Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 27 de novembro de 2018

SÃO TIAGO, o mutilado, mártir (+ 411 d.C) - 27 de novembro.

        


       São Tiago, dito: "o mutilado", pertence ao rol dos santos e santas que tiveram os nomes retirados da liturgia santoral no pós-Vaticano II. Não deixaram, é claro, de serem santos (as): apenas não  tem mais suas memórias festejadas na reforma litúrgica. 
      No caso do presente santo, achei sua história belíssima e de forte testemunho de conversão, coragem, fé e perseverança.
      Espero que a leitura de sua vida e morte motive a todos nós à fidelidade no "martírio branco" que todos os cristãos que desejam ser fiéis a Deus sofrem diariamente. Nos tempos que vivemos, de tantas facilidades e tentações: relativismo, secularismo, egocentrismo, luxúria, hedonismo, idolatria ao dinheiro e ao poder, culto à saciedade e ao conforto, etc, não é nada fácil se manter fiel à vontade de Deus. 


De origem persa, Tiago nasceu em Bethlapeta. Alta linhagem, grandes e fulgurantes talentos, avultada fortuna, posição saliente, distinções honrosíssimas, que lhe vinham do monarca persa, fizeram com que o nome de Tiago fosse por todos muito honrado, mas também o levaram à beira do abismo.
Quando o Rei da Pérsia anunciou uma perseguição ao cristianismo, Tiago teve a fraqueza de negar a fé, o que grande tristeza causou à esposa e à mãe. Morto o Rei Isdegerts, escreveram a Tiago esta carta: “Sabemos que abandonaste o amor e a fidelidade de Deus imortal, para ganhar o agrado do Rei, os bens e as glórias deste mundo. Qual foi o fim daquele, por amor do qual perdeste um tesouro tão grande? O miserável teve a sorte de todos os mortais... Dele nada mais podes esperar, nem tão pouco te libertará das penas eternas. Sabe que a divina justiça te condenará às penas do inferno, si continuares na tua infidelidade. Quanto a nós, não desejamos mais ter comunicação contigo”. A leitura dessas palavras impressionou-o profundamente. Caindo em si, abandonou a vida na corte e renunciou a todas as vantagens que as relações com a aristocracia lhe tinham conferido. Ao novo rei declarou francamente, que era cristão e como tal desejava viver.
O monarca abalou-se com esta declaração e, indignado, acusou-o de ingratidão, apontando para os grandes benefícios que do pai tinha recebido. "Onde está aquele príncipe?" perguntou Tiago. "Que foi feito dele?" Estas palavras ainda mais irritaram o Rei, que respondeu com ameaças de morte lenta e cruel. Tiago replicou: "Qualquer feição que a morte tome, é apenas um sono... Oxalá possas ter a morte de justo." O Rei: "Não, a morte não é um sono; para todos, grandes e pequenos, é um objeto de horror". Tiago: "Não há dúvida; horrorosa é para os reis e todos os que desprezam a divindade, porque vã é a esperança dos ímpios." O Rei: "Chamas-me de ímpio, miserável, tu, que não adoras o sol, a lua, o fogo e a água, as emanações mais sublimes da divindade?" Tiago: “Não intenciono ofender-te; o que digo e censuro é dares a criatura o nome de “Deus”, o que não deve ser”.
O Rei, ouvindo isto, não mais se conteve. Convocou os ministros, conselheiros e juízes, para que com ele determinassem de que modo deveria morrer aquele, que tão afrontosamente tinha ofendido e ultrajado as divindades do reino.
Tiago foi posto na prisão e condenado à morte de mutilação. Si não quisesse prestar homenagem às divindades, deveriam ser-lhe amputados os membros do corpo um por um. Profunda foi a impressão que esta sentença causou entre o povo. Todos afluíram ao lugar do suplício, para serem testemunhas da cruel execução. Os cristãos, por sua vez, pediram a Deus a graça da perseverança para o seu servo.
Antes de ser executado, Tiago, com o rosto virado para o oriente, de joelhos e os olhos fitos no céu, fez uma oração. Depois se lhe aproximaram os algozes que, de acordo com a sentença, lhe amputaram dedo por dedo, depois as mãos, os braços, os pés e as pernas. Tiago sofreu horrivelmente, mas não vacilou. No meio das cruéis operações disse: "Esta morte, que vos parece tão pavorosa, é preciosíssima, por produzir a vida eterna".
Quando lhe cortaram o polegar da mão direita, o mártir disse: "Salvador dos cristãos, aceita este pequeno 'galho de árvore'. Esta árvore entrará em decomposição; mas reviverá, cobrir-se-á de folhagem e receberá a coroa da glória eterna." Os próprios juízes, assistindo ao horrível martírio de Tiago, ficaram movidos de compaixão e pediram-lhe que tivesse pena do corpo e salvasse a vida, a que o servo de Deus respondeu: "Não sabeis que não é digno de Deus aquele que, tendo posto a mão no arado, olha para traz?" Cada articulação que perdia, era oferecida a Deus com estas palavras: "Aceitai mais este galho."

Não havendo mais nada para cortar, Tiago disse aos algozes: "Abatei agora o tronco. Não vos deixeis mover por compaixão de mim, estou satisfeito, e minha alma se alegra no Senhor e inclina-se para aquele que ama os pequeninos e humildes." Horrivelmente mutilado, o mártir ainda estava com vida, louvando a Deus. Por último foi-lhe decepada a cabeça. Da maneira porque lhe foi praticado o martírio, Tiago recebeu o cognome de mutilado.
A data da morte do mártir foi o dia 27 de novembro de 421. Os cristãos juntaram as preciosas e imploraram sua intercessão junto a Deus. Apesar de seu nome e culto terem sido praticamente esquecidos na Igreja Católica do Ocidente, ainda é lembrado nas Igrejas Orientais ligadas à Sé de Roma. Existem alguns mosteiros no Oriente erigidos em sua honra. 



Fonte: 
Livro "Na Luz Perpétua", II Tomo (ano 1950)

domingo, 25 de novembro de 2018

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA, Virgem e Mártir - século IV (25 de novembro).




De nobre origem, nasceu Catarina em Alexandria, no Egito, no final do século III. Bem pequena ainda, começou a instruir-se nas verdades da santa religião e, dotada de uma inteligência superior, mais tarde, não só se aprofundou na ciência teológica, como também se dedicou dum modo particular ao estudo das ciências profanas.
Tendo apenas dezoito anos, em discussões públicas confundiu os maiores filósofos da cidade natal. O imperador Maximino tinha decretado uma perseguição aos cristãos e sua doutrina. Tendo conhecimento do grande preparo de Catarina, prometeu um prêmio ao filósofo que conseguisse afastar a jovem da religião cristã.
Numa discussão pública, para a qual Catarina foi convidada, puseram em ação todo o aparato de argumentações sofísticas, para desorientar a donzela. Catarina, porém, iluminada pelo Espírito Santo, respondeu com tanta clareza e sabedoria, que abandonaram os erros e pediram admissão entre o número dos catecúmenos. Todos morreram pela fé, à qual se tinham convertido.
O Imperador, surpreendido pelo êxito inesperado da discussão, procurou pessoalmente ganhar as simpatias de Catarina, para destarte fazê-la abandonar o Cristianismo. Entre outras muitas promessas que lhe fez, foi a principal a de elevá-la à dignidade de Imperatriz. Catarina, porém, rejeitou todas as pretensões do tirano, não querendo reconhecer por esposo do coração senão o divino Salvador. Maximino mudou então de tática e em vez do amor, que não lhe possuía, revelou o ódio sem limites contra a religião de Cristo e contra a nobre donzela. Durante onze dias Catarina foi sujeita a toda sorte de sofrimentos. Duras flagelações revezavam com desumanas privações. O resultado foi que muitas pessoas, que visitaram a pobre vítima das iras imperiais, se converteram ao Cristianismo.
Esta circunstância provocou mais ainda o furor do déspota, que baixou uma ordem, segundo a qual Catarina devia ser colocada sobre uma roda com lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Catarina fez o sinal da cruz sobre o instrumento do martírio e este se desconjuntou imediatamente, fato que causou máxima admiração e determinou a conversão de outros pagãos. Maximino não mais ousou aplicar outras medidas, com receio de tornar-se propagandista do Cristianismo. Por isto deu ordem para que Catarina fosse decapitada. A jovem crista recebeu jubilosa esta sentença e saudou o dia que lhe ia proporcionar a maior das venturas: a união com o celestial esposo.



Diz a história da vida de Santa Catarina que o corpo da Santa foi pelos Anjos levado ao monte Sinai. Falcônio, arcebispo de San Severino, referindo-se a esta lenda, diz: "Os 'anjos', isto é, os religiosos do convento de Sinai, levaram o corpo da mártir ao monte santo, onde o sepultaram com todas as honras".
A maior parte das relíquias de Santa Catarina se acha de fato no Mosteiro de Sinai.
Santa Catarina, tanto pela Igreja Oriental como pela Ocidental é considerada grande mártir e figura entre os 14 Santos Auxiliadores.






O Matrimônio Místico de Santa Catarina.

O pai, diz a lenda, era Costes, rei de Alexandria. Ela própria era, aos 17 anos, a mais bonita e a mais sábia das jovens de todo o império; esta sabedoria levou-a a ser muitas vezes invocada pelos estudantes. Anunciou que desejava casar-se, contanto que fosse com um príncipe tão belo e tão sábio como ela. Esta segunda condição embargou que se apresentasse qualquer pretendente.
“Será a Virgem Maria que te procurará o noivo sonhado”, disse-lhe o ermitão Ananias, que tinha revelações. Maria aparece, de fato, a Catarina na noite seguinte, trazendo o Menino Jesus pela mão. “Gostas tu d’Ele?”, perguntou Maria. -“Oh, sim”. -“E tu, Jesus, gostas dela?” -“Não gosto, é muito feia”. Ao ouvir isso, acordou do sonho.
Catarina foi logo ter com Ananias: “Ele acha que sou feia”, disse chorando. -“Não é o teu corpo, é a tua alma orgulhosa que Lhe desagrada”, respondeu o eremita. Este instruiu-a sobre as verdades da fé, batizou-a e tornou-a humilde; depois disto, em linda aparição de Maria e do Menino Jesus, tendo-a o divino Infante a encontrado bela, a Virgem Santíssima meteu aos dois o anel no dedo; foi isto que se ficou chamando desde então o “casamento místico de Santa Catarina”.


Fonte:
Na Luz Perpétua, Tomo II (publicação de 1950)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Beata Alessandra (Sandra) Sabattini, virgem e leiga - a "noiva santa".







Em 06 de março de 2018, o Papa Francisco aprovou o decreto que reconhece as virtudes heroicas da italiana Sandra Sabattini, uma jovem falecida aos 23 anos, que poderia se tornar a primeira noiva santa da Igreja Católica.


Sandra Sabattini, estudante de medicina, noiva, nasceu no dia 19 de agosto de 1961 em Riccione, em uma família profundamente católica, e viveu seus primeiros anos no município de Misano Adriatico, na província de Rimini. Aos 04 anos, ela e sua família se mudaram para a casa paroquial da Paróquia de San Girolamo, onde era pároco um de seus tios, Pe. Giuseppe Bonini, irmão de sua mãe.

 No dia 24 de janeiro de 1972, aos 10 anos de idade começa a escrever em um diário: "A vida vivida sem Deus é um passatempo, divertido ou não, com tédio, na qual se vive à espera da morte". Esse diário, rico em espiritualidade, e que dá uma mostra da beleza de alma de Sandra, será publicado por vontade de padre Oreste depois de sua morte.

Aos 12 anos conhece padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade Papa João XXIII, que se dedicava aos muito pobres. Esse encontro marcou deveras o coração da adolescente, que também foi tocado pela graça de uma especial amor e misericórdia pelos pobres e necessitados. Após uma experiência missionária com o grupo, voltou para casa com uma certeza: “Nós quebramos nossos ossos, mas essas são as pessoas que nunca abandonarei”. 

Alguns anos mais tarde, inicia seus estudos em medicina. Em seu tempo livre e em suas férias, dedicava-se a atender os enfermos. Com uma vida intensa de oração, o terço diário e a meditação cotidiana da Palavra de Deus, Sandra também tinha o costume de rezar na primeira hora de cada ano (de meia-noite à 1h) diante do Santíssimo Sacramento.



Dedicada aos estudos, se prepara espiritual e psicologicamente para uma possível partida para a África, um dos muitos sonhos que ela mantinha em uma gaveta, juntamente com o projeto de um futuro com o jovem Guido, um rapaz um pouco mais velho que ela, com quem estava noiva. Foi aos 20 anos que conheceu Guido Rossi, com quem compartilhava os mesmos ideais, como o sonho de um dia, após casados, irem para a África a fim de fundar uma comunidade que serviria aos “últimos dos últimos”.

Em 29 de abril de 1984, aos 23 anos, ia com Guido a um encontro da Comunidade Papa João XXIII. Assim que saiu do carro e esperava para atravessar a rua, foi atropelada por outro veículo que seguia na direção contrária. Gravemente ferida, entra em coma. Três dias depois, no dia 02 de maio de 1984, Sandra morre no hospital a Bologna.  





Em setembro de 2006, o então Bispo de Rimini, Dom Mariano De Nicolò, abriu a causa de canonização, com cerca de 60 testemunhos sobre suas virtudes. No final da investigação sobre sua vida, virtude e fama de santidade, ela foi declarada Serva de Deus.

Ao postular sua causa, o fundador, Pe. Oreste Benzi explicou, assim, a promoção de sua causa: "Há os esposos santos, os pais santos. Mas não seria bom ter uma namorada santa”? Sim, realmente, Sandra e Guido vivam um namoro e um noivado santos, pautados pelo amor sincero e casto, colocando-se ambos a serviço de sua Comunidade e da Igreja.

Apenas em 2003, Pe. Oreste editou a primeira edição do "Diario di Sandra", uma coleção de escritos de onde surge um modelo juvenil de fidelidade evangélica excepcional.

Em uma recente entrevista a TV 2000, Guido recordou: “a primeira vez que saímos juntos (...) ela me levou a um cemitério, para olhar os rostos das senhorinhas nas sepulturas esquecidas, para perceber nessas vidas esquecidas a presença real do Senhor que nunca nos esquece”.

“O tempo do namoro não era simples ou somente uma alegria humana, mas era uma alegria que se devia ao fato de que esta relação estava no centro de um projeto maior”, ressaltou.

Sandra Sabattini foi definida como uma “santa do cotidiano”, pois não fez nada extraordinário, segundo descreve sua biografia, intitulada “A santa ao lado”, uma obra em dois volumes editada pela teóloga Laila Lucci, com prefácio do atual Bispo de Rimini, Dom Francesco Lambiasi.

A documentação sobre a cura de Stefano Vitali, ex-presidente da Província de Rimini, ocorrida em 2007 após ter pedido a intercessão de Sandra Sabattini, já foi enviada à Congregação para as Causas dos Santos e será meticulosamente examinada para uma eventual beatificação. 
O milagre foi aprovado pela comissão médica e pela comissão teológica como "inexplicável pela ciência médica" e como de "caráter sobrenatural", respectivamente. 

Foi solenemente beatificada hoje, dia 24 de outubro de 2021. 
Beata Sandra Sabatini, rogai por nós! 





Fontes:



quarta-feira, 14 de novembro de 2018

FESTA DE TODOS OS SANTOS CARMELITAS - 14 de novembro





Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus Pai do Céu, tende piedade de nós!
Deus Filho Redentor do Mundo, tende piedade de nós!
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós!
Santíssima Trindade que sois Um só Deus, tende piedade de nós!

Nossa Senhora Monte Carmelo, rogai por nós!
Senhora do Lugar,
Mãe da Divina Graça,
Rainha, Mãe e Irmã dos Carmelitas,
Virgem do Santo Escapulário,
São José, Patrono do Carmelo,
Santo Elias, Patriarca do Carmelo,
Santo Eliseu, Profeta do Carmelo,
Santo Alberto de Jerusalém,
São Brocardo, 
São Bertoldo,
São Simão Stock, presbítero, 
Santo Alberto de Trápani, presbítero, 
Santo Avertano, religioso, 
Santo Ângelo da Sicília, presbítero, 
São Pedro Tomás, bispo, 
Santo André Corsini, bispo, 
Santa Teresa de Jesus, virgem e doutora da Igreja, nossa mãe, 
São João da Cruz, presbítero e doutor da Igreja, nosso pai, 
Santa Maria Madalena de Pazzi, virgem, 
Santa Teresa Margarida Redi, virgem, 
Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, virgem e doutora da Igreja, 
Santa Elisabete da Trindade,virgem, 
Santa Teresa de Los Andes, virgem, 
Santa Teresa Benedita da Cruz, virgem e mártir, 
Santa Maria de Jesus Crucificado,virgem, 
Santa Maria Maravilhas de Jesus, virgem, 
Santa Joaquina de Vedruna, fundadora, 
São Nuno Álvares Pereira, religioso, 
São Ciríaco Elias Chavara, presbítero e fundador, 
São Rafael Kalinowski, presbítero, 
São Luís Martin e Santa Zélia Guerín, esposos e pais de Santa Teresinha, 
São Tito Brandsma, presbítero e mártir, 
Santo Henrique de Ossó e Cervelló, presbítero e fundador, 
São George Precca, presbítero e apóstolo do escapulário do Carmo, 
Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, 
São João Bosco, presbítero e fundador, 
São Pompílio Pirroti, presbítero, 
São João Maria Vianney, presbítero, 
São João Paulo II, papa, 
Todos os Santos devotos do Escapulário do Carmo, intercedei por nós! 
Beata Francisca d’Amboise, virgem, rogai por nós! 
Beata Ana de São Bartolomeu, virgem, 
Beata Maria da Encarnação, viúva e religiosa, 
Beata Maria dos Anjos, virgem, 
Beata Maria de Jesus, virgem, 
Beato Dionísio da Natividade, presbítero e mártir, 
Beato Redento da Cruz, religioso e mártir, 
Beato João Soreth, presbítero, 
Beato Francisco Palau y Quer, presbítero e fundador, 
Beato Batista Mantovano, presbítero, 
Beatos João Batista Duverneuil, Miguel Luís Brulard e Tiago Gagnot, presbíteros e mártires, 
Beata Teresa de Santo Agostinho e companheiras, virgens e mártires, 
Beato Afonso Mazurek, presbítero e mártir, 
Beatas Maria Pilar, Teresa e Maria Angeles, virgens e mártires, 
Beato Eufrásio do Menino Jesus, presbítero e mártir, 
Beato Eusébio do Menino Jesus, presbítero, e 15 companheiros mártires, 
Beato Lucas de São José, presbítero, e 13 companheiros mártires, 
Beata Maria Mercedes Prat, virgem e mártir, 
Beata Maria Sacrário de São Luís de Gonzaga, virgem e mártir, 
Beata Maria Cândida da Eucaristia, virgem, 
Beata Elias de São Clemente, virgem, 
Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado, virgem, 
Beata Teresa Maria da Cruz, fundadora, 
Beata Maria Teresa de São José, fundadora, 
Beato Maria-Eugênio do Menino Jesus, presbítero, 
Beato Isidoro Bakanja, leigo e mártir, 
Beato George Häfner, presbítero da OCDS e mártir, 
Beata Josefa Naval Girbés, virgem da OCDS, 
Todos os Santos e Santas de nossa Ordem,
Todos os Beatos e Beatas de nossa Ordem,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: perdoai-nos Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: ouvi-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós!

V. Rogai por nós, todos os Santos e Santas carmelitas.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos:
Ajude-nos, ó Deus Todo-Poderoso, o patrocínio da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, e a intercessão dos Santos e Santas carmelitas, para que, seguindo fielmente seus exemplos, sirvamos generosamente vossa Igreja com a oração e a vida apostólica. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

SANTO AVERTANO, religioso carmelita (século XIV).




Nasceu Avertano em Limoges, por volta de 1320, de pais pobres, porém, honrados e cristãos. Há relatos sobre sua vida que dão conta de certas histórias admiráveis como, por exemplo, que não mamava às sextas feiras e nem nas vigílias das solenidades, acontecendo que se sua mãe lhe dava o peito, o bebê Avertano resistia e chorava. Conta-se que aos cinco anos já lia, respondia à Santa Missa e conhecia o Ofício de Nossa Senhora. Ir à igreja era seu maior gozo, renunciando a jogos e à companhia de outros meninos. Sendo ainda muito criança, tomou grande devoção à Santíssima Virgem e a ela se recomendava cada dia, especialmente na adolescência, para vir a pecar gravemente.

Aos 15 anos resolveu ser religioso, porém, não sabia a que Ordem pertencer. Assim, implorou à Virgem Maria que o iluminasse. Certa noite, se lhe apareceu um anjo que lhe disse que Deus o queria no convento da Ordem do Carmo.  Assim, em 1335, pediu o hábito carmelita não sem certa oposição prévia de seus pais, que finalmente aceitaram sua vocação. O prior lhe aceitou com alegria, pois, advertido por Deus, sabia que o jovem Avertano seria uma glória para a Ordem. Enquanto lhe vestiam o hábito, caiu arrebatado em êxtase, durante o qual se lhe apareceu a Mãe de Deus e o abençoou especialmente, assegurando-lhe que ela sempre seria sua guardiã e protetora.

Durante 42 anos viveu Avertano em seu convento de Limoges ocupado em diversos ofícios, como enfermeiro e esmoler. Foi um religioso exemplar, sobretudo na mãe de todas as virtudes religiosas: a obediência. Também era muito cuidadoso de sua castidade, não falando jamais com mulheres, nem permitindo-se mirá-las no rosto quando estas lhe falavam. Não faltava nunca com as virtudes da pobreza e do desapego, sabendo que tudo na comunidade era propriedade de todos e de ninguém em particular. Igualmente, foi muito penitente, parco na comida e na bebida e muito pouco amigo do sono e do conforto. Sua oração era muito elevada, recebendo graças e dons especiais na oração.




Em 1379 nasceu em Avertano o desejo devoto de peregrinar a Roma e venerar as relíquias dos Santos Apóstolos e mártires, obtendo a permissão de seu prior. Junto com ele foi o Beato Romeu (memória em 04 de março), religioso mais jovem, porém, não menos santo. Ambos partiram a pé no dia 01 de novembro do mesmo ano,  logo após recomendarem-se a Todos os Santos. Ambos abrigavam-se nas grutas que achavam, transformando-as em “celas”, fazendo nelas suas orações e preces, mantendo o jejum e o preceito do Ofício Divino conforme lhes mandava a Regra.  


Cruzando os Alpes, Avertano adoeceu por causa do frio e pelos esforços físicos, porém, foi por milagre sustentado a continuar seu caminho. Ambos os religiosos chegaram a Lucca (cidade natal do Beato Romeu) em princípios de fevereiro de 1380, estando a cidade fechada aos estrangeiros por causa da peste que assolava a região. Por esse motivo, o Beato Romeu o levou ao hospital de San Pedro, para os enfermos pobres. Ali estiveram por uns dias até que se decidiram por entrar na cidade, para ir ao convento dos carmelitas, porém, os guardas lhes proibiram a entrada, vendo-lhes tão macilentos, especialmente Avertano. Então, este lhes profetizou: “Não passará muito tempo em que os pese não haverdes me deixado entrar na cidade e, então, não o podereis conseguir, ainda que o procureis fazê-lo com todas as vossas forças”. E ambos regressaram para o hospital, mostrando-se Avertano cada vez pior em sua enfermidade.

Revelou-lhe o Senhor que morreria em breve. Para tanto, se confessou, recebeu o Santo Viático e, antes de falecer, apareceu-lhe a Santíssima Virgem rodeada de Anjos para leva-lo consigo ao paraíso. Ao mesmo tempo, recebeu da Virgem Maria uma última profecia que dirigiu aos demais enfermos: “consolai-vos, irmãos, no Senhor, que a peste na Itália em breve cessará e o cisma que há na Igreja o fará pouco depois, por intercessão de Nossa Senhora”. Assim, confortado pelo Sacramento, expirou docemente, no dia 25 de fevereiro de 1380.

Conta-se que os sinos das igrejas de Lucca repicaram sozinhos, fazendo com o povo saíssem de suas casas para ver o que acontecia. Prontamente correu a uma só voz a notícia dos resplendores que brotavam do corpo de Avertano e dos milagres que ocorriam a quantos lhe tocavam. Dispôs-se o bispo que se lhe celebrassem os funerais solenes e os carmelitas tomaram o corpo para leva-lo para sepultar em seu convento, porém, aconteceu que ao chegar à porta da cidade, o corpo do Santo se tornou pesadíssimo, sem que nada pudesse movê-lo. Visto isso e recordando a profecia de Avertano, decidiram enterrá-lo na igreja do hospital de São Pedro, onde havia falecido. Oito dias depois, faleceu também o Beato Romeu de Lucca e foi sepultado com seu irmão de hábito.

Ao final de um ano de sua morte eram tantos os prodígios que ocorriam pela intercessão de Frei Avertano que o bispo elevou suas relíquias a um altar, ato esse que é uma canonização, de acordo com as regras e costumes do século XIV. Em 31 de agosto de 1513, suas relíquias foram transladadas para a cidade, pois, o hospital e a igreja do mesmo iriam ser demolidos ao ampliar-se a cidade. Ainda que os carmelitas tenham tentado a todo custo possuir as relíquias, o clero diocesano e os canônicos se impuseram e levaram as relíquias à catedral. Ao mesmo tempo, a Sé introduziu seu nome no catálogo dos santos, na liturgia própria da diocese. A Ordem o introduziu no Ofício Carmelitano no Capítulo de Roma, em 1564, para ser suprimido na reforma litúrgica do ano de 1972.



Fontes:
-"Glorias del Carmelo". Tomo II. P. JOSÉ ANDRÉS. S.I. Palma, 1863.
-"Flores del Carmelo: Vidas de los Santos de Nuestra Señora del Carmen". FR. JOSÉ de SANTA TERESA OCD. Madrid, 1678.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Beato Timóteo Giaccardo, presbítero. O primeiro padre paulino (dois textos biográficos).




Giuseppe Timoteo Giaccardo, sacerdote paulino, italiano, pertence à Congregação da Pia Sociedade de São Paulo. A originalidade de sua vida está em ter sido o primeiro sacerdote da Família Paulina e um fidelíssimo discípulo do fundador, o Bem-Aventurado Padre Tiago Alberione. Nasceu em Narsole, norte da Itália. Sua família era pobre de bens materiais, mas rica de fé e virtudes cristãs.
Em 1908, Giuseppe encontrou-se pela primeira vez com o jovem padre Tiago Alberione que, em Narzole, estava dando sua colaboração na paróquia. Padre Alberione, percebendo no pequeno José profunda piedade e grande vontade de ser padre; encaminhou-o para o seminário da diocese de Alba. Tendo como guia espiritual padre Alberione, em 1917 José Timóteo entrou na “Obra de São Paulo” fundada em 1914 por seu mestre e cuja finalidade específica era a evangelização por meio da imprensa, a principal mídia da época.
Desde cedo, Giuseppe Timóteo mostrou-se uma pessoa de profunda vida interior, desejosa de ser cada dia melhor e ajudar seus semelhantes no bem. Por isso, com grande fé, acatou as orientações de Padre Alberione que indicava uma nova forma de santidade e de evangelização. José Timóteo, movido pela fé, foi fiel companheiro da “primeira hora”, seguidor incondicional e colaborador ativo do fundador da então nascente Família Paulina. Acompanhou todas as obras e todas as pessoas com grande perspicácia e sensibilidade.
Além de alguns livros, deixou como preciosa herança espiritual um “Diário”, rico da presença de Deus e desejos profundos de santidade para si mesmo e para todos. Sua fé em Deus e amor à missão faziam dele uma pessoa autêntica e radical. Lemos em seu “Diário”: “Ó Jesus, quero viver de tua vida, transforma-me. Quero ser ‘outro Jesus’ na minha vida e com todas as pessoas”.
Diante das grandes dificuldades para a aprovação da Congregação das Discípulas do Divino Mestre (uma das congregações fundadas por Alberione) que se dedicam à missão eucarística, missão sacerdotal e missão litúrgica, padre Timóteo não mediu esforços nem súplicas. Diante das respostas negativas não hesitou em oferecer a própria vida para garantir a existência na Igreja desta congregação, certamente querida por Deus. E o importante é que Deus aceitou a oferta. Foi assim que ele, acometido por leucemia, veio a falecer alguns dias após a aprovação pontifícia das Discípulas do Divino Mestre, no dia 24 de janeiro de 1948. A aprovação chegara no dia 12 de janeiro de 1948.
Dele escreveu o fundador:
“De 1909 a 1914, quando a Divina Providência preparava a Família Paulina, ele, embora não entendendo tudo, teve clara intuição da obra. As luzes que recebeu da Eucaristia, de sua fervorosa devoção mariana e a reflexão sobre os documentos pontifícios o iluminaram sobre as necessidades da Igreja e sobre os meios modernos para anúncio do Evangelho. Desde 1917, ainda seminarista, orientava os mais novos; foi chamado e tornou-se para sempre: o senhor mestre: amado, ouvido, seguido e venerado por todos. Foi o mestre que a todos precedia com o exemplo, que ensinava, aconselhava e construía com suas orações iluminadas e fervorosas. Gravou, pode-se dizer, em cada pessoa sua marca, e imprimiu algo de si em cada coração dos Sacerdotes e Discípulos, das Paulinas, Discípulas e Pastorinhas e em todos aqueles que se aproximaram dele por motivos espirituais ou sociais e econômicos. Foi mestre na oração: sabia falar com Deus. Vivia intensamente a devoção à eucaristia, a Nossa Senhora, à liturgia e nutria um grande amor à Igreja e ao Papa. Foi mestre na missão. Ele a sentia, a amava e a desenvolvia. Sabia suscitar energias, ser o sustento para os fracos e luz e sal, no sentido evangélico, para todos. Foi o coração e a alma da Família Paulina. Quem quiser conhecer alguém que encarnou totalmente o ideal e o carisma da missão paulina em sua integralidade, deve olhar o ‘senhor mestre’” (Tiago Alberione).
A aprovação e o reconhecimento de suas virtudes, por parte da Igreja, não se fizeram esperar. Em 1985 foi declarado venerável. E a 22 de outubro de 1989, o Papa São João Paulo II o declarou solenemente bem-aventurado. Foi, portanto, beatificado antes do Beato Tiago Alberione, seu amado fundador e mestre.


 *   *   *   *   *   *   *


Segundo texto biográfico:

Giuseppe Timóteo Giaccardo, nasceu em 13 de julho de 1896 em Narzole, diocese de Alba, na Itália. Os pais, pobres e tementes a Deus, batizaram-no no mesmo dia do nascimento. Deram-lhe como primeiro nome Giuseppe (José), motivo por que será chamado familiarmente de ‘Pinotu’ (Zezinho). O nome de Pe. Timóteo lhe será conferido, como então se usava para os religiosos, no dia 30 de julho de 1920, por ocasião da renovação dos seus votos.

Pe. Alberione, fundador da Família Paulina, escolheu para o primeiro sacerdote da recém-fundada congregação o nome do primeiro discípulo fiel de São Paulo. Em 1948, no dia 24 de janeiro, morreu após ter rezado o “Ângelus”, ao meio-dia. O Papa João Paulo II o proclamou bem-aventurado em 22 de outubro de 1989.


Um encontro providencial
No mês de maio de 1908, José encontrou pela primeira vez o Pe. Alberione. Tal encontro definiu toda a sua vida. Tinha apenas doze anos. Pe. Alberione escreve: “Mandado pelo bispo para ajudar, no domingo, o pároco de Narzole, fraco de saúde, notei imediatamente, entre os meninos que frequentavam a Igreja, o pequeno Giusseppe, pela sua piedade, seriedade quase superior aos anos, amor ao estudo, vivacidade, sempre contida nos limites de uma alegre inocência. De manhã, com seu amigo, que mais tarde se tornou missionário na África, chegava à igreja ainda fechada para ajudar na missa e para comungar”.


Primeiro sacerdote Paulino
No dia 19 de outubro de 1919, Timóteo Giaccardo sacerdote. Sua ordenação marcou a história da Família Paulina: era o primeiro sacerdote do novo Instituto Pia Sociedade de São Paulo. A sua ordenação sacerdotal não somente confirmava as bênçãos de Deus sobre a nova obra, mas declarava que o “apostolado das edições” é na Igreja e para a Igreja um ministério sacerdotal. Ele era o primeiro padre paulino que fora ordenado expressamente para um ministério novo na Igreja.



Naquela noite inesquecível, Pe. Giaccardo escrevia: “Maria, eu te amo com o amor de Jesus sacerdote. Quanto me é doce dizer-te isto. Sim, com o amor de Jesus, do qual tu me revestiste, me incorporaste, que infunde em mim a sua vida eucarística, da qual descende o meu sacerdócio”.

“Subi ao altar levando o ideal do meu tempo de clérigo: ‘Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim’. Para mim é muito agradável recordar, agradecer de forma explícita, Nossa Senhora, já que todo sacerdote sai do seu coração; e eu dele saí com uma superabundância de afetos, de cuidados, de providência, de graça, de vida”.




Fontes:





quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Beato Luciano (Lucien) Botovasoa, leigo, pai de família, catequista e mártir (em Madagascar).




Primeiro texto biográfico
Luciano Botovasoa nasceu em 1908 em Vohipeno, um município rural do sudeste de Madagascar, na Província de Fianarantsoa.
Em 1918, inicia os estudos na escola estatal para em seguida, em 1920, transferir-se ao Colégio São José de Ambozontany, dirigido pela Companhia de Jesus. Em 1928, ao concluir os estudos, obteve o diploma de habilitação ao ensino e, já no mês de outubro do mesmo ano, tornou-se professor paroquial de Vohipeno, fazendo seu o lema da Companhia de Jesus: Ad maiorem Dei gloriam.
Em 10 de outubro de 1930, casou-se com Suzanne Soazana na igreja paroquial de Vohipeno e, em 2 de setembro do ano seguinte, nasceu Vincent de Paul Hermann, o primeiro dos seus oito filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram. O Beato não é somente professor do vilarejo, mas também é atuante na paróquia. É excelente educador, conhece, além do malgaxe, várias outras línguas: francês, latim, inglês, alemão, chinês. É músico excepcional e cantor reconhecido, tornando-se responsável pelo coro paroquial, generoso e disponível para com os necessitados. É também atleta, e é descrito como sempre sorridente e alegre.

Em 1940, o Beato se aprofunda na Regra da Ordem Terceira Franciscana, que se torna seu texto de estudo e meditação, até fazê-lo assumir tal caminho no seguimento de Cristo, com a vestição do hábito da Ordem Terceira de São Francisco em 8 de dezembro de 1944. Inicia, assim, a levar uma vida pobre, na espiritualidade franciscana, caracterizada por profunda piedade e pelo desejo ardente de difundir o Evangelho em toda parte.

Após a Segunda Guerra Mundial, nos anos 1946-1947, cresce em Madagascar o desejo de independência da França. Em relação à região onde vive o bem-aventurado em 1946, Tsimihoño tornara-se Rei (Mpanjaka) do Clã de Ambohimanarivo, apoiador dos grupos separatistas. Também em Vohipeno, o embate entre as duas facções opostas gera atos de violência. Em 30 de março de 1947, Domingo de Ramos, as igrejas foram incendiadas e começou a perseguição aos cristãos.

O Rei Tsimihoño, levando em conta o respeito que o povo de Vohipeno, católicos ou não, tinha pelo “professor cristão” Luciano Botovasoa, planejou capturá-lo fazendo com que voltasse ao vilarejo, ameaçando assassinar sua família, caso não obedecesse às suas ordens. O bem-aventurado, ciente do que estava prestes a acontecer, confiou ao irmão sua esposa e seus filhos, e regressou a Vohipieno. Por volta das 21 horas de 17 de abril de 1947, seu irmão André e dois primos, sob ameaça de morte, foram incumbidos de prendê-lo. Conduzido à casa do Rei Tsimihoño sem um processo oficial, foi condenado à morte. Chegando ao local da execução, ajoelhou-se e foi decapitado, enquanto rezava pelos seus assassinos. Seu corpo foi lançado ao rio.





Segundo texto biográfico
(palavras do Cardeal Ângelo Amato, prefeito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos,

Lucien foi um fiel leigo, pai da família e membro da Terceira Ordem Franciscana que foi morto por ódio à Fé em 1947.
Lucien Botovasoa nasceu em 1908 em Vohipeno, uma pequena cidade perto da costa sudeste de Madagascar, onde os missionários chegaram em 1899.
Primeiro de nove filhos, frequentou a escola católica, sendo batizado aos 14 anos com o nome Lucien na paróquia de Vohipeno em 15 de abril de 1922, Domingo de Páscoa.
No mesmo dia ele fez sua Primeira Comunhão e no ano seguinte recebeu a Confirmação.


Lucien Botovasoa foi um cristão verdadeiramente exemplar.
Na escola de Jesus, Divino Mestre, Lucien ensinava a fazer o bem, a viver em paz com os outros, a formar uma comunidade fraterna, acolhedora e respeitosa.
Ao ódio ele respondia com a caridade, à divisão com a comunhão, à mentira e ao mal com o bem.
Era um autêntico mestre da vida boa: um bom cidadão, um pai amoroso, um marido dedicado.


Qualidades humanas
Lucien Botovasoa tinha uma inteligência brilhante. Depois de quatro anos de estudo (1924-1928) no colégio jesuíta de Fianarantsoa, obteve um diploma de professor, tornando-se imediatamente instrutor no instituto paroquial em Vohipeno. Seu lema era: Ad majorem Dei gloriam.
Aos 22 anos casou-se com Suzanne Soazana, com quem teve oito filhos. Cristão convicto e entusiasta, quis viver a santidade na vida conjugal.
Descobre o manual da Ordem Terceira Franciscana e forma uma primeira fraternidade. Faz a profissão em 8 de dezembro de 1944.
A partir daquele dia torna-se de uma pobreza e uma devoção extraordinária: abandona as belas roupas e se contenta com sandálias simples, camisa e calça. Jejua às quartas e sextas-feiras. Levanta-se à meia-noite para rezar de joelhos, depois vai à igreja às quatro, ficando lá até a hora da missa. Franciscano na alma, é sempre alegre, reza continuamente, onde quer que vá sempre tem o rosário na mão.


Por que ele foi morto?
Durante uma revolta pela independência em 30 de março de 1947, Domingo de Ramos, Lucien foi preso e condenado à morte por sua fé cristã. Ele foi martirizado em 16 de abril de 1947. Levado para a margem do rio, Lucien reza, dizendo:

"Meu Deus, perdoe meus irmãos. Que meu sangue derramado por terra seja para a salvação da minha pátria".

Ele foi decapitado e o corpo jogado no rio. Morre mártir de sua fé, seguindo o exemplo de Jesus, o Divino Mestre.


Legado do Beato Lucien
Para o Cardeal Amato, Lucien deixou um legado: “ele nos ensina a viver integralmente o Evangelho, que é o livro da vida e não da morte, do amor e não do ódio, da fraternidade e da não discriminação. Lucien foi morto não por ter ofendido e ultrajado o próximo, mas somente por ter vivido como homem livre e justo. Para nós, ele deixa um grande exemplo e um importante legado: o perdão ao próximo, mesmo o perdão aos inimigos e o convite para viver em fraternidade e em paz com todos. É esta a única lei do Evangelho. Esta foi a lei da vida do Beato Lucien Botovasoa”.


Fontes: