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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Santíssima Trindade: Deus Uno e Trino, Santo, Santo, Santo!





Assim que, em minha parca inteligência, raciocino sobre O que é a Trindade: 

Poder infinito, não pode ser dividido e nem multiplicado. Se fosse, cada 'pedaço'" continuaria infinito. Por exemplo: poder Infinito / 3 = poder infinito. Poder Infinito X 3 = poder Infinito. Como isso não seria possível, mantém-se Um Só Poder Infinito. 

Sabedoria  infinita, não pode ser dividida e nem multiplicada. Se fosse, cada 'pedaço'" continuaria infinito. Por exemplo: Sabedoria Infinita / 3 = sabedoria Infinita. Sabedoria Infinita X 3 = sabedoria Infinita. Como isso não seria possível, mantém-se Uma Só Sabedoria Infinita. 

Amor infinito, não pode ser dividido e nem multiplicado. Se fosse, cada um continuaria infinito. Por exemplo: Amor Infinito / 3 = amor Infinito. Amor Infinito X 3 = amor Infinito. Como isso não seria possível, mantém-se Um Só Amor Infinito. 

As Pessoas são Três, mas, sua essência é Una, pois, se não fosse, teríamos três "deuses" com infinitos atributos. Como isso não seria possível, pois, só é possível existir um Único Ser Infinito, os Três São Um, e pois, infinito+infinito+infinito = infinito. 

Por isso, que há um só Deus: Eterno, Infinito em grandeza, Todo-Poderoso, Oniciente, Onipresente e de Infinito Amor, em Três 
Pessoas, realmente distintas.


Mas, por que Três Pessoas, se 'bastaria" um Única Divindade?
Por que Deus é partilha, é família, é comunidade, e é convivência, também em sua essência, e assim foi, é e será por toda a eternidade!

Por isso que, mesmo sendo um Único Deus, sempre quis ser Três Pessoas, em eterna partilha de Amor e de Santíssima Convivência.

Deus é Uno em essência: em Poder, em Sabedoria e em Amor, mas, possui Três Pessoas distintas, que gozam de 'personalidades" específicas, que as diferencia. 

Portanto, o Pai é o PAI, Não é o Filho e nem o Espírito Santo. 
O Filho é o FILHO, não é o Pai e nem o Espírito Santo. 
O Espírito Santo é o ESPÍRITO SANTO, não o Pai e nem o Filho.

Os Três, como já foi dito, tem o mesmo Poder, a mesma Sabedoria e o mesmo Amor. Tem a mesma eternidade, a mesma majestade e a mesma glória, pois, são Um único Deus.


Porém, cada uma das Divinas Pessoas, por serem distintas, tem personalidades próprias, co-partícipes 
e perfeitamente harmônicas.
Assim, o Pai exerce seu Poder na Sabedoria do Filho e no Amor do Espírito Santo.
O Filho exerce sua Sabedoria no Poder do Pai e no Amor do Santo Espírito.
É o Santo Espírito exerce seu Amor no Poder do Pai e na Sabedoria do Filho.

Apesar de cada uma das Três Pessoas terem cada um dos atributos em Si, em grau infinito, na Comunidade ou Família Trinitária eles “gostam" e sentem imensa Alegria em agir assim, como Comunidade ou Família divina, sempre em espírito de partilha, obediência, humildade e doação, que torna os Três ainda mais admiráveis e dignos de toda honra e glória por parte de suas criaturas.

Às Três Divinas Pessoas são atribuídos atributos ou "missões" ad extra, isto é, fora de Si mesmos, apesar de cada uma das Pessoas também participar, com as outras, dos mesmos atos: 
Ao Pai, o "ser Pai", ser o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, conforme diz o Credo Niceno-Constantinopolitano. 
Ao Filho, a honra e glorificação do Pai, bem como a salvação do gênero humano, na obediência total à vontade do Pai, através de sua Paixão e Morte de Cruz, constantemente renovada e atualizada no Santíssimo Sacramento do altar.  
E ao Espírito Santo, a honra e a glorificação do Pai e do Filho,  bem como a fundação, santificação e sustentação ("animação") da Igreja, Corpo Místico de Cristo, bem como de ser o Doador dos Dons de Deus. 

Mas, tudo é exercido, pela Trindade, dentro de um único Poder, numa Única Sabedoria e num único Amor.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito! Como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos! Amém! 

Beata Maria Teresa Soubiran la Louvière, virgem e fundadora.



A Beata Maria Teresa Soubiran la Louvière fazia parte de uma família pertencente à antiga nobreza europeia, com origens que datam, pelo menos, do século XIII. Sua família tem, ainda, como antecessores indiretos, São Luís de França, São Eleazar de Sabran e sua esposa, Beata Delfina, Santa Roselina de Villenueve, Santa Isabel da Hungria e boa parte das famílias reais da Europa.

No século XIX, a família tinha como chefe José de Soubiran la Louvière, que vivia em Castelnaudary, próximo de Carcassone, no sul da França. José casou-se com Noemi de Gélis de l´Isle d’Albi. A segunda filha do casal foi Sofia Teresa Agostinha Maria, nascida em 16/05/1834, a qual foi criada num seio profundamente católico, dirigido por seu tio, o cônego Luis de Soubiran. Por isso, Sofia logo se sentiu chamada à vida religiosa.

Aos 20 anos, realizou uma tentativa em uma comunidade católica em Gand, Bélgica, mas, durou apenas um ano, tendo retornado à França, onde quis implantar essa comunidade. Ela possuía inclinação para a austeridade e a vida reclusa do Carmelo, mas, entre os anos de 1854 e 1855, após um período de vacilações e conselhos, retornou à Gand para estudar o gênero da vida das “beguinas” e quando retornou, foi nomeada superiora da comunidade de Castelnaudary, que seu tio havia inaugurado.

Em 1863, passou a ser chamada de Madre Maria Teresa. Quando realizou os exercícios de Santo Inácio sob a direção do padre jesuíta Pablo Ginhac, Deus lhe manifestou o propósito de fundar uma congregação, tal como ela havia planejado no passado. Em 1864, Madre Maria Teresa e algumas irmãs se mudaram para o convento da Rue des Buchers, em Toulouse, onde seria a residência da nova congregação. Ela consagrou a nova comunidade a Nossa Senhora, de quem todas as irmãs adotariam o nome a partir de então. Nasceu assim a Sociedade de Maria Auxiliadora, pela qual as irmãs adotaram a espiritualidade inaciana, encontrando Deus tanto na oração quanto na ação apostólica. Sua casa-mãe logo deu origem a outras casas que se espalharam pela França chegando até mesmo à Inglaterra, após a guerra, em 1870.

Madre Maria Teresa realizou um voto profundo de pobreza, renunciando a todos os seus bens pessoais. Todas as irmãs se dedicavam ao cuidado dos órfãos e à instrução de crianças pobres. A Madre redigiu diversas constituições de sua congregação inspiradas nas da Companhia de Jesus, tendo o Pe. Ginhac, que teve papel fundamental na fundação da ordem, se encarregado de revisá-las.

Em 1868, uma noviça chamada Maria Francisca, três anos após sua entrada, tornou-se, por quase unanimidade dos votos, conselheira e assistente da Madre Geral. Contudo, Madre Maria Francisca era uma mulher muito hábil e inteligente, além de 5 anos mais velha que Madre Teresa. Sendo assim, a Beata não percebeu que sua conselheira era dominadora, instável e ambiciosa, o que ocasionou, em meados de 1874, um levan Madre Francisca declarou que a situação econômica da congregação era desesperadora por culpa da madre geral, rumor este que se espalhou pelos conventos.

Madre Maria Teresa lembrou-se então que pouco tempo antes Nosso Senhor lhe havia aparecido e lhe dizendo: “Tua missão terminará dentro de pouco tempo, não haverá lugar para ti na tua congregação. Porém, meu poder e minha bondade estarão contigo”. Após consultar o Pe. Ginhac, este a aconselhou renunciar. Sua conselheira foi nomeada superiora geral e não permitiu que a fundadora residisse em nenhum dos conventos da congregação. Ela fez isso juntamente com outras medidas desagradáveis, para evitar que a Beata reconquistasse sua antiga influência e autoridade, resultando assim, na expulsão da fundadora.

Em 20 de setembro de 1874, Maria Teresa de Soubiran foi acolhida no mosteiro de Nossa Senhora da Caridade, em Paris. Admitida inicialmente como pensionista, em 20 de abril do ano seguinte tomou o hábito e recebeu um novo nome: Irmã Maria do Sagrado Coração, tendo sido admitida definitivamente em 29 de junho de 1877. Com muita humildade, fidelidade e amor, adaptou-se a todos os usos e costumes de sua nova família religiosa, onde por 15 anos viveu sempre mais confiante no amor de Deus.

A Beata Maria Teresa passou na enfermaria os últimos sete meses de sua vida. Morreu no dia 7 de junho de 1889, murmurando estas palavras: "Vem, Senhor Jesus". Tentou fazer o sinal da cruz, mas não chegou a completá-lo. Foi sepultada no cemitério de Montparnase, na cripta do convento de Nossa Senhora da Caridade. Atualmente, suas relíquias encontram-se na Casa-Mãe das Auxiliadoras em Paris.

Ela foi beatificada em 10/10/1946 pelo Papa Pio XII. A Beata Maria Teresa foi congregada mariana em Castelnaudary, França, onde lançou as raízes da Congregação de Maria Auxiliadora.

 

Fonte:

https://www.santodelgiorno.it/beata-maria-teresa-di-gesu/

quarta-feira, 5 de maio de 2021

SANTO ÂNGELO DA SICÍLIA, carmelita (memória na Ordem Carmelita, no dia 05 de maio)

 SUA   VIDA
Não se sabe muito sobre sua vida. Um Catálogo de Santos do final do século 14, aparentemente bastante crível, nos traz esta notícia sucinta: Ele morou no Monte Carmelo e junto com outros Carmelitas, por volta de 1220, ele veio para a Sicília.
 Aqui desenvolveu um ardente apostolado e na cidade de Ucata (Sicília-Itália) foi assassinado pelos "ímpios infiéis" na primeira metade do século XIII. Por isso a Igreja e o Carmelo no passado o veneraram como mártir e logo erigiram uma igreja em Licata em sua homenagem e colocaram seu corpo no altar.
 Outras biografias atribuem-lhe novos dados menos críticos que completariam esta notícia.  Segundo eles, ele nasceu na Palestina, de pais hebreus de religião, chamados José e Maria.  Ela tinha um irmão chamado João, que também usava o hábito de um carmelita.  Os pais e os filhos logo se converteram ao cristianismo.


Santo Ângelo, em seus êxtases, teve visões de Nosso Senhor.



Encontro, em Roma, entre São
Francisco, São Domingos e
Santo Ângelo. 
 Ângelo viveu em vários conventos na Palestina e na Ásia Menor. Recebeu muitas graças do Senhor, especialmente o dom de profecia e milagres. Foi um pregador zeloso, convertendo muitos milhares de descrentes à fé em Jesus Cristo. 
  Ele veio a Roma na companhia de outros Carmelitas do Monte Carmelo para obter do Papa Honório III a aprovação da Regra Carmelita, uma graça que foi obtida em 30 de janeiro de 1226.
 Na Basílica de São João do Latrão ele conheceu São Domingos de Gusmão e San Francisco de Assis.  O santo carmelita previu as chagas que seriam impressas neste Santo e este, por sua vez, anunciou a ele que em breve morreria mártir de Jesus Cristo.
 Pregou com muitos frutos em várias cidades da Sicília.  especialmente em Palermo, Agrigento e Licata. 
 Pregando um dia nesta última cidade, o famoso Berengário, um pecador público, por ódio a Ângelo, por ter colocado sua irmã no caminho certo, acertou-lhe cinco punhaladas, morrendo pouco depois, na primeira metade do século XIII.
 Sua festa é celebrada em 5 de maio.



Martírio de Santo Ângelo, cometido pelo ímpio Berengário.



Sua espiritualidade: 
Pouco se sabe sobre ela.
O seu profundo amor pela Ordem, pela qual tanto trabalhou e difundiu-o em várias partes do mundo.
Sua terna devoção à Bem-Aventurada Virgem Maria, que foi quem predisse o nascimento de João a seus pais e por que eles abraçaram a religião cristã.
Seu zelo apostólico pela causa de Iahweh, em imitação de Santo Elias, é outra característica de sua espiritualidade.  Diz-se que ele pregou muitas vezes e converteu incontáveis ​​infiéis.

A sua iconografia é bastante abundante em toda a Ordem e é representado com uma espada cravada no coração e com uma palma com três coroas: virgem, pastor de almas e mártir.
Já no século XIV seu culto era generalizado.
O Capítulo Geral de 1498 ordenou que sua festa fosse celebrada em toda a Ordem.
 Na Sicília, e especialmente em Licata, uma grande devoção é professada a ele.

 Sua mensagem
• Que o zelo de Elias arda em nossos corações.
• Que façamos todas as coisas para a glória de Deus.
• Que possamos pregar a verdade sem temer os resultados.
• Que perdoemos nossos inimigos.

 Oração
 Deus, força dos fiéis e coroa dos mártires, por cuja graça Santo Ângelo, carmelita, venceu os tormentos do martírio;  Por sua intercessão, concedei-nos,  propício, que, imitando-o com fidelidade, sejamos testemunhas de vossa presença e bondade até a morte


Fonte: carmelnet.org

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Beato Valentino Paquay, presbítero da Ordem dos Frades Menores, modelo de pastor de almas e apóstolo do confessionário.



Primeiro texto biográfico
Valentino Paquay – Ludovico (ou Louis) era o seu nome de batismo – , da Ordem dos Frades Menores, nasceu em Tongeren (Bélgica).

Quando era jovem, sentiu-se profundamente tocado pela misericórdia divina, durante um sermão a que assistiu. Surgiu assim a sua vocação sacerdotal e religiosa. Procurou então seguir o exemplo dos Santos, tendo sempre diante dos olhos figuras como são João Berchmans e são Luís Gonzaga.

Desejava também ele obedecer de coração à vontade de Deus, ser a vontade de Deus realizada completamente na medida da graça divina e da generosidade de um coração jovem. Transcorreu quase toda a sua vida, como religioso, em Hasselt.

Nos seus sermões, o tema principal era o amor de Deus por todos nós. Mesmo quando falava de assuntos como o pecado e o inferno, a sua consideração final referia-se constantemente à misericórdia de Deus, que é sempre maior que o coração humano. Pregou muitos retiros sobre este tema. A sua vocação específica era o confessionário. No clima do seu amor, todos se sentiam livres de confessar os seus pecados.

Permanecia muito tempo durante a noite na igreja a rezar por estes homens de boa vontade, assumindo sobre si uma parte da penitência pelos seus pecados. Sentia grande amor pela Sagrada Escritura. Mostrava de maneira viva a atualidade das palavras de Jesus, convidando assim os fiéis a um encontro verdadeiro com o próprio Senhor.

Faleceu em 1905, depois de uma vida simples, transcorrida na penumbra do confessionário e na sua cela, que era muito simples: uma cama de madeira, um genuflexório alto, uma mesinha e uma cadeira. A um irmão que se lamentava porque lhe tinha sido tirada a sua cadeira, respondeu: "Tenho presente uma boa cadeira", e deu-lhe a sua.

Desta forma, Padre Valentino queria ser o mais pequenino, o menor face a qualquer outro indivíduo. O seu ideal missionário aproxima-se do santo Cura d'Ars e da pequena santa Teresa de Lisieux. No centro da sua Província, o pequeno padre, enfermo, frágil, vítima da varíola, foi conforto para o seu povo atormentado de Hasselt, visitando os doentes, sempre em comunhão espiritual com os seus irmãos de hábito e com toda a Ordem dos Frades Menores. Dedicou toda a sua vida à escuta dos corações e das almas, evitando qualquer manifestação de privilégio, qualquer louvor desmedido, querendo assemelhar-se cada vez mais a são Francisco de Assis, consciente dos limites e debilidades características de todos os seres humanos.


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Segundo texto biográfico
O Beato Frei Valentino Paquay nasceu em Tongres, na Bélgica, em 17 de novembro de 1828, filho de Henry e Anna Neven,  casal profundamente religioso, quinto de onze filho. Recebeu o nome de Louis (ou Ludovico) no Batismo. Depois de concluir as aulas do ensino fundamental, ingressou na faculdade de Tongres dos Cânones Regulares de Sant'Agostino para continuar seus estudos literários; em 1845, foi admitido no pequeno seminário de St-Trond para cursos de retórica e filosofia.

Com a morte precoce de seu pai, ocorrida em 1847, após obter o consentimento materno, ingressou na Ordem dos Frades Menores da província belga e, em 3 de outubro de 1849, iniciou o noviciado no convento de Thielt. Em 04 de outubro do ano seguinte, fez sua profissão religiosa nas mãos do padre Ugolino Demont, guardião do convento e, imediatamente depois, foi a Beckheim para assistir ao curso teológico que terminava no convento de St-Trond. Ordenado sacerdote em Liège, em 10 de junho de 1854, foi designado pelos superiores a Hasselt, onde permaneceu por toda a vida, cobrindo também os cargos de vigário e guardião. Em 1890 e 1899, foi eleito definidor provincial.

Com a orientação de são João Berchmans (de quem era muito devoto), a quem chamava de “meu professor favorito, padre Valentino - escreve Agostino Gemelli - se envolve na espiritualidade franciscana, ensinando-nos a virtude de todos os momentos, a valorização das coisas mínimas, sob o aspecto da humildade mais franca e imediata" (cf. I. Beaufays, P. Valentino Paquay, o "Santo Padre" de Hasselt, Milão, Ed. Vita e Pensiero, 1947, Apresentação).

O trabalho de Padre Valentino foi incansável no campo do apostolado. Ele pregava quase continuamente e, devido à sua palavra simples e persuasiva, era muito estimado, especialmente nos círculos populares e institutos religiosos. Ele era acima de tudo assíduo no confessionário, imitando o santo Cura d'Ars, com quem às vezes era comparado. Muitas vezes, dava prova de também possuir o dom de penetrar de maneira extraordinária nas consciências dos penitentes, que vinham até ele mesmo de longe.

O beato Valentino tinha uma devoção singular à Santíssima Eucaristia e, com seu apostolado de meio século a favor da comunhão frequente, foi o precursor ativo do famoso decreto do Papa são Pio X. Devoto do Sagrado Coração de Jesus, de quem nunca deixou de meditar e ampliar as excelências da perfeição, difundiu seu culto, principalmente entre as irmãs da Fraternidade da Ordem Franciscana Secular de Hasselt, que ele dirigiu espiritualmente por 26 anos.

Antiquíssima imagem de Maria, Virga Jesse, venerada
em Hasselt, Bélgica.
Ele sempre manteve viva a memória da Paixão de Jesus, praticando diariamente o exercício piedoso da Via Sacra. Muito devoto da Virgem Maria, ele a venerava desde muito jovem, na igreja paroquial de Tongres, sob o título de Causa Nostræ Lætitiæ, e sob o título de Virga Jesse no santuário de Hasselt. Mas, como um bom franciscano, ele preferia entre todos os títulos de Maria o da Imaculada Conceição. Apesar de já estar bastante fraco e doente queria comemorar, com grande exultação, o cinquentenário da proclamação do dogma, que coincidia com seu jubileu de sacerdócio.
Padre Valentino Paquay faleceu em sua amada Hasselt em 1º de janeiro de 1905, aos setenta e sete anos. A heroicidade de suas virtudes foi reconhecida por são Paulo VI com um decreto de 04 de maio de 1970. Foi beatificado por são João Paulo II em 9 de novembro de 2003.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

SANTA MARIA BERTILLA BOSCARDIN, Virgem e Religiosa, Protetora das vítimas do câncer


Camponesa, empregada doméstica, enfermeira e religiosa, dedicou sua vida ao cuidado dos doentes. Vítima de um câncer, é também invocada como protetora contra o câncer.

“É humilde camponesa — disse dela Pio XII, por ocasião da beatificação, a 8 de junho de 1952. Figura puríssima de perfeição cristã, modelo de recolhimento e de oração. Nem êxtases, nem milagres durante a vida, mas uma união com Deus sempre mais profunda no silêncio, no trabalho, na oração, na obediência. Daquela união vinha a especial caridade que ela demonstrava para com os doentes, médicos, superiores, enfim, para com todos”.


Resultado de imagem para maria bertilla boscardinSeu nome de batismo era Anna Francesca Boscardin. Nasceu na periferia de Brendola, Itália, no dia 6 de outubro de 1888. Filha de pobres camponeses, passou sua infância e adolescência trabalhando nas lavouras, ajudando seus pais. Este era o caminho para qualquer menina vêneta, antes que as indústrias chegassem. Além disso, trabalhava também como empregada doméstica para ajudar a família. Filha de família católica, desde pequena desenvolveu um grande amor por Nossa Senhora. Sempre que podia, dedicava-se à oração.
Instruída pela mãe, cuja doçura devia compensar a violência do marido, aliás bom homem, Aninha gostava de rezar muito tempo de joelhos diante dum quadro de Nossa Senhora que se encontrava dependurado na cozinha. Isto desde a idade dos cinco anos. Ajudava a mãe nos cuidados da casa e o pai nos trabalhos do campo.
Sendo tão piedosa, conseguiu, coisa não fácil nessa altura:fazer a primeira comunhão com a idade de nove anos. Aos treze, fez voto de castidade. Muito tímida, com inteligência lenta e fraca memória, era chamada na aldeia a ignorante e a pata, mas ela não se ofendia. E estava sempre cheia de boa vontade. Quando manifestou ao pároco o desejo secreto de entrar na vida religiosa, este respondeu-lhe: “Aninhas, tu não serves para nada. Quaisquer religiosas não saberiam que fazer duma aldeã ignorante como tu és”. Ela afastou-se, muito desgostosa. Mas o padre surpreendeu o olhar entristecido da rapariga, arrependeu-se da sua recusa e no dia seguinte, de manhã, chamou-a.
Ao completar 16 anos, a 08 de abril de 1905, ingressou na Congregação das Mestras de Santa Dorothea, Filhas do Sagrado Coração, na capital de sua região, cidade chamada Vicenza. Trabalhou por um bom período como cozinheira do convento, ao mesmo tempo em que estudava enfermagem. Assim, viveu uma vida simples, dedicada à oração e ao trabalho.
Resultado de imagem para maria bertilla boscardinSã e robusta, foram-lhe entregues os trabalhos mais custosos, o forno e a lavandaria. Fez o segundo ano de noviciado no hospital de Treviso. A Superiora Geral destinava-a para o cargo de enfermeira. Mas a superiora do hospital, Irmã Margarida, pensou diferentemente: que esperar de bom dessa noviça tímida, com rosto pastoso e inexpressivo? Pô-la na cozinha como ajudante de uma freira idosa e enferma, encarregada de a vigiar e formar.
A 8 de Dezembro de 1907, foi a profissão solene da jovem religiosa, com a presença dos pais na casa-mãe de Vicenza. A Superiora geral decidiu pela segunda vez que ela seria enfermeira e mandou-a de novo para o hospital de Treviso. “Tu de novo aqui! - exclamou ao vê-la a Irmã Margarida. Preciso de enfermeiras para a cirurgia e para as doenças contagiosas, e mandam-me gente desta!” E a boa religiosa voltou às suas panelas.
No dia seguinte, por falta de pessoal, foi preciso colocá-la na seção de crianças atacadas de difteria ou garrotilho. Como por encanto, a sua imperícia desapareceu. Dum momento para o outro, manifestou-se enfermeira inteligente e hábil. Impunha respeito e inspirava confiança. Embora não tivesse em seu favor senão três anos de escola primária, preparou exames que superou com brilho.
Ali, descobriu sua vocação e realizou-se como pessoa dedicando-se a cuidar dos doentes. Cuidou, especialmente, de crianças e de vítimas da primeira guerra mundial, que afetou profundamente a Itália. Cuidando de seus amados doentes, nunca deixava de levar a mensagem de Jesus Cristo.
Conseguiu o diploma de enfermeira para se tornar mais útil aos doentes, que assistia também de noite, tomando a vez de suas coirmãs. “Quero ser a serva de todos — escreveu no seu diário — quero trabalhar, sofrer e deixar toda a satisfação aos outros’”. E ainda: “Devo considerar-me a última de todas, portanto contente em ser passada para trás, indiferente a tudo, tanto às reprovações como aos elogios, melhor, preferir as primeiras; sempre condescendente às opiniões alheias; nunca desculpar-me, também se penso ter razão; nunca falar de mim mesma; os encargos mais baixos sejam sempre os meus, pois é isso que mereço”. As ocasiões de sofrimentos nunca lhe faltaram.
Resultado de imagem para maria bertilla boscardinNo hospital, logo ficou conhecida como um exemplo de amor cristão, conquistando a simpatia de todos. Sempre tinha uma palavra de conforto e esperança para aqueles que sofriam em seu leito de dor. Sua caridade no trato com os doentes levou muitos à conversão.
No ano de 1910, quando tinha apenas 22 anos, foi diagnosticada com um câncer. Submetida a uma cirurgia, passou um bom tempo se recuperando. A partir desse momento, viveu em sua própria pele os sofrimentos de uma enfermidade e compreendeu mais ainda os enfermos. Por isso, tão logo melhorou, voltou a cuidar de “seus” doentes, dedicando-se a eles com todo amor possível.
Por causa dos contínuos bombardeios, os doentes foram transportados para Brianza e irmã Bertilla os seguiu. Mas em Viggiù foi designada para a lavanderia, sofrendo e chorando às escondidas: “Estou contente — escreveu — porque faço a vontade de Deus’’.
Assim, trabalhou em Treviso e no hospital de Viggiú. Sua caridade conseguia cada vez mais conversões. Amparava os desenganados e ajudava-os a morrer, proporcionando-lhes a assistência espiritual de um padre. Assim, muitos faleceram em paz, reconciliados com Deus, sob seus cuidados. O hospital era seu grande campo de missão.
Dedicando-se aos doentes, ela descobriu-se novamente doente. Metástases originárias do câncer anterior apareceram em seu corpo depois de algum tempo. Por causa disso, teve que suportar inúmeros sofrimentos, tornando-se cada vez mais fraca. Seu maior sofrimento, porém, foi quando não pôde mais cuidar dos doentes. Foi submetida a uma segunda cirurgia, mas não obteve sucesso. Assim, no dia 20 de outubro de 1922, Santa Maria Bertilla Boscardin entregou sua alma a Deus, tendo apenas 34 anos de idade, depois de converter, com a sua agonia resignada e serena, o médico-chefe do hospital.
Santa Bertila3Embora tendo falecido jovem, Santa Maria Bertilla Boscardin deixou um grande legado de caridade cristã e de dedicação aos enfermos. Aqueles que se converteram à fé graças à sua caridade, nunca se esqueceram dela. Por causa de sua fama de santidade, muitos foram – e ainda vão – rezar em seu túmulo e grandes graças aconteceram por sua intercessão. Por causa disso, ela foi beatificada pelo Papa Pio XII no dia 8 de junho de 1952 e canonizada pelo Papa João XXIII no dia 11 de maio de 1861. Sua festa passou a ser celebrada no dia 20 de outubro, dia de sua morte.
Ana Boscardin teve a sorte de ter uma mãe extraordinária. Ante a pobreza que sempre rondou o seu lar, ante a iracunda do marido, ante o mal-estar ambiente, ante as dificuldades de toda a vida, Maria Teresa Benetti cala-se, tem paciência, reza muito, e os filhos veem tudo isto. Veem e escutam dos seus lábios palavras sempre suaves, que lhes falam da fé, de Deus, do céu e da paciência.



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           Oração a Santa Bertilla

“Ó Pai, Vós que inspirastes Santa Bertilla a se dedicar aos doentes e, depois, para que ela fizesse da dor e do sofrimento, um motivo de louvor a Vós, dai-nos, paciência e sabedoria, para que também nós possamos fazer, de nossas dores, um instrumento de redenção. Por intercessão de Santa Bertilla, que enfrentou o cêncer, pedimos a graça (...) Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, amém! Santa Bertilla, rogai por nós.”



segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Beata Liduina Meneguzzi, Religiosa Missionária das Irmãs de São Francisco de Sales (Salésias)


«A mensagem que a Beata Liduina Meneguzzi traz hoje à Igreja e ao mundo, é uma mensagem de esperança e de amor: uma esperança que resgata o homem do seu egoísmo e das formas aberrantes de violência; um amor que se torna convite à solidariedade, à partilha e ao serviço, conforme o exemplo de Jesus que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de todos». (Decreto sobre a heroicidade das virtudes)

Resultado de imagem para santa liduína meneguzziElisa Ângela Meneguzzi, (a futura irmã Liduina), nasce aos 12 de Setembro de 1901, em Santa Maria de Ábano, na província de Pádua, Itália. A família é de lavradores muito modestos, mas ricos de fé e de honestidade, valores que a pequena assimila muito cedo.
Revela um vivo espírito de oração: participa todos os dias à santa Missa, não obstante tenha de percorrer a pé dois quilômetros; frequenta a Catequese e, mais tarde, ela também se torna Catequista. À noite, antes de dormir, reza com a família e se sente feliz de falar de Deus aos irmãos.
Aos catorze anos, a fim de ajudar economicamente os seus, inicia a trabalhar fora de casa, prestando serviço nas famílias abastadas e nos hotéis de Ábano, onde numerosos hóspedes procuram alívio nas águas termais.
De caráter manso, sempre disponível, faz-se amar e estimar em toda a parte. Desejosa de consagrar toda a vida ao Senhor, aos 5 de Março de 1926, entra na Congregação das Irmãs de São Francisco de Sales— ou SALÉSIAS—, cuja Casa Mãe encontra-se em Pádua. Aqui ela realiza o seu ideal de total oferta a Deus e continua a espalhar em volta de si os tesouros do seu grande coração.

Desempenha com amor os seus trabalhos quotidianos, como roupeira, enfermeira e sacristã, entre as meninas do colégio Santa Cruz que sempre encontram em irmã Liduina uma amiga boa, capaz de escuta, de ajuda nos seus problemas, por meio de bons conselhos. Em todas elas, deixa impressões indeléveis de ternura, de encorajante serenidade, de paciência a toda a prova.
Em 1937, irmã Liduina vê finalmente realizar-se o grande sonho, desde então cultivado no seu coração: partir para a terra de missão e levar a fé, o amor de Cristo a tantos irmãos que ainda não O conhecem.
Pelos Superiores, irmã Liduina é enviada como missionária à Etiópia, em Dire Dawa, cidade cosmopolita pela presença de povos de costumes, origens e língua diferentes. É aqui, em tal semelhante mosaico de raças e de religiões, que a humilde freira se dedica, com fervor, à sua tarefa missionária. Ela não tem uma profunda cultura teológica, mas sim uma grande riqueza interior, alimentada do contato profundo com Deus.
Trabalha como enfermeira, no hospital «Parini» que, durante a guerra, vem a tornar-se hospital militar, onde são, portanto, acolhidos os militares feridos, para os quais irmã Liduina é verdadeiramente «um Anjo de caridade». Com carinho e dedicação incansável, trata os males físicos, pois vê, em cada irmão que sofre, a imagem de Cristo.
Em breve tempo, o seu nome ressoa nos lábios de todos; por isso todos a procuram, A chamam e a invocam como uma bênção. Os indígenas a chamam «Irmã Gudda», ou seja, «grande». Durante o enfurecer dos bombardeamentos sobre a cidade e o hospital, de cada boca sai um único grito: «Socorro, irmã Liduina!». E Ela, sem preocupar-se do perigo, transporta os feridos para o refúgio e depressa acorre para ajudar os outros. Aproxima-se dos moribundos para lhes sugerir um ato de contrição e com a sua inseparável garrafinha de água, tenta batizar as crianças agonizantes.
O seu doar-se não se limita somente aos italianos, aos cristãos; mas com verdadeiro coração ecumênico, ela vai em socorro dos brancos e negros, dos católicos e coptas, dos muçulmanos e pagãos.
Irmã Liduina ama, sobretudo, conversar sobre a bondade de Deus Pai, do bonito Paraíso, preparado para todos nós, seus filhos. Os indígenas, na maioria muçulmanos, ficam seduzidos e experimentam uma simpatia nova para com a religião católica.
A nossa Freira é também chamada «chama ecumênica», porque, muito antes do Concílio Vaticano II, vive um dos aspectos mais recomendados do Ecumenismo. As almas de Deus costumam preceder os tempos; são como faróis luminosos que indicam a direção certa, embora a estrada não esteja ainda muito clara.
No entanto, porém, o mal incurável que ameaça há tempo a sua saúde, faz-se sentir mais forte. Ela acolhe serenamente e com paz, a sua nova situação. Sofre e vai-se gastando exercendo corajosamente, até ao fim, a sua preciosa obra de amor entre os irmãos doentes.
Aceita, enfim, submeter-se a uma delicada e difícil intervenção cirúrgica que no início parece bem sucedida, mas em seguida apresenta complicações e uma paralisia intestinal que deu cabo da sua existência. Era o dia 2 de Dezembro de 1941.


Irmã Liduina morre santamente, com 40 anos de idade, conscientemente abandonada à Vontade de Deus, oferecendo a sua jovem vida, para a paz do mundo inteiro. Um médico presente afirma: «Nunca me aconteceu de ver alguém morrer com tanta serenidade e beatitude».

Os militares que a choram como se fosse uma pessoa de família, desejam e obtém que seja sepultada na parte do cemitério a eles reservado. Passados vinte anos, no mês de Julho de 1961, os restos mortais de irmã Liduina, são transportados para Pádua, numa Capela da Casa Mãe, onde, devotos e amigos costumam visitá-la e invocar a sua intercessão junto de Deus.
Beatificada em 20 de outubro de 2002, Irmã Liduina Meneguzzi tornou-se um autêntico espelho de humildade e caridade cristãs, manifestando a misericórdia de Deus com os pobres, doentes e feridos.
“Famílias dos povos aclamai ao Senhor! Aclamai a glória e o poder do Senhor!" (Sl 96, 7). As palavras do Salmo responsorial exprimem muito bem a aspiração missionária, que invadia a Irmã Liduina Meneguzzi, das Religiosas de São Francisco de Sales. No breve mas intenso período da sua existência, a Irmã Liduina dedicou-se aos irmãos mais pobres e vítimas do sofrimento, em particular no hospital da missão de Dire-Dawa, na Etiópia.
Com ardente zelo apostólico, procurava fazer com que todos conhecessem o nosso único Salvador, Jesus Cristo. Na escola daquele que era ‘manso e humilde de coração’ (cf. Mt 11, 29), ela aprendeu a defender a caridade, que brota de um coração puro, ultrapassando toda a mediocridade e a inércia interiores.” 
Homilia de beatificação - Papa São João Paulo II. 


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Guilles Bouhours, O menino que revelou ao Papa o Dogma da Assunção



A fantástica história Guilles Bouhours, e o milagre que marcou o pontificado do Papa Pio XII – Dogma da Assunção de Nossa Senhora.





Gilles Bouhours nasce em 27 de Novembro de 1944, em Bergerac, sul de França. Quando tinha apenas 1 ano, foi curado milagrosamente, graças à intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus. Aos 4 anos foi portador de uma mensagem de Maria Santíssima, na qual se lhe ordenava que a sua missão era ir até ao Papa Pio XII para lhe transmitir o que a Virgem lhe tinha comunicado.
Gil, desde pequenino tinha muita piedade, rezava longas horas e era visto fazendo penitência. E com apenas três anos de idade, um dia apresentou-se diante de seu pai e disse: “Pai, a SMA. VIRGEM deu-me uma mensagem que eu tenho que passar o para o Papa. Devo ir vê-lo”.
No início, o pai não levou o assunto a sério, mas o pequeno Gil insistiu nessa missão por dois anos. E sua mãe por curiosidade perguntou-lhe como era a mensagem. A resposta foi imediata: “Mãe, a mensagem não é para você, é para o papa!” Em uma ocasião o pai perguntou-lhe: “E você sabe quem é o Papa?” GIL responde: “o Papa é o Papa e eu tenho que dar a mensagem da Virgem!”
Os vizinhos cientes deste fato, ofereceram para pagar a viagem do menino e seu pai a Roma. E no ano do Senhor de 1949, finalmente partiu.
Durante a viagem o senhor Bouhours tinha este pensamento, com que cara iria tocar as portas do Vaticano e dizer “Eu preciso de uma audiência com o Papa, mas não para mim, mas para meu filho de 5 anos!?”
E quando chegaram a Roma, hospedaram-se num colégio francês. A princípio, ninguém sabia de sua chegada, que ocorreu numa terça-feira. No dia seguinte, um emissário do papa perguntou na portaria do colégio, se uma criança da região de Lourdes, havia se hospedado ali. E quando o pai se inteirou deste fato, ficou maravilhado. Como o papa ficou sabendo da sua chegada? De qualquer modo, foi um alívio saber que a audiência foi facilitada de maneira extraordinária. A entrevista seria no dia seguinte, numa quinta-feira, no dia 10 de dezembro de 1949.
Um secretário recebe e leva a criança para falar com sua santidade o papa, e seu pai ficou esperando do lado de fora cerca de uma hora. Nota: as audiências com o papa raramente duravam mais que 20 minutos.
Ao final da audiência, o mesmo papa tomando a criança pelas mãos, devolve o pequeno para o seu pai, agradeceu e lhe disse: “Há tempos que peço ao céu que me dê uma confirmação, um sinal claro de aceitação do céu, de um dogma que desejo declarar. E seu filho me trouxe uma mensagem da Santíssima Virgem Maria”.
Nada se sabe da entrevista do Papa com o menino, que teve lugar em Maio de 1950, exceto o que o Pontífice deu a conhecer: o menino comunicou-lhe, da parte da Mãe de Deus, que esta Senhora, depois da sua vida mortal, subiu ao Céu em corpo e alma.
Precisamente, o Papa Pio XII havia pedido a Nosso Senhor um sinal sobrenatural para decidir-se a proclamar o dogma da Assunção de Maria. O pequeno Gilles foi o sinal que o Céu outorgou ao Pontífice, e assim, em 1 de Novembro de 1950, foi proclamado o Dogma da Assunção de Nossa Mãe Celestial.
A partir dos seus quatro anos, o pequeno Gilles teve autorização para comungar. A sua devoção a Jesus Sacramentado era extraordinária. Também desde a mais tenra idade manifestou o seu desejo de ser sacerdote e missionário. Em 12 de Junho de 1949 fez a Primeira Comunhão, e dois meses depois manteve o seguinte diálogo com um missionário conhecido:
– Que queres ser quando fores grande?
– Sacerdote.
– E porquê queres ser sacerdote?
– Para pôr Jesus na Hóstia Sagrada.
– Não gostavas também de ser missionário?
– Que quer dizer missionário?
– É um sacerdote que faz com que se amem muito a Jesus e a Maria.
– Sim, sim, claro que gostaria de ser missionário.
Este desejo chegou a ser nele como uma obsessão, traduzindo-se numa fome insaciável do Pão dos Anjos. Não temia a frio, nem nada deste mundo, quando ia comungar.
Resultado de imagem para Gilles BouhoursO seu recolhimento era algo insólito e nada usual. Inclusivamente chegou – nunca como um jogo, ou para se divertir – a celebrar “Missas Brancas”, o que significava recitar num altar, disposto num compartimento de sua casa, todas as orações da Missa, tais como as diz o sacerdote, do princípio ao fim, sem que se produzisse a Consagração, como é lógico, mas revestido com os paramentos que previamente lhe tinham confeccionado para esse efeito, tendo em conta a sua estatura.
Os sermões que pregava às pessoas que presenciavam estas cerimônias, dignas de um anjo, eram cheios de profundidade e fervor, sem erro algum. É preciso dizer-se que, quando se entrevistou com Sua Santidade o Papa Pio XII, cantou a antífona litúrgica “Parce Domine”, com os braços em cruz e como o ensinou a Santíssima Virgem.
Certo dia protestou durante a refeição, porque não gostava muito da sopa. Tinha 5 anos. Seu pai disse-lhe que isso não agradava à Santíssima Virgem, porque era um capricho tolo. O menino, então, comeu a sopa toda sem recalcitrar e quando acabou, disse: «Papá, dá-me um pouco mais. Está tão boa, esta sopa!»
Seguidamente, transcreve-se uma pequena parte de um sermão que Gilles pronunciou em 13 de Setembro de 1952:
«Hoje vamos falar da Paixão de Jesus. Estava no Jardim das Oliveiras com três dos seus Apóstolos. Sabia muito bem que havia um que O ia atraiçoar e que se acercava d’Ele com má intenção. Era em plena noite, e Jesus encontrava-se sob o peso dos pecados dos homens. E orava a seu Pai, dizendo: Que este cálice… Então, dirigindo-se aos seus Apóstolos, que dormiam, disse-lhes: “Não podeis velar uma hora co’Migo? Vigiai e orai, porque vão entregar o Filho do Homem”.»
Resultado de imagem para Gilles BouhoursAdmiráveis expressões na boca de uma criança. Muito poucos anos depois, Nosso Senhor levá-lo-á para o Céu.
Em 24 de Fevereiro de 1960 Gilles cai doente, com um misterioso torpor que nenhum médico conseguiu diagnosticar. Ao cabo de 48 horas, e após receber os últimos Sacramentos, o adolescente (15 anos) morre. Antes de expirar, disse: «Vou morrer, mas não choreis. Estou bem e contente.» Seguidamente, juntou as mãos e orou assim: «Meu Deus, peço-Vos perdão de todos os meus pecados… Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro…»
Entregou a sua alma a Deus em 26 de Fevereiro de 1960, às 6 horas da manhã. No seu túmulo estão gravadas estas palavras, que ele mesmo disse:
“Amai a Deus e a Santíssima Virgem. Oferecei-Lhes todos os vossos sofrimentos e assim recuperareis a paz da alma.”
Gilles Bouhours


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

SANTO ESTEVÃO, Leigo e Rei da Hungria (+ 1038) - memória em 16 de agosto.


   Santo Estevão foi o primeiro rei cristão da Hungria. Filho de Geisa, duque da Hungria, nasceu em 975, na cidade de Gran. Os pais do Santo, ouvindo em certa ocasião prisioneiros falarem da religão de Cristo, quiseram conhecê-la e nela se instruíram. Tanto por ela se entusiasmaram que, largando as superstições pagãs, se tornaram cristãos e receberam o batismo das mãos de Santo Adalberto, Bispo de Praga. 
         
    Santo Estevão foi educado cristamente para que um dai pudesse ser servidor de Cristo em verdade e príncipe modelar. Dotado de boa inteligência e possuindo vontade de instruir-se em tudo que era útil, natural era que fizesse grandes e rápidos progressos nos estudos. Sempre na companhia do bispo Adalberto, tendo diante de si o exemplo e as instruções deste santo homem, adquiriu a santidade que tanto o elevou acima dos colegas. Tendo apenas quinze anos, o pai convidou-o para tomar parte ativa no governo da nação. 

  Pela morte do pai, Santo Estevão tratou da conversão da conversão dos súditos ao cristianismo. Neste nobre intento encontrou tenaz resistência de uma grande parte dos húngaros, que se opuzeram à mudança de religião, do paganismo para o cristianismo. Estevão recorreu à oração. Não podendo, porém, quebrar a resistência dos rebeldes, pegou em armas*. Por muito tempo ficou indecisa a vitória.

   Neste estado de coisas, Estevão invocou os Santos - Jorge e Martinho, ambos de origem húngara, e fez a Deus o voto de fundar em todo o reino muitos conventos, e edificar igrejas, querendo com o dízimo sustentar os sacerdotes do Senhor. O inimigo foi vencido e o cristianismo nao mais encontrou resistência em sua entrada triunfal na Hungria. 
         
   Fiel ao que prometera, Estevão encetou logo a fundação de conventos, dos quais o mais célebre foi o de São Martinho, nas proximidades de Raab, convento esse cuja pedra fundamental fora lançada ainda por seu pai Geisa. Foram fundadas dez dioceses, cuja administração confiou a homens instruídos e virtuosos da Itália e da Alemanha. O Papa Silvestre II não só aprovou as nobres iniciativas do jovem monarca, mas, reconheceu-o oficialmente rei da Hungria e enviou-lhe uma coroa riquíssima e uma cruz de alto valor, com o privilégio de ser levada diante da pessoa do rei, em solene procissão. 

    Além dessas extraordinárias dádivas, o Papa distinguiu Estevão com o título de Apóstolo da Hungria. Desde aquele tempo os reis da Hungria convervaram o título de "majestada apostólica". A "santa coroa" de Estêvão é considerada o símbolo do poder monárquico na Hungria. Destruído o reino da Hungria (no advento do comunismo à região), a coroa, como preciosa relíquia, para não cair em mãos profanadoras, se acha guardada noutro lugar (estava guardada no Vaticano. Recentemente, voltou para a Hungria).





Relíquias de Santo Estevão: o cetro, a espada, a coroa e a cruz sobre o globo. 


   O ano de 1001 viu a solene unção de Estevão, pelo bispo portador da coroa mandada pelo Papa. No dia da coroação, Estevão colocou todo o reino debaixo da proteção da Santíssima Virgem Maria. 
Terna devoção tinha o Santo à Mãe de Deus, à qual dedicou duas catedrais - a de Gran e a de Stuhl-Weissenburg, nas quais os reis da Hungria eram coroados e sepultados. 

   Com louvável energia, Estevão atacou e aboliu os costumes supersticiosos de seu tempo e deu aos súditos leis sábias e severas. Um cuidado especial dispensava aos órfãto os e viúvas. Aos pobres, o santo rei, em pessoa, levava esmola e sustento. No seu apostolado civilizador e evangelizador, Estevão encontrou forte apoio na cooperação fiel e dedicada da esposa Gisela, princesa bávara e irmão de Santo Henrique, Imperador da Alemanha.

     Estevão cultivava, de um modo extraordinário, o espírito de penitência. Avarento com o tempo, não perdia hora, ocupando-se sempre de coisas úteis no cumprimento do dever. 
    
       Dedicação especial da parte do rei experimentaram os próprios filhos, dos quais o mais velho, Emérico, mais tarde, com o santo pai, recebeu as honras da canonização. 

       Nos três últimos anos de vida, Estevão foi visitado por muita doença. Sentindo a proximidade da morte, para ela se preparou com toda a piedade. Tendo em redor os representantes da corte e da alta nobreza do país, muito lhes recomendou a obediência aos representantes de Cristo sobre a terra e a prática das virtudes cristãs. 

        Munido dos Santos Sacramentos, morreu santamente, não sem ter novamente consagrado a Nossa Senhora sua amada pátria. Estevão entregou a alma ao Criador no dia 15 de agosto de 1038. A mão direita conservou-se incorrupta e é guardada com grandes honras. 








Fonte:
Padre João Batista Lehmann, "Na Luz Perpétua", Tomo II, páginas 241 a 242