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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

OS TORMENTOS DO INFERNO - segundo revelações feitas a SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET, bispo e fundador.

(Extraído dos escritos de Santo Antônio Maria Claret. Tradução do espanhol feita pelo Diácono Luiz Carlos Pavan)

 

Nota do publicador deste artigo:

Infelizmente, hoje em dia, a grande maioria dos bispos, padres ou pregadores leigos (catequistas, professores de religião ou formadores) não fala mais sobre o inferno. Infelizmente, também, uma boa parte dos sacerdotes não acredita mais em demônios ou na existência do inferno. Cada vez mais é comum ouvirmos as seguintes expressões: “o inferno é aqui na terra”; “aqui se faz, aqui se paga”; “Deus é amor... jamais permitiria que um filho seu fosse para o inferno”, etc. Não é verdade?

Esquecem-se, no entanto, que a existência do inferno é MATÉRIA DE FÉ CATÓLICA, portanto, é um DOGMA DE FÉ, incontestável. Nenhum cardeal, arcebispo, bispo, sacerdote ou teólogo está autorizado a negá-lo ou, antes, a contestá-lo em seus discursos ou escritos. Quem o faz torna-se imediatamente um herege ou heresiarca.

O próprio Catecismo da Igreja Católica, aprovado pelo Papa São João Paulo II, de venerável e saudosa memória, fala dele e da doutrina de sua existência (vide os números 1585 - 1591 e 1861 do Catecismo).

Como é que um “católico”, ou, melhor dizendo, pseudo católico se atreve a ir contra o ensinamento da Igreja? É uma verdade dura? Sim! Muito dura, porém, é verdade. Jesus Cristo mesmo, após revelar aos discípulos a doutrina da Transubstanciação que um dia inauguraria na Santa Ceia e diante de alguns discípulos que começaram a duvidar dEle e O abandonaram, virando-se para os que permaneceram ainda com Ele disse: “E Vós? Também não quereis ir embora com eles”?

Trago aos leitores do blog o relato de uma visão do inferno feito por Santo Antônio Maria Claret, bispo e fundador dos Missionários do Coração Imaculado de Maria, que teve a experiência mística de contemplar este lugar de sofrimentos eternos. É um relato de um santo. Merece nosso crédito. Ele não é um lunático ou um “visionário”. Foi um santo, um grande santo, um homem culto e letrado que teve essa experiência. Merece nossa atenção, nossa credibilidade e, principalmente, que divulguemos essa terrível realidade, não para “assustar” ninguém, mas, para o bem das almas. Santo Antônio Maria Claret não está sozinho: vários santos e santas passaram pela experiência de terem visto e/ou “sentido” os sofrimentos do inferno: Santa Teresa de Jesus, Santa Faustina Kowalska, São João Bosco, Serva de Deus Josefa Menéndez, Beata Ana Maria Taigi, São Pio de Pietrelcina, os Santos Jacinta Marto e Francisco Marto, para citar alguns. São santos: merecem nossa credibilidade.

Existem pessoas que se arrependem de seus pecados e se convertem por amor a Deus. Esse é o modo perfeito. Porém, existem pessoas que podem se arrepender e deixar seus pecados por medo dos castigos eternos do inferno. Não é um modo perfeito, porém, é bem melhor do que nada. O texto é um pouco longo, mas, leiam com calma e divulguem para os irmãos e irmãs de caminhada, para amigos e conhecidos.

Um abraço fraterno em todos!

 (Giovani Carvalho Mendes, ocds)

 

 

Santo Antônio Maria Claret, bispo e fundador.
Foi um grande Santo, teólogo e místico,
bem como escritor, pregador, missionário,
catequista e diretor espiritual
de muitas santas almas, inclusive, de 
fundadores e fundadoras de congregações
e institutos religiosos. 

O RELATO DE SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET: 

"A sensação dos tormentos do inferno é essencialmente terrível. Ele se parece, ó alma minha, como uma noite escura sobre o cume de uma montanha alta. Lá embaixo há um vale profundo, e a terra se abre de maneira que, com o teu olhar, podes ver o inferno e sua profundidade. Ele se parece como uma prisão situada no centro da terra, muitos quilômetros abaixo, todo cheio de fogo, preso num recinto de forma tão impenetrável que, por toda a eternidade, nem se quer a fumaça pode escapar.

Nesta prisão os condenados estão próximos uns dos outros como tijolos num forno... Imagine o calor do fogo em que são queimados. Primeiramente, o fogo se alastra por todas as partes e tortura inteiramente o corpo e a alma. Uma pessoa condenada permanece no inferno para sempre no mesmo lugar que foi destinado pela justiça divina, sem ser capaz de mover-se, como um prisioneiro num tronco.

O fogo que o envolve totalmente, como um peixe na água, o queima em volta, à sua esquerda, à sua direita, encima e embaixo. Sua cabeça, seu peito, seus ombros, seus braços, suas mãos e seus pés estão totalmente invadidos pelo fogo, de maneira que ele, por inteiro, se assemelha a um peça de ferro incandescente e cintilante, que acaba de ser retirado do forno. O teto do recinto em que moram as pessoas condenadas é de fogo; a comida que se come é fogo; a bebida que se toma é fogo, o ar que se respira é fogo, tudo quanto se vê e se toca é fogo...

Mas este fogo não está simplesmente fora dele; além do mais ele transpassa pela pessoa condenada. Invade o seu cérebro, seus dentes, sua língua, sua garganta, seu fígado, seus pulmões, seus intestinos, seu ventre, seu coração, sua veias, seus nervos, seus ossos, inclusive a medula, bem como o sangue.


'No inferno – segundo São Gregório Magno – haverá um fogo que não pode se apagar, um verme que não morre, um cheiro insuportável, uma escuridão que pode se sentir, castigo por açoite de mãos selvagens, com todos os presentes desesperados por qualquer coisa boa'.

Um dos fatos mais terríveis é que, pelo poder divino, este fogo vai tão longe como para atuar sobre as faculdades (aptidões) da alma, queimando-as e atormentando-as. Suponhamos que eu me achasse colocado no forno de um ferreiro, de modo que todo o meu corpo estivesse em pleno ar, exceto um braço que está posto no fogo, e que Deus fosse preservar a minha vida por mil anos nesta posição. Não seria isto uma tortura insuportável? Como seria então estar completamente invadido e rodeado de fogo, o qual não atinge apenas um braço, mas inclusive todas as faculdades (aptidões) da alma?

Para quem já teve a graça de ver, e de sentir, em sonhos o que seja este tormento infinito, este fogo que queima o espírito sem consumir, esta consciência que acusa sem cessar, que atormenta mais que mil fogos, que faz compreender a eternidade do suplício, que entende a impossibilidade de fugir dali, contra a qual não adianta lutar, esbravejar, sequer odiar, é possível afirmar que o fogo exterior, que queima o corpo é apenas uma pálida centelha daquele que inflama o espírito. De fato, a alma daria tudo para poder esquecer, fugir dos pensamentos, escapar deste tormento mental, esmagar seu cérebro, pois para ela isso significaria um alívio assombroso em seu tormento. É mais espantoso do que o homem pode imaginar.

Em segundo lugar, este fogo é muito mais espantoso do que o homem pode imaginar. O fogo natural que vemos durante esta vida tem um grande poder para queimar e atormentar. Não obstante, este não é nem sequer uma sombra do fogo do inferno. Há duas razões pelas quais o fogo do inferno é muito mais atroz, que vai além de toda comparação, do que o fogo deste mundo.

A primeira razão é a justiça de Deus, da qual o fogo do inferno e um instrumento dirigido para castigar o mal infinito causado contra a sua suprema majestade, que fora menosprezada por uma criatura. Para tanto a justiça supre este elemento com um poder tão grande que quase alcança o infinito.

A segunda razão é a malícia (perversidade) do pecado. Como Deus sabe que o fogo deste mundo não é suficiente para castigar o pecado como este merece, Ele tem dado ao fogo do inferno um poder tão grande que nunca poderá ser compreendido pela inteligência humana.



Entendem agora, o quão eficazmente queima este fogo? O fogo queima tão eficazmente, - ó minha alma! – que, de acordo com os grandes mestres da escola ascética, se uma simples faísca caísse numa pedra de moinho, esta se reduziria num instante em pó. Se caísse numa bola de bronze, esta se derreteria instantaneamente como se fosse de cera. Se caísse sobre um lago congelado, este haveria de ferver no mesmo instante.

Façamos uma breve pausa, ó alma minha, para que tu respondas a algumas perguntas que te farei. Primeiro, te pergunto: Se um forno especial fosse acesso, como usualmente se faz para atormentar os mártires, e, então, alguns homens colocassem diante de ti todo tipo de bens que o coração humano possa desejar, e garantissem a oferta de um reino próspero – se tudo isso te fosse prometido em troca de que entrasses, só por meia hora, no forno ardente, o que escolherias fazer? Nem por cem reinos!

“Ah! – dirias – 'se me oferecesses cem reinos, eu nunca seria tão tolo em aceitar tais extremos tão brutais, não importa quantas coisas importantes me oferecessem, mesmo que estivesse segura de que Deus iria preservar a minha vida durante esses momentos de sofrimento'”.

Em segundo lugar, eu te pergunto: Se tu já estivesses na posse de um grande reino, e estivesses nadando num mar de riqueza, de maneira que não precisarias de nada, e fosses atacada por um inimigo, feita prisioneira e acorrentada, se fosses obrigada a escolher entre perder o teu reino ou passar meia hora dentro de um forno incandescente, o que escolherias? “Ah! – dirias – prefiro passar toda a minha vida na pobreza extrema e submeter-me a qualquer injúria e infelicidade do que sofrer tão grande tormento”!

 



Uma prisão de fogo eterno

Neste instante, dirige os teus pensamentos daquilo que é temporal para o que é eterno. Para fugir do tormento de um forno ardente, que duraria somente meia hora, tu sacrificarias qualquer propriedade, principalmente as coisas que mais te satisfazem, e estarias disposto a sofrer qualquer outro dano temporal, não importando quão trabalhoso pudesse ser. Então, por que não pensas da mesma maneira quando discutes sobre os tormentos eternos?

Deus não te ameaça com meia hora de suplício dentro do forno ardente, mas, pelo contrário, com uma prisão de fogo eterno. Para escapar dela, não deverias renunciar a tudo o que está proibido por Ele, não importando quão prazeroso possa ser, e abraçar alegremente tudo quanto Ele ordena, mesmo que fosse extremamente desagradável?


Muitos tentam "amenizar" o inferno dizendo: "o inferno
não é um lugar, mas, um "estado de alma"... No que isso
alivia o que se vive e se passa no inferno? Bem, pode até
ser que o inferno seja - também - um 'estado de alma', mas,
o Justo Juiz, ao condenar os réprobos diz:
"ide para o fogo eterno", preparado para o diabo e seus anjos"
( São Mateus 25, 41)... Se o Senhor fala: "ide" e fala em "preparado"
é porque se trata, também, de um lugar, não somente de um estado de alma. 

O mais espantoso do inferno é a sua duração. A pessoa condenada perde a Deus e o perde por toda a eternidade. Aliás, o que é a eternidade? Ó alma minha, até agora nenhum anjo pode compreender o que é a eternidade! Como então poderás tu compreende-la? Ainda assim, para formarmos alguma ideia sobre ela, consideremos as seguintes verdades:

A eternidade nunca termina. Esta é a verdade que tem feito tremer até os maiores santos. O juízo final virá, o mundo será destruído, a terra engolirá todos os condenados, e estes serão lançados no inferno. Então, com sua mão todo-poderosa, Deus os encerrará para sempre em tão amaldiçoada prisão.

Desde então, tantos milênios se passaram como há folhas nas árvores e nas plantas de toda a terra, tantos milhares de anos, como existem gotas de água em todos os mares e rios da terra, tantos anos com existem átomos no ar, como existem grãos de areia em todas as praias de todos os mares. Logo, depois de passarem todos estes incontáveis anos, o que será a eternidade?

No entanto, tudo isso não será sequer uma centésima parte dela, ou uma milésima – nada. Então começará novamente e durará tanto como antes, novamente, assim por diante, até que haja se repetido mil vezes, e um bilhão de vezes, novamente. E logo depois de um período de tempo tão longo, nem sequer terá passado a metade, nem sequer uma centésima parte ou uma milésima parte, nem sequer uma parte da eternidade. Em todo este tempo não haverá interrupção na queima dos condenados, começando tudo novamente. Oh! que mistério profundo! Um terror sobre todos os terrores! Oh! Eternidade! Quem pode compreender-te?

As lágrimas de Caim

Suponhamos que, no caso de maldito Caim, chorando no inferno, somente derramasse a cada mil anos uma única lágrima. Agora, alma minha, guarde os teus pensamentos e leve em consideração este fato: por “seis mil anos” (naquela época, acreditava-se que o mundo havia sido criado há uns seis mil anos apenas), no mínimo, Caim tem estado no inferno e tem derramado apenas seis lágrimas, que Deus milagrosamente lhe preservara.

Quantos anos levariam para que as suas lágrimas cobrissem todos os vales da terra e inundassem todas as cidades, povos e vilas e todas as montanhas até que inundasse toda a terra? Sabemos que a distância entre a terra e o sol é de trinta e quatro milhões de léguas. Quantos anos faltariam para que as lágrimas de Caim enchessem este imenso espaço? 

Oh! Deus! Que quantidade de anos teríamos que imaginar que seria necessário para encher de lágrimas este imenso espaço? E ainda assim – Oh! Verdade incompreensível! – estejam seguros disto, porque Deus não pode mentir – chegaria o tempo em que as lágrimas de Caim seriam suficientes para inundar o mundo, para alcançar inclusive o sol, para tocar o céu, e encher todo o espaço entre a terra e o mais alto do céu. Isso, porém, não é tudo.

Se Deus secasse todas estas lágrimas desde a última gota, e Caim começasse chorar outra vez, ele voltaria outra vez a encher o espaço inteiro e o inundaria mil vezes e um milhão de vezes em sucessão, ao longo de todos esses incontáveis anos, nem sequer haveria passado a metade de eternidade, nem sequer uma fração. Depois de todo esse tempo, ardendo no inferno, os sofrimentos de Caim estariam tão somente começando...

A eternidade, neste caso, não tem alívio. Seria de fato uma pequena consolação, de muito pouco benefício, para as pessoas condenadas, se fossem capazes de receber um breve alento a cada mil anos.

 

Observação do tradutor:

Felizmente aqui, no caso de Caim, o Santo está errado, porque Caim está salvo. Dirão vocês que fiquei maluco, mas não, aos que duvidam a eternidade depois comprovará. Em verdade, Deus foi bom com Caim, porque ao marcá-lo para que ninguém o matasse, permitiu que ele passasse todo seu Purgatório de sofrimento aqui, e certamente foi um dos mais longos e dolorosos, porque naquele tempo as pessoas viviam séculos. Quem sabe, se alguém o tivesse morto antes de expiar sua falta, ele tivesse se perdido. Sim, porque o crime dele foi gravíssimo, devido ao fato de que desde menino ele via Deus e se sentava no colo Dele. Sua maior revolta contra Deus era a existência da noite, pois queria que sempre fosse dia.

Por outro lado, se todos os assassinos se perdessem, o inferno estaria povoado deles. Eis porque Jesus diz: não julgueis para não serdes condenados.


Não existe alívio

Imaginemos um lugar do inferno onde haja três malvados. O primeiro está submergido num lago de fogo sulfúrico; o segundo está preso numa grande pedra e está sendo atormentado por dois demônios, um dos quais constantemente lhe lança chumbo derretido na sua garganta, enquanto o outro lhe derrama sobre todo o seu corpo, cobrindo-lhe desde a cabeça até os pés. O terceiro réprobo está sendo torturado por duas cobras, uma das quais o envolve com seu corpo e o morde cruelmente, enquanto que outra entra no seu corpo e ataca o seu coração. Suponhamos que Deus se apiede dele e lhe conceda um curto respiro.

O primeiro homem, depois de haver passado mil anos, é removido do lago e ele recebe o conforto de tomar água fria, e, depois de passar uma hora, ele é novamente jogado no lago. O segundo, depois de mil anos de tormento, é removido de seu lugar e lhe é permitido descansar, mas logo depois de uma hora é jogando novamente no mesmo tormento. O terceiro, depois de mil anos se vê livre das cobras; porém, após uma hora de alívio, novamente é estuprado e atormentado por elas. Ah! Quão limitada seria esta consolação – sofrer por mil anos para descansar somente por uma hora!

Aliás, o inferno nem sequer tem esta consolação. Todos se queimam sempre nessas chamas assustadoras e nunca recebem nenhum alívio em toda a eternidade. O condenado é corroído e ferido pelo remorso, e nunca terá um descanso em toda a eternidade. Sempre sofrerá uma sede muito abrasadora e nunca receberá o frescor de um pouco de água em toda a eternidade. Sempre se contemplará detestado por Deus e nunca poderá receber a alegria de uma simples olhada de ternura de Deus por toda a eternidade. O condenado se sentirá sempre maldito pelo céu e pelo inferno, e nunca receberá um simples gesto de amizade. É uma das desgraças essenciais do inferno que todo o tormento será sem consolo, sem remédio, sem interrupção, sem final, eterno.

Vejam, se Deus depois daquele castigo de mil anos, concedesse a cada um dos condenados, almas ou demônios, esta hora de descanso, onde eles pudessem meditar e se arrepender, acreditem, nenhum dos condenados voltaria plenamente arrependido. É isso que prova a imensa perfeição da Justiça Divina.


A bondade de sua misericórdia

Agora eu compreendo em parte, ó meu Deus, o que é o inferno. É um lugar de tormentos excessivos, de desesperança extrema. É o lugar onde mereço estar por causa dos meus pecados, onde eu estaria desterrado em alguns anos, se a tua imensa misericórdia não me tivesse libertado. Repetirei mil vezes: O Coração de Jesus me tem amado, ou, do contrário, agora eu estaria no inferno! O Sangue de Jesus me tem reconciliando com o Pai Celestial, ou minha morada seria o inferno. Este é o cântico que eu quisera cantar a Ti, meu Deus, por toda a eternidade. Sim, de agora em diante, minha intenção é repetir estas palavras tantas vezes como os momentos se sucedem desde aquela maldita hora em que te ofendi pela primeira vez.

Qual tem sido a minha gratidão para com Deus pela bondosa misericórdia que Ele me tem mostrado? Ele me livrou do inferno. Oh! Imenso amor! Oh! Infinita bondade! Depois de um benefício tão grande, não deveria eu lhe dar todo o meu coração e amá-lo com o amor do mais inflamado serafim? Não deveria eu dirigir todas as minhas ações até Ele e, em cada coisa, buscar somente contentar a vontade divina, aceitando todas as contradições com alegria, de maneira que possa lhe devolver o meu amor?

Poderia fazer alguma coisa menor do que isso depois de uma bondade tão grande! Oh! Ingratidão, merecedora de outro inferno! Deixar-te-ei de lado, Deus meu! Resistirei à tua misericórdia, cometendo novos pecados e ofensas. Sei que tenho feito o mal, ó meu Deus, e me arrependo de todo o meu coração. Ah! Se pudesse derramar um mar de lágrimas por tão ofensiva ingratidão! Ó Jesus, tem misericórdia de mim, visto que agora decidi melhor: sofrer mil mortes do que ofender-te novamente" (fim da narrativa do Santo). 

 

Conclusão:

Temos assim mais uma visão de santo da nossa Igreja, que certamente teve da parte de Deus a graça da visão do inferno, para poder relatá-la com tanta clareza. Os maus dirão que o inferno não existe e se existe é crueldade de Deus. Alguns se irão assustar com o tamanho da pena, mas ela é conforme a justiça.

Se o infinito prazer do Céu está reservado aos justos e aos convertidos, devemos saber que para equilíbrio é preciso que exista a Justiça infinita destinada aos rebeldes.

Devemos dizer, com toda certeza, que ganhar o inferno como castigo eterno, é fruto de um ato consciente de rebeldia contra Deus, uma rebeldia teimosa e obstinada no mal, algo que repugna até pensar, que uma simples criatura humana possa se auto impregnar de tanta teimosia. Não é verdade que alguém possa cair no inferno por culpa de satanás: a perda se dá por exclusiva culpa da alma! Ela se perde por causa da liberdade que tem, e fazendo mau uso dela vive a fornicar com a serpente.

Enfim, não se assuste: o inferno é para os maus! Dificilmente algum deles irá ler este texto, porque acha a existência do inferno uma bobagem da Igreja e uma invenção dos padres. Mas que isso sirva para você, que leu todo este texto, rezar por aqueles que jogam junto com a serpente, para que não sigam até o dia do julgamento teimando nesta obstinação. Se você tem um destes em sua família, reze por ele. E Deus nunca o abandonará!

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

SÃO JANUÁRIO (Gennaro) DE BENEVENTO, Bispo e Mártir - 19 de setembro.

Glorioso São Januário, rogai por nós! 

«... Como este sangue, que se liquefaz em cada celebração, assim a fé do povo napolitano possa se abrasar, reavivar e se consolidar...» (Paulo VI, discurso aos peregrinos napolitanos, 1966).


Natural de Nápoles ou talvez de Benevento, Januário nasceu na segunda metade do século III; aos trinta anos, já era Bispo da cidade samnita, onde era amado pelos fiéis e respeitado pelos pagãos, por suas obras de caridade para com os pobres, sem nenhuma distinção. Transcorria o primeiro período do império de Diocleciano, quando os cristãos tinham certa liberdade de culto e podiam até ocupar altos cargos civis. Mas, no ano 303, tudo mudou e os cristãos eram vistos como inimigos a serem eliminados.


Mártir da fé

O episódio, que levou Januário ao martírio, ocorreu no início do século IV, com a retomada das perseguições contra os cristãos. Há algum tempo, Januário era muito amigo de Sóssio, diácono da cidade de Miseno. 

Certo dia, enquanto lia o Evangelho na igreja, teve uma visão: apareceu uma chama sobre a sua cabeça. Reconhecendo nela o símbolo do seu futuro martírio, Januário deu graças ao Senhor e pediu para aquele fosse o seu destino. 


Assim, o Bispo convidou Sóssio a participar da visita pastoral, que se realizaria em Pozzuoli, para falar sobre a fé. O diácono pôs-se a caminho, mas, durante a viagem, foi preso pelos guardas, enviados por Dragôncio, governador da Campânia. 

Na prisão recebeu a visita de Januário, acompanhado pelo diácono Festo e o leitor Desidério: os três tentaram interceder, junto a Sóssio, pela sua libertação. Mas, em resposta, todos foram condenados a serem dilacerados publicamente pelos ursos. No entanto, a notícia da sua condenação à morte não foi bem vista pelo povo. 

Por isso, temendo uma revolta, o governador mudou a sentença para uma decapitação discreta, longe dos olhos do povo. Foram martirizados também Próculo, diácono da igreja de Pozzuoli, e os fiéis Eutíquio e Acúcio, por terem criticado a execução publicamente.


Outra versão do martírio

Nem todas as fontes, tão antigas, concordavam com o martírio de São Januário e, por isso, há outra hipótese do que, provavelmente, poderia ter acontecido:

 Enquanto Januário se encaminhava para Nola, o pérfido juiz, Timóteo, o prendeu com a acusação de proselitismo, que violava os decretos imperiais. 

No entanto, as torturas perpetradas contra o Santo, não afetaram seu corpo ou sua fé. Por isso, Timóteo o jogou em uma fornalha da qual, mais uma vez, Januário saiu ileso.

 Enfim, foi condenado à decapitação em um lugar perto da chamada Solfatara. Durante a sua transferência, encontrou um mendigo, que lhe pede um pedaço do seu manto para guardar como relíquia: o Santo respondeu que podia ficar com todo o lenço, que estava amarrado em seu pescoço, antes da execução. 

Antes de morrer, Januário colocou um dedo na garganta, que também foi decepado pela lâmina, junto com o lenço, depois conservados como relíquia.


O maravilhoso milagre da liquefação do sangue de São Januário, que ocorre três vezes ao ano. O fenômeno, sem explicação científica, é considerado pelos fiéis como um bom sinal para a região, isto é, que nenhuma catástrofe irá acontecer... 


O milagre da liquefação de sangue

Segundo o costume, por ocasião da execução dos mártires, uma mulher, Eusébia, chegou ao lugar da morte de Januário e recolheu, em duas ampolas, o sangue derramado pelo Bispo, já em odor de santidade. 

Ela as entregou ao Bispo de Nápoles, que mandou construir duas capelas em homenagem ao sagrado traslado: São Januarinho em Vômero e São Januário em Antignano. Seu corpo, ao invés, sepultado na zona rural de Marciano, teve uma primeira translação, no século V, quando o culto ao Santo já era bem difundido. São Januário foi canonizado por Sisto V, em 1586. Quanto à relíquia do seu sangue, foi exposta, pela primeira vez, em 1305. 

Porém, o milagre do seu sangue, que parece quase ferver e voltar ao estado líquido, permanecendo até a oitava seguinte, ocorreu, pela primeira vez, em 17 de agosto de 1389, após uma grande escassez. 

Hoje, o milagre se repete três vezes ao ano: no primeiro sábado de maio, em memória da primeira translação; em 19 de setembro, memória litúrgica do Santo e data do seu martírio; e em 16 de dezembro, para comemorar a desastrosa erupção do Vesúvio, em 1631, bloqueada por intercessão do Santo. 

As duas ampolas estão conservadas em uma teca de prata, por desejo de Roberto d’Angiò, na Capela do Tesouro de São Januário, na Catedral de Nápoles.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

SÃO CORNÉLIO, Papa e SÃO CIPRIANO DE CARTAGO, Bispo, Mártires.

São Cornélio, Papa, e São Cipriano de Cartago, Bispo. Mártires. 



São Cornélio, Papa e Mártir.

Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.

 

A Igreja debatia, internamente, para tentar uma solução definitiva quanto à conduta a ser adotada em relação a um dos seus maiores problemas da época, referente aos "lapsos", nome dado aos sacerdotes e fiéis que renegavam a fé e separavam-se da Igreja durante as perseguições que se impunham aos cristãos.

Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Mas toda essa oposição contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago, Argélia, norte da África.

Entretanto, o imperador Décio morreu em combate, sendo sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Cività-Vecchia, em Roma.

No exílio, o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Onde encontrava um pouco de alegria era nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo.

Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calixto. A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

 

 São Cipriano de Cartago (†258), bispo de Cartago e mártir.

Táscio Cecílio Cipriano nasceu no norte da África, provavelmente em Cartago, entre os anos 200 e 210 d.C. Filho de família abastada, recebeu formação superior, dedicando-se à oratória e advocacia. Converteu-se ao cristianismo, já adulto, por volta de 245. Três anos depois foi eleito bispo de Cartago. Foi degolado nas imediações da cidade, na presença de grande multidão de cristãos e pagãos, aos 14 de setembro de 258, durante a perseguição de Valeriano.

A Igreja, na época de São Cipriano, vivia intenso fervor. As sangrentas perseguições, que desde Nero (ano 64 d.C.) a sacudiam, somente faziam aumentar o fervor, e os mártires entregavam suas vidas com amor e fé.

Mesmo com todo este fervor, surgiam grupinhos de hereges que, desejosos de 'autonomia', pregavam uma doutrina diferente da dos Apóstolos e dos Bispos da Santa Igreja de Cristo. Para combater estas heresias, Cipriano divulga, por volta do outono do ano de 251, como ele mesmo diz, um livrinho de conduta cristã denominado: "Catholicae Ecclesiae Unitate" - "A Unidade da Igreja Católica".

São maravilhosas as palavras de São Cipriano. Ele demonstra uma clareza de ideias e um espírito decidido na meta que almeja alcançar. Homem de Deus, baseou-se totalmente nas escrituras para defender a unidade da Igreja Católica, o Primado de Pedro e outras Santas Doutrinas recebidas diretamente dos Apóstolos.

 

Das Cartas de São Cipriano, bispo e mártir 

(Epist. 60,1-2.5: CSEL 3,691-692.694-695)

(Séc.III)

 

Fé generosa e firme.

Cipriano a Cornélio, seu irmão. Tive notícias, irmão caríssimo, dos gloriosos testemunhos de vossa fé e fortaleza. Recebemos com tanta exultação a honra de vossa confissão que também nos julgamos participantes e companheiros de vossos merecidos louvores. Pois, se em nós e na Igreja só há um modo de pensar e indivisa concórdia, qual o sacerdote que não se rejubilaria como próprio com os louvores dados a seu irmão no sacerdócio? Ou que fraternidade não se alegraria com o júbilo de todos os irmãos? Impossível expressar como foi grande esta exultação e alegria, quando fui informado de vossas vitórias e atos de coragem. Nisto foste o primeiro, durante o interrogatório dos irmãos. O testemunho do chefe ainda foi acrescido pela confissão dos irmãos. Enquanto avanças na glória, fazes muitos companheiros nessa mesma glória e estimulas o povo a dar testemunho por estares preparado, antes de todos, a confessar em nome de todos. Não sabemos o que primeiro elogiar em vós: se vossa fé decidida e estável, se o indefectível amor fraterno. Aí se provou de público a virtude do bispo indo à frente, e se revelou a união da fraternidade que o seguia. Já que em vós só há um coração e uma só voz, foi toda a Igreja Romana que testemunhou.

Tornou-se evidente, irmão caríssimo, a fé que o Apóstolo já tinha louvado em vós. Já então ele previa a virtude louvável e a firmeza da coragem, atestando com isso vossos méritos futuros. O elogio aos pais era estímulo aos filhos. Por serem assim unânimes e fortes, dão exemplo de unanimidade e fortaleza aos outros irmãos. Sinais da providência do Senhor nos avisam, e palavras salutares da divina misericórdia nos advertem de que já se aproxima o dia de nossa grande luta. Por isto, como podemos, irmão caríssimo, pela mútua caridade que nos une, nós vos exortamos a não esmorecer. Nos jejuns, nas vigílias e orações com todo o povo. São estas armas celestes que fazem ficar de pé e perseverar com denodo; são estas as defesas espirituais, as lanças, que protegem. Lembremo-nos um do outro, concordes e unânimes, mutuamente oremos sempre por nós, suavizando as tribulações e angústias pela caridade recíproca.

 

Das Atas Proconsulares sobre o martírio de São Cipriano, bispo (Acta, 3-6: CSEL3, 112-114).

(Séc. III)

 

Em causa tão justa, não há que discutir.

No dia décimo oitavo das calendas de outubro, pela manhã, grande multidão se reuniu no campo de Sexto, conforme a determinação do procônsul Galério Máximo. Este, presidindo no átrio Saucíolo, no mesmo dia ordenou que lhe trouxessem Cipriano. Chegado este, o procônsul interrogou-o: “És tu Táscio Cipriano?” O bispo Cipriano respondeu: “Sou”. O procônsul Galério Máximo: “Tu te apresentaste aos homens como papa do sacrílego intento?” Respondeu o bispo Cipriano: “Sim”. O procônsul Galério Máximo disse: “Os augustíssimos imperadores te ordenaram que te sujeites às cerimônias”. Cipriano respondeu: “Não faço”. Galério Máximo disse: “Pensa bem!” O bispo Cipriano respondeu: “Cumpre o que te foi mandado; em causa tão justa, não há que discutir”. Galério Máximo deliberou com o seu conselho e, com muita dificuldade, pronunciou a sentença, com estas palavras: “Viveste por muito tempo nesta sacrílega ideia e agregaste muitos homens nesta ímpia conspiração. Tu te fizeste inimigo dos deuses romanos e das sacras religiões, e nem os piedosos e sagrados augustos príncipes Valeriano e Galieno, nem Valeriano, o nobilíssimo César, puderam te reconduzir à prática de seus ritos religiosos. Por esta razão, por seres acusado de autor e guia de crimes execráveis, tu te tornarás uma advertência para aqueles que agregaste a ti em teu crime: com teu sangue ficará salva a disciplina”. Dito isto, leu a sentença: “Apraz que Táscio Cipriano seja degolado à espada”. O bispo Cipriano respondeu: “Graças a Deus!”

Após a sentença, o grupo dos irmãos dizia: “Sejamos também nós degolados com ele”. Por isto houve tumulto entre os irmãos e grande multidão o acompanhou. E assim Cipriano foi conduzido ao campo de Sexto. Ali tirou o manto e o capuz, dobrou os joelhos e prostrou-se em oração ao Senhor. Retirou depois a dalmática, entregando-a aos diáconos, e ficou de alva de linho e aguardou o carrasco, a quem, quando chegou, mandou que os seus lhe dessem vinte e cinco moedas de ouro. Os irmãos estenderam diante de Cipriano pano de linho e toalha. O bem-aventurado quis vedar os olhos com as próprias mãos. Não conseguindo amarrar as pontas, o presbítero Juliano e o subdiácono Juliano o fizeram. Deste modo morreu o bem-aventurado Cipriano. Seu corpo, por causa da curiosidade dos pagãos, foi colocado ali perto, de onde, à noite, foi retirado e, com círios e tochas, hinos e em grande triunfo, levado ao cemitério de Macróbio Candidiano, administrador, existente na via Mapaliense, junto das piscinas. Poucos dias depois, morreu o procônsul Galério Máximo.

O mártir santíssimo Cipriano foi morto, no dia décimo oitavo das calendas de outubro, sob Valeriano e Galieno imperadores, reinando, porém, nosso Senhor Jesus Cristo, a quem a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

 

FONTES:

Do livro "Escola da Fé 1: Sagrada Tradição", pp. 68-70 

Liturgia das Horas: Ofício das Leituras da Memória dos Santos Cornélio, papa, e Cipriano, bispo.

sábado, 16 de dezembro de 2023

A Bem-aventurada Família Ulma, mártires da fé e caridade.


Cardeal Semeraro: a família Ulma é exemplo de "santidade da porta ao lado"
Caridade e acolhimento - o fio vermelho que percorre a vida e o martírio da família polonesa, a primeira na história da Igreja cujos membros são beatificados ao mesmo tempo. Em homilia, o prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos recordou os nomes dos judeus mortos com os Ulma e a mensagem do mais jovem dos novos Beatos, que veio "à luz do mundo no momento do martírio de sua mãe": acolher, amar e proteger a vida.

Markowa está repleta de fiéis e de sol neste dia de setembro em que tudo brilha mais forte, até mesmo o céu azul. Milhares de pessoas vieram de toda a Polônia para celebrar e se alegrar com a beatificação de Jozef, Wiktoria e seus sete filhos. Eles são os Ulmas, "Os Samaritanos de Markowa", a família capaz de transformar sua casa "no lugar daquela que o Papa Francisco chama de santidade da porta ao lado". Isso foi lembrado na homilia do prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro: ao dar acolhimento a oito judeus perseguidos pelo regime nazista, "a casa dos Ulma se tornou aquela hospedaria onde o homem desprezado, marginalizado e ferido de morte era hospedado e cuidado".

Na escola do Evangelho
Jozef e Wiktoria, diferentes no caráter, mas com um horizonte comum, formaram seus corações e os de seus filhos meditando, orando e acolhendo diariamente a Palavra de Deus. "Eles viveram uma santidade que não era apenas conjugal", continuou o prefeito, "mas totalmente familiar", iluminada e sustentada pela graça santificadora do Batismo, da Eucaristia e dos outros sacramentos. Somente dessa forma poderiam emergir "a beleza e a grandeza do Sacramento do Matrimônio".

A testemunha sem nome
Tudo está parado na esplanada em Markowa quando o bispo Grzegorz Chudzio traduz para o polonês as palavras de Semeraro sobre o menor dos novos Beatos, a criatura que Wiktoria carregou em seu ventre "e que veio à luz no tormento da carnificina de sua mãe" .

Sem nunca ter pronunciado uma palavra, hoje o pequeno Beato clama ao mundo moderno para que acolha, ame e proteja a vida, especialmente a dos indefesos e marginalizados, desde o momento da concepção até a morte natural. É a sua voz inocente que quer mexer nas consciências de uma sociedade onde o aborto, a eutanásia e o desprezo pela vida, vista como um fardo e não como um dom. A família Ulma nos encoraja a reagir a essa cultura do descarte, que o Papa Francisco denuncia".

A amizade judaico-cristã
A saudação do cardeal Semeraro aos representantes da comunidade judaica presentes no rito de beatificação seguiu-se à lista dos nomes dos membros das duas famílias acolhidas pelos Ulma e que perderam suas vidas com eles. "Essa reunião de famílias judias e uma família católica no mesmo martírio tem um significado muito profundo" porque oferece "a mais bela luz sobre a amizade judaico-cristã, tanto em nível humano quanto religioso".

Pacificadores
Outro elemento de luz surge da atualidade da mensagem dos Ulma, que, com seu gesto para com os mais necessitados, referem-se à necessidade urgente de acolhimento. O contexto ao qual o cardeal se refere - sem esquecer o incrível compromisso da Polônia em ajudar os civis que fogem da guerra - é a invasão russa na Ucrânia: "a intercessão dos novos Beatos e seu testemunho de caridade evangélica encoraja todos os homens de boa vontade a se tornarem pacificadores". 

A coragem de viver a fé
Nas palavras do prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, há também uma sincera gratidão aos muitos outros poloneses que deram refúgio aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, pagando por essa escolha consciente com a própria vida. Há também um forte desejo de que "em todos nós, o testemunho martirial da família Ulma desperte o desejo sincero de professar e viver a fé com coragem".

A periferia no coração da Igreja
Markowa neste domingo, 10 de setembro de 2023, parece ser o centro do mundo para o qual a Igreja universal olha, honrando seus nove filhos, Józef e Wiktoria, Stanisława, Barbara, Władysław, Franciszek, Antoni, Maria e o mais novo (sem nome), que veio ao mundo no momento do martírio de sua mãe.

Fonte: Vatican News

domingo, 29 de outubro de 2023

SANTO ELESBÃO, Rei da Etiópia e Anacoreta.

            

      O Santo que agora trazemos à memória já foi muito venerado antes do Concílio Vaticano II, especialmente pelos descendentes dos negros vindos da África e escravizados no Brasil. É muito comum, em igrejas dedicadas a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, especialmente presentes em cidades mineiras e paulistas, encontrarmos suas imagens, bem como as de outros santos e santas de raça negra, como: Santa Ifigênia, São Benedito, Santo Antônio de Categeró e, agora, mais recentemente canonizada, Santa Josefina Bakhita, de origem sudanesa. Conheçamos um pouco quem foi Santo Elesbão, rei da Etiópia, que por amor a Cristo, renunciou a tudo que tinha para ganhar o Tudo, isto é: Deus. 

Memória em 27 de outubro.




No século VI, a nação etíope, situada a oeste do Mar Vermelho, era um vasto reino que incluía outros povos além dos etíopes. O soberano era Elesbão, rei católico, contemporâneo do imperador romano Justiniano, muito estimado por todos os súditos e seu reino era uma fonte de propagação da fé cristã.

O reino vizinho, formado pelos hameritas, era chefiado por Dunaan, que renegara a fé convertendo-se ao judaísmo. Na ocasião, mandou matar todos os integrantes do clero e transformou as igrejas em sinagogas, tornando-se temido e famoso por seu ódio declarado aos cristãos.

Por isso, muitos deles, até o arcebispo Tonfar, buscaram abrigo e proteção nas terras do rei Elesbão, pois até a própria esposa de Dunaan, chamada Duna, foi morta por ele, juntamente com as filhas, por ser cristã. Os registros indicam que houve um verdadeiro massacre, no qual morreram cerca de quatro mil cristãos.

Elesbão decidiu reagir àquela verdadeira matança imposta aos irmãos católicos e declarou guerra a Dunaan. Liderando seu povo na fé e na luta, ganhou a guerra e a vizinhança passou a ser governada pelo rei Ariato, um cristão fervoroso.


Mas, ele teve de vencer outra batalha ainda maior além dessa travada contra o inimigo: aquela contra si mesmo. Depois de um curto período de muita oração e penitência, aceitou o chamado de Deus. Abdicou do trono em favor do filho, seu sucessor natural, e dividiu seus tesouros entre os súditos pobres. Assim, Elesbão partiu para Jerusalém, onde depositou sua coroa real na igreja do Santo Sepulcro, e retirou-se para o deserto, vivendo como anacoreta até morrer em 555.

No Brasil, a partir dos escravos, foi muito difundida a devoção a santo Elesbão, o rei negro da Etiópia. Sua memória é celebrada em todo o mundo cristão, do Ocidente e do Oriente, no dia 27 de outubro, considerado o dia de sua morte.


Santo Elesbão, rogai por nós!

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Venerável Serva de Deus Lúcia Mangano, virgem e mística - Invocações ao Coração Imaculado de Maria

INVOCAÇÕES AO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA


(Da Venerável Lúcia Mangano)

“Por tua Imaculada Conceição - Salvai-nos, minha Mãe.

Por tua natividade - Salvai-nos, minha Mãe.

Por Teu Coração Imaculado - Salvai-nos, minha Mãe.

Pela beleza dos teus olhos que refletem a luz de Deus - Salvai-nos, minha Mãe.

Pela Encarnação do Verbo no teu seio virginal - Salvai-nos, minha Mãe.

Pelos atos de amor e de adoração que Lhe prodigalizaste - Salvai-nos, minha Mãe.

Por teus puríssimos lábios que beijaram o Verbo feito carne - Salvai-nos, minha Mãe

Por tua divina Maternidade - Salvai-nos, minha Mãe.

Pelo leite que deste ao teu divino Filho - Salvai-nos, minha Mãe.

Por tua intemerata Virgindade - Salvai-nos, minha Mãe.

Pela agonia da tua alma na Paixão de Jesus - Salvai-nos, minha Mãe.

Por seu Sangue Preciosíssimo - Salvai-nos, minha Mãe.

Por sua Cruz - Salvai-nos, minha Mãe.

Por suas Sacratíssimas Chagas - Salvai-nos, minha Mãe. 

Pelas lágrimas que derramaste aos pés da Cruz - Salvai-nos, minha Mãe.

Pela angústia que experimentaste ao assistir Jesus agonizante - Salvai-nos, minha Mãe.

Pelo martírio do teu Coração na sua sepultura - Salvai-nos, minha Mãe.

Pela alegria da sua Ressurreição - Salvai-nos, minha Mãe.

Por Jesus na Santíssima Eucaristia - Salvai-nos, minha Mãe.

Por tua assunção ao Céu - Salvai-nos, minha Mãe.

Ó Maria, de nós pobres criaturas Mãe terníssima, tu que és a Rainha do Céu e da terra e Medianeira poderosa junto ao teu divino Filho, intercedei por nós. Assim seja.

SÃO PAULO TONG VIET BUONG, LEIGO É MÁRTIR NO VIETNÃ.


(Memória no dia 23 de Outubro) 

São Paulo Tong Viet Buong nasceu em 1782, em Phu Cam, atual Vietnã, e serviu no corpo de guarda-costas do Imperador Minh Mang.

Cristão convertido, ele deu sua assistência às Missões Estrangeiras de Paris e assim ajudou a promover a causa católica em seu país. 

Protegendo aldeias contra os invasores maurauders, seus bravos feitos foram apresentados ao imperador. O Imperador Minh Mang recrutou-o para o corpo da Guarda Imperial e logo o tornou o Pretor da Guarda Imperial. 

Por ser próximo ao Imperador, ele era frequentemente questionado pelo Imperador se ele havia visitado as festas locais. A princípio, habilmente evitou as perguntas dizendo: sem as ordens de Sua Majestade, que não visitei as festas. 

Depois de ser pressionado várias vezes, ele confessou que sua crença cristã não lhe permitia visitar festas ou adorar outros deuses. 

Desde a juventude, ele era conhecido por seu raciocínio rápido e peculiaridades inteligentes. O Imperador Minh Mang ficou furioso e ordenou que seu chefe da guarda fosse chicoteado e preso. 

Para humilhá-lo ainda mais, Ming Mang ordenou que Paulo Buong servisse na casa dos outros guardas imperiais. Sua família pagou esses guardas e Paulo Buong foi libertado para sua família. 

Em casa, ele foi novamente preso depois de um ano durante a inspeção de seus guardas imperiais pelo imperador. Desta vez, Paulo Buong foi torturado de forma selvagem. Ele deu boas-vindas ao sofrimento, até mesmo pedia aos torturadores, de forma provocadora, por mais. Dizia a quem o visitava que Deus o libertaria assim que ele fosse martirizado. 

Finalmente, o imperador Minh Mang decretou que ele seria decapitado e que sua cabeça seria exibida no púbico na paróquia de Tho Duc como um aviso aos católicos que desafiassem os decretos reais. 

Foi martirizado por decapitação em 23 de outubro de 1833. O Papa Leão XIII o Beatificou em 27 de maio de 1900 e o Papa São João Paulo II o Canonizou em 1988, junto com os outros 116 Mártires Vietnamitas.

São Paulo Tong Viet Buong, rogai por nós!

Fonte:
Texto baseado no escrito pelo Pe. Reinaldo Bento. 

domingo, 10 de setembro de 2023

Beato Mario Borzaga, Presbítero da Congregação dos Oblatos de Maria Imaculada, Místico da Cruz e Mártir.

Em 27 de agosto de 1932, nascia o referido Beato.

Desde o período formativo, compreende um íntimo chamado ao martírio. Assim escreve: 

“19 de fevereiro de 1957 – Na Via Sacra, fervoroso com meu crucifixo entre as mãos, considerei como Jesus escolheu a mim também para ser um continuador da sua Via Sacra: portador da cruz, sacerdote. Às vezes, sou tomado pela tristeza pensando como terei de sofrer, desde o momento que Jesus para isso me escolheu, mas, então, penso que não se trata de discutir uma possibilidade do amanhã, mas de estabelecer sólido um princípio: 'A vida inteira de Cristo foi cruz e martírio. Eu sou um outro Cristo, portanto...' O Cristo que me escolheu é o mesmo que deu Vida e Força aos mártires e virgens: eram homens como eu, amassados com nada e fraqueza; foram escolhidos para o combate, receberam as armas, lutaram e venceram. Eu também fui escolhido para o martírio. E, se quero ser um santo sacerdote, não devo desejar outra coisa, porque este é o mistério que todos os dias está em minhas mãos: o mistério do sangue, da imolação total, da doação completa de si mesmo, da inocência fruto da renúncia, da humildade diante das grandezas divinas”. 

Foi ordenado sacerdote em 24 de fevereiro de 1957.  

Será missionário no Laus, onde consumará sua oblação. Aqui viverá sua noite escura. A cruz da missão em si com suas dificuldades, adequar-se à outra cultura, aprender sua língua. Deus tem pressa. Durante anos, Mario tinha suplicado depois da Comunhão, ser “sacerdote, apóstolo, missionário, mártir”. E Deus realizará seus mais íntimos desejos. 

Em 25 de abril de 1960, parte com seu catequista Paul Thoj Xyooj, para uma vila vizinha. Nunca mais retornará. Deus realizará seu grande desejo: será mártir.

Fontes:

Postulatio OMI

Redes sociais do professor José Eduardo Câmara, hagiógrafo, pesquisador e escritor (com a permissão do mesmo)

Beato Gonzalo Barron Nanclares, Presbítero da Congregação dos Sagrados Corações e Mártir (Guerra Civil Espanhola)


Mártir em Madrid em 2 de setembro de 1936. Era natural de Ollauri (Logroño). Nascido em 20 de outubro de 1899. Professou em 5 de agosto de 1917. Ordenado sacerdote em 17 de março de 1923. (Reinado Social 1939, n. 186, faz um cálculo das homilias pregadas por ele nos 13 anos de seu profícuo sacerdócio de cerca de "15 mil" - não se sabe ao certo). Por mais que pareça exagerado, todas as notícias dizem que o seu ardente zelo lhe dava tempo e força para tudo.

Foi o apóstolo da Entronização do Sagrado Coração e da Adoração Noturna no Lar na Espanha. Chegou a reunir 40.000 adoradores noturnos. A guerra surpreendeu-o em Madrid na sua morada habitual.

Ele era muito conhecido em Madrid por causa de sua pregação no Morro dos Ángeles (Madrid), e foi muito procurado, por isso trocava de lugar de vez em quando. Não suportava ficar preso sabendo que havia tantos que sofriam ou precisavam de ajuda espiritual. Por isso saiu da Legação das Honduras, onde esteve algum tempo, e foi para uma família conhecida.

Em uma das suas saídas de casa, os milicianos comunistas seguiram-no pela rua até que o cercaram e prenderam. Era o dia 01 de setembro de 1936. Fizeram-lhe uma simulação de julgamento, no qual declarou, segundo uma testemunha amiga dele, que era padre e que tinha pregado várias vezes no Morro dos Ángeles, pois, essa era a sua missão. No dia seguinte, apareceu fuzilado nos altos do hipódromo, fora de Madrid. Tinha apenas 37 anos.

Foi beatificado em 13 de outubro de 2013, durante o pontificado de do Papa Francisco.


Fonte: redes sociais do professor José Eduardo Câmara, hagiógrafo (com a permissão do pesquisador). 

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

SANTA ROSA FAN HUI, Leiga, Catequista e Mártir (na China) *

 

Nós católicos, mesmo os latino-americanos, demos um costume (talvez por causa de padre missionários vindos da Europa) de cultuar mais santos e santas de origem européia: italianos, franceses, espanhóis, portugueses, alemães, etc. Desconhecemos, às vezes, por completo que já temos muitos santos e santas latino-americanos, mexicanos, africanos e asiáticos (chineses, japoneses e coreanos). Hoje, o site santos, beatos, veneráveis e servos de Deus traz um resumo da história de Santa Rosa Fan Hui, uma santa virgem e mártir chinesa.

A jovem Wang Hoei (mais tarde Rosa) vivia feliz na província chinesa de Hebei, na sua aldeia, relativamente próxima de Pequim, quando o século XX lhe restavam já dois telejornais.

Ficou feliz porque tinha acabado de ouvir alguns missionários falar de Liaoshi (Deus) e de Xishi (Jesus) e de construir uma “miao” (igreja). Assim ela conheceu os missionários lazaristas, vindos de uma congregação que havia fundado São Vicente de Paulo no século XVI.

Wang Hoei estava tão feliz e ouvia tão concentrada estes pobres e santos homens que mal sabiam a língua e vestiam-se tão estranhos que pouco depois decidiu se batizar e mudar de nome. Agora era Fan Hui, Rosa Fan Hui, e tornou-se catequista de crianças na sua aldeia.

Eu já tinha decidido que não ia se casar, porque não havia um cristão de verdade para fazê-lo, então ele se dedicou a ajudar os lazaristas com a língua, a traduzir-lhes termos para não misturar as coisas com o budismo e ensinar as crianças quem era esse Jesus.

Ei, nada mau, certo?

Alguns anos se passaram e, de repente, ocorreu uma espécie de revolução nos arredores de Pequim (que são muito grandes) comandada por fãs de artes marciais, especialmente de uma brutal, que vamos chamar boxe chinês para nos entendermos. Os ingleses chamaram-lhes, por isso, "boxers" (de quem falei antes)

Os boxers acreditavam que as balas não podiam prejudicá-los e achavam que tinham superpoderes, parece uma piada mas a imperatriz Ci Xi, surpreendentemente, ficou do seu lado. Os boxers eram profundamente anticristãos.

O império chinês já não se sustentou. Tinha perdido, nessa época, e sucessivamente, guerras com o Japão e com a Inglaterra e a França (as chamadas guerras do ópio). Isso o obrigou a assinar um pacto comercial pelo qual potências ocidentais podiam manobrar com produtos de todo o tipo em território chinês.

Pequim era um chaleiro de diplomatas, comerciantes, missionários e soldados vindos de qualquer lugar. Isto é o que fez os boxers subirem de posição perante a imperatriz Ci Xi, que apoiou suas ações anticatólicas, desde que servissem a ela.

Quem mais pagou foram os missionários católicos das aldeias. Para as potências estrangeiras foi uma chatice ter que lutar com estes ninjas malucos e assim que eles se uniram minimamente reduziram-lhes simplesmente.

Santa Rosa Fan Hui, como outros tentaram se esconder, estava indo de um lado para o outro. De uma cidade para outra, procurando que os boxers não estivessem por aí. Mas havia muitos e Rosa, um dia que passava por uma pequena ermida construída pela missão dos lazaristas, disse a si mesma:

"Já está. Há dias que não faço o que deu sentido à minha vida: rezar. Eu fico aqui porque não posso ficar eternamente fugindo."

Ficou o dia todo e a noite toda rezando, esperando o que viria.

De manhã, na saída da ermida, um grupo de boxers estava esperando por ela. Os boxers atacaram implacavelmente Rosa, que sem resistência continuava a rezar, o que enfureceu mais os perseguidores. Eles pegaram suas espadas e fizeram várias feridas por todo o corpo para, pouco depois, seguir seu caminho abandonando-a às margens de um canal. Pouco tempo depois, outro grupo de boxers passou e acabaram com ela.

Foi 16 de agosto de 1900. Um novo século estava começando. Muitos testemunhos de camponeses chineses que testemunharam a morte destes mártires, abandonados à sua sorte por todos.

Isso possibilitou que, cem anos mais tarde, em 2000, se realizasse em Roma uma celebração realizada pelo Papa São João Paulo II para canonizar 119 mártires chineses da perseguição desses anos. Entre eles estava Santa Rosa Fan Hui, catequista.

Santa Rosa Fan Hui, virgem, leiga e catequista católica, rogai por nós!


* Pesquisa do grande professor, pesquisador, escritor e irmão em Cristo, professor José Eduardo, membro da Academia Brasileira de Hagiologia. Com a permissão do mesmo. 


terça-feira, 22 de agosto de 2023

A batalha entre Miguel e seus anjos e Satanáse seus anjos.


E vamos caminhando na "Quaresma de São Miguel", preparação para a Festa do dia 29/09.

Sobre a "batalha" de Miguel e seus anjos fiéis a Deus contra Satanás e seus anjos decaídos, é importante que compreendam que não foi uma luta na qual esses espíritos angélicos usaram socos, pontapés, empurrões, espadas, lanças, flechas ou raios... Nada disso!

Os anjos foram criados com sua natureza angélica, portanto, portadores, em graus muito perfeitos, de acordo com suas hierarquias, com os dotes das criaturas livres, como o ser humano, criadas à imagem e semelhança de Deus: com inteligência, liberdade, razão e vontade.

Não tinham as fraquezas que nós, seres humanos, depois da queda de nossos primeiros pais, passamos a ter.

Eram espíritos puros, todos criados e bons e santos, porém, gozavam do dom da liberdade, do livre arbítrio, e de uma vontade plenamente livre.

E eram essas vontade e liberdade que precisavam serem postas à prova por Deus, que não quer ser servido e nem amado obrigatoriamente, de forma forçada, de forma involuntária: formas imperfeitas, contrárias ao próprio Deus, Ser Eterno, plenamente feliz, amoroso e livre em sua Unidade e Trindade.

A "batalha" foi travada entre as inteligências e vontades dos anjos bons contra as inteligências e vontades dos anjos maus. Argumentos de fervor, amor, submissão e humildade dos anjos bons com relação a Deus, contra argumentos de revolta, insubmissão, rebeldia e ódio contra Deus.

Os anjos bons entenderam que sua liberdade estava na servidão a Deus. Os maus colocaram em suas mentes que serem livres era afastarem-se de Deus e seguirem suas próprias vontades.

Obviamente que, com isso, os Anjos bons foram admitidos à visão beatífica da Trindade, à glória do paraíso, à recompensa eterna. E os maus, afastando-se de Deus, afastaram-se do amor, da humildade, da paz, da alegria e da vida, mas, mesmo assim, preferiram isso a serem "escravos de Deus".

Por isso que o pecado dos demônios foi imenso e irreversível. A decisão deles não foi movida por fraqueza:  eles escolheram livremente isso. Foi uma decisão bem pensada. Definitiva. Só não sabiam quão terrível seria o inferno: lugar e estado de atrozes sofrimentos: o fogo eterno, o "verme que não morre" e gritam, berram e urram constantemente as dores de suas condenações e destilam seu ódio contra Deus e contra tudo que Deus ama, significa e quer.

Os demônios sabem que Deus é bom e misericordioso para com os seres humanos, mas, não creem que Deus foi bom com eles, pois, interpretam que Deus não era para ter criado eles para serem servos dEe, do Filho feito homem, de Maria Imaculada: uma mulher santíssima, mas, uma criatura humana, de natureza inferior à deles, e nem de nós, filhos e filhas adotivos de Deus. 

Daí que toda a sua obsessão está voltada em ofender a Deus, a quem odeiam com todas as suas forças e a atrapalhar os planos de Deus, especialmente, tentando os homens, para que se sintam "livres como eles" e optem, como eles, por uma vida fora da vontade de Deus, afundados em vícios, maldades, libertinagens, ateísmo prático, e, como eles, caiam no fogo eterno...

Giovani Carvalho Mendes
(Irmão João Maria da Encarnação, ocds)