Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 20 de março de 2018

Servo de Deus José Engling, Jovem Leigo, membro do Movimento de Schoenstatt






José Engling, um pioneiro de Schoenstatt

"A história do jovem herói constitui para a Família de Schoenstatt um exemplo de vida.”



José Engling ao lado do Pe. Kentenich.


Nascido em 05 de Janeiro de 1898, na aldeia de Prossitten, José Luiz Engling era o quarto filho do casal Augusto Engling e Maria Masuth. Tudo corria bem até o dia em que José Engling fora acometido de poliomielite, cujos sinais o marcariam pelo resto da vida. Ficou com os ossos da coluna levemente deformados e os ombros encolhidos, isso o faziam andar meio curvado. Além disso, tinha dificuldades em pronunciar algumas palavras.
José experimentou grande sofrimento, pois era uma figura de exterior pouco atraente, motivo de zombaria das outras pessoas. Com isso, ele possuía todos os motivos para ficar de lado. Porém, desde que se percebeu vocacionado para a grandeza, nada conseguiu detê-lo. Sem amargura, sem frustrações diante dos pesados tributos que a natureza lhe impunha, aceitou a luta em todos os campos, quebrando lanças com uma obstinação como poucos este mundo viu.
José Engling foi seminarista da Sociedade São Vicente Pallotti e aluno do Pe. José Kentenich. Pertencia à Congregação Mariana, mas não participou da fundação de Schoenstatt em 18 de outubro de 1914, pois chegou dias mais tarde das férias anuais. Mesmo assim, foi um dos que primeiro e mais profundamente compreendeu o sentido dessa consagração.
Engling captou muito bem as inspirações do Pe. Kentenich e foi quem iniciou o Horário Espiritual, procurando organizar seu dia organicamente e a auto educar-se. Nesse ponto Engling é exemplo para todos nós, pois nunca perdeu a sua dedicação e vontade em se educar. Ele costumava dizer: “O mundo todo é nosso campo de batalha”.

José Engling não esteve presente no dia da Fundação de Schoenstatt, em 18/10/1914, mas foi o primeiro a viver da Aliança de Amor com a Mãe de Deus, de maneira profunda, com todo seu coração. Anos mais tarde o Pe. José Kentenich diria sobre Engling: “José Engling foi o Documento de Fundação vivido!”.
É com José Engling que nasce a aspiração das “Flores de Maio”, tão cultivadas entre os filhos de Schoenstatt. No mês de Maria, muitos se inspiram em Engling para oferecer um ramalhete espiritual de flores, conquistadas por meio das contribuições ao Capital de Graças, para a Mãe e Rainha.
Juntamente com os primeiros congregados, Engling participou na conquista do Santuário Original. Ali buscou sempre um íntimo contato com a Mãezinha. Mesmo quando estava na frente da batalha, colocava-se espiritualmente no Santuário para rezar. Mantinha também um permanente contato com o Pe. Kentenich através de cartas e via nele um Pai a quem se entregou inteiramente.
A história do jovem herói constitui para a Família de Schoenstatt um exemplo de vida. Com efeito, José Engling oferece-nos um modelo de como assumir e viver de forma concreta o Documento de fundação e os três pontos de contato: A Mãe de Deus, o Santuário e o Pe. Kentenich.
O seu ideal pessoal era: “Ser tudo para todos como propriedade única e exclusiva de Maria”.
Como soldado na Primeira Guerra Mundial, deu testemunho de como a santidade pode ser vivida em ambientes totalmente adversos. Continuou, ali, seu esforço pela santificação e viveu fielmente a Aliança de Amor pelas contribuições ao Capital de Graças. Seu diário relata o heroísmo de uma vida entregue a Deus sob o cuidado e proteção de Maria.
José Engling foi fiel ao chamado de Deus. Mesmo na guerra, trabalhou sem cessar pela divulgação da devoção à Mãe de Deus; não descuidou de seus propósitos de autoeducação através do controle diário de seu Horário Espiritual e Exame Particular. Seu último Exame Particular foi: “Andar na presença de Deus, ajudar os companheiros a santificar o dia útil. ”
“Querida Mãezinha! Mater Admirabilis! A ti, novamente, me consagro como holocausto. A ti consagro tudo o que sou e tenho: meu corpo e minha alma, com todas as suas faculdades, meus bens e haveres, minha liberdade e minha vontade. Sou teu, inteira e indivisamente! Dispõe de mim e do que me pertence, como te aprouver. Se, no entanto, for compatível com teus planos, deixa-me ser um holocausto, pelas tarefas que propuseste à nossa Congregação. Em humildade, teu servo, José Engling.”

Dentro de uma trincheira, Engling escreveu esta oração, colocando tudo de si à disposição de nossa querida Mãe Maria. Esse compromisso tornar-se-ia mais tarde a nossa oração de consagração.
José Luiz Engling morreu em 04/10/1918 em Cambrai, vítima da explosão de uma granada. No dia 05/10/1918, a Alemanha pede rendição e a guerra termina. No local onde o jovem herói tombou, no território francês que faz divisa com a Alemanha, foi construído o Santuário da Unidade e é onde ele está sepultado. Atualmente seu processo de canonização segue na Congregação pela Causa dos Santos, em Roma.




Algo de seus apontamentos

Ideal pessoal: “Ser tudo para todos como propriedade única e exclusiva de Maria”

“A imagem sublime da Mãe está agora vivamente diante dos meus olhos”. Uma só coisa deve nortear a minha vida: Tudo por ti, querida Mãezinha.”

“Mãe, nenhum sacrifício quero considerar por demais pesado. Quando se trata de tua honra, não quero recusar nem o mais duro sacrifício. Mãe, dá-me força para me conservar fiel a esse propósito.”

“Cinco vezes ao dia – duas de manhã e três à tarde – quero lembrar-me que um filho de Maria não deve andar triste, e esforçar-me-ei por estar alegre. Se alguma vez estiver abatido, quero combater este sentimento e impor-me uma penitência”

“Mãe, esta semana faltei miseravelmente. Uma mentira deliberada. Como podes não te aborrecer comigo? Perdoa-me! Quero fazer penitência e trabalhar com mais afinco em teu serviço.”

“Querida Mãezinha, quero aproveitar as difíceis circunstâncias em que me colocaste, para me santificar o mais depressa possível. Na vida militar me deste ótima ocasião, embora espinhosa. Quero aproveitá-la. Chamaste-me a ser teu vassalo. Quero esforçar-me por aproximar todos de ti.”




Mês de Maria com José Engling – Os Exercícios Espirituais

Durante o mês e meio de férias de 1915, com apenas 17 anos, José interiorizou profundamente a sua condição de jovem Congregado Mariano e elaborou os seus propósitos de forma a integrá-los na vida.
José Engling torna-se mestre na arte da construção espiritual. De regresso a Schoenstatt, tenta sintetizar o seu ideal e o seu programa de vida. Schoenstatt era a grande ideia da sua vida. Escreveu no seu caderno: Quero tornar-me tudo para todos e ser propriedade especial de Maria. Para conquistar a santidade na vida diária tomou como propósito particular: Fidelidade nas pequenas coisas.
Ao trabalhar na prática a sua teoria, José Engling escreveu séries de perguntas agrupando-as por temas, a fim de controlar não apenas o cumprimento dos propósitos espirituais, mas o seu relacionamento com os outros e com as suas obrigações quotidianas.
Na prática, estes seus exames de consciência passaram a ser feitos não apenas sob o ponto de vista do dever, mas do grau de heroísmo que empregava nos trabalhos executados por iniciativa própria, evitando ocupar-se demais na investigação das suas faltas.
Mas desanimava frequentemente por não cumprir os seus propósitos. Só conseguiu a tranquilidade interior quando se abandonou à Mãe com ilimitada confiança. A partir daí os seus escritos revelam um tom filial, uma crescente confiança na vitória de Maria sobre a sua pessoa.
Por amor a Maria procurava aperfeiçoar sem descanso a sua vida, limando as arestas do carácter, vencendo os caprichos e os sentimentos de tristeza e desânimo.
Nos finais de 1915, o Padre Kentenich nomeia José Engling dirigente dos candidatos à Congregação o que lhe confere duas difíceis tarefas: Prefeito da Congregação e guia dos aspirantes. A este novo desafio José responde com o seu habitual empenho e procura realizar da melhor forma o seu trabalho.
Aproximou-se dos aspirantes e contagiou-os com o fogo do seu entusiasmo, conseguindo apoiar os que tinham maiores dificuldades, ajudando-os no estudo e no desenvolvimento da sua vida espiritual de forma individualizada.
Em Maio de 1916, José Engling resolve oferecer um ramo de flores espirituais a Maria e escreve:
Flores de Maio do jardim do meu coração, oferecidas à Rainha de Maio no seu mês de 1916.

Mãe, para ti quero plantar e cultivar:

A rosa do amor e da estima.
Assim como a rosa é a rainha das flores, sê tu a rainha do meu coração. À tua disposição, minha soberana, ponho tudo o que tenho, em especial:

Atos de entrega a ti
Promover a tua honra
Leituras referentes a ti
Conversações referentes a ti
Saudações à tua imagem
Visitar a capelinha da Congregação
Terço
Comunhão
Comunhão espiritual
Atos de apostolado
Fazer de ti o ponto central do meu dia
Jaculatórias

O miosótis da fidelidade ao teu serviço.
Quero ser-te fiel por estes meios:
Rezar bem as orações dos congregados
Preparar a reunião
Fazer com atenção a leitura espiritual
Estudar com afinco
Guardar silêncio na sala de estudos
Silêncio ao toque da campainha
Cumprir com exatidão os meus trabalhos
Fazer particularmente bem a minha cama
Ter ordem na carteira
Ser dócil às inspirações da graça e da consciência

A violeta da humildade e da modéstia, procurando:
Aceitar as correções com paciência
Perdoar as ofensas
Obedecer com alegria

A flor da paixão e do amor ao sacrifício desabrochará pelo:
Paciente aturar das coisas desagradáveis
Comportamento cheio de atenções
Cortesia
Domínio de mim mesmo à mesa
Cumprimento exato do exame particular
Leitura do livro de boas maneiras
Leitura do regulamento
Prestar favores
Outros sacrifícios

O lírio da pureza
Vigiar os olhos, especialmente no dormitório
Silêncio no dormitório
Implorar a pureza na santa comunhão







quinta-feira, 15 de março de 2018

Servo de Deus Padre José Kentenich, Fundador do Movimento de Schoenstatt





Infância

Pe. José Kentenich criança.
Nascido em 18 de Novembro de 1885 em Gymnich, perto de Colónia, Alemanha. É batizado no dia seguinte na Igreja Matriz de São Cuniberto, recebendo o nome de Pedro José, sendo que José se tornou seu nome familiar. Seus pais descendem ambos de famílias de pequenos agricultores. Em 12 de Abril de 1894, quando contava ele nove anos de idade, não podendo tê-lo consigo por causa de grandes dificuldades familiares e econômicas, sua mãe Catarina o levou ao Orfanato de S. Vicente em Oberhausen. À entrada, a mãe consagra-o a Nossa Senhora. José, menino de oito anos, leva esta consagração muito a sério. Maria, agora, tem a Seu cargo a educação de José.
“O que sou e o que em Schoenstatt se formou, à Mãe de Deus o devo.”- assim o confessa mais tarde, ao lançar um olhar retrospectivo sobre a sua vida.
Recebeu sua primeira comunhão em 1897, no primeiro domingo depois da Páscoa. Neste dia manifestou a sua mãe o desejo de se tornar sacerdote.

Juventude

1ª Comunhão em 1897
no Orfanato de São Vicente.
Em 22 de Setembro de 1899 ingressou à Congregação Missionária dos Palotinos, tendo, portanto, 14 anos incompletos. Em 1904 faz o Noviciado e estuda Teologia em Limburgo. Suporta, durante anos, uma grave crise espiritual que o leva quase ao esgotamento das suas forças. José, intelectualmente muito dotado, é assediado pelas perguntas: O que é a verdade? Posso eu conhecê-la? No entanto, o seu amor a Maria nunca fora afetado por nenhuma dúvida ou incerteza que tantas vezes o atormentavam. Graças à Mãe de Deus, ele encontra uma saída para a sua crise interior. Ela concede-lhe a participação, de uma forma verdadeiramente profunda, no Seu amor ao Deus Trino e aos Homens.








Sacerdote / Diretor Espiritual

1910 - Após a ordenação sacerdotal.
Em 1910 recebe a Ordenação Sacerdotal e torna-se professor no Seminário Menor da sua comunidade em Ehrenbreitstein. Em 1912 trabalha como Diretor Espiritual dos alunos no novo Seminário Menor em Schoenstatt, Vallendar, às margens do Rio Reno. Neste momento, percebe-se que o Pe. Kentenich é um pedagogo muito dotado. O seu objetivo pedagógico é claro e entusiasma os alunos a que se tornem personalidades fortes e livres; que vivam santamente no meio do mundo moderno.
O Pe. Kentenich condu-los a uma séria auto-educação e oferece-lhes, sobretudo, Maria, como Mãe e Educadora. Sua pedagogia gera uma confiança extraordinária que une os alunos e os conduz com muito equilíbrio ao mundo sobrenatural, sem desvinculá-los do mundo natural (relacionamento pessoal, dedicação ao estudo e trabalho, amor à pátria etc). O diretor espiritual indica-lhes constantemente a Maria, como modelo do verdadeiro relacionamento com Deus e da dedicação ao próximo.
Pouco depois, alguns desses alunos são chamados como soldados para a guerra e oferecem a própria vida a Deus, em holocausto pela frutuosidade da Obra que iniciaram com o Pe. José Kentenich. Após a guerra muitas pessoas chegam a Schoenstatt atraídas pela espiritualidade que conheceram nos campos de batalha. A Obra se expande além dos muros do seminário em grupos de famílias, sacerdotes, irmãs, homens, mulheres e jovens.




Fundação de Schoenstatt

A 18 de Outubro de 1914, com alguns alunos, arrisca o primeiro passo para a fundação do Movimento de Schoenstatt. Numa pequena capela, em Schoenstatt, selam uma Aliança com Maria, a “Aliança de Amor”. Por ela se pede à Santíssima Virgem que Se estabeleça nessa capelinha e atue como Educadora do Homem livre. O Pe. Kentenich e os jovens acreditam que essa capela se converterá num lugar de peregrinação e de graças para muitas pessoas. Eles mesmos se empenham, como contribuição para este fim, em levar uma vida radical de fé e de compromisso por Schoenstatt. “Nada sem Ti; nada sem nós!” é a breve fórmula que abrasa os corações desta nova comunidade de caminho com Maria, que agora começa.
O desejo de fundar um Movimento torna-se, a pouco e pouco, realidade. A capela, em Schoenstatt, é hoje o lugar de origem de um movimento internacional para homens e mulheres, crianças e jovens, famílias e sacerdotes. Atualmente, existem cerca de 180 santuários de Schoenstatt em mais de 130 países do mundo. A eles peregrinam inúmeras pessoas que imploram à Mãe de Deus a graça de realizarem a sua vocação cristã em todos os estados de vida, na Igreja e na sociedade.
Uma das características principais do Pe. Kentenich é conservar sempre “a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus”. Seguindo os sinais indicados pela Divina Providência, em 18 de outubro de 1914, em meio a I Guerra Mundial, com seus alunos, sela a Aliança de Amor com Maria, suplicando-lhe que torne a pequena Capelinha, no terreno do seminário, um Santuário de Graças e um centro de renovação religioso e moral para a Alemanha e o mundo.
Em uma carta, Padre José Kentenich afirma: "No domingo passado estive em Schoenstatt. Os momento mais belos foram os que eu passei na capelinha, diante da imagem de graças da Mater Ter Admirabilis. Sim, nossa capela é realmente um lugar de graças onde a Mãe Três Vezes Admirável atua com todo o seu poder. É uma nova Nazaré, onde Jesus e Maria vivem intimamente unidos."





Campo de Concentração

Em 20 de setembro de 1941, depois de um interrogatório, Pe. Kentenich foi preso pela Gestapo (polícia secreta do Estado durante o nazismo) em Coblença e levado ao porão do Alojamento, num calabouço, onde ficou por quatro semanas. Mesmo assim foi-lhe permitido conservar o traje preto e assim ser reconhecido como sacerdote. Com a ajuda de dois guardas, foram providenciados todos os paramentos e objetos sagrados para que se pudesse celebrar a Santa Eucaristia em sua cela, diariamente.
Entre 1941 e 1945, o Pe. Kentenich encontra-se cativo dos nacional-socialistas. Primeiro na prisão de Coblença, depois no campo de concentração de Dachau. Também aí continua a trabalhar intrepidamente na missão da sua vida, anunciando aos homens o amor misericordioso de Deus e, com a ajuda de Maria, ajudando-os a que se tornem pessoas de um grande amor. No meio do inferno de Dachau, muitos prisioneiros puderam experimentar, graças ao Pe. Kentenich, uma grande proximidade com Deus.
Em 20 de janeiro de 1942 decidiu-se a ir livremente para o Campo de Concentração e assim foi levado, em 11 de março, para Dachau, onde as condições de alimentação eram tão deficientes que o número de mortos por fraqueza e fome aumentava dia a dia. Não muito depois de sua libertação o Pe. Kentenich conta que o Campo de Concentração de Dachau era povoado de "figuras cambaleantes e vacilantes". De março a agosto foram registradas 550 mortes.
Sem prévio aviso, os doentes e incapacitados ao trabalho eram reunidos e levados às câmaras de gás. Pe. Kentenich só escapou porque o chefe do bloco onde ele estava evitou que fosse apresentado ao médico que sorteava os "candidatos à morte".
Com a morte diante de si, Pe. Kentenich frequentemente dava de presente os alimentos que lhe eram trazidos ocultamente e até mesmo uma parte de sua ração habitual para ajudar aos outros. Em vários outros casos conseguiu que companheiros de prisão fossem tirados da lista fatal da câmara de gás. "Nós, Sacerdotes do Campo de Concentração de Dachau, vivendo nas condições mais primitivas, não queremos reagir de modo primitivo, mas de modo singelo e autêntico e, se for a vontade de Deus, ou morrer heroicamente no campo como personalidades sacerdotais fortes, ou mais tarde, como sacerdotes amadurecidos, continuar a trabalhar com zelo e fecundidade para o reino de Deus."
Mesmo assim, por caminhos secretos conseguia receber hóstias e vinho para a celebração da Santa Missa no campo e durante todo o tempo de prisão dava diariamente duas conferências para cerca de 100 sacerdotes.
Em 22 de outubro de 1942, após liberação dos superiores do campo, recebeu um pacote contendo 2 pares de meia, 2 ovos cozidos, 250 gramas de manteiga, e algumas bolachas e salgadinhos, que foram repartidos com seus amigos mais íntimos. Estas "encomendas" vinham regularmente até o início de 1945 quando foram novamente proibidas. Em seguida o campo foi acometido de um surto de tifo. De janeiro a março de 1945, morreram cerca de 11.000 pessoas. Em correspondência secreta, pediu a Schoenstatt que enviassem vacinas contra o tifo, assim todos os padres foram vacinados.
Em 6 de abril de 1945, pode deixar o Campo de Concentração de Dachau, devido ao fim da guerra. Sua primeira visita foi ao Pároco da aldeia para agradecer todo o auxílio prestado aos sacerdotes por seu intermédio.
Em 20 de maio de 1945, depois de três anos e meio de prisão, celebrou novamente a Santa Missa no Santuário da Mãe de Deus. Era um domingo de Pentecostes, a festa do Espírito Santo.




Viagens internacionais

Entre 1947 e 1948, o Pe. Kentenich inicia as suas viagens pela América do Sul, África e E.U.A. para incrementar contatos internacionais e ajudar os schoenstattianos desses países na construção do Movimento. O seu amor à Mãe de Deus impele-o a trabalhar por eles a uma escala internacional.
Nos primeiros dias de maio de 1947, a convite de Frei Martinho Friese, o Pe. Kentenich visitou o Jaraguá, onde 20 anos mais tarde se estabeleceria a primeira comunidade dos padres de Schoenstatt no Brasil.


Exílio em Milwaukee, EUA, 1951-1965
Exílio

De 1951 a 1965, a Igreja separa o Pe. Kentenich da sua Obra. Milwaukee, nos E.U.A., torna-se o lugar de residência fixa. As autoridades eclesiásticas competentes examinam a sua pessoa e a sua fundação. Nos longos anos de ausência de Schoenstatt, ficou comprovada a autenticidade do amor do Pe. Kentenich à Igreja e a fidelidade à sua Obra.










Últimos anos de vida

Na Noite Santa de 1965 regressa a Schoenstatt. No tempo que ainda resta de vida, este sacerdote octogenário trabalha ininterruptamente na consolidação interna e externa do Movimento de Schoenstatt. Apesar de todos os compromissos, jornadas, retiros e, ainda, do sobrecarregado programa de trabalho diário, a sua primeira preocupação foi sempre cada pessoa. A sua profunda união com Deus e a sua paternal bondade, que deixava irradiar, deram a muitas pessoas uma ideia do amor de Deus, nosso Pai.

Na manhã de 15 de setembro de 1968, Pe. Kentenich dirigiu-se à nova Igreja da Santíssima Trindade, no Monte Schoenstatt, para celebrar a Missa pela primeira vez. Era festa de Nossa Senhora das Dores. De volta à sacristia, convidou dois padres para almoçarem com ele e em seguida ficou em silêncio, junto a seus dois assistentes. De repente notaram que o Pe. Kentenich se inclinava para frente. Procurava apoiar-se, mas não conseguiu. O corpo dobrou-se e o Padre foi caindo. Tentaram sentá-lo numa cadeira, mas acharam melhor deitá-lo de costas no chão. Padre Kentenich levou a mão ao coração e respirou ainda por dois ou três minutos. Chamaram rapidamente um médico e outro padre administrou-lhe a unção dos enfermos. O médico chegou e examinando-o disse: "O coração está parado". Padre Kentenich estava morto.
Cinco dias depois foi sepultado no mesmo local onde falecera. Após a missa de corpo presente, o corpo foi levado até o Santuário da Mãe Três Vezes Admirável. Sobre sua sepultura, um sarcófago simples de basalto cinzento, estão gravados, além de seu nome, data de nascimento e falecimento, as palavras que ele mesmo desejou: "Dilexit Ecclesiam" (Ele amou a Igreja).



Todo o seu amor pertencera a Igreja. Toda sua vida foi uma vida pela Igreja: pela Igreja na atualidade, mas sobretudo pela Igreja do futuro e pela obra que ele mesmo iniciou, o Santuário da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt.
Agora, ele continua a missão da sua vida; porém, de uma nova forma. Que o Pe Kentenich, de fato, a realiza, experimentam-no já muitas pessoas que a ele se vinculam e recorrem nas suas necessidades.








Espírito Santo, Tu és a alma de minha alma. Cheio de humildade Te adoro. Ilumina-me, fortifica-me, guia-me e consola-me. Revela-me, tanto quanto isso ao plano do eterno Pai corresponde, revela-me os Teus desejos. Faze-me entender o que o Amor eterno de mim deseja. Faze-me entender o que devo fazer. Faze-me entender o que devo sofrer. Faze-me entender o que, em silêncio, com modéstia e reflexão, devo aceitar, carregar e suportar. Sim, Espírito Santo, faze-me entender a Tua vontade e a vontade do Pai. Pois, minha vida inteira não quer ser mais que um contínuo e perpétuo SIM aos desejos e ao querer do eterno Pai.  
Padre José Kentenich





Oração para Canonização do Padre José Kentenich

Deus Pai todo-poderoso, és o amor e a misericórdia. Somente Tu, como Pai onisciente, compreendes tudo o que se passa em mim. Ajuda-me, Pai de bondade, nesta minha grande aflição. Atende-me por intermédio do Pe. José Kentenich. Como fiel sacerdote ele amou tanto a Tua igreja peregrina e procurou conduzir todos os que dele se aproximavam a um amor pessoal a Ti. Foi sábio e humilde conselheiro para todos os que dele precisaram. Concede-me, Pai eterno, por intercessão do Pe. José Kentenich, especialmente a graça (...). Em sinal de gratidão, eu Te ofereço o precioso sangue de Cristo, nas intenções da Santa Igreja e por todos os que se encontram em grande aflição. Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, roga ao Pai Eterno, que conceda ao Pe. José Kentenich a honra dos altares, como recompensa por todo o bem que fez à Igreja, para Teu louvor e a glória da Santíssima Trindade. Amém. Rezar 03 "Glória ao Pai".












quarta-feira, 14 de março de 2018

Beato Donizetti Tavares Lima, presbítero brasileiro.




A tradicional benção do Pe. Donizetti. Muitos atribuíam
curas e milagres através de sua benção. 
O Beato Donizetti Tavares de Lima nasceu na cidade de Cássia-MG, no dia 03 de Janeiro de 1882, filho de Tristão Tavares de Lima e de Francisca Cândida Tavares de Lima, teve 08 irmãos. Quando Donizetti tinha quatro anos de idade, sua família mudou-se para a cidade de Franca-SP onde fez o curso primário e foi aprendendo os rudimentos da música.
Aos 15 anos de idade foi matriculado no curso preparatório do antigo Seminário Episcopal de São Paulo e depois de três anos cursou o Colégio em Sorocaba, voltando no ano de 1900 para o Seminário. No dia 12 de Julho de 1908 foi Ordenado Sacerdote em Pouso Alegre-MG.




Padre Donizetti quando jovem.
Passou pelas Paróquias de São Caetano em Pouso Alegre; Jaguariúna; Paróquia de Santa Mãe de Deus; Paróquia Sant’Ana em Vargem Grande do Sul; no dia 24 de maio de 1926 foi nomeado Pároco da Paróquia Santo Antônio em Tambaú- SP onde chegou no dia 12 de junho do mesmo ano, sua posse aconteceu no dia 13 de junho de 1926.

Trabalhou por 35 anos em Tambaú até o dia 16 de Junho de 1961 quando faleceu aos 79 anos de idade por complicações cardíacas.

 “Pe. Donizetti tinha vida austera, sem luxo, nada de requinte. Sua aspiração era servir a Deus sobre todas as coisas. Tinha total zelo pelas crianças e idosos, mas acolhia a todos sem distinção”. (Livro Pe. Donizetti de Tambaú – José Wagner Azevedo).


Fundou uma creche, a Casa da Criança, cuidou dos trabalhadores, fazendo o circulo operário, e por fim olhou pelos idosos e fez o Asilo.

Possuía grande devoção e fé a Nossa Senhora Aparecida e providenciou uma imagem da Mãe de Nossa e assim a entronizou na Igreja Santo Antônio.

Em 1929 um incêndio destruiu tudo o que havia na igreja Santo Antônio, mas o fogo não destruiu a Imagem de Nossa Senhora Aparecida que foi salva intacta. Este fato foi atribuído como um sinal de Deus.

Na década de 50 muitos fatos aconteceram e que levaram o Pe. Donizetti a ter fama de "santo": muitas curas foram atribuídas a ele através de sua benção.

A Igreja São José não comportava tantas pessoas então foi construído um palanque em frente a Casa Paroquial na porta principal onde ele falava com todos em geral, já não podia atender individualmente cada um e tomou a decisão que no dia 30 de maio de 1955 seria a sua última benção em publico, mas prometeu que mesmo sozinho em seu quarto ele continuaria a rezar por todos.

Aconteceu o encerramento de sua benção com grande multidão presente na cidade de Tambaú , aviões sobrevoaram o local derramando uma chuva de pétalas de rosas, grande emoção tomou conta de todos, no dia 30 de maio de 1955.

O Beato Pe. Donizetti faleceu no dia 16 de junho de 1961. A sua saúde foi se complicando devido ao diabetes e algumas insuficiências cardíacas fizeram que fosse internado várias vezes para que recebesse o tratamento no hospital. Na manhã do dia 16 de junho, sentado em uma cadeira na porta da Casa Paroquial por volta das 11h e 15min ele faleceu.

Durante toda tarde e noite o velório aconteceu na Igreja São José e milhares de pessoas se aglomeravam para ver pela última vez o Pe. Donizetti e no dia 17 foi o sepultament Após o seu falecimento até nos dias de hoje, muitos relatos de curas de Tambauenses e romeiros estão registrados, testemunhos de devotos a ele atribui graças.




História do Santuário Nossa Senhora Aparecida

Padre Donizetti Tavares de Lima, nascido na cidade mineira de Cássia no dia 3 de janeiro de 1882, tinha um grande sonho, que era o de construir uma igreja que homenageasse Nossa Senhora Aparecida, sua santa de devoção. Porém não conseguiu realizar esse desejo em vida. Então, depois de sua morte (16 de junho de 1961), uma comissão presidida por Manoel Meirelles Alves deu início às providências para a construção da nova igreja, onde na década de 50 ficava a Capela São José.

A história religiosa da cidade paulista começou com a criação da Paróquia de Tambaú, sob a invocação de Santo Antônio, no dia 14 de maio de 1902. Nessa época tomou posse o primeiro vigário de Tambaú, padre Cassiano Ferreira de Menezes. Depois de sua morte o sucessor foi o padre Napolitano Salvador Sorrentino. 

Enquanto a matriz de Santo Antônio era construída os ofícios religiosos eram rezados na Igreja de São José. Transferido para São Joaquim da Barra, padre Sorrentino foi substituído pelo padre italiano Francisco Curti. Padre José Fernandes Pimenta assumiu a função do padre Francisco, seguido pelo padre Manoel Pinto Vilela, que viajou para Portugal, dando lugar ao padre Colombo, das Sete Capelas de Ribeirão Preto. Padre Manoel voltou a Tambaú e foi transferido para a Paróquia de Vargem Grande do Sul. De seu lado, o padre de Vargem Grande, Donizetti, foi transferido para Tambaú.

Ao assumir a paróquia, o Beato Donizetti encomendou a réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida para colocar na Igreja Matriz de Santo Antônio. Em 1929, um incêndio provocado por um curto circuito destruiu completamente a igreja. Das 23 imagens que havia no local restou intacta apenas a imagem da padroeira do Brasil, retirada do incêndio pelo padre Donizetti. Diante do fato o padre prometeu construir um santuário para a Virgem Santíssima. Seu desejo, porém, só foi concretizado após sua morte, aos 79 anos.

O lançamento da pedra fundamental do Santuário Nossa Senhora Aparecida ocorreu no dia 1º de novembro de 1961. O término foi no ano de 1966. O Santuário foi inaugurado quando era vigário o padre Luiz Girotti. Porém, não houve uma inauguração formal porque foi aberto para visitação antes da finalização das obras. Em outubro de 1966, o Santuário serviu para solenidades religiosas da Missão Redentora. 




Na década de 50, Tambaú (SP) foi cenário de um fenômeno sócio-religioso que impactou diretamente todo o município: o padre Donizetti Tavares de Lima. Há informações de que o padre ficou conhecido quando curou as pernas cheias de feridas de um vendedor ambulante de vinho. O homem contou o milagre que o padre realizou para os comerciantes das cidades vizinhas, e em poucos dias os romeiros começavam a chegar a Tambaú para receber as bênçãos. A partir de então os milagres que realizava extrapolaram os limites do pequeno município da região de Ribeirão Preto. Aproximadamente 40 mil visitantes chegavam todos os dias à cidade da fé.






Em 1954, Tambaú contava com 16 mil habitantes, 4.500 na cidade e 11.500 na zona rural. A quantidade avassaladora de pessoas em busca das curas, através da intercessão do padre Donizetti, comovia o País e se propagava por nações das Américas, Europa e Ásia. Ele recebia cartas da Espanha, de Portugal, da Ilha da Madeira, do Uruguai, dos Estados Unidos, da Itália, da Iugoslávia, de Porto Rico, dentre outros. 

A multidão vinda de todas as regiões do Brasil e do mundo, entre homens, mulheres, crianças, idosos, aleijados transportados em macas ou se arrastando, subia até a Praça dos Milagres formando um rio humano. Em cada um a esperança em busca de graças renascia com a presença do religioso. 

Uma pacata cidade até então se transformava em um grande centro de agitação promovido pela fé. Nas primeiras horas do dia inúmeros veículos que traziam os fiéis se juntavam à frente da Casa Paroquial e ficavam à espera de miraculosa bênção.







Donizetti rezava como de costume a Santa Missa das 7h, no altar montado na porta principal da Capela de São José, e dava bênçãos públicas, ponto alto das atividades religiosas, às 9h e 20h. Quando a quantidade de pessoas era muito grande também dava às 12h. No começo, da janela de sua casa. Posteriormente, com o aumento do número de devotos, passava para um pequeno palanque improvisado junto à porta de sua casa.

A cidade de Tambaú continua recebendo visitas dos devotos de Padre Donizetti que vão à Casa Museu (antiga Casa Paroquial), Santuário Nossa Senhora Aparecida e seu jazigo no Cemitério Municipal.


O Milagre da Corrente completa 62 anos

No período de 1954 a 1955 quando Tambaú recebeu grande multidão para receber pessoalmente a benção do Pe. Donizetti, mais um caso que deixou muitas pessoas sensibilizadas com a situação de uma moça.

Uma testemunha deixou relatado na época sobre uma mulher era considerada louca, que ninguém a segurava e seus pais a acorrentaram, então a trouxeram em Tambaú. Naquele dia, ela gritava muito e não queria entrar na Casa Paroquial e a levaram até ao Pe. Donizetti para abençoá-la, pois estavam desesperados. Ao chegar perto do Padre Donizetti, ele lhe deu a benção e em seguida pediu aos pais para que tirassem a corrente, mesmo que receosos eles tiraram e ao fazer isso, sua filha se acalmou e parou de gritar e desde então ela ficou curada. Esse fato ficou conhecido como o “milagre da corrente”, que está exposto em foto na Casa Museu do Pe. Donizetti.


Milagre do Braguinha



Este Caso do Braguinha também teve grande repercussão na época de 1954 e 1955, quando grade número de pessoas vinham em busca de um alívio para o corpo e para a alma, através da bênção poderosa do Servo de Deus Padre Donizetti Tavares de Lima. O garoto José Alexandre Braga, nascido em 22 de abril de 1950 na cidade mineira de Guaranésia, tinha 05 anos e era apelidado de Braguinha.

Quando criança usava uma bota ortopédica, pois era portador de um processo agudo de articulação na coxa em uma de suas pernas, fazendo com que se locomovesse com aparelho. Com os melhores médicos que ele consultou disseram que não tinha cura. Porém, um dia Braguinha acordou e disse para sua mãe, que em Tambaú tinham um padre que ia fazê-lo andar, sua mãe nunca ouvira falar dessa cidade, nem se quer de um padre milagreiro.

Mas na manhã seguinte, quebrou em frente a sua casa um caminhão pau-de-arara de romeiros que estavam dirigindo-se para Tambaú, e parou para pedir ajuda. Aquelas pessoas que ali estavam viram o menino daquele jeito, conversaram com os pais que concordaram e assim chegaram a Tambaú. O Pe. Donizetti simplesmente deu a bênção pública como de costume para todos e se aproximou do menino Braguinha que pediu para sua mãe que tirasse as botas ortopédicas. Braguinha começou a andar normalmente e foi-lhe dada uma bola de futebol com a qual começou a brincar. Desde então ele foi curado e no futuro, Braguinha passou a ser jogador de futebol profissional.

José Alexandre Braga esteve recentemente em Tambaú visitando a Casa do Pe. Donizetti e relembrou mais uma vez este grande milagre que recebeu em sua vida.



Braguinha com seus pais/Braguinha caminhando normalmente/Braguinha adulto (à direita)





Oração pela canonização do Padre Donizetti

Pai Santo, nós vos louvamos e agradecemos pela vida de santidade do Padre Donizetti, por suas virtudes e dons. Ele foi sacerdote zeloso na pregação e na administração dos Sacramentos, disponível no atendimento pastoral e no serviço aos pobres, e foi ungido em distribuir bênçãos pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida.
Para vossa glória e salvação das almas, nós vos pedimos que ele seja reconhecido como santo, para a glória de Deus e bem de toda a Igreja Católica e que, por sua intercessão, nos concedais a graça de que tanto precisamos (faça seu pedido).
Isso vos pedimos por Jesus Cristo Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória)


Para ouvir a bênção do Padre Donizetti, clique aqui.
Para mais informações sobre Padre Donizetti, clique aqui.












Mausoléu de Padre Donizetti 

Restos mortais de Padre Donizetti