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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

VENERÁVEL MATT TALBOT, Leigo, Padroeiro dos que lutam contra algum vício


O Venerável Matt Talbot, que morreu em 1925, é considerado por muitos como padroeiro daqueles que lutam com algum vício. Sua vida foi marcada precocemente pelo alcoolismo e sua conversão, a qual se deve muito às orações de sua mãe, o fez levar posteriormente uma vida de oração e penitência, tornando-se exemplo para muitos de seus colegas operários. Marcante também é sua vida solitária como celibatário, jamais infeliz, mas sempre ao serviço de Deus e das almas. 



O Venerável Matt Talbot foi um típico homem Irlandês que viveu e trabalhou em Dublin nos meados do século 19; Digo típico no sentido de que nasceu numa grande família Católica, extremamente pobre e oprimida pela doença do alcoolismo. Porém a maneira santa com que morreu foi dramaticamente divergente do pecado, e do modo de vida egoísta que mantinha da adolescência até sua conversão. “Matt Talbot não era alguém que fazia as coisas pela metade. O mesmo fervor que dedicou a bebida em sua juventude, dedicou a Deus pelo resto de sua vida”(McGrane, 2006). Ele viveu em uma época e ambiente em que o alcoolismo foi generalizado; Dublin sozinha em 1865 tinha mais de dois mil bares, e registros mostram que muitas pessoas morreram por envenenamento de álcool em 1865-1866 (McGrane, 2006).
O pai de Matt era alcoólico, e Matt começou por si mesmo a beber muito com 12 anos de idade; ele tinha a bebida disponível em seu trabalho num “estabelecimento de vinho e cerveja em Dublin” (McGrane, 2006). Seu pai tentou convencê-lo a parar dando-lhe surras quando chegava bêbado em casa depois do trabalho, mas nada nem ninguém conseguia impedir a queda espiral de Matt na escuridão do alcoolismo.


Na linguagem de hoje, ele era verdadeiramente um adicto no álcool. Seu salário seria essencial para o sustento da sua família. Ao todo eram doze vivendo em sua casa, e seu pai e sua mãe trabalhavam duro apesar da pobreza. Assim que recebia seu pagamento, ele deixava tudo no seu bar favorito, todo seu dinheiro suado, com a condição de ter certeza de que beberia todo o seu pagamento até que ele acabasse. Ele frequentemente ficava tão deseperado por álcool que implorava aos amigos um dinheiro extra para beber, e sempre chegava em casa, por mais de uma vez sem camisa ou botas, que tinha vendido para poder usar o dinheiro para bebida. (McGrane, 2006).
Com 28 anos de idade, Matt no fundo do poço prometeu a sua mãe que nunca mais beberia de novo. Ele levou a sério esta promessa. Por incrível que pareça ele conseguiu isso sem a ajuda de nenhum método de reabilitação, que não existia naquele tempo para ajudá-lo. Foi um verdadeiro milagre da graça de Deus que Matt tenha conseguido mudar a sua vida a partir do momento em que sua mãe lhe disse, “Vai, então, em nome de Deus, mas não prometa se não está disposto a cumprir esse propósito.” Como Matt respondeu que tinha o propósito de manter sua promessa “em nome de Deus”, sua mãe lhe disse, “Deus lhe dará a força para conseguir” (McGrane, 2006).
Logo depois, Matt escolheu aprofundar sua relação com Deus, que havia diminuído com sua dependência ao álcool que consumia todo seu ser. “Como alcoólico, o deus de Matt era a garrafa, e seu altar era um bar” (McGrane, 2006). No entanto, como é o caso de muitos santos heroicos em que o vigor pelo mal se transforma num desejo por Deus, o zelo de Matt pela bebida rapidamente se transformou numa sede de Deus. Ele entendeu que somente Deus poderia saciar a sua sede eterna, e o retorno aos sacramentos era a graça suficiente para manter afastadas as recaídas e a ajuda para se manter sóbrio por muito tempo.


Uma característica marcante da conversão de Matt é que sua vida não mudou nada exteriormente; ele continuou um trabalhador incansável em seu oficio manual, e continuou sua rotina diária sem avisar aos outros sua mudança; no entanto sua vida interior aprofundou-se rapidamente, e ele manteve sua conversão dramática em segredo e em profunda humildade.
Eventualmente, contudo, todos perceberam a metamorfose espiritual de Matt, embora seu testemunho de mudança de vida fosse silencioso. O dia depois da promessa de Matt de não mais beber, ele iniciou um compromisso de assistir a missa diariamente, e de chegar pelo menos meia hora antes para oração silenciosa e devocionais. Em vez de gastar todo seu dinheiro em álcool, Matt doava muito do seu pagamento para obras de caridade. Ele se inscreveu em diversas confrarias católicas em sua paróquia de infância, e ele foi fiel a devoções clássicas como a “Via-sacra” e o “Santo Rosário”. Mais notável ainda foi que “Matt comia muito pouca comida e escolheu para dormir uma tábua em vez de um colchão” (McGrane, 2006) como atos de penitência.
Matt Talbot morreu com 65 anos enquanto caminhava para a missa diária na Igreja de São Salvador; ele estava doente com problemas cardíacos e renais (possivelmente por conta dos anos de abuso do álcool) mas mesmo enfermo batalhava para passar um tempo com o Senhor, enquanto sofria e lutava no rescaldo físico de sua doença. Como ele estava carregando somente um rosário e um livro de orações, ninguém pode identificar Matt quando ele desmaiou na estrada de fora que levava a paróquia. Provavelmente o mais chocante de tudo é que os legistas quando começaram a preparar seu corpo para o funeral, descobriram que o corpo de Matt estava coberto de correntes sob a sua roupa. Matt escolheu abandonar os prazeres sensuais e momentâneos de sua vida passada, e se tornou um homem de humildade e austeridade no fim de sua vida.

Existem duas razões pelas quais a história de Matt Talbot toca-me profundamente (testemunho do autor do texto pesquisado): primeiramente, porque pertenço a uma família tomada pelo vício do alcoolismo. Fui testemunha de membros de minha família e amigos próximos que se tornaram escravos desta doença, e alguns deles tragicamente chegaram a morrer por conta das consequências do álcool e abuso de drogas.
Em segundo lugar, porque eu acho a ascese e humildade da vida de Matt algo muito relevante e inspirador. A conversão de Matt foi sincera, porque estava envolto em humildade, e humildade é uma virtude tão contrária a nossa concupiscência natural. De fato, a humildade é o antídoto contra o vício do orgulho, que muitos teólogos concordam ser a raiz de todos os pecados. Nós vivemos no meio de uma era de revolução tecnológica e é muito comum em todos os lares termos uma infinidade de dispositivos eletrônicos. No entanto a ascese chama o espírito da humanidade, para matar a sede de cada alma na fonte eterna: Deus e no descanso eterno com Ele no céu. Eu não posso imaginar que qualquer um de nós possa alcançar a santidade sem obter a virtude da humildade, o que exige um morrer para si mesmo; ainda assim é cada vez mais desafiador para nós alcança-la, pois estamos imersos no mundo dos negócios; cercados de muito barulho; e geralmente exaustos e ranzinzas pelo vazio e inquietação que permeia nossas vidas. Matt Talbot reconheceu sua própria inquietação e respondeu vigorosamente e com fervor ao chamado de Deus para a cura e santidade; E este é um chamado universal a toda a humanidade.
Matt Talbot pode ter ganho uma reputação precoce de bêbado, ralé e de homem egoísta, mas ele morreu como um homem santo cuja causa de canonização começou em 1931. Ele abandonou toda a sua velha vida envolta em pecados e tornou-se um fanático por santidade: vivendo para Deus e na graça abundante Dele que o faria alcançar a eternidade abraçando uma vida de extrema simplicidade e penitência, oração e negação de si mesmo. Quem sabe quantos sofrimentos Matt silenciosamente ofereceu como um sacrifício a Deus, em reparação pelos pecadores e pelo bem de todas as almas? É precisamente o que torna sua história tão bonita: ele é um de nós, e a jornada da sua vida serve como um farol de esperança de que qualquer um ainda que num estado de escuridão e pecado tem o potencial de se tornar um grande santo quando coopera diariamente num ato de total dependência do amor e misericórdia de Deus.
Matt Talbot conheceu a misericórdia de Deus muito bem, porque estava consciente da grandeza do amor de Deus por ele e por todas as almas. Ele é um excelente protetor para aqueles que todos nós sabemos que sofrem da doença do alcoolismo e drogadição, tenho esperança que todos podemos ganhar em conhecer e compartilhar sua história para aqueles que perderam toda a esperança de cura.

REFERÊNCIAS
McGrane, Janice. (2006). Saints to Lean on: Spiritual Companions for illness and disability, 81-93. Cincinnati, OH: St. Anthony Messenger Press

Fonte: http://www.comunidadesacramentos.com.br/single-post/2016/07/01/Veneravel-Matthew-Talbot




MATT TALBOT E O CELIBATO

Se bem que Matt nunca tivesse pensado seriamente em casamento, como já vimos, contudo, nunca tinha feito voto ou tomado qualquer compromisso definitivo a esse respeito.

Foi pelo ano de 1892 que ele manifestou, claramente, a sua resolução generosa de nunca se casar: seria sempre um verdadeiro ermitão, um autêntico solitário.
Para vencer as más tendências, dedicou-se

ardorosamente à oração e penitência.
São Paulo, que chama ao matrimônio de “grande sacramento”, louva, contudo, o estado de virgindade, dizendo quanto ela agrada a Deus. Aliás, se não assim não fora, não teria o apóstolo ardente do Evangelho deixado o seu exemplo aos homens de perfeita virgindade e muito menos o Mestre divino Jesus Cristo.
E se há homens que não compreendem a possibilidade e sublimidade desse estado que nos torna semelhantes aos anjos, não é para admirar. Jesus Cristo disse claramente que nem todos compreenderiam esse sacrifício. E São Paulo francamente declara que os homens carnais não percebem as coisas do espírito.
Matt Talbot, que vivia com o coração nas alturas, facilmente compreendeu o valor desse estado que dá aos homens a verdadeira e a mais elevada liberdade dos filhos de Deus.
Foi justamente quando ele trabalhava na construção da casa de um clérigo protestante que se ofereceu ocasião para que Matt tomasse uma resolução definitiva. E não nos parece isso simples coincidência. Talvez visse, então, o operário com os próprios olhos o embaraço que a vida de família pode causar a quem quer viver só para Deus e para as almas. Talvez compreendesse, então, mais perfeitamente, o porquê do celibato que a Igreja impõe àqueles que voluntariamente querem ser seus ministros.
O fato foi, assim, contado pela própria mãe de Matt. A jovem cozinheira do pastor protestante ficou encantada com as maneiras modestas e dignas do operário. Não era como os outros trabalhadores, que não respeitavam, que gostavam de dizer graças à cozinheira e às outras raparigas. Católica, piedosa, séria, vendo a linha que Matt conservava sempre, teve coragem de lhe falar, respeitosamente, em matrimônio. Disse-lhe também que possuia boas economias, com as quais e com o seu trabalho poderiam viver honestamente com certo conforto.
Matt não a repeliu logo, pois que notou as boas intenções da piedosa donzela. Disse-lhe que faria uma novena, depois da qual lhe daria uma resposta.
De certo, foi a novena à Mãe querida do céu, que o ajudara já visivelmente em outras dificuldades, mas principalmente em sua mudança de vida.
Mas, terminada a novena, Matt estava mais resoluto do que nunca: queria continuar a sua vida solitária de penitência. É um fato: quem experimentou a renúncia silenciosa, já não pode viver sem ela.
E Matt declarou à moça a sua resolução generosa.
Ela, de certo, ouviu, se não com alegria, com espírito de fé, ao menos. Que N. S. o abençoasse. E eles se separaram para sempre.
Sua resolução ficou inabalável até ao fim.
Quando gracejavam com ele os companheiros, perguntando-lhe quando casaria, o solitário respondia, com certa graça, para não revelar os seus segredos, que o casamento atrapalharia a sua vida.
E a boa mãe também contava que Matt confiara a um de seus amigos íntimos, que fora a “Virgem Maria que lhe dissera um dia de viver sempre em virgindade”.
Feliz a alma cristã que se deixa levar assim, pela direção toda maternal de Maria Santíssima.






Do alcoolismo à santidade

No ano de 1925 em Dublin um jornal publicou a seguinte notícia: “Um homem idoso perdeu os sentidos na Gramby Lane. No hospital descobriram que estava morto; não trazia consigo nenhum documento”.
Tratava-se de Matt Talbot, que de alcoólico inveterado, se tornou um verdadeiro santo.
Era o segundo de 12 irmãos, e nasceu numa família pobre de Dublin (Irlanda) em 1856.
Terminada a instrução primária, Matt Talbot empregou-se na casa de um negociante de vinhos, como moço de recados, aos doze anos de idade
Aí aprendeu a beber, infelizmente. E passados dois anos, era um miserável alcoólico.
Os pais pensavam que mudando de emprego, o rapaz deixasse a bebida, e puseram-no a trabalhar como ajudante de pedreiro. Continuou porém, preso ao álcool. No fim de cada semana gastava quase todo o ordenado nas tabernas.
Quando não bebia, Matt era amável, serviçal, simpático e acolhedor. Mas quando ficava embriagado, fazia-se valentão e metia-se em brigas.
Durante 14 anos, Matt não passou de um pobre bêbado e jogador viciado.
O jogo hipnotizava-o e a bebida atraía-o irresistivelmente.
Aos sábados, dia de pagamento, ele ia esperar diante do portão da fábrica os companheiros que deixavam o trabalho com o ordenado da semana, esperando que o convidassem para beber um copo. Quase ninguém parava para falar com ele. Não era bem visto, obviamente.
Numa tarde caiu em terrível abatimento físico e moral, como não lhe havia acontecido até então. Sentia asco, nojo de si mesmo e do seu vício degradante. Como se sucedessem esses estados com tanta freqüência, um dia disse à mãe, para surpresa dela:
-- Hoje fiz um voto a Deus!
-- Que voto meu filho?
-- O voto de não beber durante três meses!
No dia seguinte foi trabalhar normalmente na fábrica. Passou bem a semana inteira. No sábado imediato, os companheiros convidaram-no para ir beber um copo, o que raramente acontecia.
Por delicadeza, aceitou o convite. Mas os companheiros, arregalando os olhos e sacudindo a cabeça, ficaram admirados quando o viram beber apenas água mineral!
Entretanto, a luta para cumprir o voto durante aqueles três meses foram para ele um terrível tormento. E dizia à sua mãe como forma de desabafo:
-- Já não aguento mais, minha mãe! Tenho de voltar a beber!
Mas resistia, e as lágrimas corriam-lhe pela face. Mais tarde confessou: "Foi então que me pareceu ouvir uma voz interior que dizia: -- A sobriedade é uma tolice. Você é totalmente incapaz de viver sem bebida. Nenhum homem viciado consegue viver sem álcool!
Matt reconheceu então que era um aviso do Céu a explicar-lhe que por suas próprias forças seria incapaz de abandonar para sempre o vício da bebida. Era preciso pedir essa graça a Deus Nosso Senhor.
De seguida humilhou-se e suplicou a Deus que lhe concedesse forças para dominar e largar esse vício da embriaguez.
A partir de então, dirigia-se toda manhã à Igreja dos Franciscanos para assistir Missa e receber humilde e devotamente a Sagrada Comunhão.
Passados os três meses, Matt renovou o voto por um ano. Aos poucos foi-se livrando da bebida até se tornar um homem livre dessa prisão alcoólica, embora de quando em quando tivesse que lutar contra a tentação de beber. Foi ele mesmo quem o disse:
"Quando em certa manhã ia para a Igreja dos Franciscanos, assaltou-me um terrível desejo de tomar álcool. Não sabia como havia de resistir. Durante duas horas andei sem rumo pela cidade e parei diante de uma igreja. Entrei, coloquei-me de joelhos diante do altar, e de todo o coração supliquei a Deus:
-- "Senhor, não me deixeis cair novamente no vício da embriaguez, que desejo vencer com o vosso amparo e ajuda! Fiquei ali não sei quanto tempo".
Ao longo dos meses e anos, pouco a pouco Matt tornou-se outro homem. Sentiu-se completamente livre da tentação da bebida.
De vez em quando era visto entrar numa e outra taberna com um envelope na mão. Levava o dinheiro para pagar as bebidas que no passado bebeu fiado.
Daí por diante, entregou-se a uma rotina de muita oração e impressionante penitência, durante seus últimos 40 anos de vida.
Levantava-se às 5 da manhã para assistir à Missa antes do trabalho e dava à oração todos os momentos livres de que dispunha.
Quando caiu desmaiado ao dirigir-se para a Missa, e levado para o hospital, encontraram-lhe o corpo cingido por áspero cilício de pontas de arame mordentes, sinal da intensidade da mortificação que praticava.
Introduzindo o processo de beatificação em 1947, foi declarado Venerável em 1975. A sua conversão foi tão sincera que dificilmente se encontrará nestas terras um exemplo de tanta oração e penitência como a deste carregador das docas de Dublin.
Matt Talbot morreu a caminho da Missa na Igreja dos Franciscanos, depois de ter completado 69 anos de idade.

Fonte: http://pastoralteologica.blogspot.com.br/2012/06/do-alcoolismo-santidade.html

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