Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 5 de dezembro de 2015

Beato Bartolmeu Fanti, Presbítero Carmelita da Congregação Mantuana (memória em 05 de dezembro).


No dia 05 de dezembro os carmelitas celebram a memória facultativa do Beato Bartolomeu Fanti, italiano nascido em Mântua (em italiano diz-se “Mantova”). Não se tem muitos dados sobre a vida de Bartolomeu Fanti, que foi um dos diversos santos carmelitas de destaque que adornaram a cidade de Mântua durante o século XV. Nasceu por volta do ano 1443, e ingressou na Ordem com dezessete anos de idade.
Em 1452 já era sacerdote Carmelita da Congregação Mantuana (vide explicação abaixo). Após a ordenação sacerdotal, mostrou-se um pregador de grande poder. Suas palavras atraíam e convenciam seus ouvintes.  Foi durante 35 anos, praticamente até a sua morte,  diretor espiritual e reitor da Confraria da Bem-Aventurada Virgem Maria na igreja carmelita de sua cidade, para a qual escreveu a Regra e Estatutos, dedicando-se a esta tarefa com fervor e zelo, como se fazia necessário devido a importância social e religiosa desta Confraria.
Humilde e manso, foi para todos um exemplo de oração, generosidade e fidelidade no serviço à Deus. Distinguiu-se por um grande e profundo amor à Eucaristia, centro de sua vida apostólica. Era realmente admirável a devoção que tinha para com Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Foi através da unção com óleo da lamparina que ardia diante do Santíssimo que o Beato Bartolomeu realizou diversos dos seus milagres de curas. Distinguiu-se também por uma profunda e filial devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo, Patrona da Ordem.  
Foi mestre de noviciado do Beato Batista Mantovano, grande poeta e teólogo carmelitano, que fala dele como “um santo guia e mestre espiritual”.
Morreu em Mântua no dia 05 de dezembro de 1495 e seu corpo, depois de várias transladações, conserva-se hoje intacto na Catedral de Mântua. O decreto de confirmação de seu culto foi ratificado pelo Papa Pio X em 18 de março de 1909 e sua festa é celebrada no dia de sua morte.


Oração
Deus, nosso Pai, fizestes do Beato Bartolomeu Fanti um apóstolo do culto à Divina Eucaristia e da devoção à Santíssima Virgem Maria, concedei-nos, a nós também, a mesma riqueza espiritual que ele encontrou mediante a prática destas devoções. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.



 


A Congregação Mantuana (1413-1783)

A congregação de Mântua viu a luz antes da mitigação da Regra, no ano de 1413, por obra de Jacó Alberto e o Beato Angelo Mazinghi. Estes dois religiosos começaram a vida reformada no convento de Le Selve, perto de Florença. Pouco depois esta vida reformada começou no convento de Mântua por obra dos PP. Francisco Tomás e Gigón de França. Neste convento se formaram ótimos religiosos como o beato Bartolomeu Fanti e o Beato Batista Mantuano.
No ano de 1427 agregou-se à Congregação um novo convento, o de Gironde, na Suíça, da diocese de Sitten. Entre os fundadores deste convento está Tomás Connecte, chamado o “Savonarola Francês”, célebre pregador e reformador violento que morreu em Roma queimado vivo, por acusação de heresia não retratada.

Até o ano de 1452 a Congregação de Mântua teve somente estes três conventos. Depois fundaram conventos em Ferrara, Brescia, Lucca, Parma, Modena, Bolonha, Bérgamo, Gênova, Milão, Florença, Pistóia, Veneza, Pavia e outros. Quando a Congregação foi suprimida contava com 53 conventos de frades e 7 de monjas. Estava dividida em 6 províncias.

Em 1442 a Congregação foi aprovada por Eugênio IV com o direito de eleger seu próprio Vigário Geral. Como tal foi eleito Pedro Estêvão de Toulouse. Floresceram em santidade Tomás de França, o Beato Angelo Mazzinghi, o Beato Bartolomeu Fanti, o Beato Batista Spagnoli, a Beata Juana Scopelli e a Beata Arcangela de Trino. Deu também esta Congregação dois gerais para a Ordem: Cristóvão Martignone (1472-1481) e o B. Batista Spagnoli (1513-1516).


O hábito que usavam os reformados era de cor cinza e a capa curta, e as sandálias da mesma cor do hábito ou brancas. Os mantuanos observavam com rigor o voto de pobreza e davam extremo valor à observância da vida comum. No dia 21 de março de 1783 o Papa Pio VI agregou os seus conventos à Ordem, extinguindo a Congregação como tal.

SÃO CARLOS LWANGA e Companheiros, Mártires de Uganda: mortos por não serem homossexuais.





Não é a primeira vez que um sistema político imoral tenta impor-se sobre os cristãos e obrigá-los ao silêncio em relação à homossexualidade. Os mártires de Uganda, ainda no século XIX, foram as primeiras vítimas de uma “ditadura gay”.


Os primeiros missionários cristãos a pisarem no atual território de Uganda eram protestantes. Em 1877, eles foram acolhidos por Mutesa, o monarca de "Buganda" – como então era chamado o reino –, ficando livres para expandir a fé cristã em meio à população. A tolerância do Rei era tanta, que os missionários podiam pregar Jesus Cristo entre os próprios membros da sua corte. Mutesa mesmo, no entanto, não estava disposto a abandonar a poligamia – nem a circuncidar-se, como pedia o Islã. Apesar de aberto à pregação de todas as religiões, ele ficaria sem escolher nenhuma.

Dois anos mais tarde, em 1879, era a vez dos católicos serem acolhidos em seu reino: os Missionários da África – ou "Padres Brancos", como eram denominados – também passaram a evangelizar Uganda.

Em suas bocas, estava o discurso inflamado contra as práticas pagãs e supersticiosas dos nativos africanos. Os missionários da época não sacrificavam a fé no altar do "politicamente correto". Aderir a Cristo significava uma ruptura total com o antigo modo de vida, uma completa mudança de mentalidade e de comportamento. Ao aderir àquela "religião estrangeira", os abasomi – como eram chamados os convertidos à fé cristã – não só abandonavam as velhas tradições de suas tribos, como eram considerados "rebeldes" por seus compatriotas.

Foto com vários jovens e adolescentes catequizados pelos "padres brancos". Os que tem
um número, foram todos martirizados e são Santos da Igreja. José Mukasa é o de número 3
e Carlos Lwanga é o de número 13.


O martírio de José Mukasa

Um desses conversos, o seminarista católico José Mukasa, era particularmente importante para a evangelização em Buganda. Amigo pessoal tanto de Mutesa quanto de seu filho Mwanga, Mukasa tinha levado a fé a muitos dos jovens pajens que trabalhavam na corte real. A sua posição de influência junto do Rei confirmava ainda mais a sua liderança e eram muitos os que se faziam católicos graças à sua pregação.

No entanto, aproximava-se o dia em que o mordomo real teria de escolher entre Deus e César, entre o amor à Igreja e a lealdade ao Rei.

De fato, tão logo assumiu o trono em lugar de seu pai, Mwanga I demonstrou-se um verdadeiro inimigo da religião cristã. Os seus motivos eram manifestos. Influenciado por más amizades, Mwanga começou a praticar a homossexualidade e, não podendo suportar as críticas da moral cristã a esse comportamento, passou a perseguir sistematicamente os cristãos de Buganda – tanto anglicanos, quanto católicos. Também não lhe agradava a rejeição dos cristãos ao tráfico de escravos, o qual constituía uma importante fonte de recursos para o reino. Para que pudesse agir como bem entendesse, Mwanga tinha tomado uma firme decisão: teria que riscar o cristianismo do mapa de seu reino.

No dia 31 de janeiro de 1885, os jovens anglicanos Makko Kakumba, Yusuf Rugarama e Nuwa Sserwanga foram as primeiras vítimas do rei. Eles foram desmembrados e queimados no povoado de Busega Natete, por ordem do Rei. Não contente com a execução, em outubro do mesmo ano, Mwanga ordenou o assassinato do bispo anglicano James Hannington, alegando "más intenções" por parte do prelado, só por ele ter entrado no reino por uma rota mais curta que a tradicional.

Tamanha barbaridade suscitou a indignação de José Mukasa, que – a exemplo de Natã diante do rei Davi – reprimiu severamente Mwanga, por matar Hannington sem ao menos dar-lhe a oportunidade de defender-se. Outra crítica, todavia, fez acender de vez a cólera real: avesso à homossexualidade do monarca, Mukasa pediu a Mwanga que parasse de compelir os membros da corte às suas imoralidades. De fato, a promiscuidade do rei era insaciável e ele não hesitava em transformar os seus súditos em "parceiros sexuais". Como reação a isso, José não apenas tinha ensinado os rapazes a resistirem, como fez questão de deixá-los longe do alcance do Rei.

Perturbado com as críticas de Mukasa, Mwanga jogou-o na prisão e, no dia 15 de novembro, mandou queimá-lo publicamente, para que servisse de exemplo a todo o povo de Uganda. Antes de morrer, disse ao seu executor: "Um cristão que dá a sua vida a Deus não tem razão para temer a morte. Diga a Mwanga que ele me condenou injustamente, mas eu o perdoo de todo o meu coração." O carrasco ficou tão impressionado que o decapitou antes de amarrá-lo e queimar o seu corpo.


O massacre de Namugongo

Muitos outros cristãos caíram nas mãos de Mwanga, totalizando um número de 45 mártires (22 deles católicos). A perseguição da Coroa à fé cristã duraria até o dia 27 de janeiro de 1887, com a morte do católico Jean-Marie Muzeeyi. De todas as atrocidades cometidas por Mwanga, porém, a pior de todas foi o massacre de Namugongo, quando 26 cristãos, sob a liderança de São Carlos Lwanga, foram mortos de uma só vez.

Apontado pelo Rei como novo mordomo da corte, Lwanga não demoraria a causar novos problemas à Coroa. Assim como Mukasa, de fato, Carlos sabia ser "necessário antes obedecer a Deus que aos homens" (At 5, 29). Uma de suas primeiras preocupações à frente do palácio foi justamente proteger os jovens cristãos dos desejos luxuriosos do monarca. Certa vez, um dos pajens se recusou a manter relações sexuais com o soberano. Perguntado qual era o seu motivo, ele respondeu que estava recebendo catequese de um católico. Tomado pela ira, Mwanga chamou o responsável à sua presença, tomou sua lança e decepou a sua cabeça, sem piedade. 26 de maio de 1886, Daniel Ssebuggwawo é a vítima da vez.

Ainda insatisfeito, o Rei convocou toda a corte para o dia seguinte. Carlos Lwanga, prevendo o que haveria de acontecer, deu o sacramento aos quatro catecúmenos que ainda não tinham recebido o Batismo – entre eles, uma criança de 14 anos, chamada Kizito. No outro dia, logo de manhã, Mwanga separou de sua corte todos os cristãos e, depois de pedir inutilmente que abandonassem a sua fé, condenou-os todos à morte.

"Quem dentre vocês não tiver a intenção de rezar, pode ficar aqui ao lado do trono; aqueles, porém, que quiserem rezar, reúnam-se contra aquele muro", teria dito o Rei, na ocasião. Lwanga foi o primeiro a dirigir-se ao muro, seguido por outros tantos. Mwanga, então, perguntou-lhes: "Mas vocês rezam de verdade?", ao que Carlos respondeu: "Sim, meu senhor, nós rezamos e queremos continuar até a morte".

Alguns deles foram mortos ainda naquele mês, como o católico Nowa Mawaggali, que padeceu estraçalhado por cães selvagens. A maioria, porém, estava destinada a morrer em Namugongo, no dia 3 de junho de 1886.

Era uma quinta-feira da Ascensão do Senhor e os prisioneiros, sentenciados à fogueira, estavam tranquilos e alegres diante de seu veredito. A fila de condenados partia ao lugar da execução, rezando bem alto e recitando o Catecismo pelo caminho. O pequeno Kizito simplesmente sorria, como se tudo aquilo não passasse de uma brincadeira. Testemunhas oculares relatavam a alegria e a confiança dos mártires, encorajando uns aos outros, enquanto eram amontoados em uma grande fogueira por seus carrascos.


"Invoque o seu Deus, e veja se ele pode salvá-lo", disse um deles. "Pobre louco", replicou São Carlos Lwanga. "Você está me queimando, mas é como se estivesse derramando água sobre o meu corpo."

Os outros prisioneiros estavam igualmente calmos. Das chamas ardentes, só se ouviam as suas orações e canções, que ressoavam cada vez mais alto. Quem assistiu à execução atesta nunca ter visto ninguém morrendo daquela forma.


"Semente de novos cristãos"

São Carlos Lwanga e os outros 21 mártires católicos de Uganda foram beatificados pelo Papa Bento XV, em 6 de junho de 1920, e canonizados por Paulo VI, em 18 de outubro de 1964.

Recentemente, durante viagem apostólica à África, o Papa Francisco visitou o Santuário dos Mártires de Namugongo e celebrou uma Missa em sua honra. "O testemunho dos mártires mostra a quantos, ontem e hoje, ouviram a sua história que os prazeres mundanos e o poder terreno não dão alegria e paz duradouras", disse o Santo Padre. "São a fidelidade a Deus, a honestidade e integridade da vida e uma autêntica preocupação pelo bem dos outros que nos trazem aquela paz que o mundo não pode oferecer."

Assim como em outros tempos da Igreja, o sangue desses homens valorosos foi um incentivo para a conversão de muitos outros. O reino de terror instaurado por Mwanga não teve o efeito pretendido: ao invés de diminuir, o número de cristãos só aumentou cada vez mais. Realmente, como escreve Tertuliano, “sanguis martyrum semen christianorum – o sangue dos mártires é semente de novos cristãos".

Hoje, Uganda é um país majoritariamente cristão, graças ao exemplo desses jovens mártires, que resistiram a um governo ímpio para guardar a sua fé e a sua castidade. Notoriamente, trata-se do país africano que mais avanços obteve no combate à AIDS, graças a um programa de saúde que envolve principalmente – mais do que a simples distribuição de preservativos – a abstinência e a fidelidade no casamento. O programa já foi elogiado por especialistas e apontado como o mais eficaz na contenção do vírus HIV.

A primeira-dama do país, Janet Museveni, fala abertamente aos universitários sobre a castidade. "Honrem seus corpos como templo de Deus", ela diz. "Não tomem atalhos nem ponham em perigo suas vidas, utilizando meios inventados pelo homem, como os preservativos, e indo contra o plano de Deus para suas vidas."

Para quem teve Mwanga no passado, é alentador ter uma posição tão contundente a favor da moral católica guiando o futuro de Uganda. Que São Carlos Lwanga e seus 21 companheiros mártires sigam intercedendo pela África e por todo o mundo, a fim de que a castidade que os conduziu ao martírio arda no coração dos nossos jovens e também os leve a um testemunho irrepreensível de amor a Cristo.



Por Equipe Christo Nihil Praeponere

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

SANTA LUCRÉCIA DE MÉRIDA, Virgem e Mártir

     







Não se deve confundir esta Santa Lucrécia de Mérida com a mais conhecida Santa Lucrécia, o Leocricia, de Córdoba, de que fala Santo Eulógio a propósito da perseguição muçulmana; entre uma e outra mediam pelo menos quatro séculos.
     Da santa que veneramos hoje apenas existem noticias de que existiu em Mérida um templo dedicado a ela, porém foi antes da invasão muçulmana na Espanha, e dele não restou senão rastros.
     Notícias tomadas da História da Cidade de Mérida, de D. Bernabé Moreno de Vargas (1576-1648), pág. 113-114, Madrid, 1633, e do Suplemento à última edição do ano cristão do Padre Juan Croiset, tomo II, pág. 338 ss., por D. Juan Julián Caparrós, Madrid, 1743, conjecturam que esse templo pode ter estado onde, em seu tempo, estava a ermida de Nossa Senhora de Loreto, lamentavelmente desaparecida também, e cujo local de construção, próximo ao Matadouro Regional, também é objeto de conjecturas.
  A imagem reproduzida em vários santorais de internet possivelmente não seja de Santa Lucrécia de Mérida, mas a de Santa Lucrécia de Córdoba, muito mais difundida.
     Lucrécia aparece mencionada no Martirológio Jeronimiano e em outros martirológios antigos, como tendo vivido na época de Diocleciano, e embora não se possa considerar seguro este dado, parece que ela foi martirizada sob a presidência de Daciano.
     Conhecemos este perseguidor porque em sua viagem pela Península, nos primeiros anos do século IV, seu caminho foi semeado de mártires cristãos, porém não se sabe com certeza o ano em que esteve em Mérida. Os autores antigos dão datas entre 305 e 308, porém parece que a maior probabilidade seja o ano de 306 ou depois.
     Uma “passio” não autêntica é conservada, mas que expressa bem o tipo das vidas de mártires dos primeiros séculos. Nela há um diálogo que resume, se não as frases pronunciadas por um e outro naquele momento, a fortaleza das mártires cristãs, débeis em sua figura, mas cheias de uma fortaleza sobrenatural.
     De fato, vendo Daciano que todas as suas admoestações eram inúteis, disse: “...elege por último um destes dois extremos: ou padecer como néscia diferentes penas entre os sentenciados a morte, ou sacrificar aos deuses como sabia e nobre pessoa”. A isto respondeu Lucrécia: “Sacrifica tu aos demônios, que eu só ofereço sacrifício ao verdadeiro Deus e a Jesus Cristo, seu único Filho”.

Fonte:
Blog Heroínas da Cristandade. 


                    Nota do autor do blog: 
         "Sacrifica tu aos demônios"... Que coragem não teve esta santa virgem no momento de seu martírio! Quantos homens e mulheres, nos tempos atuais,  nesta sociedade permissiva, lasciva e hedonista, não correm o risco de perder eternamente suas almas por causa de prazeres mundanos e mil desmandos! Pensemos na coragem dos mártires: desprezaram as próprias vidas, desprezaram a mil sugestões, adulações e ameaças, para dizerem seu "sim" unicamente a Cristo e à Fé. 
          Que intercedam por nós. Já vivemos tempos difíceis. Temos ainda piores nos aguardam a nós cristãos. A família, o amor verdadeiro, a honestidade, a integridade humana, o respeito e valores morais são cada vez mais desprezados pela sociedade e até por governos, como atualmente em nosso país, governado por  partido e políticos comunistas ou simpatizantes do comunismo, que, sorrateira e sistematicamente, vem tentando implantar em nosso país o aborto e a ideologia de gênero. 

Beata Teresa de Calcutá: canonização próxima graças a milagre no Brasil?



Madre Teresa de Calcutá pode ser canonizada "por causa de um brasileiro". Entrevista ao Pe. Elmiran Ferreira “intermediário entre o miraculado e a beata”. Sacerdote da diocese de Santos, São Paulo, relata à ZENIT mais detalhes do milagre.


Brasília, 24 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Thácio Siqueira


No dia 19 de junho desse ano foi instalado na Diocese de Santos, São Paulo, Brasil, o Tribunal sobre a Causa da Bem-Aventurada Teresa de Calcutá, responsável pelo Inquérito Diocesano de um possível milagre atribuído à intercessão da Bem-Aventurada, acontecido na cidade de Santos em meados de 2008.

Ao concluir-se o processo diocesano, no dia 26 de junho, a documentação foi transferida para Roma, para a Congregação para as Causas dos Santos, “que tem como primeira tarefa conferir validade canônica aos documentos redigidos, reconhecendo o desenvolvimento correto da investigação. Tendo por base essa documentação, reconhecida e sancionada pelo Decreto sobre a validade jurídica, será aberta a segunda fase do processo em Roma”, conforme escrito no registro da própria diocese de Santos.

Semana passada, 19 de setembro, a agência Agi indicou como possível data para a canonização de Madre Teresa de Calcutá, a segunda-feira, 5 de setembro de 2016, memória litúrgica da beata; já o Vatican Insider aposta para o 4 de setembro do próximo ano, domingo.

Conforme notícias da Agi “O milagre atribuído à intercessão da Beata albanesa será examinado pelos cardeais e bispos da Congregação das Causas dos Santos no próximo mês”. “Embora o exame dos prelados não é de mérito – que é feito pela consulta médica do Dicastério e já aconteceu com êxito positivo – é sempre possível algum pedido de aprofundamentos que podem adiar mais os tempos do processo. Uma vez que os cardeais e bispos da Congregação se pronunciem, a decisão é apresentada ao papa pelo cardeal prefeito, que aprova o milagre e portanto comunica a data da cerimônia ao consistório de cardeais".

Nessa semana entramos em contato com o Pe. Elmiran Ferreira, da diocese de Santos. O contato do miraculado com a Beata Madre Teresa deu-se por intermédio desse sacerdote, pároco da Paróquia N. S. Aparecida, em São Vicente. Pe. Elmiran conta a ZENIT mais detalhes. Acompanhe abaixo:


***********

ZENIT: Como se deu o milagre que pode levar Madre Teresa de Calcutá aos altares? Poderia contar um pouco?

Pe. Elmiran Ferreira: Sim, é com alegria que posso testemunhar a graça de Deus em minha vida. Para mim é muito importante acolher e atender bem as pessoas que me procuram, em nome de Deus e da Igreja sobretudo se tratando de saúde.

Em 2008, determinado dia eu fui celebrar para as irmãs da caridade, assim conhecidas irmãs da Madre Teresa de Calcutá, lá recebi das irmãs algumas relíquias e medalhinhas, voltando para a paróquia por volta de 18h, em seguida chegou um membro da família em prantos dizendo que tal pessoa tinha ido para a UTI e que a situação tinha se agravado.

Me pus a escutar o sofrimento da família, no final deste encontro rezamos juntos e entreguei uma destas relíquias com a oração da Bem-Aventurada Madre Teresa e uma medalhinha, e disse para a família: "Vamos continuar rezando e pedindo a graça de Deus pela interseção da Madre Teresa de Calcutá". Este membro da família voltou para o hospital e ali rezou esta mesma oração e depositou ao lado do enfermo esta mesma relíquia, aproximadamente dois dias ele recebeu alta do hospital.

Na oração da relíquia pedia que quem recebesse alguma graça que fosse comunicado. (oração no final da entrevista).

ZENIT: Como você conheceu a pessoa que recebeu esse milagre? É possível saber quem é?

Pe. Elmiran Ferreira: Entre tantas pessoas e doentes que temos contato, o fato aconteceu com o possível agraciado cujo nome ainda não é possível revelar: Eu já conhecia a família do enfermo, acompanhei toda a trajetória da vida do casal e quando a doença se manifestou, eu fui visitá-lo no hospital e dei a unção dos enfermos. Vi a dor e o sofrimento de toda a família, pois eles estavam iniciando uma vida nova (recém-casados) e a doença ia retardando muitos sonhos.

ZENIT: No próximo mês os cardeais responsáveis pelo processo irão analisar o milagre. Porém, esse milagre já recebeu o visto positivo da equipe médica do Dicastério das Causas dos Santos?

Pe. Elmiran Ferreira: Tendo em vista que os cardeais irão analisar o possível milagre, é sinal de que já passou desta etapa.

ZENIT: O que você sente ao ser um instrumento de Deus para a possível canonização da Beata Madre Teresa? Você acha que ela intercede pelo Brasil?

Pe. Elmiran Ferreira: Eu me sinto como um primeiro agraciado por Deus por ter sido esse instrumento da sua graça, ao mesmo tempo me faz acreditar que Deus chama a todos a vida e a santidade para sermos testemunhas da sua presença entre nós. Experiência como essa entre outras fortalece a minha vocação como cristão e sacerdote.

Acredito que ela intercede não somente pelo Brasil, mas sim por toda a Humanidade. É a missão de todos aqueles que são sensíveis à causa do evangelho, é ter um olhar de Deus.

**************

Oração à Beata Teresa de Calcutá que o Pe. Elmiran Ferreira entregou ao miraculado:

Beata Teresa de Calcutá, tu permitiste ao sedento amor de Jesus na Cruz tornar-se uma chama viva dentro de ti, chegaste a ser luz do Seu amor para todos. Obtém do Coração de Jesus... (Faça aqui o seu pedido).
Ensina-me a deixar Jesus penetrar e possuir todo o meu ser, tão completamente, que a minha vida também possa irradiar a Sua luz e amor para os outros. Amém.

Com aprovação eclesiástica.


Por favor, comunicar as graças recebidas pela intercessão da Beata Teresa de Calcutá a:

Mother Teresa Center 524, W. Calle Primera, Suite 1005N San Ysidro, CA 92173, USA (Mother Teresa Center www. motherteresa.org). 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Beata Rita Amada de Jesus, Virgem e Fundadora


Filha de camponeses, predestinada a uma grande missão, sua vida foi uma contínua luta sob o lema: "Tudo acaba neste mundo, apenas a eternidade não acaba".


Nasceu ela em 05 de março de 1848, na aldeia portuguesa de Ribafeita, Diocese de Viseu, filha de camponeses abastados e bons católicos.


O ódio do inferno já se manifesta contra a criança...
Um episódio assustador, ocorrido apenas cinco dias após seu nascimento, deixa entrever quanto o poder infernal pressentia o prejuízo que essa menina causaria, com sua santa vida, à obra do mal.
Estando deitada com ela, sua mãe viu apagar-se de modo inexplicável a vela do quarto e notou que "alguém" mexia na roupa de cama, puxando sua filhinha para um lado. Ela puxou em sentido contrário e pediu socorro, dizendo que o demônio queria levar sua filhinha. Acorre prontamente sua tia, cuja entrada fez cessar a maléfica ação do misterioso personagem.
Logo em seguida, desatou-se uma tempestade tão furiosa que parecia levar pelos ares todas as telhas da casa. E, no mesmo instante, Rita foi atingida por uma estranha doença, obrigando seus pais a apressar a hora do seu Batismo, receosos de que ela falecesse a qualquer momento. Ela, porém, recuperou-se e começou seus primeiros passos na vida.


Rica em virtudes e em qualidades humanas
Nesse piedoso lar fazia-se leitura espiritual e rezava-se o terço toda noite. Assim, bem cedo, começou ela a ter devoção a Jesus Sacramentado, a Nossa Senhora e a São José, além de um grande carinho pelo Papa, na época, o Beato Pio IX. Ouvindo a narração da vida dos santos, queria imitá-los em suas mortificações. Naquele coração infantil abraçavam-se a oração e o desejo de penitência, de ser "como as freiras no convento".
Crescia assim a pequena Rita, rica em qualidades humanas e, mais ainda, em virtudes e piedade. Com o correr do tempo, foi revelando um temperamento ativo e prático, a serviço de sua alma apostólica. Antes mesmo de completar 18 anos, andava de aldeia em aldeia, reunindo os habitantes na pequena igreja local. Ensinava-lhes a rezar o terço, dava aulas de Catecismo e procurava reconduzir ao bom caminho as pessoas de vida dissoluta. Muitas vezes, conseguia que sua mãe acolhesse no lar paterno uma ou outra infeliz moça decaída, com o objetivo de facilitar-lhe a mudança de vida. Causa admiração ver como, ainda tão jovem, correspondia já com ardor à importante missão para a qual Deus a chamava: acolher e amparar moças em estado de degradação ou de risco moral.


Defesa da castidade
Dois episódios narrados em sua autobiografia dão eloquente testemunho da caridade e da energia dessa donzela que, em situações de perigo, recorria à Mãe Castíssima e obtinha prontamente forças muito superiores à frágil natureza feminina.

"Em certa ocasião - narra ela em seu estilo lusitano - andava eu a apanhar maçãs e já ia anoitecendo. De repente, senti que braços fortes de um homem me seguravam pelas costas. Chamei por Nossa Senhora que me desse forças para vencer aquele demônio, e no mesmo instante Ela me deu tantas forças que o deixei quase morto e nunca mais ele voltou a ter saúde. Ainda tive escrúpulos por deixá-lo naquele estado. Mas eu antes queria morrer que perder a angélica virtude."
Noutra oportunidade, andava ela com uma moça sua amiga. Quando, por uma circunstância qualquer, estavam um pouco distantes uma da outra, Rita ouviu sua companheira gritar, pedindo socorro. Correu logo e viu que um indivíduo a tinha agarrado, com os piores intuitos, e outro, armado de revólver, vinha atrás dela demonstrando as mesmas más intenções.
Arrancando uma estaca de uma vinha, prostrou ao chão quase sem vida o depravado que assediava sua amiga, depois enfrentou a pedradas o outro até este se decidir a fugir sem fazer uso da arma que tinha na mão.


Vocação e carisma
Desde muito cedo a jovem Rita sentia o apelo da vocação a uma vida inteiramente consagrada a Deus. Porém, nessa época a situação em Portugal era de forte oposição à Igreja. O governo anticlerical tinha se apoderado dos bens eclesiásticos, fechado todas as casas religiosas masculinas, e proibido a admissão de qualquer noviça nas casas femininas.
Viu-se ela, portanto, forçada a continuar no mundo. Fazia a Comunhão Reparadora, crescia no fervor eucarístico, na devoção ao Sagrado Coração de Jesus e no forte desejo de salvar almas, e procurava ser cada vez mais missionária e apóstola. Recusou peremptoriamente as vantajosas propostas de casamento que lhe foram feitas, pois já era religiosa no seu íntimo.
Mas, somente aos 29 anos, ingressou ela na Congregação das Irmãs de Caridade, no Porto, única instituição religiosa que, pelo fato de ser estrangeira e se dedicar à assistência social, era então permitida no país. Entretanto, o carisma dessa congregação francesa não a satisfez. Ela desejava educar meninas e moças pobres e abandonadas, com vistas a preservá-las ou convertê-las, e não apenas a lhes dar assistência material.


Funda o Instituto Jesus Maria José
Procurando dar os primeiros passos nesse sentido, algumas contrariedades e não poucas dúvidas levaram-na a se fazer a pergunta que surge a todos os fundadores: qual é a vontade de Deus?
A resposta não tardou a vir. Andava ela pela região, pedindo esmolas para suas obras de caridade, e alojou-se numa casa onde residia um menino de cinco anos, cego e mudo de nascimento. Ela própria relata o acontecido: "Pedi a Deus Nosso Senhor que, se a fundação da obra fosse do agrado d'Ele, permitisse que aquele menino tivesse vista e fala. Assim eu conheceria melhor a sua santíssima vontade. Depois de vir embora, uma pessoa veio contar-me que o menino já via e falava. Após isto, Deus Nosso Senhor deu-me tanto fervor nesta obra que já não se me punha diante contradição nenhuma".
Lançou-se, assim, com decisão à obra querida pela Providência e em pouco tempo a ela se uniram diversas companheiras animadas pelo mesmo ideal. Os primeiros tempos foram recheados de grandes dificuldades, chegando por vezes a faltar-lhes até o alimento de cada dia.
Ajudada por suas irmãs de vocação, Rita começou a pedir contribuições para fundar um colégio. Seus esforços foram coroados de êxito. No dia 24 de setembro de 1880, fundou em Gumiei, Portugal, o primeiro Colégio, no qual acolheu cerca de 50 meninas, algumas internas, outras externas. Foi este o marco inicial da grande obra: o Instituto Jesus Maria José. A Fundadora tinha então 32 anos.


Expansão em meio às dificuldades
O clima político em Portugal continuava muito desfavorável à Igreja. As autoridades civis impunham toda sorte de restrições e de empecilhos à ação das instituições religiosas. Da mesma forma como ocorreria quase 40 anos depois com os pastorinhos de Fátima, a Madre Rita foi constrangida a comparecer perante o Administrador de Viseu, o qual lhe fez uma áspera arenga, dizendo, em resumo, o seguinte: este município não tem necessidade alguma de missionários, seria melhor vocês irem para a África; o que vocês estão fazendo é obra dos padres, os quais lhes metem essas ideias na cabeça.
A Madre respondeu com desassombro que essas ideias lhe tinham sido inspiradas por Deus e, portanto, nem "quantos homens há no mundo e quantos demônios há no inferno" seriam capazes de tirá-las.
À vista dessa fé inabalável, o Administrador desistiu... Por essa vez. Várias outras tentativas como essa foram feitas, com o objetivo de intimidar e levar ao desânimo Rita e suas irmãs de congregação. Todas, porém, resultaram igualmente inúteis.

Ajudadas pela Divina Providência, em pouco tempo elas estenderam para outras dioceses sua benéfica ação apostólica. Nas cidades de Viseu, Lamego e Guarda as autoridades municipais procuraram por todos os meios obrigar Madre Rita a encerrar a Obra. A esses obstáculos vieram somar-se incômodas dificuldades econômicas e, pior ainda, problemas internos criados por uma de suas religiosas. Nada disso, porém, impedia o Instituto de continuar expandindo-se rapidamente. Em maio de 1902, ele recebeu a aprovação pontifícia.



Extinto em Portugal, renasce no Brasil.
Esse promissor progresso foi interrompido em 1910 por uma nova revolução em Portugal. O governo recém-instalado desencadeou feroz perseguição contra a Igreja, ordenou o fechamento de todas as casas religiosas e apoderou-se dos bens do Instituto.
No meio da borrasca, Madre Rita agiu com sua costumeira energia e clarividência. Refugiou-se em Ribafeita, sua terra natal, onde conseguiu reagrupar numa humilde casa várias das irmãs dispersas. Dali, com a ajuda do Bispo Dom Manuel Damasceno da Costa, conseguiu enviar algumas delas para o Brasil. Com isso, pôde garantir a continuidade do Instituto cuja fundação e crescimento lhe haviam custado tantos sacrifícios.
À medida que ia reunindo suas filhas, a santa Fundadora as enviava para o Brasil. Assim, pode-se dizer que o Instituto Jesus Maria José, extinto brutalmente em Portugal, renasceu e fortaleceu-se no Brasil, onde hoje conta com algumas dezenas de casas espalhadas por vários Estados deste imenso território. Aqui suas filhas espirituais encontraram campo propício para fazer o bem segundo o carisma próprio de sua congregação.
Em 1935 o Instituto pôde ser reaberto também em Portugal.

 


Glorificação no Céu e, agora, na terra...
Esse novo surto de progresso de sua Obra, Madre Rita não o viu nesta terra. Depois de uma breve enfermidade, ela expirou a 06 de janeiro de 1913, num casebre emprestado por benfeitores, confortada pelos últimos sacramentos da Igreja e ancorada na certeza de, pela infinita misericórdia de Deus, colher o prêmio eterno a que tanto havia ansiado.
Sua beatificação é um estímulo a recorrer à sua intercessão, imitar seus exemplos e, de modo especial, gravar no fundo da alma o lema que ela deixou exarado em muitos de seus escritos: "Tudo acaba neste mundo, apenas a eternidade não acaba".

(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2005, n. 40, p. 32 a 34).





*************************

Texto Biográfico do Site do Vaticano
Rita Amada de Jesus viu a luz do dia a 05 de Março de 1848 num pequeno povoado da paróquia de Ribafeita, Diocese de Viseu –– Portugal. Com muito poucos dias de idade recebe o baptismo e foi-lhe dado o nome de Rita Lopes de Almeida. Cresceu num ambiente familiar muito piedoso onde à noite se fazia leitura espiritual e, desde criança, manifestou ela mesma uma especial devoção por Jesus Sacramentado, por Nossa Senhora, por S. José e carinho pelo Papa que, por essas alturas vivia vida atribulada, a ponto de se ver exilado e, poucos anos depois espoliado dos Estados Pontifícios.

A maçonaria, que em Portugal, na década de trinta se apoderou dos bens eclesiásticos, mandara encerrar todas as casas Religiosas masculinas e nas femininas proibia a admissão de qualquer Noviça, concorreu para o cristianismo perder alguma vitalidade. Além disso, muitos bispos e até sacerdotes descuravam seus deveres, pelas constantes lutas políticas em que se viam envolvidos.
No lar desta jovem todos, a começar pelos pais, sentia-se a ânsia de uma autêntica vivência cristã e desejo de a comunicar a outros. Deus fez nascer nela a vocação missionária para arrancar os jovens do indiferentismo, dos perigos morais e exercer apostolado entre em prol da família. Chegou a andar de aldeia em aldeia a rezar; e ensinava a rezar o terço e espalhar a vontade sincera de imitar Nossa Senhora. Encontrava pessoas de vida menos exemplar e fazia tudo quanto estava ao seu alcance para que Nosso Senhor as arrancasse do mal e as trouxesse ao bom caminho. Não tardaram ameaças de morte e até houve um homicídio frustrado.
À oração juntou a penitência. Nas vindas a Viseu, começou a contactar as Irmãs Beneditinas do Convento de Jesus e conseguiu delas alguns “instrumentos de mortificação”. Cedo deu conta, juntamente com seu confessor, que Jesus a chamava à vida de consagrada, numa época impossível pelas leis ainda vigentes que proibiam admissões de Noviças. Rita continuava no mundo, entregue ao apostolado, às mortificações, esperançada de que haveria de alcançar a consagração total a Deus e rejeitando peremptoriamente pretendentes, alguns deles ricos, porque no seu íntimo já era “consagrada”. Fazia a Comunhão Reparadora; crescia no fervor eucarístico, na devoção ao Sagrado Coração de Jesus e no forte desejo de salvar almas, tornando-se missionária e apóstola. Comungando no apostolado de Rita, os pais chegaram a albergar em sua casa mulheres desejosas de conversão e de mudar de atitudes e comportamentos morais com que tinham contribuído para a destruição de famílias.
Com cerca de 20 anos viu que era imperioso consagrar-se a Deus na Vida Religiosa. Confidenciava muito com sua mãe e o pai, embora muito piedoso, por sentir por aquela filha uma oculta predileção, opunha-se a este desiderato. Porque importa obedecer mais a Deus que aos homens, Rita não esmoreceu e finalmente aos 29 anos conseguiu entrar num convento de Religiosas, a única Congregação permitida em Portugal por ser estrangeira e se dedicar apenas à assistência. Ao confrontar o carisma daquelas Irmãs com o que lhe ia na alma, deu conta que não se coadunava com o género de apostolado para que se sentia inclinada. O Director Espiritual da Comunidade a quem se abria inteiramente verificou ser vontade de Deus a respeito daquela Aspirante: recolher e educar meninas pobres e abandonadas. Rita deixou aquelas Religiosas de origem francesa e, ainda de acordo com o Revº P. Francisco Pereira S.J., procurou meios de melhor se preparar para futuro e urgente desempenho da sua especial missão. Deu entrada num colégio onde pôde aprender ao vivo como lidar com as exigências estatais e religiosas.
Rita, humanamente rica de predicados e virtudes, profundamente piedosa, levada pelo desejo de cumprir a vontade de Deus a seu respeito, deixando-se guiar pelo Director Espiritual, ao sair do Colégio, aos 32 anos, conseguiu vencer as dificuldades de natureza política e até religiosa para fundar a 24 de Setembro de 1880, na paróquia de Ribafeita, um colégio e simultaneamente o Instituto das Irmãs de Jesus Maria José, seguindo o lema da Sagrada Família de Nazaré. Em breve espaço de tempo, estendeu a Obra de apostolado a outras Dioceses de Portugal; mas nas Dioceses de Viseu, Lamego e Guarda as autoridades políticas concelhias procuraram por todos os meios obrigá-la a encerrar a Obra. Não lhe faltaram também dificuldades económicas e ainda internas com uma das suas religiosas. Porém, em Portugal no ano de 1910 a implantação da República desencadeou perseguição feroz contra a Igreja, apoderou-se dos bens que o Instituto possuía, aboliu novamente as Ordens Religiosas e Madre Rita teve que se refugiar na terra natal. Daqui conseguiu localizar algumas Irmãs dispersas, aos poucos reagrupá-las numa humilde casa e pôde salvar o Instituto, enviando-as depois em grupos para o Brasil.

Lá continuaram o carisma da Fundadora que faleceu em Casalmendinho (paróquia de Ribafeita) a 06 de Janeiro de 1913, em odor de santidade, confortada pelos últimos Sacramentos. O funeral para o cemitério paroquial, presidido pelo Vigário Geral da Diocese foi antes uma ação de graças pelo dom desta Religiosa à Igreja e ao Mundo.

SÃO FELIPE NÉRI, um santo extraordinário e admirável!


Poucos são os santos da Igreja privilegiados como São Filipe Néri. Filho de pais nobres e piedosos, Filipe nasceu em 1515, na cidade de Florença. De boa índole, de modos afáveis e inclinação à oração mereceram ao menino de 5 anos o apelido de "o bom Filipe".

Um incêndio destruiu grande parte da fortuna dos pais e Filipe passou a morar com um primo que era negociante riquíssimo em São Germano.  Este primo prometeu-lhe estabelecê-lo como herdeiro de todos os seus bens, se quisesse tomar-lhe a gerência dos negócios. O bom Filipe, porém, pouca inclinação sentia para ser negociante; o que queria, era ser santo e apesar das repetidas insistências do primo, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus.

Fez os estudos de Filosofia e Teologia em Roma e começou desde logo a observar a regra de vida austeríssima, que o acompanhou até o fim da vida. Alimentava-se de pão, água e legumes; para o sono reservava poucas horas, para a adoração, porém, muitas.

No grande desejo de dedicar-se à vida contemplativa, vendeu a biblioteca, deu os bens aos pobres e aprofundou o espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Todo o tempo disponível passava-o nas igrejas ou de preferência catacumbas.

 A graça de Deus tocou-lhe o coração com tanta violência que, prostrado por terra, exclamou muitas vezes:

"Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias. Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente?"

Foi nas catacumbas de São Sebastião, no ano de 1545, que recebeu o Espírito Santo, em forma de bola de fogo. Naquela ocasião sentia em si um ardor tão forte do amor de Deus que, devido às palpitações fortíssimas do coração, foram deslocadas a segunda e a quarta costelas.

Com o amor de Deus, grande era-lhe também o amor do próximo. Filipe possuía o dom de atrair todos a si, circunstância para a qual concorriam muito sua afabilidade, cortesia e modéstia.

Recorria a mil estratagemas, para ganhar os jovens das ruas e nas oficinas de Roma. Era amigo de todos e uma vez adquirida a confiança preparava-os para a recepção dos Sacramentos e encaminhava-os para o bem. As noites, passava-as nos hospitais, tratando os doentes como uma mãe.

O monumento mais belo de sua caridade é a Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim principal era receber os romeiros e tratar dos doentes.

No início de cada mês convidava o povo para adoração ao SS. Sacramento e, nesta ocasiões, embora leigo, fazia admiráveis alocuções aos fiéis. A piedosa ideia achou eco entre o povo que, abundantes esmolas deitavam para a nova instituição. Cardeais, bispos, reis, ministros, generais e princesas, viam grande honra em poderem pertencer a esta irmandade.

Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe recebeu o santo Sacramento da Ordem , tendo a idade de 36 anos. Tinha a vontade de trabalhar nas índias e de morrer mártir pela religião de Cristo. Pela vontade de Deus, porém, sua Índia havia de ser Roma, e lá ficou.
Deixando-se guiar pela Providência Divina, tornou-se Apóstolo da capital da cristandade, sendo sua obra principal a fundação da Congregação do Oratório para a qual chamou homens igualmente distintos pelo saber e piedade.

As conferências espirituais tinham grande concorrência entre cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, os quais se confiavam à direção de São Filipe, a quem veneravam como um pai.
Grande Parte do dia passava no confessionário e só Deus sabe o número das almas que a seus pés acharam a paz, o perdão e a salvação. Todos nele depositavam uma confiança ilimitada.

 Ilimitada também era a inveja e o ódio de Satanás e seus sequazes. Os confrades tiveram que saborear muitas vezes o escárnio, a calúnia e perseguição. O ódio dos inimigos chegou a tal ponto, que levaram uma acusação falsa à autoridade eclesiástica, de que resultou para Filipe a suspensão de ordens.

 Privado da celebração da Santa Missa, da pregação e da administração do SS. Sacramento, o Santo não perdeu a calma e só dizia:

 "Como Deus é bom, que me humilha!"

A suspensão foi retirada e o inimigo principal do Santo, caindo em si, fez reparação pública e tornou-se-lhe discípulo.

Pelo fim da vida já não lhe era possível dizer a santa Missa em público, tanta era a comoção que lhe sobrevinha, na celebração dos santos mistérios. Estando no púlpito, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do amor de Deus e da Paixão de Cristo.

Quando celebrava a Missa, chegando à santa Comunhão, pelo espaço de duas a três horas ficava arrebatado em êxtase enquanto o corpo se lhe elevava à altura de dois palmos.

Não é para admirar que o Papa o consultasse nos negócios mais importantes e quisesse beijar-lhe as mãos e a batina. À sua prudência e clarividência deve a França a felicidade de ter permanecido país católico.

Henrique IV, calvinista, tinha abjurado a heresia e entrado na Religião Católica.  No ardor das guerras civis, tornou a voltar ao calvinismo, para depois outra vez se agregar à Igreja.

 O Papa Clemente VIII, com o apoio dos cardeais, negou ao rei a absolvição e opôs-se-lhe à reconciliação.

 Filipe, prevendo a apostasia da França, no caso de o Papa persistir nesta resolução, fez jejuns e orações extraordinárias e pediu a Barônio, que era confessor do Papa, que o acompanhasse nestes exercícios, para alcançar a luz do Divino Espírito Santo.

Posteriormente, Henrique IV obteve a absolvição do Papa e foi solenemente recebido no seio da Igreja.

Fatigado e exausto de trabalhos e alquebrado pela idade, Filipe foi acometido de grave doença, tendo os médicos o examinado e saindo do quarto desanimados, ouviram o doente exclamar:

"Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem!".

Voltaram para ver o que tinha acontecido e encontraram o Santo elevado sobre o leito e, em êxtase exclamou:

"Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!".

Os médicos, respeitosos, indagaram ao doente o que sentia. Este, voltando a si e tomando a posição costumeira no leito, perguntou: "Não a vistes, a Santíssima Virgem, que me livrou das dores?”.

 De fato se levantou completamente curado e viveu mais um ano. Tendo predito a hora da morte, Filipe fechou os olhos para este mundo no dia 02 de maio de 1595.

O túmulo tornou-se glorioso e poucos anos depois da morte, Filipe foi beatificado pelo Papa Paulo V, em 1622, e canonizado por Gregório XV.