada, chegou à casa de seus parentes, onde, enfrentando os perigos da revolução, dedicou-se a cuidar de jovens e doentes.

Imagem da Santa gerada por
I.A.
Seguiu o Abade Receveur para Friburgo e depois para a Alemanha, mas, após alguns meses, retornou à Suíça vestindo o hábito de uma mulher pobre.

Em 1797, foi para Besançon, onde abriu uma escola para moças, sem jamais abandonar o cuidado com os enfermos. Mas os revolucionários, que a haviam ameaçado de morte, a exilaram por um ano em um orfanato para mulheres pobres.

Em 1799, ela retornou a Besançon e abriu outra escola com farmácia, que formou o primeiro núcleo das Irmãs da Caridade. As companheiras e discípulas de Jeanne-Antide logo aumentaram, e a nova congregação se espalhou pela França, Suíça, Saboia e Nápoles.

Mas uma dolorosa provação veio amargurar a fundadora. As comunidades de Besançon e arredores, relutantes em aceitar o decreto papal que colocava cada comunidade sob a jurisdição de seu próprio bispo, recusaram-se a acolher sua Madre e Fundadora, que ali viera para apaziguá-las.

Ela permaneceu em Paris por dois anos, depois retornou, mas foi novamente rejeitada. Entristecida apenas por sua obstinada oposição ao decreto do Santo Padre, ela humildemente se retirou, permitindo que a vontade de Deus fosse feita em todas as coisas.

Passou a última parte de sua vida em Nápoles, realizando muitas atividades para o crescimento de sua congregação.

Em 24 de agosto de 1826, ela faleceu com um sorriso nos lábios, abençoando as filhas que a rodeavam.

Foi canonizada por Pio XI em 1934.


domingo, 15 de maio de 2022

SÃO TITO BRANDSMA, presbítero carmelita e mártir (testemunha do Evangelho, perante a tirania nazista).


Beato Tito Brandsma
Sua vida
Em Bolsward, povoado holandês de 10.000 habitantes, do matrimônio de Tito e Postma, em 23/ 02/ 1881, vinha ao mundo “o quinto” de seis filhos com que o Senhor abençoou aqueles pais cristãos. Desde menino deu provas de uma preclara inteligência e de um coração de ouro, ainda encerradas em um corpo franzino e debilitado.

Aos 17 anos vestiu o hábito do Carmelo exclamando: “a espiritualidade do Carmelo que é vida de oração e de terna devoção a Maria, me levaram à feliz decisão de abraçar esta vida. O espírito do Carmelo me fascinou!”. Emitiu seus votos religiosos em 03/ 10// 1899 e se ordenou sacerdote em 17/ 06/ 1905.


O Beato quando jovem
presbítero carmelita
Cursou brilhantemente seus estudos, primeiro em sua Pátria e depois passou a Roma, onde se doutorou em filosofia. Retornando à Holanda, se entregou de cheio a toda classe de apostolado: escreveu livros e artigos em várias revistas; dá aulas dentro e fora do convento; prega e dirige cursilhos; organiza congressos; confessa e administra outros sacramentos. Todos se admiram de como pode chegar a todos os lugares (a todas as partes). E do que mais se admiram é que, antes de tudo, é religioso observante, alma de profunda oração, fervoroso sacerdote e profundamente sensível e humilde.






    Foi cofundador da Universidade Católica de Nimega, catedrático e reitor magnífico da mesma. Assessor religioso de todos os editores de periódicos (revistas, jornais) da Holanda, em cujo campo trabalhou com grande zelo e acerto. Era a pessoa pública mais conhecida da Holanda.
No jardim de sua alma floresceram todas as virtudes. É um enamorado de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de sua Ordem do Carmo.






Imagem do bem-aventurado mártir
pintada por um companheiro de
prisão. 
Na tarde de segunda-feira, 19 de janeiro de 1942, foi capturado pelos “SS” nazistas e encarcerado em vários campos de concentração. Seis longos meses de calvário, sobretudo no “inferno” de Dachau (campo de concentração tão terrível como o de Auchwitz). Por fim, por seu grande amor à Igreja e a seus irmãos, no domingo, dia 26 de julho de 1942, seu corpo caía por terra, como o “grão de trigo” do Evangelho, por obra de uma injeção mortal de ácido fênico. Todos no campo repetiam: “morreu um santo”!





Padre Tito Brandsma, em seus meses de prisão, sempre se conservou sereno, levando a todos a bondade e o amor que ardiam em seu coração. Foi um “anjo” para os demais prisioneiros, já acabrunhados e desesperados por tanto sofrimento. A própria enfermeira alemã que lhe aplicou a injeção mortal, mais tarde, no processo de beatificação, testemunhou emocionada a mansidão e a paz conservadas por nosso querido Beato.
Foi beatificado por Sua Santidade São João Paulo II, em 03 de novembro de 1985. Sua festa é celebrada no dia 27 de julho.

  
Beato Tito Brandsma, presbítero carmelita e mártir. Foi um
homem santo, mas, também, de ciências e letras. Teólogo e
jornalista ilustres, suscitou o ódio dos nazistas por causa de
seus escritos que denunciavam os erros e desmandos da
doutrina nazista. Foi assessor religioso de todos os
diretores de periódicos (jornais e revistas) da Holanda.
Era a pessoa pública mais conhecida de seu país. Sua
atividade apostólica pela escrita não poderia passar
despercebida pela Gestapo e as SS nazistas. 


Sua espiritualidade

As notas fundamentais de sua espiritualidade as resumia o decreto que a Sagrada Congregação Para a Causa dos Santos dava em 09 de novembro de 1984, quando dizia:
“De pequena e grácil estatura e de saúde sempre delicada, soube combinar uma intensa vida interior e uma grande solicitude por todas as formas de apostolado moderno: missões, união de igrejas (ecumenismo), escolas e educação católicas, meios de comunicação social, etc. De caráter pacífico, porém firme, se destacava por sua fé viva, por sua imensa confiança em Deus e por sua doce caridade, para com os pobres, especialmente pelo quê muitos, já antes de seu martírio, o tinham por santo... Passou seus últimos meses em cárceres e campos de concentração, dando a todos exemplo de uma fé inquebrantável, de fortaleza de ânimo, de paciência e de extraordinária caridade. Perdoou a seus inimigos e rezava por eles...”.

Seu ardente amor a Jesus Cristo e à Virgem Maria, seu zelo pelas almas, sua observância regular, seu amor à Igreja e aos “perseguidos”, sua sensibilidade e bom humor... Foram os “cimentos” sobre os quais, dia-a-dia, edificava sua santidade, que foi coroada pelo martírio!

São Tito Brandsma, presbítero carmelita e mártir, foi solenemente canonizado na Praça de São Pedro, por Sua Santidade o Papa Francisco, no dia 15 de maio de 2022, V Domingo da Páscoa. Glória a Deus para sempre, em seus santos e santas!  Amém! Aleluia! 

Sua mensagem

·       Que Jesus, Maria e o Carmelo “fascinem nossas vidas”.
·       Que colaboremos com todas as formas de apostolado possíveis.
·       Que preguemos a verdade, ainda que nos custe a vida.
·       Que perseveremos na fé até o generoso martírio.


Oração:

 Senhor Deus, fonte e origem da vida, infundistes no Beato Tito, a força do vosso Espírito para que proclamasse a liberdade da Igreja e a liberdade do homem, mesmo durante a crueldade da perseguição e do martírio. Concedei-nos, por sua intercessão, empenharmo-nos na construção do Reino da justiça e da paz, sem nos envergonhar do Evangelho e, descobrir, a vossa presença misericordiosa, em cada momento da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém!