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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

"Santos populares": Maria Milza, a "mãezinha", a fé que movimenta centenas de romeiros.



Maria Milza, ‘mãezinha’: a fé que movimenta centenas de romeiros; milagreira que atrai fiéis a um povoado mesmo 24 anos após sua morte.

Em cada canto da Bahia é possível encontrar as mais diversas manifestações de fé. No povoado de Alagoas, município de Itaberaba, encontramos a história de Maria Milza, milagreira que, mesmo 24 anos após sua morte, atrai centenas de pessoas à casa onde viveu. Em busca de cura e proteção, romeiros lotam o local anualmente, durante o mês de novembro, e encaram longas filas para fazer orações e pedidos.

Dona Hilda, devota que mora na região, conta como os milagres aconteciam.  “Ela curava a gente. Bastava dar água benta, pôr a mão e a gente ficava bom”, explica. O Padre Gabriel Vila Verde, que há alguns anos, desde quando era ainda seminarista, estuda a vida de “Mãezinha”, como foi apelidada, conta que ela possuía outros dons, como visões, locução interior e capacidade de ler as consciências. “Antes mesmo das pessoas chegarem aqui, Maria Milza já sabia qual era o problema e de onde estava vindo”, relata o padre.

Apesar de não haver um processo de beatificação em andamento, muitos romeiros visitam a casa onde a milagreira morou. Cartas, velas e ex-votos (moldes de partes do corpo) podem ser encontrados na residência, que fica sob os cuidados do Sr. José Rodrigues. O zelador conta que na casa está guardada uma pedra que, segundo Maria Milza, possui uma espécie de “benção” de Deus. “Já vi pessoas pegarem nessa pedra e saírem curadas”, conta. E se quem tem fé vai a pé, vale a pena rever a matéria e visitar o local.



Um breve relato de uma pequena alma...
Em 15 de agosto de 1923, nascia no povoado de Alagoas, município de Itaberaba, uma criança de nome Maria Milza dos Santos Fonseca.

Um parto cheio de graça onde sua prometida madrinha na hora do nascimento chamou o pai para ver quão bela estava a lua cheia naquele momento.

O pai, admirado, olhou a lua tão linda e, inesperadamente, falou: ''mas, não é época de lua cheia”! Naquele maravilhoso momento Milza chegava o mundo. Com ela nascia a esperança da fé da religião de nosso povo. A menina Milza já nasceu na religião católica e entre seus dez e doze anos sua irmã mais velha (Dora) teve uma torção no pé, inchado e já inflamado, não conseguia andar devidas tantas dores que sentia, vendo o sofrimento da irmã, Milza pediu para rezar e tentar aliviar aa sua dor. Ajoelhou-se e rezou três Ave-Marias, uma Salve Rainha e pediu a Nossa Senhora para aliviar a dor da irmã. O efeito da oração foi imediato e Dora sem perceber já estava andando sem nada sentir.

Desde pequena, Milza se preocupava com as pessoas mais sofridas e carentes. Ela sempre arranjava um jeito de ajuda-las. Sem que seus pais e irmãos percebessem, ela pegava comida na cozinha ou na dispensa para matar a fome de alguém. Nesta época havia uma pessoa de apelido "Rola", mulher solteira e com dois filhos, e que estava com o corpo cheio de feridas, necessitado de cuidados médicos, um tratamento sério e urgente. Milza com 15 anos, pediu a seus pais que lhes ensinassem remédios, caseiros para cuidar as feridas da pobre mulher. Os pais entenderam a aflição ensinaram vários remédios. Com carinho e dedicação preparou todos os remédios e iniciou o tratamento. Em poucos dias a enferma estava curada.

Um ano mais tarde, num dia de festa, Francisco teve uma hemorragia interna e botou muito sangue pela boca. Milza ao saber, tirou um lenço do bolso, molhou de água e passou na boca do enfermo que se encontrava inconsciente e logo voltou a si. Ela arranjou um carinho-de-mão e pediu a uns amigos para levá-lo até sua casa. Conseguiu com os vizinhos alguns retalhos de pano e confeccionou um colchão com enchimentos de folhas de bananeira e colocou numa cama (que serviu de leito para vários doentes que aos longos dos anos passavam por lá) até ficar curado.

As romarias começaram em 10/08/1955. Depois de Milza passar uns dias na casa de um tio, ela disse lá aos seus familiares que o povo já estava à sua espera, que Nossa Senhora lhes chamava e tinha que arrumar tudo porque viria gente de todo lugar sem convite para vê-la.

Um dia, em 1950 (não se sabe ao certo a data) as meninas Ilza Carneiro e Bernadete Cardoso viram na ''Pedra do Santuário'', que fica sob um pé de umbu, próximo ao povoado, uma linda mulher vestida de branco com manto azul e raios luminosos que desciam de suas mãos. Ao chamarem Maria Milza, ela lhes disse que era a aparição de Nossa Senhora das Graças e passaram a cuidar com carinho daquele lugar.

Milza assim descrevia o quadro: “o céu estava mais azul, com tons rosados, um foco de luz ilumina todo o local..." Esse relato e explicação, transformou a simples menina em uma mensageira de amor e de paz. ''Mãezinha'' passou a usar somente trajes brancos, véu de filó sobre a cabeça. Ela soube muito bem cuidar daqueles que a procuravam que a chamavam com esse nome tão carinhoso. As romarias e as curas se sucederam. As pessoas começaram a chegar de toda parte pedindo para serem curadas e para louvarem a Nossa Senhora.

Uma das primeiras curas atribuídas a ela foi a do comerciante Clóvis Silva, mais conhecido em Itaberaba por "Tó" que até hoje se emociona quando relata o que aconteceu com ele. Considerado paraplégico pelos médicos, andava sempre de quatro com chinelos entre as mãos e as pernas encolhidas devido a uma medicação injetável mal aplicada (é o que se acreditava na época. Poderia ter sido paralisia infantil) quando tinha cinco anos de idade.

Dom Lucas Moreira Neves e
Maria Milza. 
A vida de Maria Milza pode ser resumida em poucas palavras: fé, devoção viva a Nossa Senhora, simplicidade, humildade, amor aos pobres, necessitados e sofredores. Tinha um coração amoroso e acolhedor para com todos. Vivia em pobreza, jamais usando os dons que tinha para sua própria vantagem.

Em 17 de dezembro de 1993 milhares e milhares de pessoas dão adeus à "santinha" depois de 38 anos de romaria com sua presença. As ruas de Itaberaba ficaram tomadas por pessoas de todas as classes, crianças, jovens, idosos e até mesmo evangélicos, porém, que admiravam seu divino trabalho. Seu corpo está sobre uma lapide no interior da Igreja de Santo Antonio no meio do povoado.

Padre Gabriel escreveu sua biografia e trabalha para que um dia a Igreja (diocese local) um dia dê início ao seu processo de beatificação.



Fontes:
http://www.professorborges.com.br/2016/02/quem-foi-maria-milza-maezinha-de.html#.WgxIj1WnHIU

http://gshow.globo.com/Rede-Bahia/Aprovado/noticia/2016/02/maria-milza-maezinha-fe-que-movimenta-centenas-de-romeiros.html


Para mais informações, enviar mensagem para o Pe. Gabriel Vila Verde: 
https://www.facebook.com/gabriel.vilaverde

Um comentário:

iris inez rose e gilvanda disse...

Muito lindo / Não a conhecia.

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