Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Beata Maria Carmen González: Viúva, Religiosa e Fundadora


Maria Carmen González Ramos García Prieto nasceu em Antequera, Málaga (Espanha), a 30 de Junho de 1834.
Desde menina foi apreciada pela sua bondade e simpatia, pelo seu coração generoso e atitude conciliadora, pela inteligência e vivacidade do seu caráter, e pela sua aptidão e habilidade para as atividades da casa. O ambiente familiar contribuiu para cultivar a sua sensibilidade espiritual, e sua intensa devoção manifestada no amor pela Santíssima Virgem e pela Eucaristia.
Aos 22 anos, certa de fazer a vontade de Deus, contraiu matrimônio com Joaquim Muñoz del Caño. Iniciou então uma fase longa e difícil na qual ela deu prova de magnanimidade e força, apoiada por uma fé intensa e por uma caridade heroica. A constante solicitude de esposa fiel e paciente, a oração e a penitência realizadas durante mais de vinte anos, foram recompensadas no final quando Joaquim lhe pediu perdão pela vida desregrada.

Ficou viúva, sem filhos, aos 47 anos. A grandeza do seu espírito, o amor pelos necessitados, o impulso apostólico da sua alma, levaram-na a buscar a vontade divina sobre a vida e o modo de "ensinar as almas a conhecer e amar a Deus".
Guiada pelo Pe. Bernabé de Astorga, capuchinho, abriu na própria casa uma pequena escola. Uniram-se a ela algumas jovens que partilhavam a sua inquietação, lançando deste modo a semente daquela que se teria tornado uma Congregação religiosa.
No dia 8 de Maio de 1884, ela e as suas primeiras companheiras chegaram ao Convento de Nossa Senhora da Vitória. Foi o passo inicial das Irmãs Terciárias Franciscanas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Madre Carmen assim era chamada por todos durante a condução da Congregação teve que enfrentar grandes provações e dificuldades, calúnias, oposições dentro e fora do Instituto. Também nestes momentos o amor, a humildade, a força, a caridade e o perdão caracterizaram os seus sentimentos e o seu agir. Os mistérios de Belém, o Calvário e a Eucaristia eram para ela a fonte viva da qual o seu espírito hauria encorajamento e iluminação.
Abriu 11 Casas, não só para o ensino mas também para a assistência aos doentes, asilos e uma escola noturna para jovens operárias.
Aos 65 anos, no dia 9 de Novembro de 1899, Madre Carmen faleceu em Antequera, cidade que a viu nascer e a contemplou nos diversos momentos da sua vida, cidade que participou entusiasta, em festa e com fé, na solene cerimônia da sua Beatificação a 6 de Maio de 2007.

Fonte: 
http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20070506_madre-carmen_po.html

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

SÃO FRANCISCO COLL, Presbítero Dominicano


Francisco Coll veio ao mundo em Gombrén, Espanha, aos 18 de maio de 1812. Filho de pais piedosos, teve a graça altíssima de ser batizado já no dia seguinte ao seu nascimento. Com apenas dez anos decide-se pela vida sacerdotal. A partir daí sua trajetória será num crescente constante, rumo ao cumprimento das palavras proféticas de sua mãe que lhe dizia: “Filho, oxalá arrebentes de amor de Deus”. Belo exemplo para algumas famílias dos tempos atuais, que, tantas vezes, afundadas no materialismo, auguram para os seus um futuro marcado pela mediocridade e mesquinharia.
No seminário de Vic, apesar das muitas dificuldades, pois era um estudante pobre e a instituição não lhe oferecia alojamento, Francisco soube seguir firme em seu chamado vencendo todas as tribulações. Ali, teve contato com pessoas providenciais; era a mão de Deus a moldar-lhe lenta e gradativamente a personalidade. Em seu primeiro ano escolar (1822-1823) vê assassinado o bispo da cidade, Dom Ramón Strauch, conservador declarado, morto pelos liberais. Eram tempos difíceis, de intensa perseguição à Igreja de Cristo. Conhecera também o futuro Santo Antônio Maria Claret - do qual se tornará grande amigo e colaborador –, o renomado pensador Jaime Balmes, além do Beato Pedro Almató, dominicano e mártir. Deus, porém, ainda lhe reservava outras surpresas.
Certo dia, andando pela rua, encontra-se inesperadamente com um desconhecido: "Tu, Coll, deves ser dominicano".  Aquelas palavras ficaram profundamente gravadas em seu coração e nunca mais se apagariam. Após este episódio misterioso e providencial, Francisco Coll baterá à porta do convento de São Domingos em Vic, lugar este em que tantas outras vezes acorrera para obter por caridade um prato de sopa quente, o mesmo que fazia no convento das monjas de Santa Clara. No entanto, ali não permaneceria, pois era muito pobre e não possuía recursos para arcar com os gastos do noviciado. Aconselharam-lhe, então, o convento dominicano de Gerona, onde, com a ajuda bondosa de mais um ilustre desconhecido, pôde ingressar entusiasmado tornando-se noviço em 1830.
Durante sua estada em Gerona, Maria Santíssima o viria visitar e os primeiros sinais do aroma sobrenatural que acompanhará sua missão começara a ser percebido pelos demais. Em 1835 é ordenado diácono na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Barcelona, poucos meses antes dos tristes acontecimentos causados pelos liberais que viriam a resultar na expulsão violenta de religiosos e seminaristas de suas casas eclesiásticas. Em muitas regiões espanholas houve devastações e saques de conventos; muitos sacerdotes e consagrados foram assassinados, como, por exemplo, nos tristes fatos ocorridos em 25 de julho de 1835. Francisco Coll, que havia profetizado todos esses acontecimentos, será ordenado somente um ano depois, em 28 de maio de 1836, como um exclaustrado pelo ódio anticlerical.

Doravante, o Padre Coll surgirá ante os olhares admirados de milhares de pessoas como um pregador incansável da palavra de Deus. Juntando-se ao zelo admirável de Santo Antônio Maria Claret, na chamada “Irmandade Apostólica”, arrastará incontáveis almas para a penitência e a mortificação. Andará a pé, de localidade em localidade, preocupando-se, tão somente, com a salvação das almas e a propagação do reinado de Cristo sobre o mundo. Foi, de fato, um homem de Deus, um herói, um santo! Belíssimo exemplo de missionário e evangelizador ardoroso, grande defensor da doutrina católica.
Certa feita, vindo de um povoado, encontrou-se pelo caminho com um condutor de mulas, e este, vendo o servo de Deus a pé e tão humildemente vestido, com toda zombaria e gesto sarcástico perguntou-lhe se queria confessar os animais. O Pe. Coll, dissimulando o insulto e ardendo de amor por aquela alma, disse-lhe com doçura: “Seria melhor que você se confessasse, pois há vinte anos que não o faz”.  O moço, maravilhado e tocado pela graça de Deus, ajoelhou-se ali mesmo, e com os olhos cheios de lágrimas e o coração contrito, confessou seus muitos pecados.
Em 15 de agosto de 1856, Deus pede mais uma missão ao humilde dominicano pregador do Evangelho: fundar uma nova congregação religiosa. E assim ele o fez! Surge então as Irmãs Dominicanas da Anunciata, sempre prontas para espalhar, segundo a vontade de seu fundador, “o perfume da verdadeira doutrina” por todos os lugares por onde vierem a passar. De acordo com o Pe. Coll, suas religiosas deveriam ser mulheres idôneas para o ensino, brilhantes estrelas, à imitação de seu pai São Domingos, para iluminar com sua doutrina as inumeráveis crianças pobres que caminhavam nas densas trevas da ignorância. São Francisco Coll, realmente, muito amava às crianças!
Assim foi, grosso modo, a vida heroica deste católico exemplar. O que explica nele tanta fortaleza e entusiasmo pelas coisas de Deus? A resposta é muito simples: sua profícua vida espiritual! O que nos faz entender, por exemplo, o fato de haverem encontrado entre seus objetos pessoais até mesmo cilícios e disciplinas, todos eles vermelhos de sangue. Sabe-se, ademais, que desde seu tempo de seminarista sempre destacou-se pela oração e terna devoção a Nossa Senhora. De fato, não há santidade verdadeira sem uma intensa vida espiritual, fora disso tudo é pieguice, enganação e fingimento. Este modelo de virtudes morrerá santamente aos 2 de abril de 1875, com 62 anos de operosa vida apostólica.
Poderíamos destacar muitos fatos pitorescos da vida íntima de São Francisco Coll, a fim de melhor conhecermos os aspectos de alma deste missionário incansável, porém, este pequeno artigo não nos empresta espaço suficiente. Entretanto, citemos alguma coisa para satisfazermos uma santa e eficaz curiosidade. 
Conta-nos um seu biógrafo que no processo canônico que precedeu sua beatificação foram recolhidos numerosos testemunhos de fenômenos sobrenaturais que acompanharam a atividade apostólica do Pe. Coll, como profecias, curas milagrosas, êxtases. Um dos fatos deste gênero que aparece como primordial é o de Barcelona: o Pe. Pablo Coma, do Oratório de São Felipe Neri, afirma que quando o Pe. Coll pregou uma novena na Igreja de Monte Sião, ele, espiando-o em seu quarto, o viu levantar extraordinariamente acima da terra enquanto orava, até chegar ao alto e beijar piedosamente a imagem da Virgem Maria pendurada na parede. Veja, caro leitor, que amor indescritível alimentava este homem pela Mãe de Deus! Possamos também nós, tão mesquinhos em nossa vida espiritual, alcançar de São Francisco Coll uma sempre maior devoção pela Santíssima Virgem Maria. 

Em 1930, o processo de beatificação começou em Vich. Em 1964, o processo apostólico na cura milagrosa de Justa Barrientos foi celebrado em Oviedo (Espanha). Em 1970, Paulo VI proclamou as virtudes heroicas do Servo de Deus e, em 1977, o mesmo Pontífice declarou a cura de Justa Barrientos milagrosa. Finalmente, Paulo VI organiza a cerimônia de beatificação para 22 de outubro de 1978. Dia Mundial das Missões. A morte do papa Montini fez, então, que fosse adiada para o dia 29 de abril de 1979, através do Papa  São João Paulo II. O Papa Bento XVI o canonizou em 11 de outubro de 2009. 



          Alguns pensamentos seus: 
“O Rosário foi sua oração preferida. A alguém que lhe perguntava onde adquiria os profundos e convincentes argumentos que expressava em suas pregações, ele respondia: ‘ O Rosário é meu livro, é tudo para mim...’”
“A oração mental e a vocal são as duas asas que o Rosário de Maria oferece às almas cristãs.” 
“O Santo Rosário com seus quinze mistérios nos quais se faz memória e medita a reconciliação da natureza humana com Deus, é a escada para subir aos céus.” 
“Demorava-se em dar uma resposta, mas tinha-se a impressão que depois de dá-la, nunca mais voltaria atrás, apesar de ser muito humilde.”



SANTA ROSA DE LIMA, Virgem e Terciária Dominicana, Padroeira da América Latina.





"De certa forma, essa santa é uma personificação da Igreja da América Latina: imersa em sofrimentos, desprovida de meios materiais e de um poder significativos, porém, tomada pelo íntimo ardor e zelo causados pela proximidade de Jesus Cristo” (*).
 Quem conhece a frase: “Cristo é a minha força, a Oração é meu baluarte, a Fé é meu escudo” tem a tendência de julgar que ela seja o dito de um cavaleiro medieval, o lema de um cruzado cheio de religiosidade ou ainda o testemunho de um guerreiro destemido e temente a Deus.







Isabel, que se tornou Rosa de Santa Maria…

Seu nome de batismo era Isabel Mariana de Jesus Paredes Flores y Oliva. Ela era descendente de conquistadores espanhóis, foi a terceira dos onze filhos do próspero casal Gaspar de Flores, um espanhol que prestava serviço ao Vice-Rei do Peru como arcabuzeiro, e de Maria de Oliva, uma distinta senhora que vivia em Lima.

Isabel nasceu na Vila de Quives, na cidade de Lima, capital do Peru, no dia 30 de abril do ano de 1586. Na casa de seus pais vivia uma índia que se chamava Mariana. Como criada, ela ajudava Dona Maria de Oliva nos serviços domésticos e era muito prestativa. Num dia em que toda a família estava reunida, Mariana dirigiu-se a Isabel exclamando: “Você é bonita como uma rosa”!

A família inteira ouviu a afirmação e todos concordaram com a fiel índia. Dai surgiu o apelido de “Rosa”. A extraordinária beleza de Isabel motivou a mudança de seu nome. Sua mãe mesma, ao ver aquele rosto rosado e belo, começou a chamar a filha de “Rosa”. De Isabel ela passou a ser chamada de Rosa. E um dia a menina mesma mostrou como gostaria de ser chamada: Rosa de Santa Maria. Bem mais tarde ainda, Isabel Mariana de Jesus Paredes Flores y Oliva tornou-se conhecida no mundo todo pelo título que a Santa Igreja lhe deu: Rosa de Lima, ou melhor, Santa Rosa de Lima!

 “Dedique a mim todo seu amor…”.

Desde pequena Rosa teve grande tendência para a oração e a meditação. Procurava ver na beleza das coisas criadas os reflexos da sabedoria, da bondade de Deus. E bem cedo ela deu mostras de ser uma alma predestinada: tornou-se grande devota de Nossa Senhora. A cada instante recorria à proteção certa da Santa Virgem Mãe de Deus.

Rosa cresceu tendo o piedoso costume de rezar diante de uma imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus em seus braços. Certo dia, estando absorta em suas orações, a jovenzinha ouviu uma voz que vinha da pequena imagem de Jesus:

– “Rosa, dedique a mim todo o seu amor…”.

Ela não duvidou: aquele apelo vinha de Deus. Ouvindo-o, ela tomou a decisão de dedicar inteiramente a Nosso Senhor um amor excludente. Só a Ele ela dedicaria seu amor, seu amor seria somente de Jesus. E assim foi até fim de seus dias.

Sua grande beleza, aliada à boa formação recebida e à fama de ser a moça mais virtuosa e prendada da cidade, levou jovens entre os mais ricos e distintos cavaleiros de Lima e arredores a se interessarem por ela e dela se aproximarem com o desejo legítimo e sincero de constituir uma família. Ela, porém, já havia se comprometido com o Esposo das Virgens. Levava isso muito a sério e encontrava sua felicidade nesse comprometimento. Por isso ela costumava dizer que “o prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação com o que sinto”.

A fim de evitar qualquer volta atrás em sua decisão de dedicar a Jesus todo seu amor, para que não fosse causa de tentação para rapazes que a vissem e também para que ela mesma não fosse alvo de tentações que a levassem a esquecer do pedido de Nosso Senhor, Rosa tomou uma decisão radical: cortou seus longos e bem tratados cabelos e passou a cobrir seu belo rosto com um véu.


 Pobre e sem revolta

A família de Rosa tinha bons recursos econômicos. Apesar disso, o pai necessitava trabalhar, inclusive prestando serviços ao Vice-Rei, a fim de manter sua posição econômica e social.

Devido ao insucesso ocorrido numa empresa de mineração em que Gaspar de Flores estava empenhado, sua situação financeira comprometeu-se a tal ponto que a família ficou pobre, chegando à beira da miséria. Por isso, Rosa cresceu na pobreza e, ainda na adolescência, teve que trabalhar duramente para ajudar a família.

Ela trabalhou como doméstica e, além disso, durante o dia, trabalhava no campo como lavradora e até altas horas da noite costurava, bordava, fazia rendas e brocardos para assim poder ajudar no sustento da casa.

Rosa nunca deixava de fazer suas orações por causa dos trabalhos que tinha que exercer. Ainda encontrava tempo para visitar frequentemente os pobres e enfermos. Rosa nunca deixava de fazer suas orações por causa dos trabalhos que tinha que exercer. Ainda encontrava tempo para visitar frequentemente os pobres e enfermos.

É por isso mesmo que dela se afirma ser alegre e ter sabido executar a harpa de forma graciosa e ainda cantar belas canções com uma voz doce e melodiosa.

Levava Santa Rosa uma vida de profunda
oração e grande penitência. 
Milagres, sofrimentos e espírito missionário.

Aqueles que com ela conviveram ou escreveram sua biografia afirmam que, ainda em vida, era grande intercessora junto a Deus e por sua mediação foram atribuídos acontecimentos e fatos prodigiosos. Entre aqueles que atestam sua poderosa intercessão ainda em vida, encontramos Frei Juan de Lorenzana que, além de ter convivido com Rosa, foi confessor da Santa. Ela tinha dons e carismas especiais, afirma.

A ela são atribuídos milagres de curas, de conversões, de propiciações de chuvas e amenizações do clima. Todos eles são unanimes em admitir que suas orações impedissem que Lima fosse invadida por piratas holandeses em 1615.

Apesar de ter sido agraciada com experiências místicas incomuns e com o dom dos milagres, nunca lhe faltaram as dificuldades na vida. Em toda sua vida, a cruz foi sua companheira inseparável. Ela aproveitou-se de sua vida crucificada para, de certo modo, compartilhar com os sofrimentos do Divino Salvador. Eram sofrimentos provindos, muitas vezes de incompreensões gratuitas e perseguições descabidas, sem falar de sofrimentos físicos, das agudas dores causadas por uma prolongada doença que a acompanhou até o final de seus dias.

Seus sofrimentos pareciam inexplicáveis. E ela tentava mostrar seus sentimentos e não sabia como: “Posso explicá-los só com o silêncio” e admitia: “eu não acreditava que uma criatura pudesse ser acometida de tão grandes sofrimentos”. Finalmente, as atitudes que tomava demonstravam que, por amor a Deus, ela tinha uma aceitação plena de tudo que lhe era oferecido pela Providencia Divina: —“Meu Deus, podes aumentar os sofrimentos, contanto que aumentes meu amor por ti”, dizia ela, enquanto rezava.

Rosa era particularmente devota de Nossa Senhora e pedia insistentemente à Santa Mãe de Deus pelo crescimento da Igreja, sobretudo entre os indígenas americanos. Era tão grande seu amor apostólico pelos índios que em certa ocasião afirmou que, se não fosse mulher, seria um missionário entre esses seres que também foram redimidos pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como missionário, ela acreditava poder dedicar-se inteiramente à salvação de todos eles, poderia fazer por eles ainda mais do que já fazia.


Uma borboleta nas cores branca e preta

Tendo idade para casar-se, ela preferiu fazer voto particular de castidade. Isso, depois de lutar contra o desejo contrário de seus pais. Quis então, para satisfazer um desejo de sua alma, ingressar no convento de uma ordem religiosa para viver uma vida consagrada a Deus. Escolheu, então, a ordem em que gostaria de entrar. No dia de sua admissão, estando rezando diante de uma imagem de Nossa Senhora, sentiu que não conseguia levantar-se de onde estava, nem mesmo com a ajuda de seus irmãos. Nesse instante Rosa percebeu que aquilo só poderia tratar-se de um aviso dos céus: que ela não se dirigisse para aquele convento que estava prestes a ingressar.

Foi, então, que ela fez uma prece a Nossa Senhora na qual se submetia inteiramente à vontade divina. Ela iria para onde fosse da vontade de Deus. Isto foi suficiente para que a paralisia desaparecesse por completo e, imediatamente, ela recuperasse os movimentos, levantando-se e caminhando sem precisar do auxilia dos irmãos. A partir deste dia, Rosa, que se espelhava em Santa Catarina de Sena como modelo de vida a ser seguido, passou a pedir diariamente que, por intercessão da Santa, Nosso Senhor lhe indicasse em que ordem religiosa deveria ingressar.

Todos os dias, enquanto rezava, ela percebeu que, assim que iniciava suas orações, aparecia uma pequena borboleta que tinha as cores branca e preta. Sem perturbar o recolhimento e a compenetração de Rosa, o pequeno animal voava de um lado para o outro, enquanto ela estivesse em oração.

Para Rosa, isso era outro sinal de Deus. E foi suficiente para a jovem entender onde serviria melhor a Deus e aos irmãos: ela deveria ingressar na Ordem Terceira de São Domingos, cujas vestimentas eram nas cores preto e o branco. As cores da pequena borboleta que a visitava diariamente eram as mesmas do hábito de Santa Catarina de Sena, a santa pela qual tinha tanta devoção e a quem deseja tanto imitar. Em 1606, aos vinte anos, ingressou na Ordem Terceira Dominicana.

Pediu licença para emitir os votos religiosos em casa e não no convento. Sendo aceito seu pedido, ela fez os votos, passando, então, a pertencer oficialmente à Ordem de São Domingos. E ela escolheu também seu nome de religiosa que passou a ser oficialmente Rosa: Rosa de Santa Maria.

No jardim e quintal da casa de seus pais, edificou um eremitério. Construiu para si uma pequena e estreita cela e passou a levar uma vida religiosa de austeridade, de mortificação e de abandono à vontade de Deus. Praticava a penitencia e castigava seu corpo com jejuns constantes consumindo o mínimo necessário de alimentos para sua sobrevivência. Quase não bebia água. Sua cama era um tábua coberta com um saco de estopa.

Na simplicidade de vida de leiga que levava, foi modelo de vida de penitencia, de pureza ilibada, de oração perseverante e do contínuo serviço espiritual e material aos irmãos. Portava cilícios dolorosos e conta-se que utilizava muitas vezes um aro de prata semelhante a uma coroa de espinhos. Numa época em que isso não era comum, Rosa comungava diariamente. Ela conseguiu eliminar de sua vida todo orgulho, amor próprio e vaidade, tendo sido cumpridas nela as palavras de Cristo: “Quem se humilha será exaltado”. Meditava com frequência e ao olhar para o crucifixo dizia:

– “Senhor, Vossa cruz é muito mais cruel que a minha”.

Dentro da vida austera, pobre e alegre que levava, seu coração voava. E em seus voos contemplativos ela admirava a beleza das coisas criadas à imagem e semelhança do Criador e a Ele prestava louvor, honra e glória. Um verso de sua autoria e que ela costumava repetir em forma de oração mostra como era sua alma e em que cogitações vivia:

– Meu querido Senhor, quanto é bom ver nas flores, e no verde sombrio da copada oliveira, toda vossa beleza. Como é doce saber que abençoar-me quereis, e meu coração de alegrias encher!

De fato, dentro e sua vida simples e de abandono à vontade de Deus, alcançou um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística. Compreendeu em profundidade o mistério da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Suas orações e penitências conseguiram converter muitos pecadores. Rosa de Santa Maria foi extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença. Frequentemente visitava os enfermos e os pobres.



Núpcias eternas e canonização.

Todos os anos, na festa de São Bartolomeu, Rosa passava o dia inteiro em oração. Quando lhe perguntavam por que aquela data a deixava tão contemplativa, mais orante e mais posta nas mãos de Deus, ela dava uma resposta que seus ouvintes não chegavam a compreender bem:

– “É porque este é o dia das minhas núpcias eternas”, dizia.

A cada 24 de agosto o fato se repetia. E os que a cercavam continuavam sem entender. Isso aconteceu até o ano de 1617. Rosa vinha suportando uma grave enfermidade que insistia em não abandoná-la. No dia de São Bartolomeu desse ano, ela morreu. Tinha apenas 31 anos. Como ela havia anunciado, aconteceu o que ela já previra: o dia 24 e agosto seria o dia de seu encontro eterno com Deus, seria o dia de suas “núpcias eternas” com Nosso Senhor Jesus Cristo! Suas últimas palavras foram:

– Jesus está comigo!

O Peru inteiro chorou sua morte. Seu sepultamento foi apoteótico. Seu túmulo e os locais onde viveu e trabalhou pela Igreja bem cedo se tornaram locais de peregrinações. Muitos milagres começaram a acontecer. A beatificação de Rosa de Santa Maria deu-se no ano de 1667, logo no primeiro ano do pontificado do Papa Clemente IX.

A concretização de sua canonização demorou um pouco mais para acontecer. O Papa Clemente X relutava em elevá-la à glória dos altares. Mas o Papa convenceu-se de que deveria canonizá-la depois que presenciou uma milagrosa chuva de pétalas de rosas que caiu sobre ele e que todos atribuíram à ação da Beata Rosa de Santa Maria.

Clemente X a canonizou em 12 de abril de 1671. Rosa, a menina que um dia foi crismada por São Turíbio de Mongrovejo, passou a ser conhecida no mundo católico como Santa Rosa de Lima. Era a primeira mulher da América a receber essa honra tão excelsa. Santa Rosa de Lima é a padroeira da América Latina e das Filipinas. (JSG)





 *******


 Segundo texto biográfico



Santa Rosa de Lima, Padroeira do Peru e da América: 


     Santa Rosa de Lima é a primeira Santa da América e padroeira do Peru e da América. Nascida em Quives, província de Lima no ano de 1586, coincidentemente no mesmo ano da aparição da Virgem Santíssima na cidade de Chiquinquirá. Era descendente de conquistadores espanhóis. Seu nome de batismo era Isabel Flores y Oliva, mas a extraordinária beleza da criança motivou a mudança do nome de Isabel para Rosa, ao que ela acrescentou o de Santa Maria. Seus pais eram Gaspar de Flores, espanhol arcabuz do Vice-Rei e Maria Oliva, limenha. Era a terceira dos onze filhos do casal.
     Seus pais antes ricos tornaram-se pobres devido ao insucesso numa empresa de mineração e ela cresceu na pobreza, trabalhando na terra e na costura até altas horas da noite para ajudar no sustento da família. Cultivava as rosas de seu próprio jardim e as vendia no mercado e por isso é tida como patrona das floristas. Diz-se que tangia graciosa a viola e a harpa e tinha voz doce e melodiosa. Além de muito bela, Rosa era tida como a moça mais virtuosa e prendada de Lima.
     Foi pretendida pelos jovens mais ricos e distintos de Lima e arredores, mas a todos rejeitou por amar a Cristo como esposo.
     Um dia estava rezando diante de uma imagem da Virgem Maria, com Jesus Cristo ainda bebê nos braços, quando ouviu uma voz que vinha da pequena imagem de Jesus, que lhe dizia: "Rosa, dedique a mim todo o seu amor..." A partir de então, tomou a decisão de amar somente a Jesus, mas devido à sua beleza, muitos homens acabavam se apaixonando por ela. Para não ser motivo de tentações, Rosa cortou seus longos e belos cabelos, e passou a cobrir o rosto constantemente com um véu.
     Decidiu ingressar em um convento da Ordem Agostiniana, entretanto, estando diante da imagem da Virgem Santíssima, sentiu que não podia levantar-se nem mesmo com a ajuda de seu irmão. Foi então que percebeu ser tudo aquilo um aviso dos céus para não ir, e bastou fazer uma prece à Nossa Senhora para que a paralisia desaparecesse por completo.
     A partir deste dia, Rosa, que se espelhava em Santa Catarina de Sena como modelo de vida a ser seguido, passou a pedir diariamente a Deus para indicar-lhe em que ordem religiosa deveria ingressar. Percebeu que todos os dias, assim que começava a rezar, aparecia uma pequena borboleta nas cores branca e preta, e com este sinal chegou à conclusão que deveria ingressar na Congregação da Ordem Terceira de São Domingos, cujas vestimentas eram nestas cores.
     Tendo ingressado na ordem aos vinte anos, pediu e obteve licença de emitir os votos religiosos em casa - e não no convento - como terciária dominicana e tomou o hábito da Ordem Terceira Dominicana, após lutar contra o desejo contrário dos pais.
     Construiu uma cela estreita e pobre no fundo do quintal da casa dos pais e começou a ter vida religiosa, penitenciando seu corpo com jejuns e cilícios dolorosos; conta-se que utilizava muitas vezes um aro de prata guarnecido com fincos, semelhante a uma coroa de espinhos. Entre as penitências estava o jejum contínuo: Rosa consumia o mínimo necessário para sua sobrevivência e quase não bebia água. Dormia sobre duras tábuas e ao olhar para o crucifixo dizia: "Senhor, a sua cruz é muito mais cruel que a minha".
     Quando seu pai perdeu toda a fortuna, Santa Rosa não se perturbou ao ter que trabalhar de doméstica, pois tinha esta certeza: "Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência". Vivendo fora do convento, renunciou à vida fácil, dizendo: "O prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto".
     Alcançando um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística, suas orações e penitências conseguiram converter muitos pecadores. Era extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença.
     Segundo os relatos de seus biógrafos e dos amigos que a acompanharam, dentre eles seu confessor Frei Juan de Lorenzana, por sua piedade e devoção Santa Rosa recebeu de Deus o dom dos milagres. Ela era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus que quis repousar certa vez entre seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas, que se tornou seu símbolo. Também é afirmado que tinha constantemente junto a si seu Anjo da Guarda, com quem conversava. Ainda em vida lhe foram atribuídos muitos favores: milagres de curas, conversões, propiciação das chuvas e até mesmo o impedimento da invasão de Lima pelos piratas holandeses em 1615.
     Apesar de agraciada com experiências místicas fora do comum, nunca lhe faltou a cruz, a fim de que compartilhasse dos sofrimentos do Divino Mestre, sofrimentos provindos de duras incompreensões e perseguições e, nos últimos anos de vida, de sofrimentos físicos, agudas dores devidas à prolongada doença que a levou à morte em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos de idade. Suas últimas palavras foram "Jesus está comigo!”.

     Seu sepultamento foi apoteótico e pranteado por todo o Vice-Reino do Peru e seu túmulo tornou-se palco de milagres, bem como também os lugares onde viveu e trabalhou pela causa da Igreja.
    Conta-se que o Papa Clemente relutava em elevá-la aos altares, mas foi convencido após presenciar uma milagrosa chuva de pétalas de rosa que caiu sobre ele, vinda do céu e que atribuiu a Santa Rosa de Lima.
     Ela foi beatificada por Clemente IX em 1667 e canonizada em 1671 por Clemente X. Foi a primeira santa canonizada da América e proclamada padroeira da América Latina. É também padroeira das Filipinas.

     No Brasil, alguns municípios, como Nova Santa Rosa, no Paraná, a adotam como Padroeira.




Fontes: 
Revista Arautos do Evangelho e outras fontes complementares:
– (*) Joseph, Card. Ratzinger
– www.santarosadelima-rj.com.br/historia.htm
– www.santarosadelima-rj.com.br/historia.htm

–http://storico.radiovaticana.org/bra/storico/2010-08/417273_santa_rosa_de_lima_padroeira_da_america_latina.html






Imagem relacionada
Traços verdadeiros de Santa Rosa de Lima reconstituídos por peritos:
 Cícero Moraes, designer gráfico e Paulo Miamoto, odontólogo especialista, a partir de
seu crânio. 






sábado, 1 de setembro de 2018

Servo de Deus Padre Dolindo Ruotolo, presbítero, místico e apóstolo do Abandono à Divina Providência




Dolindo Ruotolo nasceu em Nápoles, em 06 de outubro de 1882, filho de Raffaele Ruotolo, engenheiro e matemático, e de Silvia Valle, descendente da nobreza napolitana e espanhola. A família era grande e a renda era muito escassa, o que significava que muitas vezes em sua casa a fome se fazia sentir bem como a falta de roupas e sapatos. Padre Dolindo descreveu seu pai como uma pessoa muito rígida; Raffaele, a propósito, não queria mandar seus filhos para a escola, pois, ele mesmo ensinava-lhes a ler e escrever. No entanto, a providência preparava para Dolindo outro caminho, que o levaria ao sacerdócio, fazendo com que o pai aceita-se que o filho, bem como seu irmão Elio, fossem para o seminário.
Em 1896, Dolindo e seu irmão foram levados por seus pais para serem admitidos na Escola Apostólica dos Padres da Missão (Lazaristas). Em 1899, Dolindo foi admitido no noviciado. Em 01 de junho de 1901, ele fez os votos religiosos e em 24 de junho de 1905 foi ordenado sacerdote aos 23 anos de idade. Mais tarde, foi nomeado mestre de canto gregoriano e professor dos clérigos da Escola Apostólica.

Por um tempo, serviu como diretor espiritual de Padre Pio de Pietrelcina. Este santo frade capuchinho, quando recebia a alguns peregrinos de Nápoles, onde residia Dolindo, que iam para Pietrelcina, costumava dizer-lhes: “Por que vocês vem aqui, se vocês têm Dom Dolindo em Nápoles? Vão até ele, ele é um santo”!

Sua vida de padre vicentino já logo no princípio foi entrelaçada com muitos episódios dolorosos. A partir de 03 de setembro de 1907, ele foi vítima de uma série de erros e mal-entendidos que o levaram ao julgamento do então chamado “Santo Ofício”. Padre Dolindo foi suspenso pelos sacramentos e também foi submetido a exame psiquiátrico, onde foi constatado que era absolutamente são. Tendo sido redimido aos sacramentos, foi enviado de volta a Nápoles, onde foi expulso de sua comunidade. Seguiram-se anos nos quais sofreu todo tipo de calúnias, difamações e perseguições por parte daqueles que o odiavam. Por humildade, concordou, inclusive, em ser exorcizado e, considerado “louco”, foi objeto de dolorosos ataques da imprensa.

Em sua solidão, ele começou a ter comunicações sobrenaturais, passando a escrever o que lhe era revelado, especialmente pela mística Santa Gemma Galgani. Em 22 de dezembro de 1909, Jesus lhe falou solenemente da Eucaristia. Durante a celebração eucarística, muitas vezes teve aparições e visões de Nossa Senhora, de Santos e dos Anjos da guarda dos espectadores.

Mudando-se para Rossano, na Calábria, de lá fez pedido de revisão dos processos no Santo Ofício que tramitavam contra ele, graças também à ajuda de amigos prelados, alguns dos quais também testemunharam seus dons sobrenaturais. Em 1910, ele finalmente foi reabilitado, depois de dois anos e meio de suspensão de ordens. Mas, suas tribulações não terminaram. Em dezembro de 1911, Don Dolindo foi novamente convocado pelo Santo Ofício em Roma e, em 1921, passará por um julgamento, onde será condenado e exilado. Finalmente, foi reabilitado em 1937, após 16 anos de injusta perseguição.

Apesar das contínuas dores e incompreensões, sua vida como sacerdote, agora diocesano, continuou em Nápoles. Ele foi o criador da Obra de Deus, cujo propósito era principalmente promover uma vida eucarística renovada.

Ao seu redor reuniram muitos jovens, todos de alta cultura, que mais tarde formaram a Imprensa do Trabalho Apostólico . A Obra de Deus, através da impressão dos escritos de Don Dolindo, conseguiu fazer seus ensinamentos conhecidos em toda parte.

Don Dolindo não gostava das iguarias de comida e roupas; suportava frio e fome e era visto andando na neve sem meias nos pés. Ele recebia como um pai carinhoso a todos que o procuravam; por todos que assistia espiritualmente ele orava fervorosamente e por todos ele sofreu. Aproximava-se dos doentes mais infectados e acariciou-os, beijou-os, e onde a natural repugnância em outros extinguiria a compaixão, nele despertou amor, compaixão e misericórdia.

Padre Dolindo Ruotolo era um escritor extremamente prolífico. Seus escritos mais importantes vão desde o "Comentário sobre as Sagradas Escrituras", obra monumental em 33 volumes, bem como a muitas obras de teologia, ascética e mística. Ainda há volumes inteiros de escritos epistolares, autobiográficos e doutrina cristã. Ele contou sua vida em uma poderosa "Autobiografia" impressa hoje em dois volumes, com o título "Eu me chamava Dolindo, que significa dor".





Em 1960, outra provação começou para o Padre Dolindo: um derrame imobilizou-o o lado esquerdo, mas, essa nova provação e sofrimento não conseguiram impedi-lo. De sua mesa, ele continuou a escrever para seus “filhos e filhas espirituais” espalhadas por toda parte.

Don Dolindo Ruotolo morreu em 19 de novembro de 1970, aos 88 anos de idade, devido a uma broncopneumonia. Pouco antes de sua morte, em torno de seu leito de morte, um delicioso e marcante aroma de lírios se espalhou no ar, sentido pelos presentes e acolhido como o sinal final de sua santidade.


Páginas com biografia (em italiano) mais detalhada:




Dom Dolindo e sua preocupação e cuidado com a pureza das mulheres cristãs:

O servo de Deus Padre Dolindo Ruotolo, era muito claro no tema da dignidade e santidade do corpo humano e não hesitava em levantar a voz contra as modas indecorosas. Em seus escritos, lemos textualmente:

“Mulher, tu és criatura de Deus, criatura nobilíssima, alma unida ao corpo para glorificar a Deus e não uma atração ou o brinquedo de homens corrompidos. Que coisa humilhante para ti concentrar-te tanto nos cuidados com o corpo a ponto de tornar-te escrava dele e fazê-lo aparecer quase não mais como obra de Deus, mas como obra de ti mesma.

Toda moda, todo ornamento imodesto, tu os usa para mostrar a beleza artificial que consegue “ajeitar” com a maquiagem; e assim, ao invés de glorificar a Deus, o ofende com tuas culpas. Por acaso estás na terra para degradar-se assim? Pense que o julgamento de Deus está próximo e que, embora o corpo se abra para o túmulo, a alma deve se abrir para o Céu.

'Quando fordes pensar em vossos trajes – escreveu o Papa Pio XI – pensai também, ó mulheres, em que sereis reduzidas na morte!'. Depois do pecado original, o olhar do homem se perturba com a visão do corpo, por isso Deus quis que o corpo estivesse coberto. Tu, então, deve se vestir para esconder a carne, não para mostrá-la, deve se vestir para recordar que és de Deus e que és templo do Espírito Santo. Deus veste a sua criatura, satanás a despoja, porque sendo um espírito imundo experimenta alegria com tudo o que é degradante.

Uma mulher imodesta é, pelas ruas, um troféu que o demônio ostenta contra a Redenção. Uma mulher escandalosa não obedece a Deus, ao Papa e aos sacerdotes, mas somente a satanás e às manobras repugnantes da moda, pronta a vestir peles grossas no verão e a andar decotada e de saias curtas mesmo no inverno.

Não diga, ó pobre criatura de Deus, que não pode usar saias suficientemente longas porque te causam incômodo: se fosse a moda a te impor, tu não hesitarias em fazê-lo. Lembre-se de que a moda imodesta te faz praticamente a mulher de todos e os olhares ávidos dos homens te degradam toda vez que se fixam sobre teu corpo com desejos impuros, assim que tu torna-te como uma mulher mundana, oferecendo-se, por tua culpa, ao olhar torpe de homens viciosos e retorna para casa cheia de pecados e de iniquidade.

Tu dizes: 'eu sofro muito com o calor, eu preciso vestir pouca roupa, eu preciso refrescar-me'. Com este raciocínio, no entanto, tu podes reduzir-se aos zulus da África e crer-se justificada. Mas, saiba que quando você se veste de modo imodesto, renovas os opróbrios que reduziram Jesus à sua terrível nudez.

Terás a coragem de renovar-Lhe, no teu corpo, o opróbrio e o sofrimento da nudez? Cubra o teu corpo, revista-te de pureza e suavize as dores de Jesus; Dê-lhe, em união com o seu sofrimento, o sacrifício de suportar um pouco de calor e a penitência de uma renúncia, faça isto por amor e colabore com Ele para salvação das almas, pelas quais derramou o seu Precioso Sangue, tentando pelo menos não causar-Lhe escândalos”.






Conheça o poder do Ato de Abandono à Divina Providência

O santo sacerdote tornou-se conhecido por sua espiritualidade de rendição. Bem consciente da fraqueza e da necessidade humanas, Dolindo viu isso como uma forma de promover uma união contínua com Deus.

Ao nos convidar a levar continuamente nossas preocupações e preocupações ao Senhor, ele nos ensina que o foco de nossas orações não deve permanecer em nossas necessidades. Ele nos encoraja a levar nossas necessidades a Deus, deixando-o livre para cuidar de nós em sua sabedoria. Dolindo nos diz que o Senhor prometeu assumir plenamente todas as necessidades que confiamos a ele. Nas palavras de Jesus a Dolindo:

“Por que você se confunde com a sua preocupação? Deixe o cuidado de seus assuntos para mim e tudo ficará em paz. Digo-lhe, na verdade, que todos os atos de entrega verdadeira, cega e completa produzem o efeito que você deseja e resolvem todas as situações difíceis. (…) Mil orações não são iguais a um ato de abandono; nunca esqueça isso. Não há melhor novena do que esta: ‘ó Jesus, eu me abandono ao Senhor. Jesus, assuma o controle’”.

Muitas pessoas já testemunharam curas e graças obtidas depois de seguir os conselhos de Dolindo sobre a constante realização do ato de abandono à Divina Providência. A oração de rendição também pode ser feita em sua totalidade ou em nove segmentos mais curtos, como uma novena diária.


Ato de Abandono à Divina Providência
escrito pelo Servo de Deus Padre Dolindo Ruotolo:

“Meu Deus, eu desconheço o que me poderá acontecer neste dia. Sei, porém que tudo o que me acontecer Vós o haveis disposto, previsto para o meu maior bem. Basta-me sabê-lo, ó meu Deus, para sossego e tranquilidade do meu coração.

Sei que tudo estará em conformidade com a vossa vontade e o Amor infinito que me consagrais como Pai, o mais amável e amigo, o mais fiel. Sou qual frágil criança, que nada posso nem na ordem da natureza, nem na graça e nem sequer posso ter um bom pensamento em Vós.

Entrego-me totalmente ao vosso paternal amor, sabendo que, assim como a mãe conduz só para o bem o filho que leva nos braços, assim Vós e melhor do que ela, só podereis dar-me o que for melhor para minha felicidade, santificação e salvação. Abandono-me inteiramente aos vossos santos, impenetráveis e eternos desígnios, e a eles me submeto de todo o coração.

Quero tudo, aceito tudo, tudo Vos ofereço, unindo-me ao sacrifício do Vosso querido Filho Unigênito e meu Salvador. Em nome de Jesus Cristo, pelo seu Santíssimo Coração e pelos seus merecimentos infinitos, peço-Vos a paciência nos sofrimentos e a perfeita conformidade com Vossa vontade por tudo o que Vós quiserdes e permitirdes. Amém”.