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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SÃO BRUNO DE COLÔNIA, Abade e Fundador da Ordem Cartuxa.


Primeiro texto biográfico

Dotado de uma das mais belas inteligências de seu século, aplaudido em toda a Europa como Mestre, São Bruno deixou todas as glórias humanas e encerrou-se no deserto da Cartuxa, a fim de viver somente para Deus.


“Grandeza de nascença, grandeza de espírito, grandeza de fortuna, graças exteriores, inteligência clara e vigorosa, incomparáveis aptidões para as ciências, presentes já magníficos que faziam brilhar o mais belo deles, a virtude: eis em que meio de esplendor se desenvolvia essa jovem alma”.(1)

É assim que um hagiógrafo descreve a infância e adolescência de São Bruno de Hartenfaust, nascido em Colônia por volta do ano 1030.
Ainda muito jovem foi completar sua educação em Reims, atraído pela reputação de sua escola episcopal e de seu diretor, Heriman.(2) Brilha ali, obtendo sempre os primeiros lugares em todas as matérias. Colando grau, é nomeado professor, adquirindo fama, sobretudo pela segurança e profundidade de sua doutrina. Mas o jovem mestre Bruno Gallicus — como passou a ser conhecido nos meios universitários da Europa de então — ou simplesmente Mestre Bruno não se deixa embair pelo sucesso.
Desde há muito sua nobre alma aspirava a uma glória imorredoura e a servir a outro Senhor que não o mundo. A corrupção de sua época o entristecia; a simonia (venda dos bens eclesiásticos), que então grassava nos ambientes do clero, lhe causava indignação; a heresia o horrorizava. Queria ele reformar o mundo, e não ser por ele seduzido.
Por isso voltou para sua Colônia natal e ali ordenou-se sacerdote, entregando-se depois à evangelização do povo pobre e ignorante dos lugares mais afastados.

Formador de futuros santos

Mas, se ele foge da glória, esta o persegue. O Arcebispo de Reims, Gervásio, também quer reformar sua diocese e pensa no jovem levita. E Bruno retoma sua cátedra, torna-se chanceler da cúria, diretor dos estudos ou inspetor de todas as escolas da diocese.
Entre seus alunos de Teologia, ressaltam dois que teriam grande papel no futuro: São Hugo, futuro Bispo de Grenoble, e o Bem-aventurado Urbano II, o Papa das Cruzadas.
Porém, “Mestre Bruno é um homem austero e grave. Não sorri diante dos aplausos nem parece ter em grande estima seu renome de sábio. Em seu comportamento e em sua palavra há um quê de desengano, que não pode encobrir o brilho de todos seus êxitos. [...] Entre outras coisas, dizia: ‘Feliz o homem que tem sua mente fixa no Céu e evita o mal com vigilância contínua; feliz também aquele que, tendo pecado, chora seu crime com arrependimento. Mas, ai, os homens vivem como se a morte não existisse e como se o inferno fosse uma pura fábula’”.(3)
E o mal aproxima-se dele na pessoa do novo Arcebispo, Manassés, que à força de intrigas tinha conseguido apossar-se da Sé de Reims. Bruno se levanta contra os escândalos do novo Arcebispo e apela para o legado do Papa. Um Concílio em Autun, do qual foi a alma, condena Manassés, que é obrigado a deixar o cargo e morre na obscuridade, depois de todo o mal que fizera.

Fundação da Cartuxa: vocação realizada

Entretanto, Bruno atinge os 40 anos e resolve de vez abandonar o mundo. Com alguns discípulos, vai para Molesmes pôr-se sob a direção de São Roberto. Mas, apesar do rigor desse mosteiro, ele sente que ainda não é a solidão absoluta que almeja. Com seus discípulos, despede-se de São Roberto — os santos se entendem — e parte em direção a Grenoble, onde seu amigo São Hugo era bispo.
Narra-se que, durante a viagem, Bruno sentiu-se fatigado e recostou-se com a cabeça apoiada num pilar. Três anjos lhe apareceram em sonho e anunciaram que Deus marcharia a seu lado e bendiria sua obra.
Nessa mesma noite, durante o sono, esses três anjos apareceram a São Hugo, em Grenoble, anunciando-lhe a próxima vinda de seu amigo e companheiros. O prelado foi transportado ainda em sonhos até um lugar ermo e agreste de sua diocese, onde viu erguer-se um templo e descerem do céu sobre ele sete estrelas. Representavam São Bruno e seus seis companheiros.
São Hugo revestiu os novos solitários com um hábito de lã branca e depois os levou para o lugar visto em sonhos.
Assim, São Bruno tomou posse do deserto da Cartuxa (Chartreux) — que depois deveria dar nome à sua Ordem — e começou a viver a vida que imaginara para si e para os seus.


Austeridade de vida toda voltada para Deus

O que o Santo almejava era viver no isolamento, do modo mais semelhante possível ao dos primeiros eremitas do deserto, mas tendo ao mesmo tempo os recursos da vida cenobítica, isto é, em comunidade. E fundou assim uma das Ordens mais austeras da Igreja.
Os cartuxos usam “ásperos cilícios, fazem longas vigílias, jejum contínuo, silêncio perpétuo com os homens e conversação incessante com Deus. Nunca comem carne, seu pão é um pão negro de cevada; admitem peixes, se lhos oferecem, mas jamais os compram. Unicamente às quintas e aos domingos chegam à sua mesa queijo e ovos. Nas terças e nos sábados alimentam-se de legumes cozidos. Às segundas e quartas jejuam a pão e água. Não têm mais que uma refeição diária. À porta de suas celas morrem os rumores do mundo externo. Rezam, transcrevem códices ou trabalham no jardinzinho circundante [...]. Só se reúnem na igreja para rezar as Matinas, à meia-noite, e durante o dia para a Missa e Vésperas. Fora disso vivem sós, ‘levantando a Deus suas orações, com os olhos fixos na Terra e os corações elevados ao Céu’”.(4)
O Bispo Hugo providenciou a construção de uma igreja e de pequenas celas de madeira para cada um dos monges. De vez em quando, ia passar períodos de recolhimento entre os monges, como um deles.


Contra o cisma reinante, a serviço da Igreja

Os primeiros anos da recém-fundada Cartuxa passaram rapidamente no fervor da contemplação e da oração. Mas a Terra não é o Céu, e a felicidade perfeita tem seu limite. Certo dia, Bruno recebeu um correio urgente de seu ex-discípulo e então Pai da Cristandade, o Papa Urbano II: o Imperador Henrique IV não aprovara sua eleição ao Sólio Pontifício e provocara um cisma na Igreja ao eleger um antipapa, Guiberto. O verdadeiro Papa, necessitando dos conselhos e das luzes de São Bruno, chamava-o a Roma. Este, cheio de tristeza pelo futuro incerto de sua obra, designou Lauduíno como superior em seu lugar e partiu para a Cidade Eterna.
O Papa recebeu-o com todas as honras e a estima com que um discípulo recebe seu mestre. Mas as apreensões do Santo, quando deixara a Cartuxa, realizaram-se: sem o mestre e superior, os outros seis monges não aguentaram, e acabaram seguindo-o a Roma. Urbano II designou um lugar para alojá-los nas Termas de Diocleciano, onde eles procuraram levar a vida contemplativa que seguiam na Cartuxa. Mas não era a mesma coisa. Aos poucos, os fugitivos foram se dando conta de que o lugar deles era lá na Cartuxa, e não em meio a uma cidade cosmopolita como Roma. E, animados por Bruno, refizeram o caminho de volta.
Como um bom pai, ele mantinha constante contato por carta — tanto quanto era possível naqueles tempos — com seus filhos espirituais, estimulando-os, instruindo-os, revigorando-os na vocação, respondendo às suas dúvidas e animando-os a perseverarem.
Conta-se que, certo dia em que eles estavam especialmente provados e a ponto de tudo abandonar, apareceu-lhes um venerando ancião que dissipou-lhes todas as dúvidas, como que afastou com a mão a tentação, assegurando-lhes que a Santíssima Virgem velava por eles e seria sempre sua advogada e protetora.  Dito isto, o ancião desapareceu, pelo que os monges supuseram ser ele São Pedro, mandado por Deus para animá-los. Com isso eles perseveraram, e desde então sempre houve monges naquele mosteiro até 1903, quando novas leis persecutórias da Igreja, na França, expulsaram os religiosos do país, e com eles os cartuxos. Mas, depois da II Guerra Mundial, lá estavam eles de volta, onde até hoje permanecem.

Segunda Cartuxa, na Calábria

E São Bruno? Implorava ele ao Papa, noite e dia, que lhe permitisse voltar para sua querida solidão. O Papa esteve tentado a aceitar o pedido dos habitantes de Reggio Calábria, dando-lhes o Santo por Arcebispo. Mas, ante a insistência de Bruno, julgando que talvez estivesse indo contra a vontade de Deus com a recusa, aquiesceu em parte aos seus justos pedidos. Entretanto, para tê-lo mais à mão para o caso de alguma necessidade, recomendou que ele escolhesse qualquer outro lugar solitário mais perto de Roma. Assim São Bruno, com alguns novos discípulos, encontrou um vale na Calábria, que foi o berço da segunda Cartuxa.
Ali ele passou os últimos dias de sua vida em contemplação e escrevendo comentários aos Salmos e às Epístolas de São Paulo. “Seus sentidos não lhe serviam senão para as necessidades indispensáveis do corpo e para os ofícios de piedade. Sua conversação estava continuamente no Céu, e ele gozava uma paz e uma tranqüilidade de alma tão perfeita, que já experimentava, adiantado, o repouso e as doçuras da eternidade”.(5)
Enfim chegou para ele esse tão esperado tempo. E, rodeado de seus discípulos, entregou sua alma a Deus num domingo, seis de outubro de 1101.


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Fonte: site catolicismo.com.br (Plínio Maria Solimeo)
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Notas:
1 Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, vol. XII, p. 91.
2 Ambrose Mougel, The Catholic Encyclopedia, 1908, vol. III, online edition.
3 Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo IV, p. 48.
4 Id., pp. 50-51.
5 Les Petits Bollandistes, op. cit., p. 98.

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Segundo texto biográfico

Pelo fim do décimo-primeiro século, enquanto o Papa São Gregório XII, seguindo o exemplo de São Leão IX, trabalhava com fé e coragem invencíveis, na reforma do clero. Deus suscitou um novo patriarca da vida solitária, um homem da mesma estirpe dos Antão, da Tebaida, dos Hilarião, da Palestina; um homem e uma ordem que, pela vida penitente, deveriam servir de lição e de modelo ao clero e ao povo cristão, e atrair para sempre bençãos do céu sobre toda a Igreja; uma ordem que, após oito séculos, é ainda a mesma, sem nunca ter tido necessidade de reformas, nem em relação à pureza da fé, nem em relação à austeridade e à disciplina. Esse homem é São Bruno; essa ordem é a dos Cartuxos.

Bruno nasceu em Colônia, onde foi educado. Fez seus estudos na França, e o seu aproveitamento lhe pareceu a cátedra da escola de Reims. Manassés, arcebispo de Teims, fê-lo seu camareiro, como se pode deduzir de alguns atos que Bruno assinou nessa qualidade. Mas os benefícios com que Manassés o cumulou não lhe fecharam os olhos para os excessos praticados por aquele prelado nem lhe esmoreceram o zelo.
Bruno foi um dos principais acusadores de Manassés que, para puni-lo, o privou de seus favores. Bruno sentiu menos tristeza com os maus tratamentos do que com os escândalos armados pelo arcebispo. Primeiro retirou-se para Colônia e, durante algum tempo, foi cônego de São Cuniberto; Deus, porém, chamava-os a um estado mais perfeito. Desde o tempo em que vivia em Reims, junto ao arcebispo Manassés, Bruno projetara, juntamente com alguns amigos seus, abraçar a vida monástica.

Bruno e seus companheiros levaram uma vida angélica nas tétricas montanhas da Cartuxa. Eis como se expressa Guiberto, abade de Nogent, famoso escritor daquele tempo, sobre a maneira de viver dos primeiros cartuxos: "A Igreja foi construída quase no cume da montanha. O claustro é muito cômodo; mas os cartuxos não moram juntos, como os outros monges. As celas são construídas ao redor do claustro e cada religioso ocupa uma delas, na qual trabalha, dorme e toma suas refeições. Recebem do ecônomo, aos domingos, pão e legumes para a semana. Os legumes são os únicos alimentos que eles cozinham em suas celas; uma fonte lhes fornece água para beber e para oturas utilidades, através de canais que desembocam nas celas. Aos domingos e dias santos solenes comem queijo e um pouco de peixe, quando os recebem de pessoas caridosas; pois não compram nada disso. Quanto ao ouro, à prata, e aos ornamentos da igreja, não os aceitam quando lhes são oferecidos. Um cálice resume a sua prataria. Não se reúnem às horas ordinárias; se não me engano, assistem à missa aos domingos e dias santos. Raramente falam e, se tem necessidade de dizer alguma coisa, fazem-no por meio de sinais. O vinho que bebem é tão aguado que não tem o mínimo sabor e mais parece água. Usam o cilício em cima da carne; suas roupas são bastante dinas”. São governados por um prior: o Bispo de Grenoble serve-lhes, às vezes, de abade. Porém, embora sejam pobres, dispõem de uma rica biblioteca.

Guiberto assim prossegue: “Tendo o Conde de Nevers ido visitá-los este ano, num ato de devoção, compadeceu-se da pobreza em que viviam, e enviou-lhes, ao regressas, algumas peças de prata de alto custo. Devolveram-nas, e o conde, edificado com a recusa, enviou-lhes couro e pergaminho, que sabia ser-lhes necessários na cópia de livros. Como as terras da Cartuxa são estéreis, semeiam pouco trigo; mas compram-no com a lá de suas ovelhas, que viram em grandes rebanhos, AO sopé da montanha moram mais de vinte leigos, que os servem com muito carinho, e que se ocupam com seus negócios temporais, pois os religiosos só se dedicam à contemplação”. Em seguida, Guiberto refere-se ao grande número de conversões que o exemplo dos solitários da Cartuxa operou na França, e da diligência com que todas as províncias se empenharam em construir mosteiro do mesmo instituto.

A pintura que o abade de Nogent nos faz da vida dos primeiros cartuxos, Pedro, o Venerável, acrescenta vários traços edificantes. Diz que usavam roupas de má qualidade, curtas e estreitas; que haviam delimitado certa extensão de terreno, além da qual nada aceitavam do que lhes era oferecido, fosse mesmo um punhado de terra; que tinham um número fixo de bois, de ovelhas, de mulas e de cabras; que, para não serem obrigados a aumentá-los, não recebiam mais de doze monges em cada estabelecimento, além do prior e de dezoito conversos e alguns criados; que nunca comiam carne, mesmo quando doentes; que na sexta-feira e no sábado só comiam legumes; e que às segundas, quartas e sextas comiam apenas pão escuro e bebiam água; que só faziam uma refeição por dia, exceto aos domingos, festas solenes, oitavas da Páscoa, Natal e Pentecostes; e que só ouviam missa aos domingos e dias santificados. Os seis primeiros companheiros de São Bruno foram Landuíno, os dois Estêvão, cônegos de São Rufo, Hugo, que era o único sacerdote da comunidade, André e Garin, leigos.

O maior consolo de São Hugo, Bispo de Grenoble, era fazer freqüentes visitas a Chartreuse, a fim de edificar-se com a santa vida que levavam os piedosos solitários. Estes, porém, mais edificados ficavam com a humildade do santo prelado, do que ele com as suas austeridades. São Hugo vivia entre os monges como se fosse o último de todos. Seu fervor fazia com que esquecessem sua dignidade, e ele prestava os mais ínfimos serviços àquele com quem se alojava; pois nos primórdios da fundação, cada cela era ocupada por dois cartuxos. Seu companheiro queixou-se a São Bruno de que Hugo fazia questão de desempenhar as funções de um criado, pois sentia-se honrado em servir os servos de Deus.

Muitas vezes São Bruno tomava a liberdade de mandá-lo de volta à sua igreja. "Retornai às vossas ovelhas, elas precisam de vós; dai-lhes o que deveis". O santo Bispo obedecia a Bruno como a um superior; porém, depois de passar algum tempo com seu povo, retornava à solidão. Pretendia vender seus cavalos e fazer a pé as visitas à sua diocese. São Bruno dissuadiu-o, receoso de que aquela singularidade parecesse uma condenação lançada aos outros bispos, e também, de que ele pudesse tirar do fato uma glória vã. Hugo seguiu-lhe o conselho; mas sua humildade obrigou-o a suprimir tudo quanto não julgasse dever à dignidade episcopal. Juntamente com São Bruno, o santo Bispo foi como que o pai dos cartuxos. Fez uma ordenação pela qual proibiu que as mulheres passassem pelas terras daqueles religiosos, pois temia que pudessem, perturbar-lhes a solidão.

Tendo sido o Papa Urbano II, que fora discípulo de São Bruno, em Reims, informado da santa vida que este levava, havia seis anos, nas montanhas da Cartuxa, e aliás, ciente da sua erudição e sabedoria, chamou-o para junto de si a fim de aproveitar seus conselhos no governo da Igreja. O humilde solitário não poderia receber uma ordem que mais lhe custasse a obedecer. Teria que se arrancar à querida solidão, deixar os irmãos ternamente amados e arriscar-se a ver dispersar-se o pequeno rebanho reunido com tanta dificuldade; mas seu respeito pela Santa Sé não lhe permitiu fazer ponderações. O Papa recomendou a Cartuxa a Seguin, abade da Chaise-Dieu, notável pela piedade e autoridade; e Bruno nomeou Landuíno prior da Cartuxa durante a sua permanência na Itália.

Mas os solitários, habituados a sofrer alegremente as maiores austeridades, não conseguiram suportar a ausência de seu pai. A Cartuxa que, estando ele presente, lhes parecia um paraíso terrestre, retomou aos olhos dos monges, o seu verdadeiro aspecto, isto é, o de um deserto tétrico e inabitável. Não conseguiram mais suportar os contratempos e a falta de conforto e foram-se embora, sem contudo separar-se. A deserção dos monges obrigou São Bruno a entregar a fundação a Seguin, abade de Chaise-Dieu. Entretanto Landuíno, que fora nomeado prior, tão pateticamente exortou os irmãos a perseverarem que, após uma ausência não muito longa, eles retornaram à Cartuxa; foi-lhes esta devolvida pelo abade da Chaise-Dieu por ato datado de 17 de setembro de 1090.

Bruno foi acolhido pelo Papa com a consideração devida à sua piedade e aos seus merecimentos; e o Papa, que conhecia sua prudência, frequentes vezes consultava sobre importantes negócios da Igreja; mas a confusão e o tumulto ligados à corte romana, para onde eram levadas todas as causas do mundo cristão, não apraziam a um religioso que já experimentara as doçuras da solidão e da contemplação. Bruno solicitou, pois insistentemente, permissão para tornar a enterrar-se na sua querida cartuxa. O Papa apreciava-o demais para conceder-lhe o que pedia; instou para que aceitasse; o piedoso solitário desculpou-se com tão sincera humildade, que Urbano II achou que não devia violentar-lhe a modéstia; consentiu, mesmo que se retirasse para um lugar solitário, na Calábria, onde levou, com alguns companheiros que conquistara para Deus, na Itália, uma vida semelhante à das montanhas da cartuxa.

Rogério, Conde da Calábria e da Sicília, felicitou-se por abrigar em seus estados tão santa colônia, e doou aos religiosos algumas terras na diocese de Squillace, onde construíram um mosteiro denominado La Tour, cuja igreja foi consagrada no ano de 1094.
São Bruno escreveu, daquela mesma solidão, uma carta a seus irmãos da Cartuxa de Grenoble, congratulando-os, assim como a Landuíno, prior, que viera visitá-lo, por tudo quanto soubera sobre eles, e para exortá-los à perseverança. Felicita em particular os irmãos conversos pela piedade e obediência de que dão provas. Ao terminar , assegura aos solitários da Cartuxa que tem um ardente desejo de vê-los; mas que não lhe é possível satisfazer tal desejo. São Bruno morreu santamente no seu mosteiro da Torre, na Calábria, no ano de 1101, num domingo, 6 de Outubro, dia em que a igreja lhe glorifica a memória, depois de o ter Leão X, solenemente o incluído no número dos santos. (...)

 (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XVII, p. 362 à 372

Um comentário:

sebastiana veras disse...

Fiquei muito feliz , Por saber um pouco da vida de São Bruno. Uma vez que meu segundo neto vai se chamar Bruno.muito obrigada pela contribuição.

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